terça-feira, 17 de maio de 2016

CHAMADOS PARA SER INSTRUMENTOS DO PODER DE DEUS


Base: Mateus 10.1-4

Jesus Cristo veio ao mundo com uma missão bem definida, e a cumpriu cabalmente, não restando nada a ser feito em termos de oferta pelo pecado, já que o Cordeiro de Deus foi imolado na cruz a fim de redimir todos os que nEle creem. Jesus se mostrou ser o Único Caminho para a reconciliação com Deus, e por meio de Sua morte e ressurreição Ele nos proporcionou a Vida Eterna.
A fé cristã se alicerça nessa verdade, todavia, para que essa Boa Nova chegasse a todos os lugares do planeta, Cristo deixou na terra a Sua Igreja, composta por todos os que nEle creem e que O tem como Senhor e Salvador.
Essa Igreja é formada pelos que foram chamados por Cristo para serem Seus embaixadores, os proclamadores do Reino, aqueles que têm a responsabilidade de dizer a todos que Jesus morreu e ressuscitou para nos dar a salvação, e um dia voltará para buscar a Sua Igreja, assim como para julgar os vivos e os mortos, cientes de que todos os que rejeitam o Cristo receberão sobre si a condenação por sua vida de pecados e rebeldia.
Analisando o texto bíblico, porém, percebemos que Jesus, ao escolher aqueles que levarão o Evangelho adiante, não se preocupa em chamar pessoas grandemente instruídas nem de destaque na sociedade. As escolhas de Jesus surpreendem a todos, pois Ele não olha para os seres humanos como nós olhamos, Ele não busca pessoas extremamente capacitadas, mas vislumbra corações aptos a serem trabalhados para que o Poder de Deus seja manifesto.
A passagem que lemos nos traz algumas lições importantes, que devem estar fixas em nossa mente, porque também nós somos chamados, a exemplo daqueles homens, para anunciarmos as Boas Novas, e embora não nos sintamos capacitados, a Palavra nos mostra que devemos nos dispor e obedecer, porque quem nos capacita é Cristo.
Vamos ver alguns pontos relevantes do texto bíblico.

1)      Jesus chama pessoas improváveis 
Os discípulos de Cristo não eram pessoas diferenciadas, pelo contrário, eram homens comuns, a maioria tinha pouca instrução, e seus temperamentos eram variados. Não havia nada especial naqueles homens, e provavelmente eles não seriam considerados como boas opções de líderes, de prosseguidores da Obra do Filho de Deus.
Os homens chamados por Jesus para serem seus discípulos e apóstolos tinham defeitos como qualquer ser humano. Eles não eram pessoas influentes na sociedade, não ostentavam títulos ou qualquer poder.
Pedro era impulsivo, ambíguo – tinha fé, mas ao mesmo tempo fraquejava; era corajoso, mas ao mesmo tempo tinha medo -; afirmou que morreria por Jesus, mas o negou quando Ele foi preso, e depois se arrependeu amargamente.
Tiago e João eram bem dispostos, mas cogitavam ter a primazia entre os demais, causando mal estar e levando Jesus a adverti-los. Em certa ocasião propuseram a Jesus usar o poder celestial para trazer o mal a uma aldeia por vingança, pois tinham se recusado a receber o Mestre, precisando ser repreendidos por Jesus (Lucas 9.54).
Tomé era um homem que precisava de provas para acreditar. Quando Jesus ressuscitou, Tomé não acreditou no testemunho dos demais discípulos, afirmando que somente creria se visse Jesus e tocasse em seus ferimentos.
Mateus era um coletor de impostos, e como todo publicano, não era bem visto pelo povo, pois geralmente os coletores exigiam mais do que era devido, defraudando as pessoas.
A maioria dos discípulos chamados eram pescadores. Não havia doutores em teologia. Jesus não escolheu escribas nem mestres, mas pessoas comuns, improváveis, sem maiores qualificações, e de quem não se poderia esperar muita coisa. Eram diferentes uns dos outros, com opiniões e atitudes distintas.
Da mesma forma Jesus continua agindo hoje. Ele escolhe e chama pessoas como nós, que não temos grandes atrativos como seres humanos, somos pessoas comuns. Nós que temos falhas, medos, pecados, temos dificuldades com nossos temperamentos, somos infiéis, mentirosos, não confiáveis, desprovidos de grandes conhecimentos sobre Deus e Seu Reino.
E mesmo que tenhamos algum título que as pessoas valorizem, isso não é considerado por Cristo, pois diante dEle todos somos iguais. Depois de sua ressurreição, Cristo vocacionou Paulo para ser apóstolo. Paulo era um homem culto, um doutor da Lei, todavia ele mesmo testificou em suas cartas que o seu conhecimento anterior ao encontro com Cristo era considerado refugo, e que somente depois que sua vida foi entregue a Cristo é que ele soube o que era o verdadeiro conhecimento, a verdadeira sabedoria e a verdadeira riqueza.
Os títulos humanos não são nada para Cristo. Diante dEle todos são pecadores e necessitam desesperadamente da Graça Salvadora.
Mas muitos acham que possuir títulos, posição social, é algo relevante para ser usado por Deus. Ora, para ser instrumentos de Deus não somos escolhidos por nossas prerrogativas ou qualificações, e Jesus mostrou exatamente isto ao escolher um grupo de homens que não tinham status nem eram notáveis, antes, eram comuns.
Jesus usa pessoas imperfeitas.

