quarta-feira, 4 de outubro de 2017

ALIMENTANDO MULTIDÕES



Texto base: Mateus 14.13-21

Os dias atuais parecem ser marcados por um avanço do individualismo e do relativismo. As pessoas voltam-se muito mais para si mesmas, preocupando-se em ser felizes, em cuidar de si e de sua família, não cultivando mais sentimentos altruístas.

O panorama da sociedade atual passa a impressão de que as profecias contidas nas Escrituras estão se cumprindo, pois o amor vai se esfriando no coração das pessoas. A Igreja não parece ter tanta relevância como em tempos passados. E curiosamente aumentam os casos de pessoas sofrendo de depressão, amargando o desprezo, a solidão, ainda que possuam bens. São muitos os casos de pessoas enfermas, mergulhadas em vícios, com pensamentos extremamente negativos em relação à vida.

Além disto, o relativismo cresce a cada dia. Não existem mais verdades absolutas. Cada um tem a sua verdade. E nesta onda, até mesmo os cristãos começam a ver de forma relativa as verdades contidas nas Escrituras, procurando amoldar os ensinos da Palavra aos “tempos modernos” para não criar caso com ninguém e “viver em paz com todos”.

Durante seu ministério terreno, Jesus não se entregou ao individualismo nem ao relativismo ou a qualquer outro tipo de filosofia pregado pelo mundo, mas procurou ensinar e viver os verdadeiros valores do Reino de Deus. Por esta razão ele foi muito amado, mas também foi odiado. Jesus não se importou com dogmas religiosos, e caminhou fazendo a diferença nas vidas de milhares de pessoas que tiveram o privilégio de conhecer o Mestre pessoalmente.

Na passagem lida, vemos que Jesus, após saber que João Batista havia sido morto por Herodes, retirou-se para um lugar deserto, e foi seguido por multidões. Ele era cativante, porque amava as pessoas e demonstrava isso de forma prática. Ele ensinava com autoridade, mostrando às pessoas mais do amor de Deus. Ele não negociava na pregação da Palavra, falando sempre o que era necessário e que tinha recebido do Pai.

A Igreja foi deixada nesta terra para dar prosseguimento ao ministério de Jesus, de pregar o Evangelho e demonstrar o amor de Deus de forma prática, mas nem sempre isso é feito, pois muitos cristãos se esquecem de que os ensinamentos de Jesus são para a vida, e não apenas para um momento.

O texto que lemos pode trazer inúmeras lições aos discípulos atuais de Cristo, mas vamos destacar apenas três pontos.

1)      Ainda há multidões à procura de Jesus (vv. 13-14)
Inúmeras pessoas se deslocavam de suas casas, de suas cidades, em busca de Jesus. Elas ansiavam por cura, libertação, ensino, atenção, ações políticas, etc. Eram pessoas que haviam ouvido falar sobre Jesus, conheceram relatos do que Ele vinha fazendo, e acreditavam que Ele poderia dar uma solução para sua situação. Pessoas para quem, talvez, antes não houvesse uma perspectiva, e agora, ao ouvir sobre Jesus, viam a sua esperança renascer.

Elas não estavam em busca de dinheiro, porque Jesus ficou famoso por seus milagres, que envolviam curas de cegos, paralíticos, surdos, mudos, libertação de possessos, e não por uma pregação de prosperidade financeira. Ele próprio ensinava o desapego a bens materiais.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A SURPREENDENTE GRAÇA RESTAURADORA DE DEUS


Texto Base: 2 Crônicas 33.10-13 (paralelo: 2Reis 21.1-18)

Será possível que alguém que conhece a Deus e à Sua Palavra, que já viu o poderoso agir de Deus no meio de Seu povo, venha a se desviar do caminho do SENHOR de tal maneira que chegue a se tornar pior do que os incrédulos? E caso isso ocorra, será que existe alguma esperança de restauração para essa pessoa?

O texto que lemos trata da história de Manassés, que foi rei de Judá por 55 (cinquenta e cinco) anos, tendo iniciado seu reinado ainda menino, aos 12 (doze) anos, quando ocorreu o falecimento de seu pai, o rei Ezequias (2Cr 33.1).

