segunda-feira, 21 de maio de 2018

EXPERIMENTANDO A GRAÇA ILIMITADA DE DEUS



Texto base: Mateus 15.29-39

Algumas vezes, principalmente no início do ano, podemos ver diversas grandes lojas realizando promoções com anúncios de descontos que chegam a 70%. Geralmente é uma forma de queimar o estoque que sobrou após as festividades de fim de ano.

Nessas situações, não é raro ver pessoas que se dispõem a enfrentar filas enormes para poderem assegurar sua entrada no estabelecimento e adquirir o almejado produto com generoso desconto. Há, inclusive, aqueles que montam acampamento na porta da loja, passando ali a noite, para terem a certeza de que conseguirão entrar e comprar o que desejam pelo precinho imperdível.

A mesma coisa ocorre quando cantores e bandas musicais estrangeiras e famosas vêm ao nosso país para realizar turnês de shows. Os fãs passam dias em filas aguardando a abertura das bilheterias para adquirir os ingressos e não perder a única e exclusiva apresentação dos artistas.

Em marketing isso é explicado como o disparo do gatilho mental da escassez. Isto leva as pessoas a envidarem esforços para adquirirem aquilo que desejam e que pode terminar logo, não voltando a ficar disponível tão cedo. É o medo de não conseguir realizar um sonho de consumo, seja a compra de um bem, a presença em um show do artista favorito, ou qualquer outra coisa que possa ser desejada e adquirida.

Será que em nosso relacionamento com Deus precisamos temer a escassez? Será que, se não aproveitarmos as bênçãos que Deus tem para nós hoje, amanhã não haverá mais? O poder de Deus pode sofrer alguma limitação com o tempo e então Ele deixará de suprir nossas necessidades em dado momento da existência?

O texto lido mostra Jesus, próximo ao Mar da Galileia, diante de uma multidão de milhares de pessoas que O seguiam para ouvir Seus ensinamentos e buscar auxílio quanto a situações de enfermidade.

Nos versículos 29 a 31 vemos que essas multidões traziam inúmeras pessoas doentes, que não encontravam solução junto aos médicos da época, e Jesus curava a todos, levando todos a glorificarem a Deus.

E então chegamos ao momento em que Jesus realizou, pela segunda vez, o milagre da multiplicação de pães e peixes.

É interessante notar que não fazia muito tempo que Jesus havia realizado um milagre semelhante, quando, utilizando cinco pães e dois peixes, alimentou cinco mil homens, além de mulheres e crianças, conforme relatado em Mateus 14.13-21.

As duas situações, porém, eram diferentes. Na primeira multiplicação, Jesus estava na Galileia, perto de Betsaida, região predominantemente judia; já na segunda multiplicação, Jesus estava na região chamada Decápolis, onde predominavam os gentios.

Jesus estava dando sinais de que o Reino de Deus seria estendido aos gentios, e que um novo tempo chegava, onde Deus seria buscado e encontrado por aqueles que antes estavam de fora da aliança divina.

A passagem traz inúmeros ensinamentos a nós, que, assimilados, nos levarão a um crescimento espiritual cada dia maior, proporcionando maior plenitude de vida na Presença do Altíssimo não apenas para nós, mas também a nossa família. E certamente aprenderemos, também, que com Deus não há escassez.

      Vamos meditar em alguns desses ensinamentos. 

      1)      PERMANEÇA COM JESUS INDEPENDENTEMENTE DAS CIRCUNSTÂNCIAS (v. 32)
Quando Jesus olhou para a multidão que ali estava, disse o seguinte: “Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanece comigo e não tem o que comer” (v. 32).

Aquelas pessoas haviam deixado o conforto de suas casas, e seguiam Jesus já há três dias, ansiosas por ouvir o que Ele ensinava e também para apresentarem a Ele aquilo que as afligia, na esperança de que poderiam obter a solução, por mais que parecesse impossível o problema que estivessem enfrentando.

Durante três dias as pessoas caminharam com Jesus, e se mantiveram firmes em seu propósito, não desanimando por causa das circunstâncias. É claro que, em certo momento, acabou o alimento que porventura tivessem levado, pois talvez não fizessem ideia de que sua jornada seria longa. Mas o certo é que, longe de casa, em local deserto, sujeitos a intempéries, sem nenhum conforto ou facilidade, elas permaneceram com Jesus.

É bem provável que, dentre a multidão que iniciou a caminhada com Jesus, tenha havido aqueles que, ao primeiro sinal de dificuldade, tenham retornado para suas casas. Esses, porém, não testemunharam os milagres que Jesus fez e que somente foram contemplados por aqueles que permaneceram com o Mestre o tempo todo.

Nossa caminhada não é fácil. Entretanto, é necessário permanecer com Jesus, independentemente das circunstâncias.

Para muitos, é fácil permanecer com Jesus quando a vida está confortável, quando tudo está indo bem e não há contratempos. Entretanto, quando surgem desafios, problemas inesperados, crises, permanecer com Jesus não parece ser algo tão fácil, principalmente para quem é imediatista e quer ver soluções instantâneas, não se dispondo a esperar por uma intervenção de Jesus.

Permanecer com Cristo exige abnegação, fé, disposição para caminhar com o Mestre, para ouvir seus ensinamentos, para suportar situações adversas sem retroceder.

No meio daquela multidão havia famílias que buscavam a Jesus. Pais, mães e filhos juntos se empenhando por conhecer a Cristo e ser transformados por Ele. Pessoas que não desistiram ao longo da caminhada, e superaram o desconforto de estar longe de casa para poderem ser abençoadas por Jesus.

Permanecer com Cristo é um desafio enorme para o ser humano, principalmente diante de tanta sedução do mundo e suas filosofias hedonistas, que induzem as pessoas a buscarem o que é mais fácil e prazeroso, em detrimento daquilo que possa exigir sacrifícios e renúncia.

