quinta-feira, 2 de março de 2017

CUIDADO COM REVELAÇÕES DE “DEUS”




O caso da mulher que foi lançada em uma fogueira em um ritual de uma “igreja evangélica” na Nicaragua continua dando o que falar. Novos detalhes têm sido divulgados pela imprensa, conforme matéria da BBC Brasil.

Agora, o noticiário informa que uma diaconisa da igreja afirma ter tido uma revelação em que Deus ordenava que se fizesse uma fogueira no pátio do templo para que a mulher fosse curada por meio do fogo.

Essa história de revelação de Deus não é coisa nova, todavia, o que as pessoas esquecem é que a Revelação de Deus foi feita por meio das Escrituras, e não há coisas novas a serem reveladas. O que passa das Escrituras deve ser questionado, pois geralmente não passa de devaneio humano ou influência do Maligno.

No caso da mulher queimada, sem dúvida a tal “revelação” foi uma sugestão do Maligno a pessoas que não conhecem a Deus e o Seu Poder, muito menos passaram pelo Novo Nascimento, pois continuam aprisionadas pelo Maligno, pelos pecados, pela filosofia do mundo.

Impossível dizer que essas pessoas são evangélicas. Evangélico é todo o que vive conforme o Evangelho de Cristo. E não é preciso ser um gênio teológico para saber que Cristo nunca ensinou esse tipo de coisa, pelo contrário, ele era incapaz de fazer mal a qualquer pessoa, por pior que fosse, pois Seu desejo era a libertação e salvação do ser humano, não sua destruição.

Ao que tudo indica, a vítima passou alguns dias amarrada. Isso é tortura, é desumano, é bizarro e está a milhões de milhas de distância do que Jesus ensinou. Aliás, Ele não prendia ninguém, Ele libertava as pessoas. Sim, Ele as libertava do jugo do Maligno, da influência do mundo, das mazelas do corpo e da alma, dos desequilíbrios mentais, da religiosidade.

O evangélico autêntico é aquele que vive o amor ensinado por Jesus, e não o ódio semeado pelo Maligno no coração humano. O evangélico verdadeiro é aquele que sabe que Deus se revelou em Seu Filho, Jesus Cristo, de quem as Escrituras testificam, e o que passar disso vem do Maligno. O evangélico verdadeiro tem sua fé firmada em Jesus, e não em rituais pagãos, mandingas, superstições, profetadas, “oração forte” e coisas do gênero.

Cuidado com revelações de “deus”. Esse deus realmente é escrito com letra minúscula, porque o Deus Altíssimo já se revelou e não age da forma como muitos “evangélicos” acreditam, em uma fé pagã e vazia.

Que o Altíssimo tenha misericórdia de todos nós.