2)      Jesus conhece a quem Ele chama 
Jesus não chamou pessoas sem saber de suas características. Ela sabia quem era cada um dos escolhidos. Jesus conhecia o caráter de Pedro, Tiago, João, Filipe, Bartolomeu e todos os demais que Ele chamou para serem seus discípulos e apóstolos.
Jesus não foi surpreendido com as atitudes dos que Ele chamou. Ele não ficou perplexo diante da negativa de Pedro, muito menos diante dos arroubos de fidelidade desse mesmo Pedro.
Dentre os discípulos, um não estava comprometido com o Reino de Deus da forma que Jesus veio ensinar, mas pensava em um reino político, tinha pretensões opostas ao que o Mestre pregava, e isso o levou a entregar Jesus aos que queriam prendê-lO e matá-lO. Judas fazia parte do grupo de discípulos, mas foi o traidor. Ele não estava imbuído da mesma mentalidade dos demais. Há uma passagem em que Judas é chamado de ladrão, porque retirava valores da bolsa de ofertas coletadas (João 12.4-6).
Porém Jesus não foi surpreendido com a atitude de Judas, porque Ele o conhecia e sabia exatamente o que Judas faria.
Cada um de nós é ampla e profundamente conhecido por Jesus. Ele sabe o que se passa em nosso coração, conhece nossos medos, nossas dúvidas, nossas fraquezas, nossos anseios, nossos dramas, nossos traumas.
Nós não surpreendemos Jesus com nossas atitudes, com nossos momentos de recuo, com as recaídas em algum pecado. Não há nada em nosso ser que seja desconhecido por Jesus. Nada oculto, ainda que no mais íntimo do nosso ser, que esteja encoberto aos olhos dEle. Ele sabe se somos como Pedro ou como Judas.
Por vezes as pessoas se mostram temerosas de desenvolver algum trabalho na Igreja porque não se consideram capazes nem dignas. Há pessoas que pensam que talvez Jesus não saiba de algum defeito escondido que possuem, e que se Ele soubesse elas seriam rejeitadas.
O Salmo 139 se aplica como uma luva aqui, pois revela o amplo conhecimento de Deus sobre cada um de nós, até mesmo em áreas escondidas, que a ninguém revelamos.
Em João 1.43-51 temos a passagem em que Filipe leva seu irmão Natanael até Jesus, e o Mestre, assim que o vê, afirma: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!”. Natanael ficou perturbado e Jesus disse: “Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira”. A reação de Natanael mostra que Jesus estava falando de algo que provavelmente ninguém sabia, o que demonstra o conhecimento que Jesus tinha de Natanael antes mesmo deste lhe ser apresentado.
Jesus não se engana conosco.

3)      Jesus transforma a quem Ele chama 
Os homens escolhidos por Jesus passaram três anos caminhando com Ele, sendo instruídos e conhecendo mais a fundo os valores do Reino.
E enquanto caminhavam com Cristo, eram transformados. Homens temerosos se transformaram em ousados pregadores das Boas Novas. Homens infiéis, que fugiram quando Jesus foi entregue para ser morto, se tornaram testemunhas fiéis de Cristo, morrendo por Ele. Homens com pouca instrução foram feitos pregadores audaciosos, capazes de falar com sabedoria e intrepidez até mesmo diante de autoridades.
Jesus trabalhou o temperamento daqueles homens.
Jesus os chamou como eram, mas não os deixou daquele jeito, pois não poderiam ser instrumentos de Deus sem que fossem antes transformados em novos homens.
Da mesma forma, Jesus nos chama no estado em que nos encontramos, mas Ele quer nos usar como instrumentos para a glória de Deus, como embaixadores do Reino, e para isto Ele molda nosso caráter, age em nossas fraquezas, em nossos medos, envia o Seu Espírito Santo para nos instruir e transformar.
Todos nós, que fomos chamados por Cristo para sermos Suas testemunhas, precisamos ser lapidados. Devemos caminhar com Cristo, aprender dia a dia a nos conhecermos mais, e a conhecermos profundamente o nosso Senhor, submetendo-nos à ação do Espírito Santo.
Cristo quer fazer de nós instrumentos úteis ao Reino de Deus. Ele quer que nos esvaziemos de nós mesmos para sermos cheios do Espírito Santo. Ele quer que nossa caminhada seja acompanhada da manifestação do Poder de Deus, levando vida onde estivermos, assim como o fizeram aqueles que Ele vocacionou no início da Igreja.
Os apóstolos foram os homens que deram prosseguimento à obra de Cristo na terra, levando a Igreja a crescer e se espalhar por todo o mundo, mas só conseguiram isso porque foram profundamente transformados pelo poder de Deus e viram o caráter de Cristo ser formado e fortalecido neles a cada dia.
Assim também nós, que hoje somos chamados por Cristo para sermos Seus embaixadores, necessitamos passar pela completa transformação de nosso ser, com o caráter de Cristo sendo moldado em nós, de maneira que possamos efetivamente ser utilizados como instrumentos de honra na Casa do Altíssimo, jamais trazendo vergonha ao Nome de Deus, mas trabalhando para engrandecê-lO cada vez mais entre as nações.
Os doze apóstolos de Cristo – exceto Judas, que tinha outra finalidade – transformaram o mundo por meio da pregação do Evangelho, anunciando a Cristo. E nós, feitos embaixadores de Cristo, somos transformados dia a dia para que o mundo conheça a Cristo por meio de nós.
Jesus nos faz novas criaturas.

