quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ ANO NOVO



Os dias fluem rapidamente, e já estamos iniciando um novo ano em nossas vidas. Cada pessoa tem, com certeza, motivos para agradecer a Deus pelo ano que se finda. Muitos concluirão o ano com marcas de alegria ou de tristeza, com a sensação de realização ou de decepção, após lutas intensas e vitórias ou, algumas vezes, derrotas aparentes (pois quem está em Cristo não é derrotado, antes, a vitória vem até quando há derrota, pois o Espírito concede crescimento e maturidade), mas uma coisa é certa, "até aqui nos ajudou o SENHOR" (1 Samuel 7:12).

Não haveria possibilidade de concluirmos um ano e iniciarmos outro se não fosse a mão de Deus a nos sustentar e guiar pelas complicadas veredas da vida. As batalhas que travamos todos os dias são tão duras e fatigantes que, se dependêssemos apenas de nossas forças, sem dúvida já teríamos sucumbido. Dia após dia enfrentamos a indiferença crescente no mundo, a falta de amor de pessoas que têm o coração endurecido, as perseguições motivadas por nossas convicções, a ira e o descontrole de pessoas que não possuem o temperamento controlado pelo Espírito Santo, os ataques constantes de Satanás, de nossa natureza pecaminosa e do sistema deste mundo.

Enfrentamos também enfermidades, problemas financeiros, crises pessoais, familiares e de relacionamentos. Enfrentamos gigantes que quase nos esmagam, e algumas vezes o desânimo se aproxima de nós e quer nos dominar. Mas, graças a Deus por Sua infinita misericórdia, porque Ele nos dá alento e nos segura pelas mãos. Quando clamamos por socorro, YAHWEH vem e nos fortalece, e ainda que tenhamos que passar pelo vale das sombras, Ele não se afasta de nós e não deixa que pereçamos.

Que em 2010 você continue experimentando o poder de Deus em sua vida. Caso você ainda não conheça a felicidade de estar nas mãos de Deus, pare de perder tempo, pare de tentar resolver tudo sozinho, porque nenhum ser humano pode vencer o mundo por si mesmo. Só em Deus encontramos seguro refúgio.

Desejo um Feliz 2010 a todos os leitores deste blog, e a todos quantos creem em Deus. Quanto aos que não creem, também lhes desejo um Feliz 2010, todavia, saibam que isso apenas ocorrerá se houver fé em Deus, pois, fora dEle, não há vida.

Que Deus abençoe a todos, em Cristo Jesus.

José Vicente
31.12.2009

sábado, 26 de dezembro de 2009

COLT E A INVERSÃO DE VALORES

Assistindo a um jornal televisivo no dia 25.12, ouvi uma notícia que me causou perplexidade: um criminoso norte-americano chamado Colt, responsável por mais de 50 (cinquenta) assaltos, passou a ser o novo ídolo de grande parte do povo daquele país.

Segundo a informação veiculada, Colt é um jovem de 18 anos de idade, inteligente, criativo e ousado. Suas ações começaram com pequenos furtos e passaram a assaltos cinematográficos. A polícia não consegue capturá-lo. Ele desafia as autoridades.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

AGULHAS NO CORPO, RITUAIS E A PROXIMIDADE DO FIM

Recentemente o Brasil ficou chocado com a notícia de que uma criança de dois anos de idade tinha trinta e uma agulhas espalhadas pelo corpo, algumas comprometendo órgãos vitais. As agulhas, segundo se apurou em investigação policial, foram introduzidas pelo padrasto da criança, com o auxílio de duas mulheres, sendo uma a sua amante e a outra, uma mãe-de-santo que fazia rituais de magia negra.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ORAÇÃO SEGUNDO A VONTADE DE DEUS

Texto base: Tiago 5:13-18


No texto em análise Tiago fala, dentre outras coisas, da importância da oração na vida do servo de Deus. Ele relaciona a oração ao consolo e livramento nos momentos de aflição, cura de doenças físicas e espirituais, busca do auxílio e da justiça divina. Para ilustrar o que escreve, Tiago invoca o exemplo de um eminente personagem do Antigo Testamento, o profeta Elias, homem tremendamente utilizado por Deus durante seu ministério profético, canal através do qual o poder de Deus se manifestou de forma magnífica.

ESPÍRITO NATALINO

“E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.” (2 Tess 3:13)

É interessante como, nessa época de Natal, boas ações são praticadas em grande profusão, por pessoas as mais variadas, desde pobres até milionários, tendo como fundamento o espírito do Natal. Essas pessoas afirmam que, por ser período de Natal, uma data que mexe com o coração e traz (ou deveria trazer) uma mensagem de paz e amor, o momento é propício para a realização de obras de caridade, para tornar o Natal de outros um pouco mais feliz.

Assim, veem-se pessoas fazendo doações de brinquedos para as crianças carentes, alimentos para necessitados, roupas para os menos favorecidos, cestas de Natal para os empregados, enfim, diversos gestos que demonstrem bondade e amor ao próximo, pois o espírito do Natal é esse, ajudar os pobres, perdoar ofensas, demonstrar generosidade.

DEVEMOS COMEMORAR O NATAL?

“É que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Lucas 2:11.

Nesta época, em que nos aproximamos do Natal, aparecem diversas pessoas que criticam a comemoração dessa data, apresentando, dentre outras, as seguintes justificativas: i) nas Escrituras Jesus nos deixou ordenança para celebrarmos Sua morte e ressurreição, inexistindo instrução para celebrarmos Seu nascimento; ii) Jesus não nasceu em 25 de dezembro, pois era época de inverno chuvoso e isto é contrário ao texto bíblico, que informa a presença de pastores cuidando de seus rebanhos, o que não acontecia no inverno, mas, conforme estudos, provavelmente Ele teria nascido em setembro ou abril; iii) o Natal não era comemorado pelos cristãos da Igreja Primitiva, sendo introduzido no século IV, depois que o Imperador Constantino oficializou o cristianismo como religião do Império Romano, e seria, na verdade, a festa pagã em homenagem ao deus Sol que foi adotada pelos pseudoconvertidos, para não extinguir a festa idólatra que era muito agradável aos pagãos; iv) é uma festa eminentemente comercial, que não tem nada a ver com Jesus Cristo; e diversas outras explicações.

Diante disto, muitos cristãos ficam em dúvida quanto a comemorar ou não o Natal, afinal, não é nosso desejo tomar parte em algo que não tenha como finalidade glorificar a nosso Deus.

A despeito de tudo quanto se diz sobre o Natal e sua origem, o fato é que, para o cristão, não existe necessidade de um dia especial para se comemorar o nascimento de Jesus. Na verdade, esse evento (nascimento de Jesus) é extremamente importante para a humanidade, pois se trata do momento histórico em que Deus Filho abriu mão de Sua glória nos céus e iniciou Sua humilhação para nos salvar, assumindo a forma humana, com todas as limitações de qualquer ser humano (Fp 2:5-8). Entretanto, todos os dias e a qualquer hora devemos sempre ter em mente a lembrança desse fato glorioso, manifestando nossa gratidão a Deus por ter se disposto a tão grande sacrifício por amor de nós.

Entre os deuses pagãos não existe nenhum como Jesus Cristo, o único Deus verdadeiro, que, por amor, veio ao mundo como homem, nascido de mulher (Gl 4:4-5), padeceu sofrimentos terríveis, morreu numa cruz sem nunca ter cometido pecado nenhum, e ressuscitou, concluindo com êxito a obra de redenção e salvação de todos aqueles que creem no Seu nome.

Considerando essa realidade, podemos e devemos aproveitar o dia de Natal para, mais uma vez, e de forma mais profunda, relembrarmos esse evento que mudou a sorte da humanidade (a encarnação de Jesus). No Natal geralmente as famílias estão reunidas. Pessoas que moram longe retornam à casa dos pais para a Ceia de Natal e para momentos de comunhão que são essenciais à nossa vida. Aproveitemos, então, esse dia para refletir no significado da vinda de Cristo a este mundo na forma humana, e para lembrar também aos nossos queridos familiares, amigos, vizinhos e conhecidos o que Cristo fez por nós, buscando viver com coração grato.

O Natal só será uma data pagã se em nosso coração houver sentimentos de paganismo, se nos amoldarmos à visão que o mundo tem do Natal, pensando apenas em presentes, em Papai Noel, comida, bebida e muita diversão. Para o cristão verdadeiro, 25 de dezembro e todos os demais dias do ano são o Natal de Jesus, e devemos comemorá-lo para a glória de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, através de uma vida santa na presença de Deus.

Feliz Natal a todos, e que Jesus nos dê sabedoria e discernimento para nos mantermos firmes rumo ao alvo.

José Vicente Ferreira

sábado, 5 de dezembro de 2009

AS BEM-AVENTURANÇAS

As bem-aventuranças segundo este mundo:


- Bem-aventurados os ricos e superiores, que conseguem o que querem por suas forças e por sua capacidade de levar vantagem em tudo, e podem até barganhar com Deus, porque deles é este mundo;
- Bem-aventurados os que de nada se arrependem, pois arrependimento é fraqueza, e eles obterão o que quiserem, custe o que custar (mesmo que seja sua própria honra ou a vida alheia);
- Bem-aventurados os fortes, espertos e violentos, pois com sua fúria dominarão sobre o mundo;
- Bem-aventurados os que manipulam a justiça em seu favor, pois sempre ficarão impunes e isto é demonstração de poder;

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

CONSELHOS PARA UMA VIDA PLENA NA PRESENÇA DE DEUS

Leia o texto de Eclesiastes 11:1-10.

Todos nós temos projetos, planos de vida, sonhos a serem realizados, não importa a idade. É claro que, geralmente, os mais jovens têm mais sonhos, mas, na verdade, há pessoas que, mesmo com o passar do tempo, vão cultivando em suas mentes projetos que almejam ver concretizados.

O maior projeto que podemos ter é viver plenamente na presença de Deus. Ele conhece nossos caminhos, pode dirigir nossos passos de forma sábia e evitando sendas tortuosas que apenas resultam em sofrimentos e insucesso. Deus é o criador de todas as coisas e sabe o que é melhor para cada filho.

Para quem deseja uma vida plena na presença de Deus, o sábio Salomão, autor do livro de Eclesiastes, apresenta alguns conselhos no texto acima indicado, que, uma vez seguidos, implicam em colheitas abençoadas na vida presente e na vindoura.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

ALGUMAS LIÇÕES DO SALMO 9

Leia o Salmo 9 algumas vezes, e procure discernir lições para a sua vida. A Palavra de Deus é rica em instruções para a vida.
Outro dia, atentei para o versículo 10 desse Salmo, que utilizei em uma breve mensagem numa reunião de oração. Pouco antes, porém, comecei a ler o Salmo inteiro, e percebi que havia muitas coisas mais que poderiam ser observadas e transmitidas, para fins de edificação espiritual.
A leitura do Salmo 9 me levou a ver que ele apresenta algumas atitudes que devem se constituir em marcas na vida de um servo de Deus, um cristão que deseja ter uma vida plena na presença de Deus.
O Salmo foi escrito por Davi, que, segundo a Bíblia, era um homem segundo o coração de Deus. Interessante que Davi era um homem cheio de defeitos, cometeu muitos pecados, alguns bem graves, mas tinha humildade para se pôr diante de Deus com o coração arrependido e pedir perdão, reconhecendo seus erros e clamando misericórdia. A vida de Davi revela que ele era um servo fiel a Deus, e do Salmo que ele escreveu, inspirado pelo Espírito Santo, podemos extrair, dentre outras, as seguintes lições:

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

CONFIANÇA E AMPARO

"Em ti confiarão os que conhecem o teu nome; porque tu, SENHOR, nunca desamparaste os que te buscam." (Salmo 9:10)