José Vicente
02.03.2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

REVIVENDO A INQUISIÇÃO



Nesta terça-feira, 28.02.2017, enquanto lia notícias na internet, no portal G1, deparei-me com a seguinte manchete: "Mulher morre após ser jogada em fogueira por grupo religioso na Nicaragua". Minha primeira reação foi pensar que se tratava de alguma dessas religiões que envolvem sacrifícios humanos, das quais volta e meia se fala algo nos noticiários, porém fiquei perplexo ao prosseguir na leitura e descobrir que os criminosos são homens que se denominam cristãos evangélicos.
Ainda sem acreditar no que estava lendo, pesquisei na internet para verificar se havia outros portais que teriam divulgado a mesma notícia, a fim de constatar sua veracidade, apesar de que o portal G1 provavelmente não publicaria uma manchete como essa se fosse mentira. Para minha tristeza, outras páginas de informação, dentre elas o Notícias UOL e El País, também traziam essa matéria.
Os assassinos foram identificados como pertencentes à Igreja Assembleia de Deus, na Nicaragua. Foi dito que a mulher estaria endemoninhada, e por esta razão procedeu-se à sua condenação à fogueira, ao estilo “Santa Inquisição”.
Na matéria divulgada no portal El País, consta ainda a informação dada pelo marido da vítima, de que ela teria sofrido estupro, o que, conforme o noticiário, não fora confirmado pela autoridade policial até o momento. O crime da morte pode ter sido praticado para encobrir o crime do estupro.
O fato é que, em nome da religião, mais uma barbaridade foi cometida contra um ser humano! Sim, mais uma de milhares que vêm sendo registradas ao longo da história da humanidade.
Parece que o passar do tempo não traz evolução à mentalidade do ser humano nessa área, assim como o conhecimento disponibilizado na Bíblia permanece na superficialidade, além de se transformar em um dos principais pretextos dos lobos devoradores para manipular pessoas e destruir vidas, tudo isso “em nome de Deus”.
Pois é! “Em nome de Deus” já foram dizimadas milhares de vidas. Deus, porém, não tem participação nessas barbáries que o ser humano vem perpetrando ao longo dos tempos. Na verdade, Deus se revelou em Seu Filho, Jesus Cristo, para ensinar à humanidade o verdadeiro significado da palavra “amor”, todavia o ser humano resiste, prefere deixar vir à tona o que tem de pior, ainda que para manifestar sua maldade cometa a heresia e blasfêmia de atribuir a Deus a razão de suas ações nefastas.
Com toda certeza, a grande maioria dos religiosos existentes neste mundo, que se autodenominam cristãos, nem ao menos chegaram a conhecer Jesus Cristo. Tiveram contato com sua história, com as Escrituras, com a Sua Igreja, mas jamais seus corações foram habitados pelo Mestre, assim como nunca se tornaram discípulos do Messias, antes, continuaram a ser fieis seguidores de Satanás, disfarçando-se para enganar a muitos, levando morte, destruição e tristeza por onde passam.
E não importa o nome da denominação religiosa. No caso, as pessoas pertenciam à Assembleia de Deus da Nicaragua, que acredito não ter nada a ver com a Assembleia de Deus do Brasil, assim como a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos já não tem vínculo com a Igreja Presbiteriana do Brasil. Mas independentemente disso, em todos os lugares e sob diversas denominações, será possível encontrar lobos ávidos por sangue, por poder, por glória própria, por destruição.
Aqui no Brasil, talvez ainda não haja gente sendo queimada em fogueiras, mas todos os dias vemos lobos devorando pessoas crédulas, que acreditam piamente em todas as mentiras que são ditas “em nome de Deus” e mediante a completa deturpação dos textos bíblicos. Pessoas são exploradas, roubadas não apenas em termos econômicos, mas principalmente em sua dignidade, seguindo a ladrões, falsos profetas que arrancam a lã das ovelhas para tecerem para si mesmos finas vestes, enquanto as vítimas sofrem com falta de amor, de dinheiro, de respeito, de verdadeira vida.
Jesus alertou quanto à vinda de lobos devoradores, e Seus apóstolos também chamaram a atenção dos discípulos para essa realidade. A Palavra de Deus adverte quanto a coisas desse tipo, mas também afirma que a falta de conhecimento por parte do povo, que deveria ser instruído na Palavra, causa sua destruição, conforme está registrado no Livro do Profeta Oseias, “o meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Os 4.6).
O mundo está cheio de falsos profetas. Apenas o real conhecimento de Cristo e das Escrituras pode evitar que as pessoas sejam vítimas desses lobos vorazes. O Espírito Santo é nosso professor, Ele nos leva a compreender as Escrituras corretamente, não nos atendo a doutrinas de homens, mas conhecendo a vontade de Deus.
Que Deus nos livre dos lobos devoradores, e que por Sua misericórdia Ele conduza Seu povo ao real conhecimento do Altíssimo. Que seja feita justiça àqueles que usam a Bíblia para obter proveito próprio e para satisfazer sua sede de sangue e destruição, conforme a Sabedoria do Pai Eterno, e que esses acontecimentos não sejam suficientes para enfraquecer a fé dos que caminham com Cristo nem para fortalecer os adversários do Evangelho.
Que Deus nos livre de uma nova inquisição e dos servos de Satanás disfarçados de cristãos!