Permaneça com Jesus mesmo que pareça bobagem aos olhos do mundo. Permaneça com Jesus mesmo que a situação aparentemente seja de impossível solução. Permaneça com Jesus mesmo que pareça mais fácil voltar atrás e percorrer outro caminho. 

Permaneça com Jesus, aconteça o que acontecer. 

      2)      É NECESSÁRIO ASSENTAR-SE E PRESTAR ATENÇÃO EM JESUS (v. 35)
Quando se tem uma multidão de milhares de pessoas reunidas, é natural que haja muito burburinho, muita conversa, agitação, principalmente se houver algo que possa perturbar a tranquilidade das pessoas. Certamente teremos pessoas andando para lá e para cá; crianças brincando; uns sentados, outros em pé; alguns calmos, outros mais agitados; enfim, dificilmente uma multidão será silenciosa e tranquila.

Aquela multidão que estava com Jesus provavelmente não era diferente. Entretanto, em meio à agitação do povo, Jesus ordena que todos se assentem no chão.

É provável que as pessoas não soubessem o que estava por vir. Elas apenas ouviram a ordem: “sentem-se”. Por que deveriam se sentar? Talvez alguém tenha feito essa indagação, mas o certo é que, após a ordem de Jesus, todos se assentaram.

Assentar-se, naquela circunstância, poderia ser entendido como um sinal de que Jesus iria iniciar algum ensinamento, mas, de qualquer forma, indicava que as pessoas deveriam se acalmar, se aquietar e fixar a atenção no Mestre. E foi o que a multidão fez.

Em meio a nossa aflição, inúmeras vezes permanecemos inquietos, não fazemos silêncio, agitamo-nos e ficamos perturbados. Jesus, porém, diz: “sente-se”.

Sentar-se é acalmar os pensamentos. É fazer calar aquela nossa voz que insiste em fazer questionamentos o tempo todo, e não consegue ouvir claramente a Voz do Mestre. É aquietar-se e olhar para Jesus, esperando o que Ele está preparando para nós. É cessar os esforços que são feitos sem qualquer direcionamento de Deus, baseados apenas em nossa perspectiva das coisas e em nossa vontade de resolver os problemas.

A multidão se assentou e foi alimentada por Jesus, testemunhando um milagre de proporções gigantescas, que foi a multiplicação de sete pães e alguns peixinhos para alimentar milhares de pessoas que ali se encontravam.

No Salmo 46 vamos encontrar a seguinte exortação: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (Sl 46.10)

Quando ouvimos Jesus e nos assentamos, Ele farta nossa alma com amor e nos socorre naquilo que é necessário, saciando-nos e cuidando de nós.

      3)      CREIA QUE A GRAÇA DE DEUS É ABUNDANTE E ILIMITADA (v.37-38)
A mente humana é limitada, e isso pode nos levar a pensar que, se Deus fez um milagre uma vez, talvez seja demais esperar que Ele faça algo parecido de novo. Nem sempre esse é um pensamento consciente, mas certamente ele está entranhado nas mentes de muitos cristãos que ficam temerosos ao se verem novamente diante de uma situação difícil, pois ficam em dúvida quanto à possibilidade de receberem novo livramento de Deus.

Podemos ver isso claramente na história de Israel após a saída do Egito. Durante a caminhada pelo deserto, Deus fez inúmeros sinais e prodígios maravilhosos, entretanto, ao primeiro sinal de dificuldade parecia que o povo se esquecia do que Deus já havia realizado, ou achava que o Altíssimo talvez não pudesse fazer mais nada, pois imediatamente se levantava murmuração em meio à multidão, havia choro, medo de seguir adiante e vontade de voltar atrás.

Ora, a Bíblia toda nos revela que Deus é rico em poder, e para Ele não há limites. Deus não se cansa nem se enfraquece quando utiliza Seu poder. A misericórdia do Altíssimo não se esgota, muito menos Sua disposição em abençoar os que O amam.

Israel no deserto, apesar de toda murmuração, via Deus agindo dia após dia e realizando feitos tão grandiosos que as pessoas tinham até dificuldade em acreditar no que seus olhos viam.

E no texto lido vemos, vemos que os próprios discípulos de Jesus tinham essa mentalidade, porque, não levando em conta a multiplicação anterior, questionavam como seria possível alimentar tanta gente (v. 33). Talvez eles achassem que Jesus não faria em território gentio o mesmo milagre que fizera perante os judeus, seja por questões de diferenciação entre esses povos ou por achar que os gentios não fossem dignos de receber tão grande cuidado divino.

A atitude de Jesus, porém, mais uma vez é a confirmação da inesgotabilidade do poder e da misericórdia de Deus.

Jesus repetiu um milagre que havia feito não muito tempo atrás, quando alimentara uma multidão de cinco mil homens, mais mulheres e crianças, a partir de apenas cinco pães e dois peixes (Mateus 14.13-21). E agora, diante de uma multidão onde milhares de pessoas se encontravam em situação que não lhes permitia obter alimento, Jesus não teve dúvidas em tornar a multiplicar os pães e peixes para que todos fossem alimentados.

E Jesus não fez acepção de pessoas! Mesmo estando em uma região de povo gentio, Jesus estendeu àquelas pessoas as mesmas bênçãos que havia derramado sobre os judeus.

E mais: o texto nos revela que o milagre não foi feito com mesquinharia, mas com abundância, porque foi provido alimento para quatro mil homens, além de mulheres e crianças, e para mostrar que com Deus não há miséria, o que sobrou foi suficiente para encher sete cestos.