Quem é amparado por Deus? O que O busca.
Quem busca a Deus? O que nEle confia.
Quem confia em Deus? O que O conhece.
Quem conhece a Deus? Quem antes foi conhecido por Ele e percebeu que sem Ele não dá para viver.
Tudo se resume, então, em relacionamento com Deus.
Tomando por parâmetro o relacionamento entre os seres humanos, sabemos que os vínculos nascem quando uma das partes toma a iniciativa de estabelecer contato com a outra. A partir daí, a relação vai crescendo, a convivência vai revelando facetas antes desconhecidas, o diálogo vai se aprofundando e o nível de intimidade também. Pai e filho que não se comunicam se conhecem muito pouco. Marido e esposa vão se conhecendo à medida em que vão tendo convivência, dialogando. Amigos se tornam grandes amigos conforme o nível de relacionamento, conforme o tempo que dedicam a se conhecerem, conforme o tempo que passam juntos.
Com Deus, não há muita diferença, a não ser pelo fato de que Ele é que toma a iniciativa de nos buscar, falando ao nosso coração pelo Seu Espírito, e então respondemos à Sua voz, ou não.
Há quem responda e experimente um pouco da Graça de Deus, contentando-se, porém, em permanecer apenas com os pés dentro do Rio da Graça, achando que é suficiente ter alguns minutinhos de oração quase que mecânica, geralmente na hora de dormir; o cumprimento das "obrigações" semanais com a Igreja, como ir ao culto, ir à EBD, ainda que saindo pela porta do templo não se lembrando do que ouviu.
Outros, todavia, vendo como é maravilhoso relacionar-se com Deus, não querem molhar apenas os pés, mas desejam mergulhar nas águas da Graça, buscando uma comunhão mais profunda com o Pai. Esses dedicam muito mais tempo à oração, que é o diálogo com o Pai - sem diálogo não há como estreitar relacionamentos -; leitura da Palavra de Deus (Bíblia), onde Deus Se revela; exercício do amor ao próximo através da convivência e comunhão com os seres humanos.
Assim, esses que mergulham mais fundo no Rio da Graça de Deus são os que O buscam, e buscando a Deus, aprendem a confiar nEle, pois passam a conhecê-lO, e confiando, são por Ele amparados, como diz o salmista.
Busque, conheça, confie e experimente o poder de Deus em sua vida. Ou permaneça na superficialidade do relacionamento e perca a chance de saber como sua vida poderia ser diferente.
Que YAHWEH o abençoe, em Cristo Jesus.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

JESUS NOS ENSINA A AGIR MOVIDOS PELA MISERICÓRDIA

TEXTO: LUCAS 7: 11-17

A Bíblia nos traz muitos relatos de curas e ressurreições realizadas por Jesus durante o Seu ministério terreno. Contudo, o que se observa na grande parte, é que sempre havia alguém que intercedia por outra pessoa, ou o enfermo pedia por si próprio. Por exemplo, temos o caso do centurião que, estando o seu criado enfermo, pediu a anciãos judeus que fossem até Jesus pedir a cura ao jovem (Lucas 7:1-10).

Ainda, podemos lembrar o caso do da filha de Jairo (Marcos 5:21-43); os dois cegos que clamaram ao Filho de Davi que os curasse (Mateus 9:27-31); dentre tantos que a Palavra do Senhor nos mostra.

O texto de Lucas 7:11-17 nos revela outro ensino de Jesus. Ninguém lhe pediu que ressuscitasse o jovem falecido. Ele simplesmente olhou para aquela mãe triste, que tinha seus olhos cheios de lágrimas, e que ficara sozinha, eis que era viúva e agora perdera seu único filho. Entretanto, mesmo sem que lhe solicitassem ajuda, Ele se compadeceu da mulher, e, agindo movido por essa compaixão, trouxe o jovem de novo à vida.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

COMO EVITAR DESEQUILÍBRIOS RELIGIOSOS

por
A. W. Pink


“E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro,” 1Jo 3.3

Os nossos esforços para sermos corretos nos podem conduzir ao erro. A operação do Espírito, no coração humano, não é inconsciente nem automática. A vontade e a inteligência humana devem ceder e cooperar com as benignas intenções de Deus. Penso que é neste ponto que muitos de nós se perdem. Ou tentamos nos tornar santos, e, então, falhamos miseravelmente; ou, então, procuramos atingir um estado de passividade espiritual, esperando que Deus aperfeiçoe nossa natureza, em santidade, como alguém que se assentasse esperando que um ovo de pintarroxo chocasse sozinho. Trabalhamos febrilmente, para conseguir o impossível, ou não trabalhamos de forma alguma. O Novo Testamento nada conhece da operação do Espírito em nós, à parte de nossa própria resposta moral favorável. Vigilância, oração, autodisciplina e aquiescência inteligente aos propósitos de Deus são indispensáveis para qualquer progresso real na santidade. Existem certas áreas de nossas vidas em que os nossos esforços para sermos corretos nos podem conduzir ao erro, a um erro tão grande que leva à própria deformação espiritual. Por exemplo:

1. QUANDO, EM NOSSA DETERMINAÇÃO DE NOS TORNARMOS OUSADOS, NOS TORNAMOS ATREVIDOS. Coragem e mansidão são qualidades compatíveis; ambas eram encontradas em perfeitas proporções em Cristo, e ambas brilharam esplendidamente na confrontação com os seus adversários. Pedro, diante do sinédrio, e Paulo, diante do rei Ágripa, demonstraram ambas essas qualidades, ainda que noutra ocasião, quando a ousadia de Paulo temporariamente perdeu o seu amor e se tornou carnal, ele houvesse dito ao sumo sarcedote: “Deus há de ferir-te, parede branqueada.” No entanto, deve-se dar um crédito ao apóstolo, quando, ao perceber o que havia feito, desculpou-se imediatamente (At 23.1-5).

2) QUANDO, EM NOSSO DESEJO DE SERMOS FRANCOS, TORNAMO-NOS RUDES. Candura sem aspereza sempre se encontrou no homem Cristo Jesus. O crente que se vangloria de sempre chamar de ferro o que é de ferro, acabará chamando tudo pelo nome de ferro. Até o fogoso Pedro aprendeu que o amor não deixa escapar da boca tudo quanto sabe (1 Pe 4.8).

3) QUANDO, EM NOSSOS ESFORÇOS PARA SERMOS VIGILANTES, FICAMOS A SUSPEITAR DE TODOS. Posto que há muitos adversários, somos tentados a ver inimigos onde nenhum deles existe. Por causa do conflito com o erro, tendemos a desenvolver um espírito de hostilidade para com todos quantos discordam de nós em qualquer coisa. Satanás pouco se importa se seguimos uma doutrina falsa ou se meramente nos tornamos amargos. Pois em ambos os casos ele sai vencedor.

4) QUANDO TENTAMOS SER SÉRIOS E NOS TORNAMOS SOMBRIOS. Os santos sempre foram pessoas sérias, mas a melancolia é um defeito de caráter e jamais deveria ser mesclada com a piedade. A melancolia religiosa pode indicar a presença de incredulidade ou pecado, e, se deixarmos que tal melancolia prossiga por muito tempo, pode conduzir a graves perturbações mentais. A alegria é a grande terapia da mente. “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fp 4.4).

5) QUANDO TENCIONAMOS SER CONSCIENCIOSOS E NOS TORNAMOS ESCRUPULOSOS EM DEMASIA. Se o diabo não puder destruir a consciência, seus esforços se concentrarão na tentativa de enfermá-la. Conheço crentes que vivem em um estado de angústia permanente, temendo que venham a desagradar a Deus. Seu mundo de atos permitidos se torna mais e mais estreito, até que finalmente temem atirar-se nas atividades comuns da vida. E ainda acreditam que essa autotortura é uma prova de piedade.

Enquanto os filósofos religiosos buscam corrigir essa assimetria (que é comum a toda raça humana), pregando o “meio-termo áureo,” o cristianismo oferece um remédio muito mais eficaz. O cristianismo, estando de pleno acordo com todos os fatos da existência, leva em consideração este desequilíbrio moral da vida humana, e o medicamento que oferece não é uma nova filosofia, e sim uma nova vida. O ideal aspirado pelo crente não consiste em andar pelo caminho perfeito, mas em ser conformado à imagem de Cristo.

Fonte: Editora Fiel (http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=112)

LEIA TAMBÉM:

NÃO QUEBRE O VASO

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

SALMO 126

1 Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha.

As obras de YAHWEH são maravilhosas e superam nossas expectativas. Milagres ocorrem, vidas são transformadas, o impossível aos homens se revela possível a Deus. A grandeza do que Ele faz nos deixa perplexos, e muitas vezes parece que estamos ainda sonhando, como que custando a acreditar no que os olhos veem. Não é falta de fé, antes, é espanto diante do que Deus pode fazer, pois uma coisa é crer que Ele pode, e outra é ver quando Ele faz. O impacto é outro. Mas só se verá o que Ele faz se houver fé. Quem não crê não enxerga. Quem não crê acha que é coincidência. Quem crê sabe em Quem confia, e sabe de onde veio o milagre.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A Igreja que não existe mais (4)

por Ariovaldo Ramos


O que existe?

- A Comunhão dos santos existe na realidade da Igreja invisível. Mas, que relevância tem na história uma igreja invisível?

- Ajuntamentos cúlticos – há os que procuram se pautam pela Bíblia, e os que nem tanto.

- Instituições – (muitas e cada vez mais) há as que ainda tentam ser apenas um odre para o vinho, e as que nem tanto.

- Discursos sobre Cristo e sua obra – há os que falam sobre Jesus, segundo a Bíblia, e os que nem tanto.

- Conversões pessoais – há as que trazem marcas do Novo Testamento, e as que nem tanto.

- Missionários – há os que pregam a Cristo, sua morte e ressurreição, e os que nem tanto. O apoio ao missionário está mais para esmola do que para sustento.

- Ação social – há as que querem emancipar o pobre, por amor a Cristo, e as que nem tanto.

- Pastores e Lideres – há os que tentam alcançar o padrão dos presbíteros do Novo Testamento, e os que tanto menos.

- Títulos - em profusão, constratanto com a escassez de irmãos.

- Orações - principalmente, por necessidades materiais, sociais e de cura, que parecem não ser respondidas, pelo menos, não a contento.

- Milagres – (mas pessoais) a misericórdia divina continua se manifestando, porém, não se entende mais o princípio de sua ação.

- Ministérios – há os que são ministros (servos), e os que nem tanto.

- Riqueza – Instituições estão cada vez mais ricas, e há os que usufruem da mesma.

- Irmãos e irmãs que amam a Cristo e a Igreja, mas que estão cada vez mais confusos sobre o que estão assistindo – e há, cada vez mais, um amor em crise.

E ecoa a voz do Cristo: Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? (Lc 18.8)

Talvez, ainda haja tempo de pedir perdão!

Publicado com autorização do Pr. Ariovaldo Ramos, extraído de http://www.irmaos.com/ariovaldoramos/artigos?id=2909

LEIA TAMBÉM:

UMA IGREJA QUE FAZ DIFERENÇA

terça-feira, 29 de setembro de 2009

NÃO QUEBRE O VASO

Antes de ler esta postagem, abra sua Bíblia e leia Eclesiastes 7:16-22. Aproveitando que está com a Bíblia nas mãos, prolongue-se na sua leitura e deixe Deus revelar a você o que está escrito em Sua Palavra.

Olhe para uma mesa próxima a você, ou, se não estiver perto de uma, visualize-a em sua mente. Agora, pegue um vaso muito bonito, de preferência um daqueles valiosos, e o coloque sobre a mesa, em uma posição que reduza drasticamente a chance de que ele venha a cair no chão e se quebrar. Onde foi que você colocou o vaso? Se você o pôs nas extremidades, ou próximo às extremidades da mesa, sugiro que repense suas atitudes e sua filosofia de vida, pois você parece ser alguém que deixa o vaso se quebrar com certa facilidade. Qualquer esbarrão na mesa ou no próprio vaso, estando ele próximo às extremidades, fará com que ele se precipite ao chão e se estilhace, sendo que, dependendo de como for a quebradura, talvez não haja forma de consertá-lo, ou, se houver, ainda poderão sobrar algumas rachaduras.

Mas, se você colocou o vaso na parte central da mesa, parabéns, porque você é uma pessoa que preza pelo equilíbrio e busca viver de forma sensata e sábia. No centro da mesa realmente os riscos de que o vaso caia no chão e se quebre são extremamente reduzidos.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

PERSEVERANÇA EM MEIO ÀS PROVAÇÕES

TEXTO BASE: ÊXODO 5:1-23; 6:1-13

INTRODUÇÃO:

Provavelmente todo cristão já passou pela experiência de estar enfrentando alguma situação difícil, algum problema sério, e, após clamar a Deus em busca de socorro, viu suas tribulações aumentarem consideravelmente. É como se nosso clamor tivesse um efeito contrário. Então começamos a perguntar a nós mesmos o que é que está acontecendo. São situações que provam a nossa fé e desafiam o nosso relacionamento com Deus.

No nosso texto base, encontramos o povo de Israel vivendo em escravidão no Egito, sofrendo com trabalhos forçados e grande exploração. É uma situação diferente daquela que se verificava quando Israel entrou no Egito, em um período de alegria pelo reencontro com José e pela instalação em uma terra onde Israel cresceu muito.