CONCLUSÃO
A obra de Cristo não terminou, e a cada dia ele comissiona mais pessoas para que deem prosseguimento a esse trabalho, anunciando a morte e ressurreição do Filho de Deus, e a sua volta futura, quando então fará separação entre o joio e o trigo, lançando fora todo aquele que rejeitar a Palavra da Fé, que não O reconhecer como Senhor e Salvador, que se mantiver em inimizade contra Deus.
Para isto, Jesus continua chamando pessoas comuns, cujos defeitos são por Ele conhecidos, e que serão por Ele transformadas profundamente, a fim de que se tornem instrumentos do poder de Deus e glorifiquem ao Altíssimo.
Ouvindo a voz de Cristo respondamos afirmativamente, e nos submetamos sempre ao Seu senhorio, porque Ele deseja demonstrar, por meio de nossas vidas, o Seu imenso amor ao ser humano e a oportunidade oferecida de reconciliação com Deus.

“Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda.” (Salmo 139.3-4)

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, e prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Salmo 139.23-24)

Que o Cristo nos faça compreender a importância do nosso chamado, e nos capacite para sermos instrumentos de glorificação de Deus.
José Vicente 
24.04.2016

domingo, 17 de abril de 2016

NÓS SOMOS A LUZ DO MUNDO?




Texto base: Mateus 5.14-16



Na passagem lida, Jesus estava proferindo o conhecido Sermão do Monte, por meio do qual ensinou às pessoas quais eram as características de um cidadão dos céus. Trata-se de uma sequência de ensinamentos preciosos e profundos, que tinham como finalidade conscientizar os ouvintes de que sua fé deveria ser acompanhada de sinais externos que referendassem essa fé, de maneira que não bastava dizer “eu creio”, mas seria necessário demonstrar que isso era uma realidade no dia a dia.
Após falar sobre as bem-aventuranças, Jesus afirmou que seus discípulos são o sal da terra, estimulando-os a cumprirem sua função de preservar este mundo, não permitindo que a corrupção e a maldade se alastrassem.
Chegamos, então, ao texto lido, onde Jesus usa a figura da luz para apontar outras características que devem estar presentes em seus discípulos.
A mensagem transmitida por Jesus na ocasião não ficou restrita àqueles discípulos que o ouviam, mas se estende a todos quantos creram nEle e se tornaram também seus discípulos no decorrer dos anos, ou seja, é aplicável a nós, Igreja de Cristo, que hoje temos a responsabilidade de prosseguir sendo testemunhas do Senhor diante de um mundo caído.
Vamos analisar alguns ensinamentos de Jesus nessa passagem.

1.       Temos uma grande responsabilidade (v. 1)
Jesus começa dizendo: “vós sois a luz do mundo”.
Essa fala de Jesus aparenta alguma contradição em relação ao que as Escrituras falam sobre a luz do mundo, afinal, a Bíblia apresenta a Jesus Cristo como sendo a luz, enquanto Ele afirma que nós, seus discípulos, somos a luz do mundo.
No capítulo anterior (4), Mateus, referindo-se à pessoa de Jesus, faz menção ao profeta Isaías, citando a seguinte profecia: “O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz.”
João, ao escrever o Evangelho, assim se referiu a Jesus: “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem.” (João 1.4-9)
E Jesus, falando acerca de si mesmo, assim afirmou: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.” (João 8.12)
Ora, se a Bíblia afirma claramente que Jesus é a luz do mundo, e Ele próprio assim o disse, como pode Jesus ter dito que seus discípulos são a luz do mundo? Isso não parece contraditório?
Na verdade, não há contradição nenhuma na afirmação de Jesus. Ele, de fato, é a luz do mundo, que veio para dissipar as trevas e salvar os que andavam perdidos, sem rumo, não enxergando o caminho por onde iam nem o destino a que chegariam.
Acontece que nós, como discípulos de Cristo, temos sobre nós uma responsabilidade que não é nem um pouco pequena: nós devemos ser imitadores de Cristo.
Jesus declarou que o discípulo deve ser como o seu mestre (Mt. 10.25), e João escreveu que “aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1Jo 2.6).
Quando Jesus declara que nós somos a luz do mundo, Ele não está afirmando que temos brilho próprio e que podemos, por nós mesmos, fazer algo capaz de transformar as pessoas. Ele ensina que, sendo Ele a Luz, e nós os seus discípulos, temos a responsabilidade de viver de tal forma que o brilho de Cristo em nós seja notado, ou seja, devemos refletir a verdadeira luz.
Antes que isso possa nos fazer sentir envaidecidos, convém esclarecer que o intuito de Jesus não é despertar esse tipo de sentimento em nós, pelo contrário, a afirmação feita por Ele deve nos levar à humildade e ao quebrantamento, posto que se trata de uma grande responsabilidade, já que temos que viver de maneira a imitar nosso  Mestre.
Jesus é a verdadeira luz do mundo, e nós, como seus discípulos, temos a incumbência de continuar a obra que Ele fez na terra. Nós somos seus sucessores na missão de pregar o Evangelho e levar os seres humanos a conhecerem o Deus Altíssimo.
A luz dissipa as trevas. Onde não há luz, não se enxerga o caminho e é muito fácil se perder, cair, ir rumo a um destino de infelicidade.
Jesus exige de nós nada menos do que Ele próprio fez enquanto esteve aqui: iluminarmos o mundo, trazendo vida nova às pessoas. Quando Ele diz: “vós sois a luz do mundo”, está dizendo: “vós tendes a incumbência de ser como Eu”.
E esta é uma grande responsabilidade.

sábado, 16 de abril de 2016

JESUS, O NOSSO EXEMPLO



JOÃO 13.12-20

Quando lemos a Bíblia, encontramos diversos personagens que chamam nossa atenção porque, em algum momento de suas vidas, fizeram a diferença e demonstraram que a fé em Deus é essencial ao ser humano.