José Vicente
28.01.2017

domingo, 26 de fevereiro de 2017

FÉ SEM EXIBICIONISMO


Texto base: Mateus 6.1-18

A passagem lida se encontra dentro do conhecido Sermão do Monte, por meio do qual Jesus ensinou aos seus ouvintes como deve ser o caráter de um cidadão do Reino de Deus.
Esse sermão teve início no capítulo 5 e se prolongou até o capítulo 7, e está repleto de instruções do Mestre quanto à forma de viver de todo aquele que pertence a Deus. O cidadão do céu deve rejeitar o modo de vida que seja contrário à vontade de Deus e que esteja apenas em acordo com os padrões do mundo, porque ele não pertence a este mundo.
Trata-se, também, de um ensinamento maravilhoso de Jesus quanto ao correto sentido da Lei de Deus, de como ela deve ser vivida e interpretada, não conforme uma religiosidade vazia e superficial como aquela dos fariseus e mestres da Lei, mas nos moldes da vontade de Deus, compreendendo a essência dos mandamentos e vivendo uma vida plena na Presença do Altíssimo.
No texto que lemos Jesus ataca um ponto crucial que afetava a vida dos líderes religiosos daquela época, que é a hipocrisia. Jesus usou mais de uma vez a palavra “hipócritas”, referindo-se a tais pessoas. Essa palavra, na língua grega, indicava um ator que utilizava máscaras para representar personagens. Jesus estava dizendo, então, que aqueles homens apenas representavam o papel de religiosos piedosos, mas na verdade adoravam a si mesmos, eram egocêntricos e não almejavam glorificar a Deus com seus atos.
Embora os acontecimentos dessa passagem tenham se dado muitos séculos atrás, é fato que tudo o que Jesus apontou como conduta hipócrita continua ocorrendo nos dias atuais e com muita intensidade, atingindo não apenas líderes religiosos, mas diversas pessoas que afirmam serem seguidoras de Cristo.
Jesus procura ensinar como deve ser a conduta de um cristão autêntico, que vive em integridade, ou seja, que tem seu interior correspondendo ao exterior, aproximando-se mais do caráter de Cristo.
Vamos destacar alguns ensinamentos que Jesus ministrou nessa passagem, para que sejamos cristãos autênticos.

          1)      Não seja um crente exibicionista
Jesus falou de atitudes tomadas por pessoas com a finalidade de se exibirem, para serem vistas por outras pessoas. No versículo 1 Ele diz que os hipócritas exercem sua justiça “com o fim de serem vistos por eles”. O versículo 2 traz a expressão “para serem glorificados pelos homens”. Já o versículo 5 trata daqueles que fazem orações “para serem vistos dos homens”, enquanto o versículo 16 apresenta os que jejuam “com o fim de parecer aos homens que jejuam”. Enfim, tudo o que se faz tem como motivação aparecer para as pessoas, ser enaltecido, elogiado, praticamente adorado.
O Mestre Jesus condena esses comportamentos, porque as motivações são erradas, já que quem age assim quer glória para si e não para Deus.
Nos tempos antigos as pessoas se exibiam nas praças, nas sinagogas, ruas, mas hoje, com a modernidade, além dos templos e lugares externos, há novas maneiras de se mostrar, pois podemos usar a internet e as diversas redes sociais, como Facebook, Whatsapp, Instagram, etc., e isso tem sido feito de forma bem corriqueira por cristãos.
Hoje o exibicionismo virou uma febre, uma doença, e há pessoas que se expõe continuamente nas redes sociais. A intimidade é deixada de lado pela vontade de mostrar às pessoas o que estamos fazendo, o que compramos, os lugares que visitamos, as viagens realizadas, inclusive seu roteiro, etc.
Essa exposição traz perigos a nós e nossos familiares, pois podemos ser vítimas de pessoas mal intencionadas que conseguem informações valiosas nas redes sociais. Porém, da mesma forma que nossa vida pessoal deve ser preservada, não nos submetendo a tanta exposição, também nossa vida espiritual deve receber especial atenção de nossa parte para que não caiamos na tentação do exibicionismo.
Em Provérbios 10.19 aprendemos que “no muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente”. Podemos dizer, com base nessa orientação bíblica, que não é prudente se expor demais, como tem ocorrido atualmente.
Assim, quando exercitamos nossa fé por meio de ajuda a pessoas, oração, jejum ou qualquer outra forma, isso não deve ser exposto com a finalidade de que as pessoas vejam o que estamos fazendo, pois isso é exibicionismo, é hipocrisia.
Não devemos querer que todos saibam o que fazemos, para que nos considerem verdadeiros cristãos. Não devemos usar redes sociais para mostrar como somos bons cristãos. Cabe a nós vivermos com autenticidade a nossa fé, sem pensar em promoção pessoal.
Não é raro ver pessoas postando no Facebook suas orações pessoais, expondo alguma situação que estão vivendo e pedindo a Deus uma providência. Todavia, Jesus disse que nossa conversa com o Pai deve ser reservada, apenas com Ele. Ninguém precisa saber o que estamos conversando com nosso Deus. Isso é diferente de pedir aos irmãos que orem por uma necessidade especial. Nossas orações são um diálogo nosso com o Pai Celeste, e interessam apenas a nós e a Deus, e a ninguém mais. O próprio Jesus se retirava para lugares onde pudesse ficar a sós com o Pai, e assim orava.
Cumpre-nos imitar o Mestre, que nunca quis atrair atenções sobre si, pelo contrário, muitas vezes até pedia que as pessoas por Ele beneficiadas não comentassem sobre as bênçãos que haviam recebido. Então, sejamos como Jesus.