Deus se dispôs a libertar Seu povo, e para isso convocou Moisés e Arão, que se apresentaram diante de Faraó pedindo que ele deixasse o povo ir para adorar a Deus no deserto. Então, começou um período em que os sofrimentos de Israel foram aumentados, até culminar com sua libertação após um tempo em que Deus demonstrou Seu poder perante o Egito e perante o Seu povo, Israel.

Podemos extrair dessa passagem alguns ensinamentos úteis para a nossa vida cristã.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A SÍNDROME DE ANÁS E CAIFÁS


Anás e Caifás eram dois respeitados sumos-sacerdotes em Jerusalém. Eles tinham grande conhecimento das Sagradas Escrituras, algo que hoje seria como um doutorado em teologia. Por esse conhecimento, eles se julgavam conhecedores de Deus, e criam que tinham condições de falar o que se passava na mente de Deus. Julgavam-se os secretários de Deus na terra.

Também por sua posição privilegiada (sumo sacerdote gozava de um status elevado no nível sócio-religioso), consideravam-se superiores aos demais seres humanos, e se viam como super-crentes, merecedores de especiais favores divinos e possuidores de autoridade sobre as vidas das pessoas. Eles se julgavam mais santos que os seres comuns, e se alguém tinha que ir para o céu, obviamente eles seriam os primeiros da fila.

Esse pensamento não fazia morada apenas nas mentes de Anás e Caifás, mas, semelhantemente a eles, os demais líderes religiosos daquela época sofriam dessa síndrome. Bastava terem um título (mestre da lei, doutor da lei, escriba, etc.), para que se julgassem super-crentes, e se arrogassem um poder extra sobre as vidas dos que não tinham status religioso.

Anás e Caifás se envolveram diretamente na morte de Jesus. Eles não queriam saber de ninguém que ameaçasse a sua posição privilegiada na sociedade judaica. Suas vidas não eram embasadas na essência das Escrituras, mas haviam sido criadas tantas tradições, tantos formalismos e legalismos, que quando apareceu Jesus destruindo aquele sistema diabólico, que não tinha nada a ver com Deus, obviamente os líderes religiosos não poderiam deixá-lo prosseguir.

Jesus pregava amor, misericórdia, perdão, humildade... Os líderes religiosos de então desconheciam essas palavras em termos de prática na vida. O amor que eles conheciam era aquele que devotavam a suas tradições, seus formalismos e seus legalismos. A misericórdia que eles julgavam existir só se aplicava no que dizia respeito aos pecados deles mesmos (e olhe que eles se consideravam quase que impecáveis), mas para as pessoas comuns, valiam apenas as condenações da Lei. Perdão, humildade e outras virtudes não existiam em seus dicionários.

Anás, Caifás e companhia só queriam se perpetuar no poder, destruir os que consideravam seus opositores, mandar na vida alheia, continuar a possuir status de “homens de Deus”, intocáveis, e para isso seriam capazes de matar, como fizeram com Jesus, que não tinha nenhuma semelhança com eles, que não amava o poder, embora fosse Ele próprio O Poder acima de todo poder, não buscava títulos nem cargos “santos”, embora Ele fosse o Nome acima de todo nome, e o Santo dos santos, e tratava os seres humanos como humanos, que precisam de amor, misericórdia, inclusão, perdão, compreensão, instrução verdadeira e desinteressada, etc.

Hoje, o mundo está cheio de pessoas com a Síndrome de Anás e Caifás. O meio cristão está repleto de gente assim, que vive para defender tradições, formalismos e legalismos, que não aceita o fato de outras pessoas pensarem ou agirem de forma diferente, que fala de amor e misericórdia, mas têm no coração apenas a Lei para ser aplicada a quem fraqueja e erra, embora eles próprios queiram ser tratados com amor e misericórdia.

Como Anás e Caifás, muitos líderes de hoje se sentem superiores aos demais crentes, julgam que possuem uma “unção especial”, e se esquecem que Jesus veio constituir um reino de sacerdotes, composto por todos os que creem no Seu Nome, conforme diz a Escritura. Hoje, se Jesus estivesse no nosso meio como homem, certamente seria fortemente atacado por muitos líderes cristãos, assim como foi nos tempos de sua primeira vinda. Dificilmente deixariam que Ele ocupasse um púlpito para pregar. Quando vissem que Jesus não se parece com o que eles pregam, imediatamente tratariam de tirá-lo de cena.

Infelizmente, o tempo passou mas a Síndrome de Anás e Caifás permanece, e cada vez mais forte. Cuide de si mesmo para que essa Síndrome não o contamine, caso contrário, você também rejeitará o Jesus bíblico, e preferirá o Jesus criado pela religião, que representa todos os valores do mundo, mas está longe dos valores de Deus.

José Vicente

sábado, 19 de setembro de 2009

O SENHORIO DE CRISTO EM NOSSAS VIDAS - PARTE FINAL

3) O SENHORIO DE CRISTO NOS FAZ PESSOAS DIFERENTES

Paulo disse: “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (verso 15).

Significa dizer que, se nos submetermos ao Senhorio de Cristo, sem dúvida não seremos confundidos com o restante da humanidade, que se encontra em rebeldia contra o Senhor, negando o Seu Senhorio e vivendo conforme as inclinações da carne, a influência do mundo e do diabo.

O verdadeiro servo de Cristo ilumina o mundo, pois ele reflete a luz que vem de Cristo. Leia Mateus 5:14-16.

Viver sob o Senhorio de Cristo implica em levar a luz onde as trevas dominam, não se contaminar com a corrupção do mundo, mas viver como Jesus viveu.

Cristo é o nosso exemplo, nosso modelo. Por onde Ele andou, fez a diferença. Onde Jesus passou, nada mais ficou como antes. Na presença dEle, demônios fugiam, enfermos eram curados, mortos ressuscitavam, sábios se calavam, a verdade prevalecia.

Se estivermos firmados em Cristo, obviamente não seguiremos o mesmo curso do mundo, não nos amoldaremos a ele, antes, caminharemos no sentido indicado pelo Senhor, sendo honestos num mundo desonesto; puros num mundo impuro; doces num mundo amargo; confiáveis em um mundo de desconfiança; alegres de verdade em um mundo que vive uma alegria ilusória...

Quando não nos sujeitamos ao pleno senhorio de Cristo, acabamos nos igualando aos incrédulos, e, então, não fazemos a menor diferença. Ninguém será libertado do império das trevas através de nós, porque o poder de Deus não se manifestará por intermédio de pessoas contaminadas. Deus não precisa de nós para agir, mas Ele escolheu nos usar como instrumentos de salvação aos povos, a fim de que em nós Ele seja glorificado. Que tipo de instrumentos seremos se não nos submetermos ao Senhorio de Cristo?

Quem passa a servir a Cristo imediatamente sofre uma mudança em seu caráter. Veja o que aconteceu com Zaqueu, que, sendo um publicano desprezível, corrupto, ao receber o Senhor Jesus experimentou uma radical transformação em sua maneira de ser, percebendo o quanto havia sido desonesto até então, e dispondo-se a reparar o mal que causara a tantas pessoas, devolvendo-lhes muito mais do que havia delas usurpado, além de desapegar-se das riquezas, distribuindo aos pobres metade do que tinha.


CONCLUSÃO

Novamente, pergunto a você: quem exerce o senhorio sobre sua vida? O Senhorio de Cristo tem sido absoluto, ou você o tem tornado relativo?

Submeta-se integralmente ao Senhorio de Cristo, e experimente uma transformação verdadeira em sua vida. Experimente a vida plena que o Senhor Jesus tem para você. Abandone o espírito de rebeldia. Lance fora a soberba. Renuncie às influências do diabo, do mundo e da carne.

1 Cor 8:5-6 “Porque, ainda que há também alguns que se chamem deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos senhores, todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele.”

Efésios 5:8-10 “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade), provando sempre o que é agradável ao Senhor”.

Que Jesus Cristo, Nosso Senhor, derrame sua Graça infinita sobre nossas vidas, e nos fortaleça na fé, e nos faça transbordar de seu Espírito Santo, para que possamos resistir às investidas dos antigos senhores, mantendo-nos fiéis ao Nosso Senhor. Amém.

José Vicente Ferreira
Mensagem pregada no Intercâmbio de Louvor, na Igreja Presbiteriana de Guaraci, em 09/10/2008.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O SENHORIO DE CRISTO EM NOSSAS VIDAS - PARTE III

2) O SENHORIO DE CRISTO EXIGE HUMILDADE

Um dos maiores obstáculos à nossa submissão ao Senhorio de Cristo é exatamente o nosso orgulho. O ser humano é extremamente orgulhoso e não suporta estar sob o domínio de alguém, ainda que seja de Cristo.

Por vezes vemos pessoas que claramente necessitam da ajuda de outras, porém insistem em rejeitar o auxílio, pois o seu orgulho as impede de reconhecerem sua incapacidade de resolver todos os problemas.

O orgulho nos impede de perdoar o próximo, de expressar amor ao próximo, de reconhecer nossas faltas e pedir perdão, enfim, nos impede de reconhecer que não temos condições de viver sem Cristo.

Jesus Cristo nos deu o exemplo máximo de humildade. Nos versos 7 e 8 do capítulo 2 de Filipenses está escrito que Ele “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”.

Jesus Cristo, por meio de quem tudo foi feito, e para quem são todas as coisas, sendo Deus, humilhou-se assumindo a forma de homem, sujeito às limitações humanas, e em nenhum momento fez uso de sua condição divina para prevalecer ou humilhar as pessoas, antes, Ele se fez servo, procurou servir todos os que o buscavam, e até mesmo lavou os pés de seus discípulos, demonstrando muita humildade.

Uma pessoa orgulhosa não conseguirá submeter-se ao Senhorio de Cristo, pois quererá sempre fazer sua própria vontade, desejará sempre ter razão, e não conseguirá ouvir a voz de Jesus e obedecê-lo.

O orgulho humano é abominável aos olhos de Deus, que diz claramente nas Escrituras que abaterá os soberbos, visto que esse comportamento não procede de Deus (1 João 2:16)

Humildade é reconhecer que Jesus Cristo é o Senhor, que dEle dependemos, para Ele vivemos e por Ele morremos. Os dons que temos vêm do Senhor. Nossos bens vêm do Senhor. Tudo o que existe vem do Senhor. Nada pode existir sem que o Senhor permita. Nada podemos por nós mesmos, se o Senhor não nos conceder que realizemos.

A humildade nos leva a reconhecer que não somos superiores a ninguém, e que não estamos aqui para sermos servidos, e sim para servirmos, assim como Jesus Cristo serviu e ainda serve.

Humildade implica em nos relacionarmos com Deus Pai e Filho, continuamente. Andar humildemente com o Senhor (Miquéias 6:8).

As pessoas gostam de utilizar o seu tempo em diversos afazeres agradáveis, como jogar vídeo game, passear, jogar futebol ou outra modalidade esportiva, conversar, assistir televisão, comer, etc. Porém, se compararmos o tempo gasto em qualquer dessas atividades com aquele que dedicamos à leitura da Palavra de Deus e à oração, veremos que estes dois últimos itens têm merecido muito pouco de nossa atenção.

Lembro-me de quando ia à casa de um amigo para jogar vídeo game, pouco tempo atrás, e sempre disputávamos campeonatos de futebol, juntamente com outro amigo que também gostava muito do game. Todos os sábados, iniciávamos a disputa às 13h30min, e quando nos dávamos conta, já eram 21h ou 22h, e nem tínhamos visto o tempo passar, continuávamos com vontade de jogar mais.

Eram oito horas ou mais, todos os sábados, gastas em algo agradável, que ainda auxiliava no estreitamento das amizades.

Quando comparo, porém, esse tempo com o que dedico hoje a ler a Bíblia e conversar com Deus em oração, vejo que estou em falta, pois além de orar poucas vezes durante o dia, não ultrapasso os vinte minutos em um dia que tem 24 horas, das quais passo pelo menos 16 acordado.

Em várias vigílias das quais participei percebi que as pessoas, em sua maioria, sentem dificuldades em ultrapassar os dez/quinze minutos em oração. Muitos, ao se completarem dez minutos já se levantam e passam a fazer outra coisa, como se tivesse acabado o assunto para conversar com Deus. Nem ao menos dão um tempo para ouvir silenciosamente a voz do Espírito Santo respondendo.