São pessoas que, pela fé, superaram fraquezas, adversidades, exércitos, provocaram uma revolução na sociedade em que viviam, enfim, foram instrumentos de Deus para realização de coisas maravilhosas. Vários são citados em Hebreus 11 para demonstrar que a fé é o elemento vital no relacionamento com Deus.

Analisando os diversos personagens trazidos pela Bíblia, cabe uma pergunte: quem é o seu exemplo? Que personagem bíblico você gostaria de imitar? Abraão, Moisés, Davi, Sara, Rebeca, Elias, Eliseu, Paulo, João, Pedro, Jacó, Isaque...

Essas pessoas e muitas outras foram verdadeiramente instrumentos de Deus para a concretização de Seus projetos. A história de José, filho de Jacó, por exemplo, é muito linda e cheia de ensinamentos. Um jovem amado pelo pai, que tinha visões da parte de Deus e ainda não compreendia bem o significado, que foi odiado pelos irmãos ciumentos, vendido por eles como escravo, levado ao Egito, um lugar estranho e repleto de deuses pagãos, preso injustamente, acabou sendo elevado à condição de governador do Egito, e Deus o usou como instrumento para salvar não apenas a nação egípcia, mas principalmente o povo de Israel.

É tentador dizer “eu gostaria de ser como José”, ou “... como Davi”, ou ainda “... como Abraão”, etc, mas será que é esse o propósito de Deus para nós?

Na verdade, nenhuma dessas pessoas deve ser tomada como modelo ou padrão a ser seguido. Não temos que almejar ser como Davi ou Abraão ou qualquer outro personagem bíblico, porque todos eles eram como nós, humanos falhos e carecedores da Graça de Deus.

Davi foi um homem segundo o coração de Deus. Ele passou da condição de simples pastor de ovelhas à de maior rei de Israel. Ampliou o reino israelita, venceu exércitos poderosos, com sua fé foi um instrumento valioso nas mãos de Deus. Ele foi realmente um homem que manteve intimidade com o Todo Poderoso. Todavia, Davi tinha em suas mãos muito sangue, era um homem de guerra. Deus o impediu de construir o Templo justamente por ter sido um homem sanguinário:

“Porém Deus me disse: Não edificarás casa ao meu nome, porque és homem de guerra, e derramaste muito sangue.” (1 Cr 28.3)

Davi cometeu adultério, providenciou a morte do marido de Bate-Seba, foi um pai omisso em momentos que deveria ter imposto uma disciplina a seus filhos, enfim, sua humanidade era igual à nossa. Ele teve qualidades, mas também apresentou muitos defeitos. É possível que conheçamos pessoas cristãs que, em termos de conduta, sejam até melhores do que Davi.

Abraão foi chamado o pai da fé, amigo de Deus (Tg 2.23), a ele foi feita a promessa de Deus de ter uma descendência abençoada e em quem seriam abençoadas todas as famílias da terra. Mas era humano como nós, cometeu erros, mentiu, tentou dar uma ajuda para Deus no cumprimento da promessa de ser pai, gerando um grande problema com o nascimento de Ismael, problema este que permanece até hoje.

Elias foi um profeta em quem o poder de Deus se manifestou intensamente, foi responsável pela morte de 450 profetas de Baal (1 Reis 18), era um homem cuja fé o impelia a atos de coragem, entretanto, quando ameaçado por Jesabel, fugiu e entrou em depressão.

Enfim, todos os personagens bíblicos, conquanto tenham manifestado virtudes dignas de elogios, também cometeram erros e pecaram como qualquer um de nós. Assim, é óbvio que não faz sentido querer imitar quem é como nós.

O propósito de Deus para o seu povo é mais ousado: Ele quer que sejamos imitadores de Cristo. Sim, o Filho de Deus é o nosso modelo, é nos passos dEle que devemos andar, conforme a vontade do Pai.

Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29).

Em Lucas 6.40 Jesus faz a seguinte afirmação: “O discípulo não está acima do mestre: todo aquele, porém, que for bem instruído será como seu mestre”. Uma clara admoestação aos discípulos para que busquem ser como o Mestre, instruindo-se na Palavra e procurando imitar o Senhor com vistas a nos parecermos com Ele.

É claro que seguir o exemplo de Jesus não é tarefa fácil. Ele era perfeito mesmo enquanto homem, não cometeu pecado, era sábio, tinha virtudes que devemos procurar cultivar. Todavia, sendo exatamente esse o propósito de Deus para seu povo, podemos ter a certeza de que, uma vez que nos disponhamos a obedecer e cumprir a vontade do Altíssimo, Ele agirá de forma a cumprir seus desígnios em nós, levando-nos cada dia a um nível mais elevado de espiritualidade, comunhão com o Espírito e semelhança a Jesus.
      
      Do texto lido vamos destacar apenas algumas virtudes presentes em Jesus e que devem se fazer presentes naqueles que afirmam ser discípulos do Mestre. 

1)      SUBMISSÃO AO PAI 
 
Jesus deu o exemplo de submissão ao Pai. Ele veio cumprindo os desígnios de Deus, e a Escritura diz que foi “obediente até a morte e morte de cruz” (Fp 2.8).

Jesus cumpriu todo o projeto que Deus Pai havia arquitetado para a salvação do ser humano, e em nenhum momento se rebelou contra o Pai, pelo contrário, submeteu-se à vontade do Altíssimo durante toda a sua vida, até o cumprimento final, que se deu com a Sua morte na cruz do calvário.