           2)      Não queira uma glória que não é sua
Em seu ensino, Jesus mostra que os crentes exibicionistas não almejam outra coisa, senão sua própria glória.
Os que exercem sua justiça perante os homens querem ser declarados justos por esses mesmos homens;os que dão esmolas e ajudam necessitados querem ser aplaudidos pelas pessoas; os que oram para todos verem almejam ser reputados por pessoas como crentes piedosos e de oração; os que jejuam querem ser vistos como religiosos que sofrem por sua fé.
O problema é que o cristão não vive para si, e sim para Deus, e por meio de seu viver Deus é que deve ser glorificado, ou seja, é o Senhor que deve receber as honras, e não o servo.
Observemos o que escreveu Paulo:
“Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.” (Romanos 14.7-8)
Deus não aceita esse tipo de atitude dos seus servos – querer glória para si mesmos -, pois Ele não divide a sua glória com ninguém, conforme lemos em Isaias 42.8:
“Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.”
Jesus disse que essas pessoas já receberam a sua recompensa, que é a glorificação apenas diante dos homens. Essa, e apenas essa, será a sua recompensa.
Jamais deve tomar nosso coração a vontade de recebermos uma glória que não é nossa, mas de Deus, pois estamos agindo como ladrões, pretendendo nos apropriar do que não nos pertence.
Na passagem que lemos, encontramos a “Oração do Pai Nosso”. E não é por acaso que essa oração está exatamente nesse lugar no Evangelho escrito por Mateus. Com a oração do Pai Nosso, Jesus ensina a reconhecer que Deus é Santo; que a Sua vontade deve ser prioridade em nossa vida; que dependemos dEle para termos nosso sustento; que Deus é misericordioso e requer que sejamos misericordiosos, perdoando a quem nos ofende; que Deus tem o poder de nos livrar das tentações e das ações do maligno; e que o reino, o poder e a glória pertencem a Ele por toda a eternidade.
Em outras palavras, a Oração do Pai Nosso nos ensina a dar a Deus a glória que Lhe é devida, colocando-nos em posição de servos humildes e dependentes da Graça Eterna.

           3)      Confie na Providência do Pai
No versículo 1, Jesus diz que aquele que obtém glória diante dos homens não receberá galardão de Deus. No versículo 4, o Mestre ensina que ao fazer caridade em secreto, receberemos de Deus a recompensa. Da mesma forma é dito nos versículos 6 e 18. Jesus é enfático ao dizer que o Pai, que vê em secreto, recompensará.
O cristão que conduz sua vida de maneira a glorificar a Deus, demonstrando no viver diário o testemunho da fé em Cristo, mas sem exibicionismo, jamais buscando exaltação pessoal, pode esperar confiantemente em Deus, pois suas obras estão sendo vistas pelo Pai, que concederá, no momento que julgar apropriado, a justa recompensa.
Deus sabe o que precisamos, sabe o que sofremos, sabe de nossa fidelidade.
Ele conhece nosso íntimo, vê em secreto, ou seja, enxerga o que está oculto em nosso coração, em nossa mente, e assim sabe quais são as nossas motivações e também nossas dificuldades e nossos anseios.
As recompensas que Deus pode dar superam infinitamente as recompensas que podemos receber dos homens. Deus faz o que nenhum ser humano pode fazer por nós.
Entretanto, Ele requer de nós humildade e fidelidade. Humildade para reconhecer que somente a Deus é devida a glória, e fidelidade para vivermos uma vida que glorifique a Deus.
Deus responde à oração, aceita a oferta, abençoa o caridoso, faz justiça ao justo.