Andar humildemente com nosso Senhor é também termos um relacionamento mais íntimo com Ele, o que se consegue através da oração, leitura de Sua Palavra e da vivência na Palavra Viva, que é Jesus.
José Vicente
continua...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O SENHORIO DE CRISTO EM NOSSAS VIDAS - PARTE II

1) O SENHORIO DE CRISTO EXIGE SUBMISSÃO

Senhor significa aquele que tem o domínio sobre algo ou alguém, aquele que comanda. Por sua vez, servo é aquele que vive sob o domínio do senhor, e deve submeter-se às suas ordens, obedecendo-o em tudo.

As Escrituras nos revelam que Jesus Cristo é Senhor sobre tudo e sobre todos, tendo o domínio sobre toda a criação, conforme podemos ver em Mateus 28:18 e também no Salmo 24:1.

Toda a criação está sujeita ao Senhorio de Cristo. Vemos isto muito claramente em Mateus 8:23-27, quando, diante de grande tempestade, Jesus disse aos ventos e ao mar: "Psiu! Fiquem quietos!" E eles imediatamente se aquietaram, em clara submissão ao Senhor.

Em ocasião anterior, o Senhor determinou que o mar se agitasse violentamente, quase a ponto de fazer naufragar o navio onde estava o profeta Jonas. O Senhor também ordenou que um grande peixe engolisse o profeta vivo, e, posteriormente, mandou que o devolvesse, e o grande peixe obedeceu.

Até mesmo o diabo sabe que Jesus é o Senhor, e obedece quando Ele lhe dá uma ordem, como se pode ver nitidamente em várias passagens do Novo Testamento em que, diante de pessoas possuídas de espíritos malignos, Jesus simplesmente ordenava: “Sai dele agora!”, e os espíritos imediatamente saíam. A diferença é que Satanás e seus aliados, anjos rebeldes, caídos, embora reconheçam o Senhorio de Cristo e estejam sujeito à Sua autoridade, não aceitam viver sob esse Senhorio para fazer a vontade de Jesus, e isto desde o princípio da criação.

Entretanto, a submissão que se observa no restante da criação em relação ao Senhorio de Cristo, não se observa nos seres humanos, que muitas vezes relutam em obedecer ao Senhor, e não entregam todas as áreas de sua vida nas Suas mãos, antes, julgam ser capazes de tomar decisões e se conduzirem através de seu próprio conhecimento.

Imagine que sua vida é um grande transatlântico. Quando você se converte Jesus vem para esse transatlântico, e você o recepciona com alegria, chamando-o de Mestre, Senhor e Salvador. Você diz que ele é o comandante desse transatlântico, e que o leme está nas mãos dEle. Porém, quando a euforia passa, muitas vezes você tenta convencer Jesus a deixar que você assuma a sala de controle do transatlântico, e mostra a Ele acomodações confortáveis onde Ele pode “descansar”, sem ter que se “desgastar” no comando do navio. Você diz que Ele é o comandante, mas quando Ele dá ordens você simplesmente desobedece, ignora, tenta traçar rotas diferentes, conforme a sua vontade, e acaba batendo em algum iceberg.

Para que o Senhorio de Cristo seja pleno em sua vida, é necessário que você se submeta a Ele por completo, ouvindo a Sua voz e seguindo os seus mandamentos, colocando diante dEle todo o seu caminho.

As suas decisões precisam ser submetidas a Cristo, e isto não se aplica apenas às grandes decisões, mas também àquelas que parecem ser pequenas e sem maior significação, como a compra de uma peça de roupa. Quantas vezes você consulta o Senhor antes de comprar alguma roupa? Com certeza, se homens e mulheres recorressem ao Senhor para decidir que tipo de roupa comprar, não veríamos um desfile de sensualidade e vaidade dentro das igrejas. Alguém poderá dizer: “mas essas roupas estão na moda, e não dá pra andar de forma contrária à moda, senão seremos taxados de quadrados e antiquados!”. A estes cabe uma pergunta: vocês estão sob o senhorio de Cristo ou da moda? A sua salvação vem de Cristo ou da moda?

A submissão ao Senhorio de Cristo é essencial na vida do cristão, e o próprio Cristo nos deu o exemplo, sendo totalmente submisso à vontade do Pai. No nosso texto base, no verso 8, vemos que Jesus foi “obediente até à morte, e morte de cruz”. Jesus sempre agiu conforme os desígnios do Pai, nEle buscando orientação em todos os momentos de Sua vida, e jamais procedendo de forma contrária ao que o Pai lhe falava.

Precisamos ser submissos ao Senhorio de Cristo, e isto abrange não apenas uma obediência parcial, que se restringe à nossa vida na igreja, mas diz respeito a todo o nosso viver, seja em casa, na escola, no trabalho, no lazer, em toda e qualquer circunstância Jesus deve estar no controle de tudo.

É necessário reconhecer que não pertencemos a nós mesmos, mas sim ao Senhor, e a Ele devemos nos submeter com obediência, com a consciência de que nossa vida pertence a Ele (Rm 14:7-9).

A nossa insubmissão ao Senhorio de Cristo em sua plenitude faz com que acabemos dando oportunidade para que os antigos senhores se manifestem e nos influenciem, procurando afastar-nos de nosso Senhor, e não raras vezes conseguem êxito em sua empreitada, pois embora pensemos que estamos fazendo a nossa vontade, é a vontade deles que fazemos.

Hoje, quem tem exercido o senhorio em sua vida?

Eis alguns senhorios que se encontram nas vidas de quem não se submete plenamente ao Senhorio de Cristo, mas vive conforme a filosofia do mundo, as inclinações da carne e a influência do diabo:

- Bens materiais: Há pessoas que, embora confessem a Jesus Cristo como Senhor, estão dominadas pelas riquezas materiais. Em certa oportunidade, um jovem rico procurou Jesus para saber como poderia herdar a vida eterna. Quando Jesus lhe disse que ele deveria vender todos os seus bens, distribuí-los entre os pobres e, então, seguí-lo, o jovem se entristeceu e voltou para casa, pois estava sob o senhorio dos bens materiais (Mc 10:17-27). O mundo incentiva o ter e despreza o ser.

- Mágoa: Muitas pessoas estão sob o senhorio da mágoa, pois não conseguem perdoar a quem lhes feriu. Guardam ressentimentos, levam vidas secas, amarguradas, cheias de raiva e ódio, e não conseguem experimentar a paz de espírito que somente uma vida submissa ao Senhorio de Cristo pode gozar. Assim como fomos perdoados, devemos perdoar (Lc 17:3-4), pois isto significa consciência da Graça de Deus, porém, quando estamos sob o senhorio da mágoa nós desobedecemos ao Senhor. Mas a filosofia do mundo é revidar na mesma moeda à ofensa recebida, contrariamente ao ensino de Jesus, que nos manda dar a outra face (Mt. 5:39).

- Vaidade: faz com que a pessoa tenha de si um conceito muito superior ao devido (Rm 12:3), passando a preocupar-se demais com sua imagem, com sua aparência, e ela se torna escrava do espelho e das opiniões alheias. Não consegue ser feliz, pois está sempre tentando parecer, mas não se preocupa em ser.

- Cobiça e inveja: a cobiça e a inveja andam de mãos dadas, levam a pessoa a não render graças a Deus pelo que Ele lhes dá, antes, vivem olhando para o que os outros possuem e desejando ter o mesmo ou até mais. Ninguém pode ser feliz se não sabe contentar-se com o que tem, e isto de tal modo escraviza a pessoa, que ela transmite a todos o seu sentimento de insatisfação, contrariando expressamente a Palavra de Deus e vivendo na desobediência. Não há como ser feliz se em vez ser grato pelo que tenho, vivemos pensando no que não temos.

- Sensualidade e lascívia: uma das áreas em que o ser humano tem mais problemas é a da sexualidade. A carne manifesta inclinação para os prazeres sexuais. O mundo exalta a sensualidade a todo instante, com exposição de corpos seminus na mídia, incentivo ao sexo sem compromisso. Dia após dia o mundo mergulha cada vez mais na imoralidade sexual, assemelhando-se a Sodoma e Gomorra, e, infelizmente, muitos cristãos têm sofrido essa influência. Mulheres cristãs usam roupas provocantes, inadequadas a quem serve ao Senhor, suscitando a cobiça dos homens, e começam a percorrer um caminho que, com certeza, não terá um bom desfecho. Homens assumem uma postura de conquistadores, procurando atrair as mulheres, e muitas vezes nem tentam resistir quando vem a tentação. Leia Romanos 1, dentre outros textos bíblicos, e veja o que Deus diz sobre a imoralidade sexual.

Estes são apenas alguns exemplos do que pode dominar nossas vidas quando não nos submetemos de forma obediente ao Senhorio de Cristo, e podem ser vistos a todo instante na televisão, através de novelas e programas demoníacos que fazem a cabeça das pessoas, principalmente dos adolescentes e jovens.

Quem exerce o senhorio em sua vida?

Não adianta dizer que é o Senhor Jesus, se a sua vida diária mostra exatamente o oposto. Lembre-se do que Jesus disse em Mateus 7:21: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”

E ainda, em Lucas 6:46: “E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?”

Portanto, sem submissão e obediência a Cristo, ficamos sujeitos a cumprir a vontade de outros senhores, que não o nosso verdadeiro Senhor, Jesus Cristo, e deixamos de desfrutar de bênçãos maravilhosas que Ele tem para nós, pelo contrário, sujeitamo-nos a sofrer as conseqüências de nossos atos, e provar a disciplina do Senhor, se é que somos mesmo seus filhos, pois “o Senhor repreende a quem ama” (Pv 3:12; Hb 12:6).

José Vicente
Primeiro tópico abordado no Sermão ministrado na Igreja Presbiteriana de Guaraci em 09/10/2008, no intercâmbio de louvor.
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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O SENHORIO DE JESUS CRISTO EM NOSSAS VIDAS I

Leia Filipenses 2: 1-18

INTRODUÇÃO

Quem é o senhor de sua vida? Jesus Cristo realmente tem exercido plenamente o Seu Senhorio sobre sua vida? Acaso há outros senhores exercendo domínio sobre você?

Antes, quando éramos ignorantes quanto à Graça de Deus e à salvação que há em Cristo Jesus, vivíamos segundo senhores cruéis que nos dominavam, e nos usavam como se fôssemos cavalgadura, a saber, o diabo, o mundo e a carne. Estes três se davam as mãos e montavam sobre nossos ombros, conduzindo-nos por caminhos de perdição, rumo ao pecado, que no fim, davam em caminhos de morte, afastando-nos de Deus e cegando nosso entendimento, tapando nossos ouvidos para que não ouvíssemos as palavras de Deus, e fechando nossos olhos para que não víssemos a verdade de Deus.

Pela Graça de Deus uma luz começou a brilhar em nossas vidas. Os três senhores que nos dominavam, sentindo a presença cada vez maior da luz, apavoraram-se, porque não podem viver senão nas trevas, e foram afugentados.

Essa luz era o próprio Jesus (Jo 1:1-13), que mediante a pregação do Evangelho de Deus e a implantação da fé em nosso coração, entrou em nossas vidas e ali fez habitação, expulsando do Seu Templo – nosso corpo – os mercenários, ladrões e assassinos que nele faziam morada.

Pela fé em nosso Senhor Jesus Cristo fomos libertados do império das trevas (Col 1:13), e pelo Seu agir em nossas vidas fomos purificados, tendo os olhos e ouvidos abertos para ver a glória de Cristo e receber a sua mensagem de salvação.

Temos um só Senhor, Jesus Cristo, por quem e para quem vivemos (Rm 14:7-9). Não somos mais escravos do pecado, não estamos mais sob o domínio do diabo, da carne e do mundo, mas somos servos do Senhor Jesus. Trata-se de uma servidão que dá vida, que liberta, que ilumina nossas vidas (Rm 6:22).

Entretanto, mesmo após confessar a Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador, muitas vezes vivemos como se ainda estivéssemos sob o domínio dos antigos senhores. Desobedientes aos mandamentos de Deus; agindo de forma contrária aos mandamentos de Jesus, e tendo que suportar as conseqüências de nosso insano proceder.

Hoje, há muitos senhores que regem ou influenciam as vidas das pessoas: moda, mídia, dinheiro, poder, opiniões, lascívia, sensualidade, vícios, egoísmo, mentira, tradições, legalismos, etc.