Jesus não mediu esforços para obedecer ao Pai. Ele se submeteu por completo, apesar de ser igual ao Pai em essência e poder. Em João 5.19 Jesus afirma que aquilo que o Pai faz, o Filho igualmente o faz.

sábado, 23 de janeiro de 2016

ATITUDES DIANTE DE SITUAÇÕES SEM SAÍDA




Base: Êxodo 14.9-14

INTRODUÇÃO

Nossa vida é uma caminhada cheia de momentos bons e também aflitivos. Com relativa frequência nos vemos em situações difíceis, que nos trazem sofrimento, preocupação, angústia, tiram nossa paz.
Há situações, porém, que são mais graves, pois ao olharmos para os lados não conseguimos encontrar saída, parece que estamos acorrentados e seremos alvo fácil à calamidade.
A nação de Israel experimentou uma situação assim logo após ter saído do Egito. Enquanto caminhavam pelo deserto, o exército egípcio saiu para persegui-lo e o alcançou próximo ao Mar Vermelho. O povo olhou para trás e avistou a imensa tropa egípcia vindo em sua direção; olhou para frente e viu o imenso mar. Não havia para onde correr, a morte era certa e iminente.
Uma situação sem solução era o que Israel vivia. E é também o que muitas pessoas experimentam em diversas ocasiões da vida.
             Mas o que fazer nesses momentos? Que tipo de atitude adotar?
             A passagem lida nos mostra algumas atitudes que Deus espera de Seu povo. 
             1)      Não murmurar
Caso parássemos a leitura no versículo 10, acreditaríamos que o povo de Deus teve a atitude correta diante da situação aflitiva com que se deparara: clamar ao SENHOR.
O problema é que esse clamor levantado pelo povo não foi o clamor que Deus deseja. Não foi uma súplica, um pedido de ajuda, um reconhecimento de impotência própria e da onipotência divina. Foi um clamor de reclamação, de murmuração.
Nos versículos 11 e 12 podemos constatar que o povo não demonstrava confiança em Deus, e ainda não tinha conseguido vislumbrar os propósitos do SENHOR para sua vida. Eles esqueceram o que Deus havia feito, as demonstrações de poder testemunhadas até então, e começaram a se queixar, dizendo que seria melhor ter continuado a ser escravos no Egito do que morrer ali no deserto.
Esse não foi um episódio isolado de murmuração dos israelitas. Desde quando estavam no Egito e Moisés se apresentou para libertá-lo, o povo começou a reclamar, pois a cada praga enviada apor Deus contra os egípcios, vinha alguma retaliação do Faraó, impondo maior carga de trabalho sobre os escravos. Até o momento em que se viram à entrada da terra de Canaã, os israelitas murmuraram. O resultado, como sabemos, é que Deus não permitiu a sua entrada na terra prometida.
Ao longo da caminhada de Israel pelo deserto Deus deixou bastante claro que Ele não tolera murmuração, pois isto implica em rebeldia, ingratidão, falta de confiança no Altíssimo.
Quando nos encontramos em situações que parecem não ter saída, onde todas as opções parecem levar a um maior sofrimento ou à completa derrota, a primeira atitude é não murmurar, porque reclamações não agradam a Deus e apenas mostram que ainda não conhecemos o Deus a quem servimos.
A maioria das pessoas tem como hábito reclamar quando aparecem problemas, quando a situação fica difícil, quando pensam que não há mais saída. Reclamam a todo instante, tornando-se até companhias desagradáveis, pois quando alguém lhes pergunta se este todo bem, a resposta é um mar de lamentações.
O povo de Deus não pode ser um povo murmurador. Nossos lábios devem expor palavras de sabedoria, de confiança em Deus, pois servimos ao criador dos céus e da terra.

O RESPEITO À CRIAÇÃO DE DEUS





“E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto.” (Gênesis 1.31)
 A Bíblia narra a criação do mundo por Deus, descrevendo inclusive a satisfação do Criador ao ver Sua obra, pois Ele fez tudo muito bom e perfeito. Deus criou o clima perfeito, a vegetação perfeita, a alimentação ideal para o ser humano e todos os seres viventes, enfim, pensou em cada detalhe.
 Ocorre, porém, que o ser humano se deixou levar pelas artimanhas da serpente, que despertou nele a insatisfação, a vontade de se equiparar a Deus em conhecimento, pois, como disse a serpente, “certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.” (Gn 3:4,5)
 Assim, o ser humano optou por um caminho contrário ao que Deus havia idealizado, e até hoje vemos as consequências dessa péssima escolha. A natureza vem sendo destruída ano após ano, e com isto vêm os desastres naturais, as mudanças do clima, as chuvas torrenciais que deixam milhares de pessoas desabrigadas, provocam mortes e destruição. A poluição do meio ambiente pouco a pouco vai tornando o planeta um lugar mais difícil de ser habitado, e doenças surgem aos montes por causa das contaminações provocadas pelos produtos criados pelos humanos. A educação das crianças cada vez mais é negligenciada e corrompida. Não satisfeito com os alimentos criados por Deus, que são perfeitos para as necessidades do corpo, o ser humano resolveu criar produtos alimentícios carregados de corantes, conservantes, açúcar e diversos aditivos químicos, além de modificações genéticas, capazes de males irreversíveis.
Infelizmente, muitos cristãos adotam esse estilo de vida, imitando o mundo que se opõe a Deus e seus valores. Abandonam os hábitos saudáveis de alimentação, tornando-se escravos dos valores mundanos que pregam o uso dos alimentos para o prazer, e não para a saúde do corpo. Deixam de educar os filhos conforme os princípios bíblicos e permitem que filosofias do mundo permeiem o que é ensinado às crianças. Desrespeitam a natureza e a agridem de várias formas.
O resultado: cristãos sofrendo as consequências de se deixarem levar por valores contrários à Palavra de Deus, equiparando-se aos que não temem ao Altíssimo. A natureza devolvendo a agressão por ela sofrida. Cristãos padecendo com doenças causadas por hábitos alimentares mortais e estilo de vida antifisiológico, que provocam câncer, diabetes, oxidação do colesterol, obesidade, osteoporose, hiperatividade em crianças e tantos outros males, por abraçar os valores do mundo quanto à alimentação. Crianças crescendo fora dos princípios bíblicos, desobedientes, desrespeitosas, irreverentes.
Os cristãos são pessoas que têm ou deveriam ter conhecimento da Bíblia e de seus valores. Pessoas que, ao contrário do mundo, deveriam enxergar os valores espirituais envolvidos na preservação do meio ambiente, no cuidado com a alimentação e a saúde, na educação dos filhos, no respeito à criação de Deus.
  Deus fez tudo bom e perfeito. Como cristãos, observemos a Palavra de Deus e vivamos de forma a glorificá-lO por nosso estilo de vida, que não deve se amoldar aos padrões do mundo, mas, sim, aos valores da Palavra de Deus.