CONCLUSÃO
Jesus quer que vivamos com sabedoria, como cidadãos do Reino que assimilaram seus ensinos e os colocam em prática no dia a dia.
Jesus quer servos comprometidos com o Reino, que realmente dediquem suas vidas ao Senhor, e não estejam interessados em glória para si mesmos, mas para Deus.

“Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (1Pe 4.11)

“Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gl 2.20)

Que Deus nos leve a sermos crentes humildes e fiéis, e não meros exibicionistas da fé.

José Vicente
15.01.2017

sábado, 25 de fevereiro de 2017

CARACTERÍSTICAS DA VERDADEIRA FÉ




Texto base: Mateus 12.38-42

A passagem lida nos mostra Jesus sendo inquirido mais uma vez pelos fariseus e escribas, homens especialistas na Lei de Deus, considerados líderes religiosos do povo judeu.
O contexto nos mostra que Jesus vinha sendo criticado por esses homens, visto que permitiu que Seus discípulos colhessem espigas para comer em dia de sábado (vv. 1-8), efetuou a cura de um homem no sábado (vv. 9-14), e realizou a libertação de cura de um homem mudo, cego e endemoninhado (vv. 22-32). Em cada ocasião, foram confrontados por Jesus com o ensino do verdadeiro sentido da Lei da Deus, além de terem sido alertados para o fato de que a blasfêmia contra o Espírito Santo é imperdoável.
Jesus também ensinou que o verdadeiro servo de Deus é uma árvore boa, que produz bons frutos, visto que Seu coração está cheio do maior tesouro que existe, que é o próprio Deus, enquanto pessoas más só conseguem produzir maus frutos, pois seu coração está cheio de maldade e coisas do mundo.
Insatisfeitos por não terem ainda conseguido enredar Jesus com suas artimanhas, esses líderes religiosos agora fazem uma nova investida, em resposta às duras palavras ditas pelo Senhor, e lhe pedem um sinal, algo que demonstre que Ele é quem diz ser.
A resposta dada por Jesus, mais uma vez com inigualável sabedoria, vem mostrar algumas características da verdadeira fé, deixando evidente que religiosidade e fé não são coisas sinônimas, e o que Deus requer de nós é exatamente a fé, e não a religiosidade.


Vamos analisar algumas lições que podemos extrair do texto bíblico.