A palavra traduzida como “cesto”, na primeira multiplicação (Mt. 14.20) se refere a cesto pequeno, do tipo usado para uma pessoa carregar pães, talvez aquela cesta que usamos no supermercado para poucas mercadorias, enquanto na segunda multiplicação (Mt. 15.37) a palavra grega designa cestos grandes, utilizados no mercado para transporte de mercadorias, onde cabia até uma pessoa, como em Atos 9.25, onde é narrado que Paulo foi posto em um cesto para fugir dos judeus que queriam matá-lo a qualquer custo. 

Notemos, ainda, que Jesus vinha de uma maratona de curas, onde muitas pessoas haviam sido libertadas de enfermidades incuráveis! E isso não reduziu Seu poder.



Você acha que Deus já fez demais em sua vida e que as chances de que Ele venha a atender ao seu clamor são pequenas? Pensa que a sua situação é muito grave e que talvez Deus vá agir apenas em uma parte do problema, deixando sem solução o restante? Ou será que você se acha inferior a outras pessoas e acredita que Deus olhará para todos, menos para você?

É necessário crer que a Graça de Deus é infinita, inesgotável, e que a Sua ação em nosso favor pode ir muito além do que imaginamos e esperamos. Também é essencial crer que Deus não faz acepção de pessoas. Quem O busca O encontra.

Em Deus há abundância de misericórdia, de graça, de amor, de bênçãos. Quando Ele age em favor de seus filhos, Ele o faz liberalmente, com generosidade, de maneira a saciar a fome e a sede. Deus não dá migalhas aos Seus filhos.

CONCLUSÃO
Jesus veio transformar vidas, e nEle encontramos plenitude de vida. Ele está de mãos abertas para abençoar os que permanecem nEle, que se assentam e fixam nEle sua atenção, e que creem na ilimitada e infinita Graça de Deus. Com Ele não precisamos temer a escassez.

O que Jesus pode fazer em nossas vidas está além de nossa compreensão. Cumpre a nós crermos e andarmos em Seus passos, jamais nos rendendo ao comodismo e às influências do mundo, mantendo-nos firmes nos ensinamentos do Mestre.

“28 Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento.” (Isaías 40.28)

“20 Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, 21 a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Efésios 3.20-21)

Que Deus nos conceda fé cada dia mais forte e inabalável, para permanecermos firmes em Cristo e com Cristo. Amém.

José Vicente

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

TRÊS DESEJOS PARA O NOVO ANO



“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.” (1Cor 13.13)

Estamos finalizando mais um ano, e neste momento costumamos falar sobre nossas expectativas para o ano que irá se iniciar. Desejamos uns aos outros um feliz ano novo, proferimos palavras de bênçãos sobre o próximo, pedimos a Deus que nos conceda um capítulo mais alegre e próspero para a nossa vida, de nossos familiares, amigos e pessoas com quem nos relacionamos.

Há quem cultive no coração várias superstições, tais como usar roupas de determinada cor no momento da virada do ano, colocar algo na carteira para atrair dinheiro, dar pulinhos sobre as ondas no mar, enfim, existem muitos tipos de pensamentos que são disseminados inclusive entre cristãos, e são repetidos todos os anos, em um ritual que, mesmo se mostrando inócuo, segue se fortalecendo no meio do povo.

Para nós, cristãos, porém, este é o momento de olharmos para trás com gratidão, rendendo graças a Deus pelo ano que Ele nos permitiu viver, mesmo que tenhamos enfrentado lutas, desafios e grandes provações ao longo do ano, pois em todos os momentos sabemos que o Altíssimo nos sustentou e nos fortaleceu, ensinando-nos novas lições para o nosso crescimento.

Neste momento, cabe-nos clamar a Deus para que, no ano que se inicia, Ele nos capacite para sermos pessoas melhores, para que cresçamos um pouco mais em santidade e sejamos aperfeiçoados, de forma que nossos pontos negativos diminuam mais e mais até desaparecerem, aumentando aquilo que em nós há de bom.

No texto que lemos, Paulo fala de três elementos que devem estar sempre presentes na vida do cristão, sendo que um deles recebe um destaque especial.

Ao finalizarmos mais um ano e iniciarmos outro, devemos ter em mente a vontade de sermos fortalecidos por Deus para que possamos dar frutos e impactar o mundo em que vivemos, e para isso, esses três elementos devem ser priorizados:

1.     
O primeiro elemento mencionado por Paulo é a fé. E não é por menos, afinal, a fé é essencial em tudo na vida do cristão.

A nossa salvação vem pela graça mediante a fé (Ef 2.8). 

É impossível agradar a Deus sem fé (Hb 11.6).

Pela fé herdamos as promessas de Deus (Hb 6.12).

Pela fé somos abençoados com Abraão (Gl 3.9).

Pela fé vencemos o mundo e suas tentações (1Jo 5.4).

A fé nos permite ter acesso ao Pai por meio do Filho (Ef 3.12). E muitas outras coisas.

Sem dúvida, a fé nos permite olhar para trás e ver que a mão de Deus nos conduziu até este momento, e mesmo quando tudo parecia muito difícil ou quase impossível, o SENHOR estava conosco.

A fé nos leva a ter consciência de que Deus está no controle de todas as coisas, e nada acontece sem a permissão dEle, e que se houve momentos duros e de sofrimento, também nisto Deus estava presente e agiu em nosso favor, para que crescêssemos um pouco mais.

A fé também nos conduz à convicção de que muitas coisas aconteceram em nossas vidas porque nós, em algum momento, agimos de maneira irrefletida ou tomamos decisões sem antes consultar ao SENHOR. Talvez tenhamos sido desobedientes, mas é a fé que vai nos dar a certeza de que Deus sempre cuidou de nós, mesmo quando fomos rebeldes.

Precisamos clamar a Deus que nos fortalece a fé, de maneira que no ano vindouro caminhemos com muito mais firmeza, convictos de que a Palavra de Deus deve ser vivida dia a dia, e não deve permanecer apenas em nosso cérebro armazenada como mera informação.