José Vicente
16.01.2016

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

CURANDO A PARALISIA ESPIRITUAL




Texto base: Mateus 9.1-8

        Jesus continuava seu ministério, anunciando o Evangelho do Reino de Deus, levando a palavra de salvação a todos, de forma a reconduzir as pessoas a Deus. Após fazer vários milagres, Jesus estava em sua cidade, envolvido por uma multidão de pessoas ávidas de ouvir a Palavra de Deus, quando um paralítico lhe foi apresentado.
       Interessante notar que Jesus era imprevisível, Ele nunca agia da mesma forma com todas as pessoas e em todas as situações, mas sempre fazia algo diferente. Assim, certa vez ele curou um leproso apenas tocando neste; outra vez, quando se achava que Ele curaria um cego com um simples toque, Ele fez uma lama com sua saliva e passou nos olhos do cego, mandando que se lavasse no tanque de Siloé; quando se esperava um espetáculo, Jesus apenas dava uma ordem, falava uma palavra, e o milagre acontecia; quando se pensava que Ele iria correr para curar seu amigo Lázaro, Ele ainda ficou alguns dias onde estava, e só partiu quando Lázaro estava morto, para, então, promover sua ressurreição.
      Agora, no texto em análise, Jesus mais uma vez age de forma inesperada, pois conduziram perante Ele um paralítico para que fosse curado, porém sua primeira atitude não foi de mandar o paralítico se levantar, o que surpreendeu a todos.
       Vamos ver alguns ensinamentos que Jesus nos transmite nesta passagem.

1) DEVEMOS CONDUZIR OS PARALÍTICOS A JESUS

O paralítico tinha uma vida de limitação, dependia de outras pessoas para tudo. Ele não tinha condições de se locomover sem a ajuda de outros. Sua situação era humilhante, ele não via perspectivas, estava condenado.
Naquele tempo não havia cadeira de rodas, SUS, nem muletas como vieram a existir tempos depois. Assim, o paralítico vivia em um tipo de maca e era transportado por pessoas que se dispunham a ajudá-lo.
Se viesse alguma ameaça, uma perseguição, o paralítico não teria como fugir. As demais pessoas correriam, mas ele ficaria à mercê de qualquer agressão e da morte.
O texto nos diz que o paralítico foi levado a Jesus. Em Lucas 5.17-26, que narra a mesma passagem, é dito que alguns homens o levaram até onde Jesus estava. Essas pessoas acreditavam que Jesus poderia curá-lo. É bem provável que já tivessem presenciado os demais milagres realizados por Jesus. A purificação do leproso, a cura da sogra de Pedro, a libertação de endemoninhados, cura de enfermos, o poder manifestado sobre o mar e os elementos naturais, a cura do criado do centurião apenas com uma ordem à distância. Então, eles viram ali a única chance de libertar aquele homem do seu sofrimento. Não existia nenhuma possibilidade pela medicina ou qualquer outro meio. Jesus era a única solução.
O papel daqueles que creem em Cristo, que compõem a Sua Igreja, é conduzir a Cristo todos os paralíticos, lembrando que um dia nós também fomos paralíticos.
Os paralíticos deste mundo são aqueles que estão com suas pernas amarradas pelo pecado, que não conseguem ir a Cristo, que estão buscando uma forma de se libertarem, ou que nem mesmo perceberam ainda que são paralíticos, pensam que estão caminhando livremente, mas estão aprisionados e nem sabem para onde estão indo.
Essas pessoas, por sua condição, não têm como fugir da morte. A Palavra diz que o salário do pecado é a morte, e o paralítico espiritual está condenado a morrer, porque ele não consegue, por si mesmo, correr para longe da condenação.
Cabe a nós, que conhecemos a Cristo, envidar esforços para que aqueles que ainda são paralíticos espirituais cheguem até Jesus, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para isto. Os homens que conduziram o paralítico até Jesus não desistiram diante das dificuldades. Lucas narra que eles não conseguiram levar o homem para dentro da casa onde Jesus estava, pois havia uma grande multidão que impedia a passagem, então eles subiram ao eirado da casa e desceram o paralítico até o meio, colocando-o diante de Cristo.
É bem provável que nos deparemos com dificuldades para levar pessoas a Cristo. Mas não podemos desistir, devemos contornar os obstáculos. Perseverar na oração, falar, dar testemunho com nossas vidas, amar incondicionalmente, sem medo de ter atitudes que pareçam ser ridículas, pois o objetivo é muito elevado e valioso.