Sabemos que Ezequias foi um rei que andou nos caminhos de Deus e experimentou livramentos incríveis, além da cura de uma enfermidade grave e o prolongamento de sua vida em 15 (quinze) anos (2Cr 29 a 32; 2Rs 18 a 20). Ezequias era temente a Deus, e teve seu nome registrado na história dos reis de Judá como um rei que fez o que era reto perante o SENHOR (2Cr 29.2).

Apesar de ser filho de um homem crente e temente a Deus, Manassés não seguiu o exemplo e os ensinamentos de seu pai, mas se desviou dos caminhos de Deus, abraçando a idolatria e praticando atos semelhantes aos dos gentios incrédulos que não temiam a Deus.

A Palavra nos revela que Manassés voltou a levantar os altares que seu pai havia destruído para adoração a falsos deuses, adorava os exércitos dos céus (astros celestes), ofereceu os próprios filhos em sacrifício a deuses pagãos, fazia adivinhações, praticava feitiçarias, aceitava que se consultassem os mortos, colocou imagens de ídolos pagãos dentro do Templo consagrado a Deus, e fez muitas outras coisas que jamais se esperaria de um líder do povo de Deus, levando esse povo a se portar pior do que as nações que antes habitavam naquelas terras e que Deus havia destruído (2Cr 33.2-9).

Manassés era filho de crente, mas se portou pior do que um incrédulo, pois não tinha integridade, era mau e inclinado a fazer coisas terríveis, desonrando a Deus.

A história de Manassés mostra como uma pessoa que faz parte do povo de Deus pode se desviar dos caminhos do Pai Celeste, seguindo o curso deste mundo e o seu enganoso coração para praticar atos insanos e de total reprovação diante da Palavra.

Ao vermos o relato da vida de alguém assim, é natural que sintamos uma certa aversão por essa pessoa, e até que desejemos que “justiça” seja feita. Essa “justiça” consiste em ver tal pessoa receber a paga por seus atos e ser descartada por Deus, pois a consideramos indigna da misericórdia do Altíssimo.

Devemos, porém, analisar a nós mesmos para ver se não estamos tomando o mesmo caminho que foi trilhado por Manassés, porque ninguém está livre de ceder às tentações deste mundo e acabar cometendo loucuras contra Deus. Paulo, apóstolo de Cristo, faz a seguinte advertência: “aquele, pois, que pensa estar em pé veja para que não caia” (2Cor 10.12).

Vamos destacar algumas lições que podemos extrair do texto lido.

1)      A rebeldia está ligada a um coração endurecido (v. 10)

O versículo 10 nos diz o seguinte: “Falou o SENHOR a Manassés e ao seu povo, porém não lhe deram ouvidos.”

Em toda a Bíblia sempre vemos Deus agindo de maneira misericordiosa, sendo que, antes de enviar punições sobre seu povo, Ele providencia avisos por meio de profetas e da Sua Palavra. No caso de Manassés e Judá não foi diferente, pois Deus falou por meio de profetas, o que também pode ser verificado em 2Reis 21.10-16, onde o SENHOR alertou sobre as terríveis consequências que viriam pelos atos de rebeldia de Manassés e do povo.

Manassés não deu ouvidos à voz de Deus. O povo, seguindo seu líder rebelde, também não se importou com as advertências feitas por meio dos profetas.

A soberba do coração humano é um dos maiores venenos para a saúde espiritual, pois nos leva a pensar que somos alguma coisa e que temos autonomia, autosuficiência, e que podemos negligenciar a voz de Deus para vivermos como bem entendermos, sem que isso nos traga qualquer consequência negativa.

Com certeza todos nós conhecemos pessoas obstinadas, que nunca dão ouvidos a conselhos e, invariavelmente, acabam se dando mal. Pois Manassés era esse tipo de pessoa. Sua arrogância o impedia de honrar a Deus como deveria, vivendo em desobediência total e levando todo o seu povo pelo mesmo caminho pecaminoso.

Essa postura de Manassés continua presente em muitas pessoas hoje. Há cristãos que vão se tornando resistentes à Palavra, às exortações, como se suas mentes estivessem plenamente tomadas pelos encantos do mundo e da carne. Por mais que ouçam, não absorvem nada, não modificam seu proceder, acham que sabem o que estão fazendo e seguem resolutos pelo caminho que escolheram trilhar, mesmo que seja claramente contrário à Palavra de Deus.