Que Deus nos dê uma fé capaz de suportar os mais duros embates e permanecer inabalável; uma fé que não nos permita vacilar na caminhada cristã, mas seguir em frente com coragem e intrepidez; uma fé que nos capacite a vencer o medo de desagradar às pessoas, devendo sempre nos lembrar que fomos chamados para fazer a vontade de Deus, e não para agradar a homens (Ef 6.6).

Para o ano que se inicia, devemos pedir a Deus uma fé que nos impulsione para cada vez mais perto do Altíssimo, e nos dê condições de resistir às influências deste mundo caído, não cedendo à tentação de abarcar o hedonismo que se prolifera, mas nos mantermos firmes na Palavra e na direção do Espírito Santo.

2.      ESPERANÇA
O segundo elemento que Paulo cita na passagem é a esperança.

É interessante notar que a esperança está intimamente relacionada com a fé, afinal, sem fé não há esperança. A definição de fé que o livro de Hebreus nos traz é a seguinte: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11.1).

Se a fé é a certeza de coisas que se esperam, então a fé carrega em si a esperança. Ambas estão unidas e caminham juntas.

De acordo com o que vemos nessa época, as pessoas veem o findar de um ano e o iniciar de outro como uma renovação das esperanças. Geralmente é a esperança de que o ano será melhor do que o que passou, de que a vida financeira vai melhorar, de que a saúde vai se fortalecer, de que os políticos vão ser honestos e a corrupção vai acabar, enfim, há todo tipo de esperança que se renova.

Porém, há também pessoas que vão terminar um ano e começar outro sem nenhuma esperança no coração. São pessoas que, por alguma razão, não conseguem ter expectativas de uma vida melhor, não veem um amanhã colorido, não vislubram uma luz no fim do túnel, sentem que não existe qualquer possibilidade de melhora.

Ao findarmos um ano e iniciarmos um novo, devemos clamar a Deus que renove em nosso coração a esperança de dias melhores. Que Ele conduza nosso olhar para a Sua misericórdia e o Seu poder, e não para as muitas circunstâncias negativas que existem nesta vida.

É claro que, se fizermos como os dez espias e todo o povo de Israel à entrada de Canaã, enxergando apenas os gigantes e as dificuldades, qualquer esperança de vitória restará despedaçada, por isso cumpre-nos agir como Josué e Calebe, que, mesmo diante de enormes obstáculos, fixaram seus olhos nas promessas do Altíssimo e viram em seu coração a esperança brotar e ser fortalecida, tanto que eles entraram em Canaã, mas os demais, não.

A esperança, unida à fé, nos leva a crer que Deus tem coisas grandiosas preparadas para os que nEle creem, e que mesmo em meio a grandes tempestades, o criador do Universo estará conosco e não deixará que naufraguemos.

Sim, é necessário renovar nossa esperança no SENHOR. Quem espera em Deus não se decepciona, pois não tem sua visão voltada a coisas deste mundo, mas está firmado naquele que tudo criou e que tudo pode.

Mas essa esperança não significa apenas aguardar sem fazer nada, pelo contrário, a verdadeira esperança nos conduz à ação necessária para que as coisas aconteçam. De nada adianta ter a esperança de cursar uma faculdade se não houve empenho nos estudos. Qual o valor de ter esperança de uma vida espiritual mais fervorosa, se não há disposição em ler a Bíblia, orar, participar da vida da Igreja e praticar a Palavra?

Assim como aquela geração de israelitas não entrou em Canaã porque não fez o que tinha que fazer, que era confiar em Deus e avançar, também hoje muitas pessoas não alcançam o que desejam porque não tomam as atitudes necessárias, mas apenas criam uma expectativa e esperam que ela se cumpra sem qualquer esforço de sua parte.

Esperança é o ato de crer que acontecerá, e fazer a nossa parte para isso, sempre sob a direção do Espírito Santo.

Devemos, ainda, lembrar que nossa maior esperança não se refere às coisas terrenas, embora Deus nos abençoe nesta vida e nos faça prosperar, mas a grande esperança que temos, o que esperamos com a certeza de que já obtivemos, é a vida eterna que foi conquistada para nós por Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.

Nós sabemos que, caso venhamos a deixar este mundo, nada estará terminado, pelo contrário, teremos garantida uma nova vida com nosso Rei Jesus.

Este é a esperança que muitas pessoas não conhecem, e por isso vivem infelizes, buscando contentamento apenas nas coisas materiais. O cristão sabe que, muito mais importante do que qualquer conquista desta vida, é o Reino de Deus, que nos está preparado deste a eternidade pelo Pai e pelo qual temos acesso por Cristo.

Que Deus renove em nosso coração a esperança de dias melhores, e principalmente a esperança da vida eterna.

3.      AMOR
Paulo conclui o versículo dizendo que, dos três elementos vitais na vida do cristão, o maior é o amor.

Esse desfecho está em conformidade com tudo o que ele escreveu no capítulo 13, pois o apóstolo afirmou que sem amor, mesmo a fé não tem valor algum.

E por que o amor é tão importante, ao ponto de Paulo afirmar que ele é maior do que a fé e a esperança? Primeiro, porque a fé e a esperança são necessárias nesta vida, enquanto aguardamos a entrada na Vida Eterna, que nos foi assegurada por Cristo, mas, quando lá estivermos, não precisaremos mais ter fé nem esperança, pois veremos face a face o cumprimento de tudo quanto foi prometido pelo Altíssimo.

Não é necessário ter fé e esperança quando tudo já está concretizado.

E, segundo, porque o amor é a essência de Deus, conforme nos diz João em 1Jo 4.16, segunda parte: “Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele”.