Muitos sofrimentos seriam evitados se nos dispuséssemos a viver plenamente sob o Senhorio de Jesus. E por esta razão pergunto novamente: quem é o Senhor de sua vida? Jesus Cristo tem realmente exercido o Seu Senhorio de forma plena em sua vida?
José Vicente
Parte introdutória de sermão do dia 09/10/2008, ministrado na Igreja Presbiteriana de Guaraci, no intercâmbio de louvor.
Continua...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

HOJE



“Que cada qual examine os seus pensamentos, e os achará sempre ocupados com o passado e com o futuro. Quase não pensamos no presente; e, quando pensamos é apenas para tomar-lhe a luz a fim de iluminar o futuro. O presente não é nunca o nosso fim; o passado e o presente são os nossos meios; só o futuro é o nosso fim. Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver, e, dispondo-nos sempre a ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos." Blaise Pascal

Nossa vida passa rapidamente. A Bíblia nos diz que somos como a neblina, que no mesmo instante em que está sobre a terra, já não está mais, sendo dissipada rapidamente (Tiago 4:14). Essa brevidade muitas vezes só é percebida quando já estamos no fim de nossa carreira.

Muitas pessoas vivem presas ao passado, lamentando o que fizeram ou deixaram de fazer. Outras só sabem pensar no futuro, no que gostariam de fazer, em como desejam que as coisas sejam. Poucos se concentram no hoje.

O problema é que o futuro é construído a partir do hoje. Os frutos que colherei no futuro são o resultado da minha semeadura hoje. Se nada semeio, nada colherei. Se apenas visualizo os frutos que desejo colher, mas não lanço as sementes que possam produzir esses frutos, o futuro, como o imagino e anseio, não acontecerá.

Na verdade, o futuro é incerto. Não sabemos quando morreremos. Não sabemos o que nos ocorrerá no próximo minuto. Como disse Pascal, de tanto pensarmos no futuro, acabamos não vivendo o hoje.

O passado não pode ser mudado. O futuro está escondido de nós, e somente Deus o conhece. Está diante de nós o hoje, no qual devemos tomar decisões, o qual deve ser vivido, e que não pode ser desprezado.

Viva sua vida com sabedoria. Alegre-se porque Deus lhe deu mais um dia de vida. Ame as pessoas e não deixe que mágoas façam morada em seu coração, achando que amanhã poderá resolver a situação. Hoje você pode mudar tudo. Amanhã, só Deus sabe.

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.” (Renato Russo)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

UMA IGREJA QUE FAZ DIFERENÇA

Texto base: Atos 1:1-14

Introdução

O texto lido narra o início da Igreja Cristã. Jesus havia ressuscitado, e durante quarenta dias Ele instruíra seus discípulos acerca das verdades eternas. Muitas coisas que, antes, eles não compreendiam, agora Jesus lhes ensinava com clareza. Ao término dos quarenta dias, Jesus subiu ao céu, diante de seus seguidores, e ordenou que eles permanecessem em Jerusalém aguardando a promessa do Pai, para, depois disso, servirem como testemunhas do Senhor na pregação do Evangelho.
Obedecendo à ordem do Mestre, os discípulos voltaram para Jerusalém e foram a um local onde se reuniam, ali permanecendo por dez dias. Havia, ali, 120 pessoas, incluindo os apóstolos, os demais discípulos (homens e mulheres) de Jesus.
No capítulo 2 de Atos vemos o nascimento da Igreja Cristã. O Espírito Santo foi derramado abundantemente sobre aqueles que estavam ali reunidos, e a partir de então eles passaram a pregar o Evangelho de Jesus, com toda ousadia, intrepidez e sabedoria, cumprindo a ordem de Jesus, de pregar o Evangelho a toda criatura.

A Igreja, naquele tempo, fazia uma grande diferença no mundo em que vivia. Muitas pessoas se convertiam pelo testemunho da Igreja. No primeiro sermão, ministrado por Pedro, três mil pessoas se entregaram a Cristo. A vida comunitária da Igreja deixava perplexos os de fora, pois entre os cristãos não havia necessitados, todos se ajudavam mutuamente. Através da Igreja, Deus operava milagres, salvava vidas, destruía a soberba dos que se julgavam sábios, havia muitas demonstrações do poder de Deus. A Igreja era, ao mesmo tempo, admirada pelos incrédulos, que viam uma comunidade onde sobressaia o amor, não apenas entre os cristãos, mas para com todas as pessoas, e também era odiada, porque seu padrão de conduta moral denunciava a corrupção humana e as mazelas espirituais da sociedade em que estava inserida.
Hoje, olhando para a Igreja Cristã, talvez tenhamos dificuldade em visualizar algum resquício daquela Igreja atuante e transformadora cuja história está registrada no livro de Atos. A Igreja parece já não fazer tanta diferença no mundo. As pregações não tocam nos corações dos incrédulos de forma a que eles reconheçam sua pecaminosidade e se convertam a Jesus. Os atos dos cristãos muitas vezes depõem contra o testemunho bíblico. Muitas pessoas entram e saem das igrejas sem terem experimentado nenhuma mudança, sem terem sido convencidas pelo Espírito Santo de que necessitam de transformação. Enfermos continuam enfermos, tanto física quanto espiritualmente.
Por que será que a Igreja de hoje não corresponde à Igreja primitiva? Por que será que, naquele tempo, Deus operava poderosamente através da Igreja, mas hoje muitas vezes tem-se a impressão de que o próprio Deus está ausente em relação à Igreja? Será que a Igreja já não é mais necessária? Será que Deus desistiu da Sua Igreja e está desenvolvendo um novo plano para alcançar e salvar as pessoas?
O versículo 14 mostra qual era a atitude da Igreja no seu início: unanimidade, que também pode ser entendida como unidade. A Igreja é o Corpo de Cristo na terra, e esse Corpo se caracteriza pela sua unidade.
Com certeza Deus não desistiu da Igreja. O que está acontecendo atualmente não é algo novo. Já nos tempos da Igreja primitiva, após um período de intenso crescimento da Igreja, infelizmente, os apóstolos e demais líderes levantados por Deus, conforme vemos nas epístolas paulinas e na história da Igreja, lançavam muitas exortações e admoestações aos cristãos, no sentido de que retomassem o caminho da unidade e da santidade.
Analisando o versículo 14 do capítulo 1, vamos ver que a unidade foi essencial para que a Igreja nascesse e para que ela produzisse os frutos esperados no mundo em que vivia. A Igreja precisa ter unidade. Paulo, quando escreveu aos Filipenses, no capítulo 2, versículo 2, de sua carta, rogou aos cristãos que “penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento.” Sem unidade, a Igreja não manifesta o poder de Deus e, consequentemente, não faz diferença no mundo.
Em nosso texto base é empregada a palavra unanimidade, mas em que os cristãos devem ser unânimes? Obviamente não se trata de terem todos as mesmas opiniões sobre tudo. Deus fez os seres humanos individualizados, cada qual com sua personalidade e forma de pensar, porém, há pontos básicos na vida cristã em que é imperativo que haja unanimidade, que todos pensem a mesma coisa e tenham o mesmo sentimento, caso contrário, a Igreja estará dividida, e, como disse Jesus, “todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá” (Mt. 12:25).
Vamos analisar, então, partindo do exemplo que temos da Igreja em Atos 1:14, algumas áreas em que a Igreja precisa ter unanimidade, para, assim, agir como canal da graça de Deus neste mundo.

1- Unanimidade quanto à fé

1.a – Fé em Deus

A fé em Deus é essencial à Igreja. Não se trata de simplesmente acreditar que Ele existe, pois até os demônios creem nisso, mas de crer que Deus é:
- único – não há outro Deus, senão YAHWEH, o Altíssimo (Dt. 4:39; Mc. 12:29).
- soberano – Deus tem o controle sobre todo o universo, sobre toda a história, e nada acontece sem a Sua permissão (II Reis 19-25; Mt. 10:29).
- onipotente – nada é impossível a Deus, embora muitas coisas sejam impossíveis aos homens (Lc. 1:37; Mt. 19:26).
- onisciente – não existe nada que esteja fora do conhecimento de Deus. Ele vive na eternidade, não sujeito à limitação de tempo que se vê em relação aos humanos. Todos os fatos que para nós são passados, presentes e futuros são do conhecimento dEle (Salmo 139).
- onipresente – Deus não conhece limitação física. Ele está em todos os lugares ao mesmo tempo. Nada acontece sem que Ele veja (Salmo 139).
- Também não se trata da fé pagã que se vê hoje no meio cristão, em um deus feito à imagem e semelhança do homem, que sofre as limitações humanas, não tem poder para impedir acontecimentos, tem que assistir o desenrolar da história sem poder intervir, os fatos não estão sob seu controle. Essa é uma crença que não pode encontrar abrigo no meio da Igreja, pois é contrária à Palavra de Deus. Esse tipo de fé deve ser rejeitada.
- A Igreja primitiva cria em Deus como Ele É, e não como as pessoas desejavam que Ele fosse.

1.b – Fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus
- Crer em Deus é essencial, mas também é fundamental crer em Jesus Cristo, seu único Filho, que se fez homem, sofreu terrivelmente e foi morto na cruz para pagar por nossos pecados, tendo ressuscitado ao terceiro dia, garantindo o nosso acesso à graça salvadora de Deus.
- A Igreja primitiva estava unida nesta fé. Eles haviam estado com Jesus ainda em vida por um considerável período, e, após sua morte e ressurreição, durante 40 dias Ele lhes ministrou ensinamentos para a vida cristã. A Igreja não poderia ter sido iniciada se não houvesse a indispensável fé em Jesus Cristo. Portanto, a Igreja cria que, nEle, se cumpriam as profecias contidas nas Escrituras, e que, fora dEle, não havia e não há salvação, conforme sermão de Pedro que está registrado em Atos 2:14-41.
- Hoje, não parece haver unanimidade no seio da Igreja Cristã quanto a essa verdade. Jesus não tem sido apresentado como o único Caminho para a vida eterna. Antes, Ele tem sido apresentado por muitos como um validador de benefícios terrenos e transitórios, um guia para negócios de sucesso, e tem sido colocado em um nível equivalente ao de entidades pagãs que são muito conhecidas de incrédulos ímpios.
- Não há como a Igreja Cristã fazer diferença neste mundo se não houver unanimidade nessa fé em Jesus Cristo como redentor e único capaz de nos livrar da ira vindoura.

1.c – Fé na palavra de Deus
- Aqueles homens e mulheres que estavam ali reunidos criam na Palavra de Deus.
- As Escrituras testificavam a vinda do Messias, e eles creram que Jesus era o cumprimento da Palavra.
- As Escrituras testificavam que Deus derramaria o Espírito Santo sobre todos os que cressem em Jesus, e eles creram também nessa Palavra, que foi repetida por Jesus quando estava subindo aos céus e determinou que eles aguardassem o cumprimento da promessa.
- A Igreja Cristã do início tinha fé em tudo o que Deus havia dito através dos profetas, constante das Escrituras Sagradas.
- Hoje, Satanás tenta lançar dúvidas entre os cristãos quanto à autenticidade da Palavra de Deus. Ele procura induzir as pessoas a acreditarem que a Bíblia é um livro comum, ou, então, que o que ali está escrito não corresponde exatamente ao que Deus falou, assim como fez com Adão e Eva no início do mundo (Gn. 3:1-5).
- A Igreja do Senhor precisa crer na Palavra de Deus, pois é através dela que recebemos a revelação de Deus e o seu desejo para a vida da Igreja. A Bíblia é o manual da vida cristã, e expressa o que Deus quer que saibamos e como vivamos.
- Uma Igreja que não está firmada na Palavra de Deus não consegue cumprir seus objetivos, pois seus procedimentos terão como base valores que partem dos seres humanos, opiniões pessoais, experiências e coisas do gênero.