2) JESUS RESPONDE COM O PERDÃO A QUEM O PROCURA


     O desejo do paralítico era andar, ser curado. Também era isto que pretendiam os homens que o levaram até ali.
Jesus, porém, em resposta à fé daqueles homens, concedeu ao paralítico, antes da cura física, a cura espiritual. Ele liberou perdão ao homem. Jesus queria demonstrar que o maior problema do ser humano não são os males físicos nem as coisas desta vida, mas, sim, a sua condição diante de Deus.
O Salvador ensinou que todo ser humano necessita, desesperadamente, do perdão de seus pecados, pois esta é a maior doença que aflige as pessoas, visto que promove o afastamento de Deus e conduz o pecador à morte eterna.
O peso do pecado gera tristeza, culpa, abatimento, aprisionamento, verdadeira paralisia espiritual, impedindo a comunhão com Deus.
Quem ainda não recebeu o perdão de seus pecados está impossibilitado de fugir da condenação eterna, assim como o paralítico diante de uma grande ameaça, mas uma vez que Jesus usa de misericórdia e libera perdão, as amarras que nos impediam de caminhar são desfeitas e conseguimos andar rumo à vida eterna, trilhando o Caminho que Deus preparou para nossa redenção.
Da mesma forma que o paralítico, nós fomos alcançados pelo perdão de nossos pecados e devemos trabalhar para que outros o recebam.
                 O perdão que Cristo nos dá promove nossa reconciliação com Deus, limpa nosso ser, restaura nossa paz, possibilita nosso acesso a Deus, nos livra da culpa e do fardo pesado que estava sobre nossos ombros. Caminhamos livremente com a leveza de quem tem a consciência de que recebeu a liberdade e a condição de filhos de Deus.
                  O perdão dos pecados vem acompanhado de muitas bênçãos, dentre as quais a cura para males físicos e mentais, conforme a vontade de Deus. Uma vez tratado o espírito, manifesta-se em nosso ser o poder do Altíssimo, tratando-nos nas mais diversas áreas em que haja necessidade.
                  Mas o que Jesus ensina é que em primeiro lugar devemos ansiar pelo perdão, pela cura espiritual, pois de nada vale a cura física se não pudermos viver em paz com Deus.
  
3) SOMOS CURADOS PARA A GLÓRIA DE DEUS

Quando recebemos a cura espiritual e física, toda a glória deve ser dada a Deus.
Os homens que levaram o paralítico até Jesus não receberam a glória por isso. O paralítico não foi glorificado por ter fé. Mas as pessoas que a tudo presenciaram glorificaram a Deus, sabendo que somente pelo poder dEle, que atuava em Seu Filho, fora possível que aquele homem recebesse tão grande graça.
Nós podemos e devemos conduzir as pessoas a Cristo, devemos experimentar, nós mesmos, o perdão e a cura em nossas vidas, mas jamais podemos nos esquecer de que Deus é que deve ser glorificado, e todos os sinais feitos por Jesus são para que as pessoas vejam e temam ao Altíssimo, reconhecendo que dEle vem toda autoridade.
Infelizmente, nos dias atuais muitos pretendem atrair para si a glória pela ação de Deus na vida das pessoas. Há os que atribuem à sua própria fé, ao seu próprio poder ou à sua situação “especial” diante de Deus a ocorrência de curas e outros sinais, e com isto atraem os olhares das pessoas, são cultuados, seguidos como se fossem o próprio Cristo, gabam-se de um poder que não possuem.
Jesus, sendo o Deus Filho, tudo fez para que o Pai fosse glorificado. Ele sempre deixou bem claro que toda a glória era devida a Deus Pai. Isso deve ficar gravado em nossas mentes, para que não caiamos na tentação de reivindicar para nós uma glória que é devida a Deus.

CONCLUSÃO
O ser humano está doente e precisa urgentemente de cura. Não se trata de doenças físicas, pois estas, na maioria das vezes, são reflexo da doença espiritual.
As pessoas precisam de libertação, necessitam ficar livres das amarras do pecado e ter seus corações e mentes transformados pela Graça de Deus. Cabe a nós, Igreja de Cristo, promover o anúncio do Evangelho e levar as pessoas a Cristo, para que experimentem a cura para os males do espírito e do corpo, para que glorifiquem a Deus e lhe dediquem toda a honra devida.
“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor”. (Lucas 4.18-19)
“Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos.” (1Cr 29.11)
Amém.
José Vicente

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

SERVINDO A DEUS EM MEIO ÀS TRIBULAÇÕES



ÊXODO 2.23-25

O texto em questão é um trecho da história de libertação do povo de Deus da escravidão do Egito. A situação do povo era dramática, desesperadora, pois vivia sob a opressão dos egípcios, sem liberdade e sem dignidade.

Relembremos a trajetória de Israel até esse momento: José, filho de Jacó, havia sido vendido por seus irmãos como escravo, e ele foi levado ao Egito. Lá, depois de várias desventuras, tendo sido inclusive preso injustamente, foi levado por Deus a ser governador do Egito, ficando abaixo apenas do Faraó em autoridade.