Tudo o que Deus fez, desde a criação do mundo até o sacrifício de Seu Filho na cruz, foi por amor. E tudo o que o Filho fez, sendo o agente da criação e o Cordeiro da nossa redenção, também foi por amor. E a ação do Espírito Santo nos vivificando, regenerando, santificando e selando para a vida eterna, ocorre por amor.

As disciplinas que Deus nos impõe quando erramos são demonstração do Seu amor por nós, pois quer nossa correção. Deus age em nosso favor, perdoa nossos pecados, renova Sua misericórdia a cada manhã, por amor.

O amor está na raiz de tudo o que Deus faz. E o amor deve ser a principal razão pela qual tememos e obedecemos a Deus.

Quando amamos, ficamos mais parecidos com Jesus. Quando cultivamos ódio, inveja ou qualquer sentimento negativo em relação à pessoas, não demonstramos a presença do Espírito Santo em nós.

Como disse João, quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele. O amor é a linguagem de Deus. Oração sem amor não chega a Deus. Caridade sem amor não toca o coração de Deus. Religião sem amor é nada aos olhos de Deus. 

Portanto, para o ano que se inicia, devemos pedir que Deus faça transbordar em nosso coração o amor que Ele mesmo nos dá, a fim de que amemos ao nosso próximo, vivamos fazendo o bem, sem permitir que em nós haja espaço para ódio, amargura, discussões inúteis, discórdias, inimizades, e tudo o que possa ferir e afastar as pessoas, comprometendo a unidade do Corpo de Cristo, que é a Igreja.

Que o nosso olhar seja carregado de amor, assim julgaremos menos e ajudaremos mais. Que sejamos acolhedores como Cristo foi e é, pois nos acolheu com profundo amor. Que nossas ações sejam motivadas unicamente pelo amor, e jamais por interesses egoístas.

Que o Espírito Santo nos faça lembrar que, sem amor, não adianta ir à Igreja, cantar louvores, fazer belas orações, pois nada disso impressiona a Deus, pelo contrário, ele conhece nosso coração e sabe quais são as nossas motivações.

Que no novo ano, falemos a linguagem de Deus, amando ao próximo como a nós mesmos, de maneira que não façamos jamais a alguém aquilo que não queremos para nós, e procuremos sempre fazer o que nós gostaríamos que fosse feito por nós.

Isso nos fará sermos mais humanos. Isso nos fará sermos mais parecidos com Jesus. E isso nos fará termos um ano novo muito abençoador e, consequentemente, abençoado.

CONCLUSÃO
Irmãos, ao contrário da grande massa popular que desconhece a Deus e ao Seu Filho Jesus Cristo, aproveitemos essa virada de ano para agradecer a Deus por tudo o que vivemos até aqui, e clamar que Ele nos conceda, para o próximo ano, fortalecimento da fé, da esperança e, principalmente, uma vida de amor, como Jesus nos ensinou durante o período em que viveu nesta terra como homem, e como o Pai vem nos ensinando desde que criou o mundo.

Que dediquemos nossa vida a fazer o bem, a viver a Palavra de Deus com integridade e firmeza, a valorizar os ensinamentos recebidos de Deus em todas as circunstâncias e a procurar o Reino de Deus acima de tudo, crescendo na prática das obras que Deus de antemão preparou para que nelas andássemos (Ef 2.10).

Feliz Ano Novo a todos, sob a infinita misericórdia e Graça de Deus.

“O SENHOR te guardará de todo mal; guardará a tua alma. O SENHOR guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre.” (Salmo 121.7-8)

José Vicente
31.12.2017

domingo, 10 de dezembro de 2017

COMO VENCER O MEDO




Texto base: 2 Cr 20.1-12


O medo é um dos sentimentos mais presentes na vida do ser humano, e isso não é algo recente, vem de muito tempo, desde o início da nossa existência. Na verdade, o medo é muito importante, pois faz parte do nosso instinto de sobrevivência. É o medo que nos leva a fugir diante de perigos iminentes, e também nos impede de fazermos algumas coisas que possam colocar nossa vida em risco.

Todavia, o medo saudável por vezes dá lugar ao medo paralisante, que pode até mesmo se transformar em doença psíquica. Existem vários tipos de medo, e cada pessoa experimenta uma forma do medo de acordo com as circunstâncias a que é exposta.

É comum sentir medo do que não conhecemos, de mudanças, da morte, de doenças, de perder o emprego, de sofrer acidentes, de ser assaltados, etc.

Na vida do cristão o medo pode se fazer presente também quando existem perseguições, quando a liberdade de viver o Evangelho é ameaçada por aqueles que rejeitam ao Deus Altíssimo, quando os valores bíblicos são questionados e os valores do mundo são empurrados sobre os crentes como uma avalanche.

Entretanto, será que devemos nos render ao medo e retroceder? Será que Deus se agrada quando permanecemos com o coração cheio de temor e recuamos? Será que glorificamos a Deus quando deixamos de ter uma vida mais feliz por termos medo dos obstáculos que se colocam à nossa frente, seja em questões espirituais ou materiais?

A passagem que lemos fala sobre um episódio muito importante na vida do rei Josafá e do povo por ele liderado, Judá.

Quem era Josafá? Ele foi um dos reis de Judá, e a Bíblia nos revela que foi um bom rei, que andou nos caminhos do SENHOR, conforme vemos no capítulo 17. Um acontecimento marcante na vida desse rei está narrado no capítulo 18, quando o rei de Israel, Acabe, homem que não temia a Deus, convenceu Josafá a ir com ele a uma peleja em Ramote-Gileade. O profeta Micaías disse que Acabe morreria, e este, então, convenceu Josafá a ir à batalha com os trajes reais, enquanto Acabe foi vestido como um soldado, tentando se camuflar para que não ocorresse o que o profeta havia dito. Deus, porém, providenciou o cumprimento da profecia, quando um arqueiro inimigo atirou uma flecha que acertou em uma brecha na armadura da Acabe, que depois acabou morrendo. Josafá recebeu livramento.