                              I.            A verdadeira fé não exige sinais
No versículo 38 os escribas e fariseus, não tendo gostado da forma como Jesus se referiu a eles anteriormente, já que tudo levava a concluir que eles eram as árvores más a que Jesus aludiu, contra-atacam com a seguinte exigência: “Mestre, queremos ver de tua parte algum sinal”.
É interessante notar que até então Jesus já havia feito inúmeros sinais, todavia os líderes religiosos não estavam satisfeitos. Na verdade, a cada sinal feito por Jesus eles lançavam uma crítica, pois sua falta de fé era tão grande que eles não conseguiam enxergar o poder de Deus em ação, apenas viam a sua posição de autoridade religiosa ser ameaçada por um novo Mestre que conseguia cativar as multidões e representava um risco ao poder que eles exerciam sobre o povo.
Então, do alto de sua incredulidade, eles exigiam de Jesus um sinal, como se fosse uma condição para que cressem nEle e em Sua pregação. Isso se repetiu em Mateus 16.1, mostrando que, na verdade, o problema deles era a ausência de verdadeira fé. Eles não criam em Jesus como o Filho de Deus. Por mais que Jesus pregasse e fizesse sinais, eles continuavam não crendo, pois seus corações eram endurecidos e estavam cheios das coisas deste mundo.
Jesus responde comparando aquela geração ao povo da cidade de Nínive, que, conforme está escrito no livro de Jonas, ao ouvir a pregação do profeta, que inclusive foi feita a contragosto e de má-vontade, chegou ao arrependimento e escapou da destruição, sem que tivesse sido necessário qualquer sinal sobrenatural.
O Mestre ainda menciona a Rainha de Sabá, que viajou de muito longe para conhecer o rei Salomão e sua tão falada sabedoria, deparando-se com um homem realmente sábio e, por meio dele, veio a conhecer o Deus de Israel. Também essa rainha não precisou ver coisas sobrenaturais, bastando ouvir de Salomão o que ele dizia para concluir que era um homem sábio e escolhido por Deus para governar Israel.
Os ninivitas e a Rainha de Sabá não precisaram de sinais miraculosos, todavia, aqueles homens, estando diante de quem era maior do que Jonas e Salomão, não conseguiam crer mesmo diante da pregação e dos sinais realizados, e continuavam exigindo sinais como condição para crer.
Quando eles chamam Jesus de Mestre não é porque realmente O considerem um mestre, mas era mera dissimulação, porque, como Jesus já havia dito, eram homens que viviam representando o papel de religiosos piedosos, todavia eram incrédulos.
Assim, Jesus ensina que a verdadeira fé não exige sinais, e se houver tal exigência, então se estará diante de incredulidade disfarçada de fé pragmática.
Atitudes como a dos fariseus e escribas não são coisas do passado, pelo contrário, são muito atuais e se fazem presentes dentro de muitas igrejas. Não apenas líderes religiosos, mas diversas pessoas que afirmam serem discípulas de Cristo, continuamente querem ver sinais para que sua pretensa fé possa ser alimentada.
Assim, a ocorrência de sinais miraculosos passa a ser o centro de muitas pregações e de muitos cultos, e para alimentar a sede do povo muitos líderes chegam ao ponto de simular tais sinais, de forma a cativar um número cada vez maior de incautos, que são atraídos apenas por shows de milagres.
A fé alicerçada em sinais não se firma, pois é necessário ser alimentada continuamente com milagres cada vez maiores. E quando nada acontece, simplesmente as pessoas desistem e acham que foi tudo perda de tempo ou que a espiritualidade da Igreja em que congregam é fraca e, então, vão em busca de outra comunidade onde possam encontram sinais que as façam “crer que Deus está ali”.
Geralmente são pessoas que pulam de igreja em igreja, e vivem uma vida de aparências, à semelhança dos escribas e fariseus. Pensam ser muito espirituais, conhecedoras das profundidades das Escrituras, aptas a ensinar e julgar o próximo, mas estão sempre exigindo sinais de Jesus, mesmo que sejam “produzidos por homens”.
Ora, como Paulo escreveu, após ter aprendido corretamente os ensinamentos de Cristo:
“Visto que andamos por fé e não pelo que vemos.” (2Cor 5.7)
Quem exige sinais está impondo condições para crer, mas quando se trata de Jesus, não há espaço para tal atitude, pois isso não é fé verdadeira. Essa “fé” baseada apenas em sinais é passageira, não resiste ao tempo e às provações, logo esmorece, porque não é autêntica.
A postura dos escribas e fariseus era influenciada pelo diabo, pois ele é quem gosta de alimentar a incredulidade e lançar desafios disfarçados de provas de fé. Foi o diabo que, quando Jesus estava jejuando no deserto, apareceu e tentou convencer o Mestre a provar que era o Filho de Deus transformando pedras em pães e se jogando do pináculo do templo, mas Jesus não caiu em sua armadilha, assim como não se deixou enredar pelas artimanhas dos líderes religiosos.
Que nossa fé seja autêntica e firmada na Palavra de Deus e no testemunho do Espírito Santo ao nosso coração, jamais necessitando de sinais para se manter, mas crescendo cada vez mais inabalável por ser verdadeira.