São pessoas que, a despeito das advertências bíblicas e dos profetas que Deus levanta para falarem, continuam sua jornada para abraçar os valores do mundo, para satisfazer as concupiscências da carne e a soberba da vida, vivendo de forma egoísta, como se jamais fossem prestar contas a Deus.

Orgulho e desobediência andam juntos, e levam cada vez mais para o abismo. O orgulhoso não vê Deus como o Deus Altíssimo e Todo Poderoso, e não lhe devota adoração autêntica, mas coloca Deus no mesmo patamar dos deuses criados no coração. Ele não tem o temor do SENHOR no coração, não acredita nas possíveis consequências de seus atos e crê que conseguirá ficar impune de todos os pecados que comete.

E essa rebeldia nem sempre começa com coisas grandes, pelo contrário, ela vai se manifestando nas pequenas coisas do dia a dia, até tomar vulto e assumir o controle da vida do crente. Uma pequena concessão ao pecado hoje pode resultar em uma verdadeira inundação do coração amanhã. É preciso vigiar para que tudo aquilo que é contrário à Palavra de Deus não encontre abrigo em nossas mentes, caso contrário o pecado da rebeldia poderá se instaurar e fazer estragos muito grandes.

2)      A rebeldia traz consequências terríveis (v.11)

Por não darem ouvidos à voz de Deus, que falou por meio de profetas, Manassés e o povo de Judá sofreram consequências terríveis. Deus permitiu que os assírios invadissem Jerusalém e levassem tanto o rei Manassés como o povo para a Babilônia, na condição de prisioneiros.

Manassés foi humilhado, pois ele, que se considerava um homem poderoso, acima de todos, confiando nas técnicas de magia negra, de um momento para outro se viu privado de seu reino, de sua autoridade, submetido a um povo pagão e mau, tratado como um qualquer. Ele perdeu tudo o que tinha e se viu desolado na prisão.

Manassés perdeu sua liberdade, mas foi ferido, principalmente, em sua dignidade, em seu orgulho. Aquele que antes julgava poder todas as coisas, agora via que não tinha condições de se livrar das cadeias que o prendiam e estava condenado a passar o resto de sua vida nessa situação ou ser morto pelos inimigos.

Manassés viu seu nome jogado na lama, viu sua força subitamente desaparecer, revelando-se fraco e incapaz de mudar aquela situação por qualquer meio humano. Ele teve um choque de realidade.

Assim como Manassés, muitas pessoas que se desviam dos caminhos de Deus experimentam consequências amargas, passam por experiências que poderiam ter sido evitadas pelo ato de obedecer ao SENHOR. São pessoas que veem sua família desmoronar, perdem esposa ou marido, filhos, pais, amigos, bens, emprego, saúde, dignidade, etc.

Essas pessoas negligenciam as advertências da Palavra de Deus, e de repente começam a colher os frutos de seus atos insanos, sendo incapazes de reverter a situação. Passam por sofrimentos intensos, humilhações, chegam a se desesperar e desejar abandonar a vida. Da mesma forma que Manassés, subitamente constatam que nada são sem Deus, e que tudo o que fizeram foi loucura. O sofrimento provoca sentimentos os mais variados.

O caminho da rebeldia pode até parecer agradável até certo momento, porque o rebelde se deleita na satisfação de suas vontades, nos prazeres momentâneos oferecidos pelo mundo, todavia, quando passa a fase das advertências de Deus e chega o momento da colheita daquilo que foi semeado, o prazer se transforma em tristeza, o doce se transmuda em amargo, e sua fragilidade é exposta diante de seus olhos.

Irmãos, devemos vigiar constantemente e fazer uma autoanálise contínua para verificar qual é o nosso estado espiritual, se não estamos sendo orgulhosos e desobedientes, porque as consequências que virão podem ser extremamente pesadas e difíceis de suportar.

É necessário cultivar a humildade, porque o coração humilde aceita a repreensão e se livra de muito sofrimento, mas enquanto há arrogância o pecado vai tomando vulto, até provocar uma queda que produzirá ferimentos muito dolorosos.