Josafá foi repreendido pelo profeta Jeú, por meio de quem Deus manifestou seu descontentamento pelo fato de o rei ter feito aliança com Acabe, que não temia ao Senhor. Mas foi dito, também, que coisas boas se acharam em Josafá, pois havia disposto o coração a buscar a Deus. Então o rei Josafá continuou governando Judá, levando o povo para mais perto de Deus, e estabeleceu juízes para julgar as demandas existentes, recomendando-lhes a agir sempre com integridade, com fidelidade, no temor do Senhor.

Chegamos, então, ao momento retratado no texto cuja leitura fizemos. A paz que Judá vinha experimentando viu uma ameaça se aproximando, pois é dito que os filhos de Moabe, de Amom e alguns dos meunitas se uniram para pelejar contra Josafá e seu povo. A notícia chegou aos ouvidos de Josafá, dando conta de que uma grande multidão vinha contra ele. A primeira reação de Josafá foi de medo.

É interessante notar que, para Josafá sentir medo, seria necessário que a grande multidão de inimigos fosse superior ao número de soldados que ele tinha à sua disposição para a batalha. No capítulo 17 é dito que Josafá contava com um exército de 1.160.000 homens, considerando os soldados de Judá e de Benjamim. Ora, esse é um número muito expressivo, mas ao que tudo indica, os exércitos de Amom, Moabe e os meunitas tinham superioridade numérica, e por isso Josafá ficou temeroso.

Entretanto, o medo não fez com que Josafá ficasse andando de um lado para o outro, preocupado e lamentando a situação. Josafá não entrou em pânico, pelo contrário, ele tomou atitudes que poderiam levar a uma solução para o grande problema que estava diante dele. E não apenas isto, mas ele conduziu todo o povo a ter atitudes para vencer o medo e obter a vitória, mesmo diante de inimigos tão poderosos.

Quando o medo bate em nossa porta e nos sentimos encurralados, é necessário olhar para o exemplo de Josafá e do povo de Judá, para que possamos imitá-los em suas atitudes.

Vamos ver quais foram algumas dessas atitudes que conduziram esse povo à vitória.


1)    BUSCAR AO SENHOR (vv. 3-12)


Quando sentiu medo, Josafá não ficou parado reclamando da sua sorte, pelo contrário, o texto nos conta que ele se pôs a buscar ao SENHOR, bem como procurou envolver os seus governados nesse propósito, apregoando jejum em todo o Judá.

Josafá reuniu o povo e conclamou a todos para que buscassem ao SENHOR, que levantassem um clamor, e ele próprio, como líder da nação, orou ao Altíssimo, conforme está descrito nos versículos 5-12.

Diante do medo, da ameaça que representavam aqueles inimigos poderosos, Josafá e o povo correram para perto de quem poderia protegê-los: Deus.

Eis a atitude mais sensata a ser adotada por nós sempre que estivermos diante de situações que sejam maiores do que nós e que nos façam sentir medo: correr para perto de Deus, nosso Pai Celeste, da mesma forma que uma criança corre para os braços do pai e da mãe quando sente medo.

Josafá e o povo se puseram a clamar a Deus, invocando sua misericórdia e suplicando sua intervenção para que pudessem experimentar livramento, pois a situação era deveras aflitiva.

Sim, a oração é o caminho para buscarmos nosso Pai Celeste, e a oração feita por Josafá, narrada nos versículos 5 a 12, contém alguns elementos que devem se fazer presentes também em nossa oração.


    a)    Reconhecimento da grandeza de Deus (v. 6): Josafá inicia lembrando que o SENHOR era o Deus de seus pais, ou seja, ele e o povo criam que o mesmo Deus de outrora continuava cuidando de Seu povo; ele lembra que Deus é o Deus nos céus (acima de tudo e de todos) domina sobre todos os reinos, e que na Sua mão está a força e o poder, não havendo quem possa resistir ao Altíssimo. As perguntas feitas por Josafá não são questionamentos, são apenas um recurso retórico, pois a resposta era evidente e fazia parte da confissão de fé do rei e do povo. Portanto, em nossa oração devemos reconhecer a grandeza de Deus, o Eterno Todo Poderoso, a quem nada é impossível.

    b)    Lembrança dos feitos de Deus (v. 7 primeira parte): na sequência, Josafá lembra resumidamente o que Deus fez em favor de Seu povo, concedendo-lhes vitória sobre os povos que habitavam aquelas terras, e que foram dadas ao povo de Deus. Devemos trazer à memória aquilo que nos pode dar esperança, como afirmou o profeta Jeremias. Deus fez coisas grandiosas em nosso favor, e recordar os feitos de Deus nos traz esperança ao coração.

    c)    Lembrança das promessas de Deus (v. 7 parte final): Josafá segue lembrando a promessa de Deus, de que à posteridade de Abraão pertenceriam para sempre aquelas terras. Quando nos lembrados das promessas de Deus nosso coração se enche de esperança, e não sobra muito espaço para medo.

    d)    Lembrança de que Deus ouve os clamores de Seu povo (vv. 8-9): o rei lembra que o Altíssimo sempre foi o refúgio de Seu povo, em todas as circunstâncias de angústia, de disciplina, de fome, e que o clamor de Seu povo sempre seria ouvido. Nossa oração não faria sentido se não tivéssemos a convicção de que Deus ouve nosso clamor, mas prosseguimos orando porque sabemos que Seus ouvidos estão atentos à nossa voz e Seus olhos contemplam nossas vidas.