2- Unanimidade quanto aos objetivos

2.a – Unanimidade na busca da presença de Deus
- Por que você vem ao templo? Por que você se reúne com outros irmãos em grupos de oração e estudos da Palavra? O que você busca? Qual a sua motivação?
- Muitas pessoas se reúnem com os outros membros da Igreja em um templo ou em casa semanalmente, mas nem sempre estão todos unidos em torno de objetivo primordial: buscar a presença de Deus.
- Há diversos motivos que levam as pessoas a comparecerem ao templo ou participarem de reuniões de oração e estudo da Palavra: cumprimento de um dever religioso; pressão dos pais; pressão do cônjuge; não há outra programação mais interessante; é necessário aplacar a ira de Deus com o “sacrifício” semanal; etc.
- Há pessoas que, durante o culto, não estão com suas mentes concentradas em buscar a presença de Deus e a ação de Seu Espírito, mas estão pensando em seus compromissos para o dia seguinte; no programa que está sendo exibido na televisão; na roupa que a pessoa do lado está usando; no comportamento do irmão ao lado; na performance do ministério de louvor; e em tantas outras coisas que dispersam a mente.
- Se a Igreja, quando se reúne, não está envolta em um ambiente em que há unanimidade de objetivo quanto à busca da presença de Deus, não é de se admirar que as pessoas entrem e saiam do mesmo jeito, sem terem experimentado nenhuma transformação, sem terem ouvido a voz do Espírito a lhes ministrar ensinamento e abertura de entendimento.
- Jesus disse: “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt. 18:20).
- Entretanto, as pessoas acreditam que o simples fato de se reunirem e dizerem que o fazem em nome de Jesus é suficiente para que Ele efetivamente esteja presente, manifestando Sua Graça e Seu Poder. A reunião que conta com a presença de Jesus é aquela em que os participantes estão unânimes no desejo de que Ele se faça presente. É uma reunião feita de forma consciente, onde tudo o mais é esquecido e o que se deseja é que o Senhor participe e aja nas vidas dos presentes.
- Jesus não está interessado em formalismos, em cultos mecânicos e sem vida, em cumpridores de tabela. Ele quer servos consagrados, que O busquem em espírito e verdade, que tenham nEle a razão única de estarem ali congregados, e que realmente anseiem por serem transformados em cada encontro.

2.b – Unanimidade na busca do cumprimento das Promessas de Deus
- Em Atos 1:14 havia essa unanimidade. Todos ali desejavam ardentemente a presença manifesta de Deus e, além disto, o cumprimento de Sua Palavra em suas vidas.
- Ninguém estava ali com outra intenção. As pessoas deixaram de lado seus afazeres, não se preocuparam com o que os outros haveriam de pensar quanto às suas atitudes, e permaneceram durante 10 dias orando e aguardando que a Promessa de Deus se cumprisse.
- Quando Jesus estava subindo aos céus, Ele disse que “não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes” (Atos 1:4).
- Em Atos 1:8 Ele disse: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”
- A Promessa do Pai a que Jesus se referiu constava das Escrituras, como vemos em Joel 2:28-32. A Igreja estava unanimemente firme nesse propósito, de receber o cumprimento da promessa de Deus.
- Em Sua Palavra Deus faz inúmeras promessas. Ele promete salvação, transformação de vida, cura física e espiritual, orientação, sabedoria, proteção, livramento, fortalecimento da fé, utilização da Igreja como canal de graça e salvação aos incrédulos, e muito mais.
- A Igreja do Senhor precisa ter unanimidade no desejo de que a Palavra de Deus se cumpra em suas vidas. As pessoas precisam almejar com ardor que tudo o que Deus prometeu seja concretizado, e para isso a oração perseverante deve ser posta em prática, como o fez a Igreja Cristã Primitiva.
- A Palavra diz: “regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes” (Rm 12:12). A Igreja precisa perseverar unanimemente na oração, que é o canal de comunicação com Deus. A Igreja primitiva orava sem cessar. Nos dez dias em que esperavam o derramamento do Espírito havia oração perseverante (Atos 1:14). A vida diária da Igreja era de comunhão e oração (Atos 2:42). Quando Pedro e João foram libertados da prisão, a Igreja se reuniu e, unanimemente, orou (Atos 4:24-30); e há muitos outros registros da Igreja orando unânime pela causa do Evangelho.
- Em Gênesis 32:26 vemos o episódio em que Jacó luta com o Anjo do Senhor, e, ao amanhecer, o Anjo lhe diz: “Deixa-me ir, porque a alva já subiu”. Jacó insiste: “Não te deixarei ir, se não me abençoares”. Podemos interpretar isso como uma referência à nossa vida de oração, onde há necessidade de perseverança para obtermos uma resposta do Senhor. Jesus nos exortou a sermos perseverantes (Lc. 18:1-8).
- As promessas de Deus são cumpridas na vida da Igreja quando ela ora com unanimidade, quando seus membros revelam unidade de sentimentos. Então, se observam transformações, curas, conversões, e o poder de Deus é manifesto, porque a Igreja está buscando unanimemente o que Deus prometeu.

2.c – Unanimidade no desejo de cumprir a ordem de Jesus
- Jesus disse: “e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1:8).
- Jesus também disse: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16:15).
- A Igreja do Senhor não pode se acomodar e deixar de pregar o Evangelho, mas é necessário que haja unanimidade no intuito de cumprir essa ordem dada por Jesus.
- A Igreja Cristã primitiva tinha essa mentalidade. O resultado da reunião registrada em Atos 1:14 foi a pregação do Evangelho com poder e autoridade, levando muitos a crerem no Senhor Jesus e obterem a salvação.
- Em Atos 4:24-30 encontra-se o registro da Igreja reunida para, unanimemente, clamar a Deus que lhe concedesse ousadia e intrepidez para anunciar a Palavra, e também que Deus manifestasse Seu Poder, confirmando a pregação da Igreja.
- A Igreja crescia porque todos buscavam cumprir a ordem de Jesus, sempre rogando a Deus que os capacitasse para isso.
- Hoje, a impressão que se tem é de que houve uma certa acomodação. A Igreja parece não se importar com a ordem de ser testemunha de Jesus. É como se a Igreja não quisesse se envolver, sendo que, para se obter apoio a trabalhos missionários, é necessário que se façam muitos apelos, caso contrário, os enviados do Senhor a lugares longínquos ficariam desprovidos de apoio da Igreja.
- Há grande necessidade de que a Igreja retome o caminho bíblico de pregação do Evangelho, orando unanimemente para que Deus a utilize como meio de salvação, para que servos sejam levantados pelo Senhor para as missões, para que haja sustento aos missionários, para que a Igreja cause impacto na sociedade na qual está inserida através de uma atitude diferente, de amor, misericórdia e união.
- A Igreja atual não vai crescer de verdade enquanto não houve unanimidade no objetivo de salvar vidas.

Conclusão
- Embora a Igreja atual esteja aquém daquela Igreja iniciada no dia de Pentecostes, é possível retomar o caminho e voltar a fazer diferença neste mundo.
- A Igreja precisa voltar a ter unidade, consciente de que é o Corpo de Cristo na terra, e de que esse Corpo é uno, indivisível.
- A Igreja precisa se conscientizar de sua missão e abandonar o sentimento de auto-suficiência, as doutrinas pagãs, as divisões, facções, e voltar ao primeiro amor, ouvindo a advertência que o Senhor fez à Igreja de Éfeso: “tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.”(Ap 2:4-5)
- Enquanto isso não acontecer, a Igreja não vai ser canal de graça, de salvação, de cura, de transformação, antes, será um local repleto de pessoas enfermas, mas que não conseguem ser restauradas.
- Há muito mais a ser observado pela Igreja, além do que foi aqui descrito (unanimidade na esperança, no amor, na santidade, etc), mas, se houver o retorno à busca do que é essencial, todo o mais será acrescentado.
- Que o Senhor abençoe e tenha misericórdia de Sua Igreja, concedendo-lhe ânimo, fé e disposição para ser luz do mundo e sal da terra (Mt. 5:13-16).

José Vicente Ferreira
Igreja Presbiteriana de Porecatu
23.08.2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A SEGURANÇA DA SALVAÇÃO

Infelizmente, há algum tempo os homens vêm negando a Soberania de Deus, porque o orgulho humano não permite ao homem aceitar que o maior tesouro do universo não dependa de sua livre escolha e decisão. Então, o homem ainda vive achando que pode escolher a Deus, sem, contudo, aceitar que Deus é quem escolhe. Paulo, apóstolo que semeou o Evangelho de Cristo entre judeus e gentios e fundou muitas Igrejas, relata, em Gálatas, que ele havia sido escolhido por Deus antes mesmo de seu nascimento, vindo a manifestação do chamado já na idade adulta (Gálatas 1:15-17).

Se dependesse de Paulo, e de suas convicções humanas, ele teria morrido na ignorância quanto à salvação que há em Jesus Cristo, mas esse mesmo Jesus, sendo Deus Soberano, escolheu Paulo antes que ele nascesse, chamou-o no momento apropriado e manteve a fé desse servo, preservando-o para aquele Dia.

Jesus foi muito claro ao afirmar que quem crê NELE é salvo. Observem os textos a seguir:

"Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece." (João 3:36)

"Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida." (João 5:24)

"Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna." (João 6:47)

Notem que Jesus não diz que quem NELE crê terá ou poderá ter a vida eterna. Ele diz que essa pessoa TEM, no tempo presente. Não é um evento futuro ou condicional. A única condição, na verdade, é a fé em Jesus Cristo.

Ainda, Jesus diz que ninguém pode arrancar uma ovelha de suas mãos:

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um." (João 10: 27-30)

Bem, a menos que Jesus tenha faltado com a verdade (o que é simplesmente impossível), posso crer que uma ovelha nas mãos DELE jamais perecerá (jamais se perderá ou deixará de ser DELE). Se sou salvo, significa que estou nas mãos de Jesus. Ora, das mãos DELE ninguém pode me arrebatar. Isso significa que Satanás não pode me arrancar das mãos de Jesus. Significa que eu próprio não posso me arrancar das mãos DELE. O meu pecado não pode me arrancar das mãos DELE. Ninguém pode. Como disse Paulo em Romanos 8, nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, absolutamente nada.

Então, vem aquele argumento infundado: quer dizer que posso pecar e fazer o que quiser, pois não perderei a minha salvação?

Quem pensa assim é tolo e, na verdade, nunca foi salvo. A Bíblia deixa muito claro que o salvo vive como salvo. A regeneração provoca exatamente uma transformação de vida e de mentalidade, de forma que pensamentos como o que foi posto acima (posso fazer tudo sem perder a salvação) nem passam pela mente de um salvo.

Se um salvo pensasse assim, significaria que ele tem amor ao pecado, e não há como amar ao pecado e a Jesus, pois ambos são incompatíveis.

Não estou dizendo que um salvo não peca. Digo, conforme as Escrituras, que ele NÃO VIVE em pecado, afundado no pecado, pois o Espírito Santo, que nele habita, produz arrependimento e rejeição ao pecado.

As Escrituras nos revelam que Deus exige de nós a perseverança na fé, e isto é verdade. Devemos resistir até o fim de nossa carreira. Todavia, as Escrituras também deixam muito claro que o próprio Deus nos capacita para que possamos perseverar, pois, se dependêssemos de nossa força, vontade e aplicação, certamente pereceríamos.

"De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor." (1 Coríntios 1:7-9)

"E para que sejamos livres de homens dissolutos e maus; porque a fé não é de todos. Mas fiel é o Senhor, que vos confirmará, e guardará do maligno." (II Tessalonicenses 3:2-3)

"E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá." (I Pedro 5:10)

Portanto, amados irmãos, uma vez salvos, para sempre somos salvos, sim, pois a nossa salvação não depende de nossa capacidade, mas está nas mãos de Deus, que é o único que pode nos confirmar e guardar até o dia final. Não fosse isso, ninguém seria salvo.

Esqueçam o argumento de que a garantia da salvação leva os crentes a pensarem que podem faze o que quiserem, inclusive ficar parados esperando o tempo passar, pois isso não condiz com o pensamento de um salvo, conforme as Escrituras. Somente quem está 100% na carne pensa isso. E esse, obviamente, ainda não foi alcançado pela salvação que há em Cristo Jesus.

Deixemos de colocar o homem como dono de sua vida, pois o homem não é dono de nada, tudo pertence a Deus, inclusive nossa salvação, que Ele nos dá gratuitamente em Jesus, mediante a fé, que também não é nossa, mas vem de Deus. Leia Efésios 2:1-10.

Para finalizar, quero fazer uma ilustração que poderá facilitar o entendimento: utilizemos um bem material de valor muito elevado. Para mim, é impossível adquirir um jatinho particular, que custa alguns milhões de dólares. Se depender de minha condição, nunca vou adquiri-lo. É algo inatingível para mim. Um amigo bilionário, todavia, resolve me presentear com um jatinho (um presente incomum e que, na realidade, ninguém me daria). Muito bem, agora tenho um jatinho, e isso me deixa muito feliz. Entretanto, não tenho condições de construir um angar para guardá-lo, nem de pagar o aluguel de um angar. Também não tenho condições de cuidar da manutenção da aeronave, que, como se sabe, envolve custos elevados. Não tenho como abastacê-la. Não tenho como pagar impostos decorrentes da propriedade dela. Pôxa, recebi um presente de grego! Meu amigo bilionário, muito bem intencionado, me deu um presente que eu nunca poderia comprar, mas se esqueceu de um detalhe: não tenho como manter esse presente, e acabarei por perdê-lo!