A Palavra assim nos orienta: “Pobreza e afronta sobrevêm ao que rejeita a instrução, mas o que guarda a repreensão será honrado” (Pv. 13.18), e “O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma, porém o que atende à repreensão adquire entendimento” (Pv. 15.32).

3)      O arrependimento verdadeiro traz perdão e restauração (vv. 12-13)

Sabemos que é possível ao cristão se desviar do Caminho e seguir o pecado, amando os prazeres do mundo e sendo negligente para com a Palavra de Deus. Sabemos também que esse tipo de conduta produz frutos deveras amargos, que podem ser tão terríveis que a pessoa chega a desejar a morte.

Entretanto, Deus é misericordioso, e não desiste de Seus filhos.

As consequências da desobediência são empregadas por Deus como uma disciplina para quebrantar o coração do filho arrogante e levá-lo à consciência de que está cavando sua própria sepultura espiritual, mas que existe ainda uma solução.

No texto lido, vemos que Manassés, após ser preso pelos Assírios e perceber que não existia possibilidade de se livrar por suas forças, ficou angustiado, pois se arrependeu de sua péssima conduta perante o SENHOR, se humilhou e clamou pela misericórdia de Deus.

Manassés fez exatamente o que Deus havia orientado em 2Cr 7.14: “se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”.

Percebemos que foi um arrependimento sincero, porque se ele persistisse em sua arrogância, jamais faria a oração que fez, e caso a fizesse, ela não teria sido ouvida por Deus, pois a Bíblia deixa bem claro que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6).

Como resultado do arrependimento de Manassés e de sua oração a Deus, feita com coração quebrantado, o SENHOR cumpriu a promessa contida em 2Cr 7.14 e providenciou a sua libertação e seu retorno para Jerusalém, onde prosseguiu seu reinado, mas desta vez reconhecendo que o SENHOR era o único Deus (v. 13).

Deus perdoou e restaurou a Manassés e ao povo. Manassés, recebendo o perdão de Deus, mudou sua conduta e passou a adorar unicamente ao Altíssimo. Ele providenciou a retirada dos altares erguidos a falsos deuses, edificou o mudo da Cidade de Davi, promoveu reformas em seu exército na proteção das cidades, ofereceu sacrifícios de ações de graças a Deus e levou o povo a se manter fiel ao SENHOR.

O arrependimento sincero do crente o leva a receber o perdão de Deus e a restauração. E isso é seguido de uma mudança radical na forma de viver, com o abandono do orgulho, do pecado, da desobediência, da autosuficiência, e o reconhecimento de Deus como o único Deus, digno de todo o louvor e adoração.

Deus não tem prazer no sofrimento de Seus filhos, e não quer que nenhum deles se perca. Da mesma forma que Deus fez com Manassés, Ele continua fazendo hoje com Seus filhos que se desviam do Caminho e mergulham no pecado, desonrando o nome do Altíssimo. Ele permite que o crente colha as amargas consequências de seus atos, disciplina os filhos e os leva a verem o que estão fazendo e o que estão perdendo com sua rebeldia.

Assim, o Eterno não terá dúvidas em disciplinar os filhos a quem ama, para que retornem ao caminho correto e sejam purificados no sangue de Cristo.

CONCLUSÃO

Deus nos ama e quer que experimentemos vida plena em Sua Presença, mas muitas vezes nossa inclinação para o pecado nos afasta dos caminhos do Altíssimo, levando-nos a provar prazeres transitórios e a sofrer as consequências nefastas de nossos atos rebeldes.

O amor de Deus está presente quando Ele nos disciplina, deixando que provemos o sabor amargo dos frutos decorrentes de nosso procedimento pecaminoso, para que nos humilhemos e reconheçamos nossos erros.

A misericórdia de Deus se manifesta sobremaneira quando, com o coração quebrantado, nos humilhamos e suplicamos o perdão do Altíssimo, tomando consciência de que, sem Deus, nada somos e nada podemos fazer.

Por meio do arrependimento sincero, nossas vestes são lavadas no sangue do Cordeiro, Jesus Cristo, para nos purificar de toda a imundície do pecado, e somos restaurados à comunhão com Deus e com Seu povo, para que tenhamos uma vida transformada e que glorifique ao Eterno continuamente.