    e)    Apresentação do problema a Deus (vv. 10-11): Josafá passa a apresentar ao Altíssimo o problema específico que afligia o seu coração e a todo o povo, causando-lhes temor. É necessário expor a Deus aquilo que nos aflige, que está nos tirando a paz. Deus sabe de tudo, mas quando falamos demonstramos nossa confiança nEle e somos confortados por saber que Ele está nos ouvindo atenciosamente e sabe exatamente o que há de ser feito.

    f)     Reconhecimento de nossa incapacidade para lidar com o problema (v. 12): após apresentar a Deus a causa do medo e da aflição, Josafá reconhece a sua incapacidade e de todo o povo para lidar com aquele problema. A força humana não era suficiente para livrar Judá da destruição, e somente a ação de Deus poderia modificar aquele panorama. Soberba não tem lugar diante de Deus. Um coração humilde é agradável ao SENHOR. Reconhecer nossa incapacidade para lidar com o problema implica em reafirmar nossa dependência para com o Eterno Deus.

   g)    Reafirmação da nossa confiança em Deus (v. 12 final): Josafá termina reafirmando sua confiança em Deus, dizendo que, apesar do problema ser enorme, seus olhos e de todo Judá estavam postos no Altíssimo. Nossa confiança em Deus não está pautada naquilo que vemos, mas, sim, na fé que temos no Altíssimo e em Sua infinita sabedoria. Orar e entregar tudo nas mãos do Pai é um ato de confiança. Orar e continuar sofrendo demonstra que não estamos tão confiantes assim na ação do Eterno. Somente a confiança total no Altíssimo traz paz ao coração e afugenta por completo o medo.

Quando o medo nos assalta e quer nos fazer retroceder, devemos correr para junto ao Pai em oração, e buscar nEle a proteção e a força para superar o temor.


2)    DISPOR-SE A OBEDECER ÀS ORDENS DE DEUS (vv. 13-20)

Após levantar um clamor a Deus, Josafá e o povo receberam a resposta por meio do profeta Jeeziel: eles deveriam descer contra os exércitos que estavam a caminho (v. 16). É claro que essa ordem poderia provocar alguma reação negativa no povo, afinal, o medo dos exércitos inimigos era muito grande, e provavelmente o que eles menos desejavam era ter que ficar cara a cara com esses fortes e numerosos oponentes.

Mas a ordem de Deus era clara: “descereis contra eles” (v. 16).

Quando nós buscamos ao SENHOR para nos livrar e orientar, precisamos estar dispostos a seguir as orientações que Ele nos dará, caso contrário colheremos resultados indesejados, que poderão nos fazer desanimar, além de nos trazer prejuízos espirituais e materiais.

O medo pode nos impedir de dar um passo à frente, e é capaz de nos fazer recuar, deixando-nos em situação embaraçosa e que nos causa grande sofrimento. Mas se a ordem de Deus for: “avance”, é necessário avançar.

Quando, porém, Deus disse: “fique e aguarde”, então não devemos nos precipitar e fazer aquilo que não nos cabe naquele momento.

A resposta de Deus nem sempre será exatamente como desejamos. Quando oramos clamando pela intervenção divina, é bem provável que nosso coração esteja ansioso por uma resposta do tipo: “não se preocupe, vou cuidar de tudo, você não precisa sair de seu lugar”. Mas pode ser que Deus diga “vá” ou “fique”. Podemos percorrer a Bíblia e vamos sempre encontrar Deus dizendo ao seu povo para ir em frente, partir ao encontro dos adversários em diversas situações, mas também encontraremos passagens em que Deus claramente ordena que o povo não prossiga para a batalha.

No entanto, independentemente de qual seja a orientação recebida, a ordem de Deus sempre é seguida por uma promessa que traz alívio ao coração. No caso de Josafá e seu povo, Deus disse: “não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão”, e complementou afirmando: “a peleja não é vossa, mas de Deus” (v. 15).

Que grande alento foi ao povo ouvir essas palavras proferidas por meio do profeta Jeeziel, que Deus escolheu para ser seu porta-voz àquelas pessoas atemorizadas. O Altíssimo determinou que marchassem, mas tranquilizou seus corações chamando para si a peleja. O povo somente precisava obedecer e seguir ao encontro com os adversários.

Com efeito, fugir do problema não ajudará a solucioná-lo, pelo contrário, poderá ser o caminho para nossa queda, para uma derrota humilhante, abalando nossa estrutura emocional e física.

Devemos, porém, seguir em obediência a Deus, porque Ele nos instrui para que possamos ser vitoriosos diante dos exércitos que nos atacam. Não é sábio nem aconselhável tentar confrontar nossos problemas apenas baseando-nos em nossa vontade e nos nossos impulsos, é necessário seguir as orientações do Altíssimo para que a vitória seja alcançada.

Na passagem, Deus determinou que o povo de Judá saísse ao encontro dos exércitos inimigos, mas deixou claro que eles não deveriam lutar, pois a batalha era dEle. Em outras passagens bíblicas vemos a ordem para seguir em frente e lutar, e há outras ocasiões em que o povo simplesmente não deveria ir, porque não era o momento e Deus tinha outros propósitos.

No fim das contas, é tudo uma questão de crer em Deus, como disse o rei Josafá no versículo 20: “Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis.”

Quando cremos em Deus, obedecemos às suas ordens e ficamos com o coração pacificado, sabendo que dEle vem a melhor resposta.

Se o que está nos causando medo deve ser enfrentado, Deus nos mandará seguir em frente e confrontar o problema, pois Ele dará a solução final. Pode ser que Ele diga que pelejará por nós ou conosco. Mas se não for o momento de partir ao encontro do que nos causa medo, Deus poderá nos mandar ir por outro caminho, e Ele será conosco também aí, porque em toda e qualquer circunstância o Pai está nos guiando.

Assim, cumpre-nos buscar a Deus, crer nEle e estar dispostos a fazer o que Ele nos mandar, sem titubear nem questionar as orientações do Pai.