Em um período de grande escassez de alimentos em todas as terras, conforme José havia predito ao interpretar o sonho de Faraó, os irmãos de José foram ao Egito comprar mantimentos, e após algum tempo ele se revelou a esses irmãos. Toda a família de José veio viver no Egito, inclusive seu pai, Jacó (Israel). O faraó os instalou em uma região de terras férteis, e eram tratados com respeito e consideração.

Após a morte de José e do Faraó, passou a comandar o Egito outro rei, que, conforme a Bíblia, não conheceu José. A partir daí o povo de Israel passou a sofrer opressão, pois o rei temia que se tornasse um povo muito forte e dominasse o Egito. Os anos foram se passando e aquele povo outrora livre, agora era escravo, experimentando um grande sofrimento.

A história de Israel no Egito, especificamente no texto em referência e outras passagens correlatas, traz para nós lições muito importantes, que devemos assimilar e colocar em prática para que experimentemos muito mais do poder de Deus em nossas vidas.

Vamos destacar três ensinamentos que podemos extrair do texto.

1)      As tribulações devem nos aproximar de Deus
A nação de Israel viveu 430 anos no Egito (Ex 12.40-41). Durante a maior parte desse tempo o povo, que era livre, se viu privado de sua liberdade, passando à condição de escravidão em um país onde deuses estranhos eram adorados, sendo explorado para aumentar a prosperidade dos egípcios.

O povo sofria com a violência dos feitores, e não havia alegria em seus corações, pois todos os dias tinham que enfrentar essa dura realidade. Os israelitas construíram duas cidades-celeiros, chamadas Pitom e Ramessés. Apesar disso, o povo crescia em número.

A violência era tamanha que o rei ordenou a morte de todo bebê do sexo masculino que nascesse entre os hebreus, devendo ser preservadas apenas as meninas, pois assim Israel não constituiria um exército forte para se insurgir contra o Egito.

A situação de Israel era terrível. Parecia não haver saída para aquele sofrimento, a não ser a morte. Havia tristeza nos corações e a esperança já perecia. Mas foi então que os hebreus tomaram uma atitude que mudou a sua sorte: eles clamaram a Deus, suplicando a Sua providência para que cessasse aquela escravidão e todo o martírio que lhes era imposto.

sábado, 29 de agosto de 2015

EXALTAI O NOME DO ALTÍSSIMO



“Engrandecei o SENHOR comigo, e todos, à uma, lhe exaltemos o nome.” Salmo 34.3

O mundo atual apregoa uma filosofia de vida que incentiva o individualismo, o egocentrismo, a arrogância, a vaidade, a autossuficiência. O ser humano é colocado em uma posição destacada, seus desejos são hipervalorizados, sua satisfação é um imperativo imediato, e ele desenvolve um sentimento narcisista que o faz se tornar seu próprio deus.

Assim, vemos o mundo cultuando pessoas, celebridades, idolatrando seres humanos que, a qualquer momento, podem deixar de existir, pois são frágeis como qualquer outro ser humano. Vemos, também, uma corrida desenfreada em busca do prazer, o desejo frenético por uma liberdade que é, na verdade, uma licença para fazer o que bem entender, e que não tem como trazer resultados que conduzam à verdadeira felicidade.

Infelizmente, essa mentalidade acaba penetrando dentro de muitas igrejas, levando os cristãos a promoverem um culto antopocêntrico, com vistas a agradar às pessoas. Não raras vezes vemos líderes sendo exaltados por algum tipo de virtude ou “poder” que manifestam, por sua eloquência, pela sua capacidade de influenciar seus ouvintes. Realizam-se cultos onde o nome de Deus é empregado tão somente como alguém que está a serviço da humanidade, a postos para distribuir riquezas materiais aos que aprendem a “determinar” o sucesso em suas vidas.

Quando, porém, voltamos nossos olhos à Palavra de Deus, vemos quão grave é esse ensino, e quanto prejuízo tem causado ao povo de Deus. A Palavra nos instrui no sentido oposto ao que o mundo ensina.

O Salmo 34.3 repete uma verdade que se encontra em toda a Bíblia: se há um nome a ser engrandecido, esse é o Nome de Deus, e não de seres humanos. O Altíssimo, que vive eternamente, que tem o mundo em Suas mãos e que não depende de ninguém para cumprir os seus desígnios, que trouxe à existência todo o universo pela Sua Palavra, e que da mesma forma pode, se assim o desejar, fazer com que esse universo simplesmente deixe de existir.

Davi, nesse Salmo, nos conclama a engrandecer o Deus Eterno, e exaltar o Seu Nome. O ser humano é a criatura, e Deus é o Criador. Jamais podemos inverter essa ordem e exaltar a criatura, dedicando-lhe uma glória que pertence unicamente ao Criador.

Paulo, apóstolo de Cristo, em sua época já advertia quanto às consequências de se adorar a criatura em lugar do criador (Rm 1.18-27), revelando as consequências terríveis de tal proceder.

A Igreja de Cristo jamais deve perder o foco. Ela existe para glorificar a Deus e dar testemunho do Seu amor ao mundo, por meio do anúncio do Evangelho e da prática do amor. Essa Igreja não conseguirá cumprir sua missão se vier a se desviar do que a Palavra ensina, mas verá o Reino de Deus se espalhando sobre a terra se for fiel ao seu Senhor e dedicar toda a glória, toda a honra, todo o louvor e toda a adoração apenas a Deus, vivendo de forma a exaltar o Seu Santo Nome entre todos os povos. Amém.

José Vicente