“4 Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue 5 e estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; 6 porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. 7 É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? 8 Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos.” (Hebreus 12.4-8)

“24 Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, 25 ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém!” (Judas 24-25)

Que Deus não permita jamais que nossos pés vacilem, mas nos conserve firmes na fé e na obediência a Ele, em Cristo Jesus, nosso Senhor. Amém.

José Vicente
17.09.2017

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Deus mudou o nome de Saulo para Paulo após sua conversão?


É corrente no meio cristão evangélico a ideia de que, após sua conversão, Saulo teve seu nome mudado por Deus para Paulo. Mas será que, realmente, ocorreu essa alteração no nome daquele que se tornou um dos mais destacados apóstolos na pregação do Evangelho de Cristo? Vamos analisar o que a Bíblia nos apresenta.

A Bíblia traz alguns relatos de pessoas que tiveram o nome mudado por Deus em alguma ocasião, e isso é registrado de forma clara. Podemos citar, por exemplo, Abraão, que, antes, era chamado Abrão.
Em dado momento, Deus modifica o nome de Abrão para Abraão (Gn 17.5), que trazia um significado coerente com os planos que Deus tinha para ele e sua descendência. A sua esposa, Sarai, também teve o nome mudado para Sara (Gn 17.15).

A partir de então, a Bíblia sempre registra os seus nomes como Abraão e Sara.

Jacó também teve o seu nome mudado por Deus, passando a se chamar Israel (Gn 32.28), nome este pelo qual o povo do Altíssimo também foi chamado, visto se tratar da descendência de Jacó, ou seja, as 12 tribos se originaram de seus 12 filhos.

Note-se que o texto bíblico é explícito ao afirmar que essas pessoas tiveram seus nomes mudados por Deus, não deixando nenhuma margem a dúvidas.

Com relação a Saulo, qual é a passagem bíblica que informa a mudança de nome? Será que ela existe? Vejamos o que as Escrituras nos mostram sobre esse tema.

Saulo era um fariseu, homem de elevado conceito entre os judeus, dono de profundo conhecimento da Lei de Deus, e gozava de posição destacada como um dos líderes religiosos. Ele recebeu autorização dos principais líderes para que perseguisse os cristãos.

Ocorre que, no capítulo 9 do Livro de Atos dos Apóstolos, a história de Saulo sofreu uma guinada completa, pois ali é narrado o seu encontro com Jesus na estrada de Damasco, ocasião em que foi assim chamado por Jesus: “Saulo, Saulo” (Atos 9.4).

Na sequência da narrativa bíblica, Jesus ordena que Ananias compareça a determinada casa e procure por Saulo (o texto ainda traz o nome Saulo, conforme Atos 9.11).

Em cumprimento à ordem de Cristo, Ananias vai até o local designado e impõe as mãos sobre Saulo, que volta a enxergar. No texto ele continua sendo identificado como Saulo (Atos 9.17).

Assim que ele começou a pregar nas sinagogas, ensinando o Evangelho de Cristo, a Bíblia ainda o identificava como Saulo (Atos 9.22 e 25).

O capítulo 10 de Atos não faz referência a ele, mas no capítulo 11 seu nome volta a ser mencionado, e novamente como Saulo (Atos 11.25). É interessante notar que no versículo 26 vemos que ele e Barnabé permaneceram um ano em Antioquia, e quando partiram para lá já fazia algum tempo que Saulo havia passado pela conversão, mas seu nome continuava o mesmo. Veja-se que no versículo 30 o nome Saulo foi empregado para identificá-lo.

Em Atos 12.25 há nova menção a Saulo, ainda sem nenhuma mudança de nome.

Bem, a esta altura, já podemos concluir que a afirmação de que o seu nome foi mudado de Saulo para Paulo na conversão não encontra amparo na Bíblia, pois por muito tempo ele continuou a ser identificado como Saulo.

Prosseguindo, chegamos ao capítulo 13 de Atos. Logo no versículo 1 temos nova menção ao apóstolo, e qual foi o nome utilizado? Isso mesmo, Saulo! Ele foi citado dentre os profetas e mestres que havia na igreja de Antioquia.