3)    LOUVAR A DEUS O TEMPO TODO (vv. 19, 21-22, 26, 28)

Antes de partir para confrontar os adversários, o rei e o povo adoraram ao SENHOR e O louvaram (v. 19). Assim que partiram, os levitas iam à frente do exército louvando a Deus (v. 21). Logo que começaram a cantar louvores, o Altíssimo confundiu os inimigos, de maneira que eles acabaram se enfrentando uns aos outros e se mataram mutuamente (v. 22). Após tão grande livramento, o povo novamente louvou em agradecimento (v. 26), e no retorno à Casa do SENHOR, em Jerusalém, continuaram louvando com cânticos, festejando o maravilhoso agir de Deus contra os adversários de Seu povo (v. 28).

É interessante observar que o povo louvava a Deus mesmo antes de conseguir qualquer vitória, como um sinal de sua confiança no Altíssimo e na promessa que Ele acabara de fazer, de que pelejaria contra os inimigos de Judá e os destruiria.

Por meio do louvor o povo enaltecia a Deus e O glorificava. A gratidão tomou o lugar do medo nos corações, e a confiança no Altíssimo lançou fora qualquer dúvida que poderia existir. Quanto mais louvava a Deus, mais o povo se sentia encorajado a marchar ao encontro dos adversários, pois a fé ia se fortalecendo cada vez mais.

Essa é a atitude a ser adotada pelo cristão sempre que a aflição causada pelo medo estiver rondando e ameaçando tirar a paz do coração.

É comum ver pessoas reclamando, lamentando e reforçando o sentimento de medo, mas nos lábios de quem confia em Deus devem estar sempre palavras de louvor ao Altíssimo, mesmo quando ainda há muita batalha pela frente, pois Deus é por nós e nos conduzirá em vitória se caminharmos conforme suas orientações.

Se Deus nos mandar ir em frente, devemos louvá-lo. Se Deus nos mandar aguardar ou mudar o caminho, devemos louvá-lo. Se Deus nos mandar lutar, devemos louvá-lo. E se Deus disser que lutará por nós, devemos louvá-lo.

O louvor deve estar em nossos lábios independentemente das circunstâncias.

O rei Josafá determinou que os cantores seguissem à frente do exército e louvassem a Deus, dizendo: “Rendei graças ao SENHOR, porque a sua misericórdia dura para sempre” (v. 21). O louvor enchia o coração do povo de alegria e confiança em Deus. Por meio desse louvor todos eram levados a lembrar que a misericórdia do SENHOR é infinita, e está para sempre sobre o Seu povo, ou seja, o cuidado de Deus é contínuo na vida daqueles que O amam, e nenhum mal será capaz de abalar esse povo, que tem o Deus Eterno à sua frente.

Tendo partido o exército de Judá ao encontro dos inimigos, tão logo começaram a louvar ao Altíssimo, Deus confundiu os adversários e os fez lutar entre si, de maneira que eles mesmos se aniquilaram (vv. 22-23).

Sim, a Bíblia diz que foi quando os homens de Deus começaram a louvar que Deus agiu contra os inimigos e pelejou pelo Seu povo.

Na Bíblia vamos encontrar outros relatos de servos de Deus que superaram o medo e as adversidades louvando ao Altíssimo. Paulo e Silas foram açoitados com varas e presos, e estavam em uma situação de grande sofrimento, capaz de causar medo e frustração, mas na prisão, com o corpo todo machucado, eles oravam e cantavam louvores a Deus, e então ocorreu um milagre, abrindo-se as portas da prisão e soltando-se as cadeias de todos os que ali estavam. Foi ali que ocorreu a conversão do carcereiro. Em meio aos louvores de Paulo e Silas Deus agiu em favor da família do carcereiro, e na manhã seguinte eles foram libertados do cárcere (Atos 16.19-40).

E após receber o livramento de Deus, cumpre-nos continuar louvando e exaltando ao SENHOR, como fez o povo de Judá, que entoou louvores no local chamado Vale da Bênção, onde seu a vitória sobre os inimigos, e na Casa do SENHOR, lugar destinado à adoração ao Altíssimo.

O louvor nos transforma, fortalece nossa fé, agrada a Deus e atrai suas bênçãos sobre nossa vida, desde que parta de lábios obedientes, sinceros e tementes ao SENHOR.

Louvemos a Deus, e não haverá lugar para o medo em nosso coração.


CONCLUSÃO

O medo não pode impedir o cristão de prosseguir sua caminhada e testemunhar o amor de Deus perante o mundo, mas continuamente se levantarão “exércitos” para nos atemorizar e tentar calar a nossa voz. Da mesma forma, o medo não pode ser um empecilho ao nosso crescimento pessoal, familiar, profissional e social.

Vamos nos deparar com desafios constantes, barreiras que parecem intransponíveis, problemas que aparentam ser insolúveis, situações aflitivas diversas, todavia, assim como Josafá e o povo de Judá, devemos buscar ao SENHOR, estar dispostos a obedecer às suas ordens e louvar ao Altíssimo em todo o tempo, independentemente do que aconteça.

Desta forma, não apenas receberemos do SENHOR o que Ele tem preparado para nós, como impactaremos as vidas de outras pessoas por meio do testemunho de fé e fidelidade glorificando em tudo ao nosso Pai Celeste.


“Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação. 8 Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus” (2Tim 1.7-8)


“Em ti me tenho apoiado desde o meu nascimento; do ventre materno tu me tiraste, tu és motivo para os meus louvores constantemente. 7 Para muitos sou como um portento, mas tu és o meu forte refúgio. 8 Os meus lábios estão cheios do teu louvor e da tua glória continuamente.” (Salmo 71.6-8)


Que o SENHOR lance fora de nosso coração todo medo, e que nosso caminhar seja de constante louvor ao Altíssimo.

José Vicente