Vejam bem: creio que as pessoas que leram essa ilustração conseguiram entender o seu significado. Se não tenho condições de adquirir um bem material, também não tenho condições de adquirir a salvação com meus esforços, pois a salvação é infinitamente mais valiosa do que qualquer bem material. Ora, se não tenho como adquirir a salvação, também não sou capaz de, uma vez recebida gratuitamente de Deus, mantê-la incólume até o fim, pois não sou capaz nem mesmo de manter um bem material, que é perecível, embora muito valioso, mas que não vale tanto como a salvação.

Deus seria imprudente (isso seria um absurdo) se simplesmente entregasse em minhas mãos um bem tão valioso, que custou o sangue de Seu próprio Filho, e não me fornecesse os meios para guardar e preservar esse bem. Assim, Deus me concede gratuitamente a salvação, através da fé que Ele mesmo me dá, e também me outorga o selo que é a garantia de que meu resgate foi pago, e de que não tenho mais nada a pagar, que é o Espírito Santo. Esse mesmo Espírito me dirige os passos e me afasta do que pode me contaminar, e me guarda para o grande Dia do Senhor.

O Espírito Santo, com o qual somos selados, nos revela a vontade de Deus, assim como nos ensina a viver para Deus, produzindo em nós o fruto do Espírito. Ele nos convence do pecado e nos leva ao arrependimento. Não significa que Ele nos manipula, pois continuamos a ter vontade própria e podemos fazer opções que não agradam a Deus, mas, quando isso ocorrer, o Espírito nos levará a ver que agimos conforme a carne e, com amor, demonstrará que há necessidade de mudança. A linguagem do amor é facilmente compreensível, mas se mesmo assim resistirmos, um puxão de orelha do Pai celeste nos fará ver o erro, e, assim, retomaremos o caminho correto.

"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça, que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência; descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade; com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo; em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória." (Efésios 1:3-14)

"E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção." (Efésios 4:30)

Irmãos, deixemos o evangelho antropocêntrico de lado, e nos concentremos no Evangelho de Jesus Cristo, onde ELE é o centro de tudo, é Soberano e não segue a mentalidade humana.

Abraço a todos, e que o Espírito Santo, no qual fomos selados para o Dia do Senhor, nos dê entendimento para não mudarmos a Palavra de Deus conforme nosso orgulho, e nos leve a reconhecer que não temos condições de adquirir nem de manter a salvação por nossos esforços, e devemos, por isto, confiar unicamente em Jesus Cristo.

A paz de Cristo a todos.
José Vicente
06/07/2009

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

DEUS ENDIVIDADO?

“Portanto, que diremos sobre nosso pai humano Abraão? Se de fato Abraão foi justificado pelas obras, ele tem do que se orgulhar, mas não diante de Deus. Entretanto, o que diz a Escritura? ‘Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça’. Ora, o salário daquele que trabalha não é considerado como favor, mas como dívida. Todavia, ao que não trabalha, mas crê em Deus, que justifica o ímpio, sua fé lhe é creditada como justiça.” (Romanos 4:1-5)

A Carta de Paulo aos Romanos é de uma riqueza teológica profunda. Nessa epístola, o apóstolo disserta sobre os fundamentos da fé cristã, pontos básicos e essenciais que devem estar bem claros e firmados na mente daquele que professa sua fé em Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador.

Paulo fala sobre a criação e como ela revela a Deus. Ele discorre sobre como o pecado entrou no mundo, e como ele foi transmitido por herança a toda a humanidade. Pondera sobre as consequências do pecado na vida presente e naquela que há de vir, não permitindo que ninguém se engane quanto à certeza da ira divina sobre os filhos da desobediência. Quando tudo parece apenas julgamento e condenação, Paulo apresenta a misericórdia de Deus, que, por Sua Graça, salva da ira aquele que a Ele se achega com coração sincero e arrependido, através de Jesus Cristo. O apóstolo apresenta uma bem estruturada explanação sobre a ausência de discriminação por parte de Deus, que não faz separação entre judeus e gentios, tendo chamado todos ao arrependimento. Ele também fala sobre aspectos práticos da vida cristã, englobando o cotidiano do ser humano convertido a Jesus.

Um dos grandes objetivos de Paulo nessa epístola é demonstrar de forma clara e definitiva que a salvação não depende da prática de boas obras, visto que ninguém tem nada a oferecer a Deus a fim de obter o bem mais precioso que alguém pode alcançar, que é a vida eterna.

Assim, dentre as diversas explanações que Paulo faz sobre o tema, encontramos aquela que está no capítulo 4, versículos 1 a 5, onde ele se refere a um personagem bíblico muito conhecido de todos (principalmente dos judeus daquela época), para ilustrar a forma como Deus justifica e salva uma pessoa independentemente da prática de obras.

Abraão, como se sabe, é chamado de “nosso pai da fé”. Foi um homem muito temente a Deus, e que manifestou sua fé em Deus em situações que poderiam ensejar reações bem diferentes daquelas que ele teve. Quando Deus mandou que Abraão deixasse seus parentes e sua terra, e fosse para um lugar que ele próprio nem sabia onde se localizava, mas que seria mostrado por Deus, ele não ficou questionando ao Senhor, mas obedeceu e partiu para onde Deus determinou.

Ainda, sendo já velho, e ante a esterilidade de sua esposa Sara, Abraão achava que não teria descendentes, mas Deus lhe prometeu que ele seria pai de uma grande nação. Ele creu e a promessa foi cumprida, vindo o filho Isaque. Anos mais tarde, novamente sua fé foi posta à prova: Deus mandou que ele sacrificasse o filho Isaque, a quem tanto amava. Ele obedeceu, na certeza de que, assim como Deus fizera nascer um filho a um casal que não poderia tê-lo, também tinha poder para fazê-lo ressurgir dentre os mortos. Deus não deixou que ele sacrificasse o filho, providenciando um cordeiro como substituto para o holocausto, tendo ficado muito evidente a grandeza da fé de Abraão em Deus.

Então, Paulo invoca o exemplo de Abraão, que viveu 430 anos antes de ser dada a Lei, que somente foi promulgado através de Moisés após o êxodo do Egito, para demonstrar que foi unicamente pela sua fé em Deus que ele foi justificado, e não pela prática de obras. Assim, não fazia sentido os judeus tentarem impor aos gentios convertidos o cumprimento dos preceitos da Lei, sustentando que isso era necessário para que fossem salvos, pois a salvação nunca se deu por obras, e sim pela Graça de Deus, mediante a fé.

Para deixar mais claro o que pretendia demonstrar, Paulo diz: “o salário daquele que trabalha não é considerado como favor, mas como dívida”. O que isto significa? É simples: quem trabalha tem direito à remuneração pelo serviço prestado. Assim é que funciona entre patrões e empregados. O patrão, após o trabalho realizado pelo empregado, torna-se devedor com relação ao salário, e, se não pagar, pode ser cobrado até mesmo judicialmente. Da mesma forma, se a nossa justificação e salvação fossem baseadas nas obras por nós realizadas, Deus estaria em dívida para conosco!

Esse tipo de pensamento levaria à conclusão de que Deus teria dívida até para com os ímpios, aqueles que não vivem conforme a Palavra de Deus e, muitas vezes, nem creem nEle, mas que praticam obras de caridade, contribuem financeiramente com instituições beneficentes, fazem penitências, etc. Pode haver algo mais absurdo do que isto? Deus sendo devedor aos homens!

Ora, foi Deus quem criou o homem, e não o contrário. Deus criou todo o universo, e entregou ao homem este mundo para que dele cuidasse e nele vivesse bem. O ser humano não é dono de nada, ele na verdade está inserido nessa imensa criação que pertence a Deus. O criador nada deve à criatura. Se a criatura existe, ela, sim, deve isso ao criador.

Alguém poderia imaginar Deus endividado? Seria possível visualizar Deus sendo cobrado por crentes ou mesmo por ímpios, por causa de boas obras que estes tenham feito em vida, e tendo que abaixar sua cabeça, resignado, pagando ao homem o que lhe deve? Isso soa extremamente herético, e não tem como ser aceito por quem tem um mínimo de conhecimento bíblico e temor a Deus.

Mas Paulo usa esse raciocínio exatamente para demonstrar o quão absurda é a idéia que muitos judeus tinham naquela época (e muitos religiosos, inclusive cristãos, ainda têm hoje), de que é possível obter a justificação de nossos pecados perante Deus através da prática de boas obras, do cumprimento de leis religiosas, usos e costumes, sacrifícios pessoais, penitências, etc.

Deus não deve nada a ninguém.

Boas obras não pagam nem apagam pecados, muito menos compram um lugar no céu. Como está escrito no livro de Jó, “se pecares, que efetuarás contra ele? Se as tuas transgressões se multiplicarem, que lhe farás? Se fores justo, que lhe darás, ou que receberá ele da tua mão? A tua impiedade faria mal a outro tal como tu; e a tua justiça aproveitaria ao filho do homem.” (Jó 35:6-8)

Não estou dizendo que não se deva praticar boas obras. Sim, elas têm que ser praticadas o tempo todo, mas não como forma de obter salvação ou conseguir o favor de Deus, e, sim, como obediência à Sua Palavra e para que se evidencie que realmente cremos nEle. Mas, quanto às obras como demonstração da fé, falaremos em outra oportunidade.

Refutando esse tipo de pensamento (de que seja possível obter justificação e salvação através de obras pessoais), o apóstolo afirma: “Todavia, ao que não trabalha, mas crê em Deus, que justifica o ímpio, sua fé lhe é creditada como justiça”. Quando Paulo diz “ao que não trabalha”, não está se referindo, logicamente, ao nosso trabalho diário para obter o sustento material, mas, sim, à prática de obras com o propósito de auto-justificação perante Deus.

Paulo diz claramente que, pela Graça de Deus, e unicamente pela Graça, mediante a fé, somos justificados, ou seja, somos feitos pessoas justas diante de Deus, nossos pecados não nos são imputados, e escapamos da condenação que está reservada para os que permanecem em rebeldia contra Deus (Jo 3:36).

Há pessoas que têm fé em muitas coisas. Alguns têm fé em si mesmos e em sua capacidade de fazer coisas que garantam sua salvação (pura ilusão!); outros creem em objetos; há os que creem em pedaços de madeira ou em artefatos feitos à base de argila, cerâmica, ferro ou coisa parecida, aos quais atribuem qualidades e poder inexistentes; também se encontram aqueles que têm fé em alguma coisa, que nem eles mesmos sabem o que é. No meio da cristandade se encontram os que creem em um deus que não é Deus, mas é um ser subserviente, feito para servir aos humanos e compactuar com toda a maldade do homem. Um Jesus criado pelos homens para ser o validador de projetos humanos falíveis e de simpatias evangélicas que não passam de paganismo disfarçado de cristianismo.

Entenda-se, no entanto, que não é a qualquer tipo de fé que Paulo se refere, mas, sim, a fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus que veio ao mundo como homem, sofreu, foi morto na cruz, ressuscitou ao terceiro dia e está sentado à direita do Pai no trono celeste, de onde virá, em dia que ninguém conhece, senão o Pai, para julgar os vivos e os mortos, proferindo a sentença final, que será de condenação aos que não creem nEle, e de absolvição aos que, pela fé nEle, e somente nEle, foram justificados, purificados de seus pecados, e viverão eternamente na presença de Deus.

Não se trata do Jesus criado segundo as conveniências humanas, que é o Jesus da prosperidade, da saúde de ferro, da vingança pessoal, dos empresários fraudadores, dos líderes religiosos exploradores da boa fé alheia, mas, sim, o Jesus segundo as Escrituras, que perdoa, liberta, cura, ama incondicionalmente e não exige nada em troca, apenas a fé daquele que O busca.

Através de Jesus Cristo, o Verdadeiro, até mesmo o pior dos ímpios pode obter a redenção dos pecados, a justificação e a salvação, mediante a fé autêntica, que gera arrependimento, transformação de vida, e é resultado da Graça de Deus derramada sobre cada coração.

Graça é favor imerecido. É quando Deus nos concede algo de bom que não merecemos. No caso, Ele nos dá a salvação, não porque sejamos boas pessoas ou porque façamos boas obras, mas porque Ele nos ama e deseja a nossa salvação, tanto que enviou Seu Filho para morrer em nosso lugar e pagar pelos nossos pecados, como nosso substituto, não restando, assim, sacrifício a ser feito por nós, que apenas somos chamados a ter fé exclusivamente nEle.

A justiça feita em Cristo garante que possamos nos apresentar justificados perante Deus, sem mais nenhuma acusação contra nós, porque Ele pagou o preço por nós.