                             II.            A verdadeira fé vê os sinais
Enquanto a verdadeira fé não exige sinais, podemos constatar também que, quem a possui, vê os sinais de Jesus e glorifica a Deus.
Como destacamos, Jesus vinha realizando milagres, curas e prodígios que nunca antes haviam sido vistos. Ele fez cegos enxergarem, coxos andarem, mudos falarem, expulsou demônios com uma ordem, além de pregar com autoridade o Reino de Deus. Curiosamente eram justamente os líderes religiosos, aqueles que se julgavam mais santos, que não conseguiam ver nesses sinais o agir de Deus, antes, encaravam-nos com indiferença, concentrando-se em formas de derrubar Jesus.
Outras pessoas, porém, que se aproximavam de Jesus com fé, viam os sinais acontecerem em suas vidas. Eram pessoas que vinham clamar por socorro, e não exigiam nenhum sinal, apenas imploravam por misericórdia e eram atendidas pelo Mestre.
No capítulo 8, por exemplo, um leproso se aproxima de Jesus e não pede sinal algum, pelo contrário, ele manifesta sua fé dizendo: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me” (Mt. 8.2). E em resposta a sua fé Jesus o torna limpo, totalmente curado da enfermidade que o afligia e que impunha sua exclusão social.
Ainda no capítulo 8, vemos um centurião – que nem mesmo era judeu -, clamar a Jesus pela cura de um criado enfermo. O centurião não exigiu um sinal para crer que Jesus tinha poder, ele apenas creu e foi até Jesus como o único que poderia fazer algo pelo doente. Esse homem levou Jesus a dizer: “Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta” (Mt. 8.10), e o servo do centurião foi curado por uma simples ordem de Jesus à distância.
Os Evangelhos estão repletos de histórias de pessoas que creram em Jesus sem exigir sinais, apenas porque tinham no coração a convicção de que Ele era quem realmente dizia ser, o Filho de Deus, e com isto sua fé foi recompensada, pois viram o poder sobrenatural de Deus em ação em suas vidas.
A fé verdadeira nos leva a ver os sinais que continuamente são feitos por nosso Senhor e que passam despercebidos aos olhos dos incrédulos. Quem tem fé verdadeira, alicerçada na Palavra que foi pregada e na ação do Espírito Santo, enxerga milagres de Deus em todas as coisas, e sabe glorificar a Deus.
Recentemente encontrei um rapaz que fora meu cliente. Anos atrás ele vivia embriagado, fumava desesperadamente. Um dia lhe entreguei uma matéria em que Rodolfo Abrantes, ex-integrante do grupo Raimundos, falava sobre sua conversão e a transformação ocorrida em sua vida. Não sei se ele leu a matéria, mas isso não importa. O tempo passou e no ano passado esse rapaz estava com um problema de coluna e teria que ser submetido a uma cirurgia, visto que tinha dores muito fortes e seus movimentos estavam ficando comprometidos. Agora, ao reencontrá-lo, perguntei se havia feito a cirurgia, e sua resposta foi maravilhosa. Ele disse que não fez o procedimento cirúrgico, pois Jesus o curou, além de tê-lo livrado do vício das bebidas e cigarro. E realmente ele caminhava muito bem, não aparentava ter mais nenhum problema na coluna. Mais de uma vez ele glorificou a Jesus pela cura e pela libertação. Eis aí Jesus fazendo sinais que são vistos pelos que creem sem exigências.
Sim, quando nossa fé é verdadeira, nada exigimos de Jesus, apenas lhe suplicamos em oração e somos respondidos conforme Sua vontade. O Mestre não deixa sem resposta aquele que nEle crê. Os crentes não vivem abandonados, esperando por algo vago e incerto. A fé é o elemento que nos conecta com Deus de maneira a ouvirmos Sua voz e vermos Sua ação em nosso favor e dos que nos cercam.
Nossa realidade precisa ser esta. Nossa espiritualidade não deve ser baseada em aparências, mas em uma fé que existe e permanece mesmo que não ocorram sinais e prodígios, porque quem crê vê sinais de Deus até mesmo quando nada visível acontece.
Nossas igrejas precisam estar cheias de pessoas com fé verdadeira, que nunca exigem nada de Jesus, que não vivem em busca de sinais, que não dependem de milagres, de acontecimentos sobrenaturais para manter acessa a chama da fé, mas que, pelo contrário, veem o sobrenatural ocorrer justamente porque creem em Jesus.
Os ninivitas não eram povo de Deus, mas creram na pregação de Jonas e viram o poder de Deus, pois foram poupados da destruição naquele momento.
A fé autêntica não depende de sinais ou de emoções, quem a tem se contenta em saber que Deus tem tudo em Suas mãos e sempre faz o melhor, independentemente das circunstâncias da vida.