Portanto, Deus não está, nunca esteve e nunca estará em dívida para conosco. Nós, sim, tínhamos para com Ele uma grande dívida, mas Jesus pagou essa dívida (Col 2:13-14), e o que nos resta é crer nEle e agradecer eternamente pelo presente recebido.

Que YAWEH, o Deus Altíssimo, abençoe a todos, e abra o entendimento àqueles que ainda não compreenderam a Graça de Deus, e ainda tentam obter perdão e salvação com esforços próprios, não descansando na fé em Jesus Cristo.

José Vicente
07/08/2009

quarta-feira, 22 de julho de 2009

OLHOS BONS X OLHOS MAUS


“São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!” (Mateus 6:22-23)

A passagem acima se encontra no conhecido Sermão do Monte, onde Jesus profere uma série de ensinamentos para a vida, sempre tendo em mira o modo de vida a ser seguido por um cidadão do Reino dos Céus.

Para uma melhor compreensão da lição aqui ensinada por Jesus, faz-se necessário verificar o contexto em que está inserida a mensagem, pois isto permitirá evitar conclusões equivocadas.

Em todo o Sermão do Monte Jesus ministra palavras de transformação, de conduta, comportamento, de relacionamento dos seres humanos entre si e com Deus. No capítulo 6, onde se encontra a passagem que hoje focalizamos, Jesus fala sobre os valores que norteiam a vida das pessoas.

No versículo 1 do Capítulo 6, Jesus fala sobre aqueles que exercem sua justiça perante os homens, para serem por eles vistos. Há, aqui, uma clara referência ao desejo de obter glória, reconhecimento, massagem do ego, por parte de quem pratica os chamados atos de justiça, porque não age no intuito de realmente exercer a justiça, mas, sim, de conseguir proeminência perante os homens, o que, para Deus, é abominável.

Nos versículos 2-4 Jesus aborda o tema da caridade. Entretanto, sua orientação é no sentido de que obras de caridade não devem jamais ser feitas com o intuito de chamar a atenção das pessoas para si mesmo. Jesus critica a motivação egoísta das pessoas que, ao fazerem um ato de caridade, estão na verdade pensando em si mesmas, para serem vistas como boas pessoas, e até mesmo para poderem tentar fazer alguma barganha com Deus, apresentando suas obras como se fossem capazes de servir como moeda de troca. A motivação correta é fazer caridade por amor a Deus e ao próximo, e por esta razão, nunca se deve buscar reconhecimento de homens, nem fazer propaganda de seus bons atos, pois esse procedimento não agrada a Deus.

Dos versículos 5-15 Jesus enfoca a oração. Os líderes religiosos daquela época tinham o hábito de orarem em pé nas sinagogas e nas praças, mas isso não era uma evidência de espiritualidade, e, sim, demonstração inequívoca de que tais pessoas estavam buscando serem vistas pelos homens e angariar admiração para si. Queriam que as pessoas elogiassem suas belas e longas orações, que vissem que suas orações eram fervorosas e poderosas. Seus pensamentos não estavam voltados a Deus no momento das orações, mas sim aos próprios homens. Por isto, foram chamados de hipócritas, ou seja, eram como atores que representavam um papel, mas suas vidas não refletiam aquilo que tentava aparentar.

Hoje se vê muito esse tipo de comportamento, tanto de pessoas que querem exercer justiça para serem vistas pelos homens, como aquelas que fazem caridade para serem elogiadas e tidas como auxiliadoras do próximo, e, ainda, as que fazem orações bonitas, cheias de frases de efeito e chavões religiosos, em voz alta, com os braços levantados, atraindo a atenção dos outros para si. Então se diz que fulano tem oração forte. Quando alguém precisa de auxílio divino, não ora por si mesmo, nem pede a um irmãozinho mais “simples”, mas vai em busca do fulano que tem oração forte, como se o poder estivesse naquele que ora, e não nAquele a Quem a oração deve ser dirigida.

No versículo 13 Jesus dá uma lição que não deve ser esquecida: “pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre.” Após dizer várias vezes, de forma contundente, que o homem não deve buscar glória para si mesmo, Jesus diz a quem deve ser dada toda a glória: Deus. Sim, somente a Deus deve ser dada glória. O ser humano deve fazer tudo para a glória de Deus. Motivações egoístas não têm lugar no Reino de Deus. A Ele pertencem o reino, o poder e a glória. Assim, a busca por reconhecimento e proeminência significa busca de valores terrenos, que não se amoldam aos valores do Reino de Deus. A tentativa de querer demonstrar algum poder através de atos ou de orações “fortes” não condiz com a realidade do Reino de Deus, pois o poder não pertence ao homem, mas a Deus. Não foi o homem quem criou o universo, mas foi Deus, pela Sua Palavra, e Ele é quem sustenta tudo o que existe. E, finalmente, toda glória pertence a Deus, e muito infeliz é o homem que tenta usurpar isso para si.

Esse mesmo princípio está estampado nos versículos 16-18, onde Jesus adverte àqueles que jejuam com intenção de serem elogiados por sua abnegação, por sua força espiritual, por sua determinação em servir a Deus, deixando transparecer claramente a todos, através de suas fisionomias, que estão jejuando, fazendo um sacrifício, e são mais santos que os demais. É um jejum que não agrada a Deus, e que não gera crescimento para a Vida. Não haverá, para esse tipo de pessoa, boas recompensas da parte de Deus, pois optaram por receber aqui, nesta terra, uma recompensa passageira, vinda dos homens, e que não tem o poder de gerar a felicidade eterna.

A partir do versículo 19 até o 21 Jesus fala sobre pessoas que buscam acumular tesouros deste mundo. Tesouros, aqui, têm conotação de bens materiais, de riquezas, mas também podemos dizer que há muitas coisas que as pessoas consideram valiosas como tesouros, e que não são necessariamente dinheiro e posses. A vaidade, o orgulho, a fama, a glória pessoal, os prazeres da carne, a satisfação dos desejos, o famoso “viva a vida, seja feliz, faça o que tiver vontade”, são valores que se assemelham a tesouros na vida de quem os busca.

Existe clara ligação entre o que Jesus diz nesses versículos e o que consta nos anteriores, pois quem busca proeminência, glória entre os homens, elogios de homens, etc., está buscando tesouros deste mundo.

Então, Jesus fala claramente que os tesouros desta terra, aí incluído tudo o que dissemos anteriormente, são corruptíveis, se desmancham, acabam, podem ser roubados, não possuem valor eterno, mas de uma hora para outra podem ir embora. O Mestre nos orienta a buscar os tesouros celestiais, que não podem ser roubados nem se acabam, mas permanecem eternamente. O maior tesouro que se pode conseguir é a Vida Eterna, a salvação, e esse tesouro está em Jesus Cristo.

No versículo 21 Jesus diz: “porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”. Assim, se o tesouro que buscamos é terreno, aqui na terra estará nosso coração. Isso nos levará a aplicar nossa vida em coisas que perecem, e, no fim, não teremos alcançado o tesouro maior, que é a Vida Eterna com Deus.

Seguindo, no versículo 24 Jesus fala sobre a necessidade de termos um só senhor. Se nosso coração está nos tesouros desta terra, nosso senhor é a riqueza terrena. Não é por acaso que as Escrituras revelam que “o amor do dinheiro é a raiz de todos os males” (1Tim 6:10). Por amor às riquezas terrenas pessoas matam, trapaceiam, mentem, cometem insanidades, desprezam família e amigos, vendem seus corpos, abrem mão de sua dignidade, mercadejam a Palavra de Deus, e fazem todo tipo de atos reprováveis e absurdos.

Por outro lado, quando Deus é nosso Senhor, nossos valores são outros. O amor a Deus é demonstrado no amor ao próximo. Existe verdade, simplicidade, ética, dignidade, relações saudáveis com família, amigos e com todas as pessoas, caridade autêntica, oração em secreto para ser ouvida pelo Pai, boa vontade, senso moral elevado, e tudo o mais que seja bom e correto aos olhos de Deus.

É impossível permanecer com os pés em dois barcos. Há necessidade de escolher: ou servimos a Deus e acumulamos tesouro no céu, ou servimos às riquezas terrenas e delas nos tornamos escravos, tendo o mesmo fim que elas.

Complementando tudo isso, do versículo 25 até o 34 Jesus nos para não andarmos ansiosos com questões cotidianas, como o vestuário, a alimentação, a bebida, porque tudo isso é providenciado pelo Pai celeste para aqueles que buscam em primeiro lugar o Reino de Deus. Jesus não está nos convidando para sermos pessoas inconsequentes, que não trabalham nem se esforçam para conseguirem o seu sustento. A própria Escritura determina que “se alguém não quer trabalhar, também não coma” (II Tess 3:10), condenando a ociosidade e a preguiça.

O que Jesus faz é nos exortar a priorizar as coisas celestiais e confiar na providência divina. Devemos trabalhar, sim, mas o nosso trabalho não deve ocupar o lugar que é de Deus. Se o Reino de Deus for nossa prioridade, exerceremos em nossa vida os valores do Reino, e andaremos na presença de Deus. Ele, por sua vez, não deixará que nada nos falte.

É possível comparar esse relacionamento àquele que é mantido entre pais e filhos. Os filhos não amam os pais porque recebem o sustento diário, roupas e presentes, mas recebem tudo isso porque amam os pais e são por eles amados. Os filhos sabem que os pais (excetuando-se alguns desalmados) não lhes deixarão faltar nada. Ainda que não haja luxo e abundância de coisas boas mais supérfluas, o essencial nunca faltará. Da mesma forma, nosso Pai celeste tem prazer em nos abençoar, e nossa confiança nEle não é frustrada, pois, conforme está escrito, “nada falta aos que o temem” (Salmo 34:9), e, também, “nunca vi o justo desamparado, nem a sua descendência mendigar o pão” (Salmo 37:25).

Bem, mas onde se encaixa o que Jesus disse nos versículos 22-23, sobre os olhos bons e olhos maus? À primeira vista parece não haver conexão entre tudo o que foi dito, mas na verdade a lição que Jesus nos dá está intimamente ligada a todo o contexto do capítulo 6 e dos demais que apresentam o Sermão do Monte.

Olhos maus são aqueles que estão focalizando exclusivamente os tesouros terrenos. Como esses tesouros não possuem luz, os olhos que os contemplam não podem refletir a luz, e, portanto, todo o corpo fica em trevas, em escuridão. Quem vive a correr atrás dos tesouros terrenos, na verdade, não conhece a Deus, e não foi por Ele iluminado.

Já os olhos bons são aqueles que, por estarem voltados aos tesouros celestiais, refletem a luz de Deus, e, assim, todo o corpo está na luz, é iluminado.

Olhos maus são cobiçosos, invejosos, levam a pessoa a cometer atos absurdos, como dissemos acima, em nome dos tesouros terrenos, sejam eles quais forem (dinheiro, posses, prazeres, poder, proeminência, etc.).

“E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.” (João 3:19).

Olhos bons são mansos, humildes, não apegados a coisas passageiras, amorosos, benignos, pois a luz de Deus não deixa que as trevas contaminem tais olhos.

“Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (João 8:12)

Olhos bons estão voltados para Jesus Cristo, e almejam a pátria celeste, sabendo que tudo o que este mundo oferece é passageiro e pode acabar de um momento para outro, mas a herança que nos está reservada no Reino de Deus é incorruptível e eterna.

“Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.” (1 Coríntios 15:19)

Não adiante dizer que cremos em Cristo, mas querermos transformá-lo em nosso mordomo para coisas terrenas. O tesouro que Ele nos oferece é a salvação, a vida eterna com Deus. Jesus não é, ao contrário do que se prega em muitos lugares hoje, corretor imobiliário, despachante, guru empresarial, fada madrinha, gênio da lâmpada, serviçal que deve nos atender em todos os nossos caprichos.

O Jesus que tem sido pregado em muitas igrejas não é o Jesus Cristo da Bíblia, antes, é uma criação do homem, produzido conforme as conveniências humanas. Esse Jesus não salva ninguém, porque não existe. Quem crê nesse Jesus, e vive apenas buscando coisas para esta vida, é muito infeliz, pois deixa de obter o bem mais precioso: a vida eterna, que está em Jesus Cristo, o Filho de Deus, que morreu na cruz, ressuscitou e está assentado à direita do Pai, de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos no grande e terrível Dia do Senhor.

“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.” (Col 3:1-3)

Ainda é tempo de mudar seu olhar. Reflita nisso.

José Vicente
21/07/2009

Citações da Bíblia Almeida Revista e Atualizada