                             III.            A verdadeira fé livra da condenação
Jesus disse que os ninivitas e a Rainha de Sabá, no dia do Juízo, se levantarão para condenar aquela geração incrédula. Note-se que Jesus colocou gentios em posição de testemunhas de condenação contra judeus, e isso era algo inconcebível para eles, visto que eram o povo eleito por Deus e se consideravam intocáveis.
Jesus mostra que a incredulidade resulta em condenação, o que está em concordância com o restante das Escrituras, que evidenciam que a fé em Cristo é a nossa resposta à Graça de Deus que nos salva.
O Mestre afirma que o único sinal que seria dado seria o de Jonas, fazendo uma referência à sua morte, sepultamento e ressurreição.
A verdadeira fé livra da condenação, porque mesmo sem termos presenciado os fatos, cremos que Jesus morreu, foi sepultado e ressuscitou para selar nossa redenção e nossa justificação. Cremos que aquele sinal de Jonas ao qual Jesus fez alusão se cumpriu, e o Mestre está glorificado com o Pai, de onde voltará para julgar vivos e mortos.
A verdadeira fé livra da condenação porque nos leva a nos achegarmos a Jesus por quem Ele é, o Filho de Deus, nosso Senhor e Salvador, com atitude de humildade, reconhecendo quem nós somos e que carecemos da misericórdia do Altíssimo.
A verdadeira fé não nos leva à presença de Jesus com arrogância e sentimentos de autojustificação, exigindo algo em troca ou alguma prova de que Jesus tem poder ou de que Ele é quem afirma ser. Pelo contrário, vamos a Ele sabedores de que estamos diante do Rei dos reis, e que o único Caminho para a vida eterna é Ele.
A verdadeira fé produz frutos que a evidenciam, demonstrando que a seiva da vida, que é o Espírito Santo, flui em nós e nos transforma em árvores frutíferas para Deus.
A verdadeira fé nos firma na esperança que há em Cristo como Aquele que deu Sua vida para nos resgatar, purificou-nos de nossos pecados e nos conduz à Vida Eterna.
Ao contrário dos escribas e fariseus, que se sentiam ameaçados por Jesus, o crente verdadeiro sente-se atraído pelo Mestre, que é a sua salvação, sua Rocha de refúgio.
O próprio Jesus afirma que não há condenação para os que nEle creem:
“Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3.18)
É pela fé em Jesus que somos livres da condenação, porque nossa fé é a resposta ao Seu chamado de amor, e não decorre de nenhuma barganha, mas puramente da Graça de Deus.

CONCLUSÃO
Os homens que confrontavam Jesus não eram gentios, pelo contrário, eram líderes do povo de Deus, judeus religiosos que conheciam as Escrituras. Da mesma forma, no meio do povo cristão também vamos encontrar pessoas como eles, que têm sua fé dependente de sinais, de acontecimentos sobrenaturais, e que precisam disso para prosseguir da mesma forma que um dependente químico precisa de drogas.
A advertência que Jesus fez àqueles homens, e que se aplica à Igreja de hoje, é no sentido de que somente a fé verdadeira é aceita por Deus, não bastando mera religiosidade muito menos a atuação dos crentes como atores.
Temos que crer em Jesus por quem Ele é, e não pelo que Ele pode fazer por nós.
Que o Espírito Santo produza em nós uma fé verdadeira, inabalável, que não dependa de circunstâncias externas, mas seja firmada na Palavra de Deus que nos foi e continua sendo pregada, levando-nos a uma transformação constante em nossa mente e espiritualidade.
“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, 18 todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação.” (Habacuque 3.17-18)

José Vicente
29.01.2017