Agora, observe-se a ordem que eles receberam do Espírito Santo no versículo 2:

“E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.” (Atos 13.2)

O Espírito Santo se refere a esse apóstolo como Saulo! Bem, se o seu nome tivesse sido mudado por ocasião da conversão, é claro que o Espírito Santo não utilizaria o nome velho, mas, sim, o novo!

Dando início à missão que lhes fora dada pelo Espírito Santo, Saulo e Barnabé chegaram à ilha de Pafos, e foram chamados pelo procônsul Sérgio Paulo, que pretendia ouvir o que eles pregavam. O texto bíblico novamente utiliza o nome Saulo, conforme se vê no versículo 7.

Mas agora finalmente chegamos ao texto chave para entendermos se de fato Deus mudou o nome de Saulo para Paulo: Atos 13.9, que assim nos diz:

“Todavia, Saulo, também chamado Paulo...” (Atos 13.9).

Não há mistério aqui: a Bíblia é muito clara ao dizer que Saulo TAMBÉM era chamado Paulo. O que isso significa?

Saulo tinha dupla cidadania. Ele era judeu, mas também era cidadão romano (Atos 16.37-38; 22.25-29). Saulo era seu nome judeu, e Paulo era o seu nome romano. Portanto, ele tinha dois nomes, e poderia ser chamado por qualquer deles. Mas enquanto estava entre os judeus, por questões lógicas ele utilizava o seu nome judeu. Ao ser enviado a pregar aos gentios, mostrou-se mais coerente e aproveitável usar o nome romano, até como uma forma de melhor aceitação entre os não judeus.

Portanto, o nome de Saulo continuou a ser Saulo até o fim de sua vida, da mesma forma que continuou a ser também Paulo, pois não houve mudança como muitos creem, entretanto, visto que seu ministério foi mais voltado aos gentios, a partir de Atos 13.9 e também em suas epístolas ele passou a se identificar apenas como Paulo, seu nome romano.

Para concluir, esclareço que era comum pessoas serem conhecidas por dois nomes naquele tempo. É o caso, por exemplo, de Silas, que também era chamado Silvano. Ele era judeu, mas tinha cidadania romana assim como Paulo (Atos 16.19 e 37-38). Silas seria a forma grega de seu nome, e Silvano, conforme estudiosos, seria a forma latinizada desse mesmo nome, sendo citado em algumas cartas de Paulo (2Cor 1.19; 1Tes 1.1 e 2Tes 1.1).

Mas, não importa qual era o nome desses servos de Deus, se Saulo ou Paulo, Silas ou Silvano, pois o que deve ocupar nossa mente é o exemplo que eles deixaram, tendo se dedicado ao Senhor Jesus com amor e abnegação, expondo a própria vida para que muitos conhecessem o Evangelho de Cristo.

Que esses homens e outros mais que constam na Bíblia nos sirvam como motivação para não desanimarmos diante das pressões e adversidades, mas prosseguirmos confiando em Deus, sendo fiéis e não nos conformando ao presente mundo, seguindo o grande exemplo do Mestre Jesus.

Que Deus nos abençoe e nos capacite.

José Vicente
1º.05.2017

sábado, 15 de abril de 2017

JESUS E O CHOCOLATE DA PÁSCOA



“E no domingo, ao terceiro dia, Jesus ressuscitou, como havia dito que aconteceria. Um anjo disse a Maria Madalena e outra mulher que a acompanhava: ‘Ide e distribui chocolates aos demais discípulos e a todos que encontrarem no caminho, e orientai-os a fazerem isto todos os anos, em recordação da ressurreição do Coelho Pascal’.”

Vou presentear com uma cesta de chocolates da Cacau Show a primeira pessoa que me indicar de qual livro da Bíblia foi extraída a passagem acima.

É óbvio que ninguém vai ganhar essa cesta, porque simplesmente não existe uma passagem na Bíblia com o conteúdo que transcrevi!

E de onde saiu esse texto? Bem, saiu de minha cabeça mesmo, mas acredito que muitos cristãos seguem à risca o que ali está escrito, mesmo que não encontrem o texto em lugar nenhum da Bíblia.
Na verdade, é possível pesquisar na Bíblia em busca de uma passagem que atribua algum valor ao ato de dar chocolates ou ovos de chocolate na páscoa, mas é claro que não haverá êxito nessa busca, porque simplesmente não existe isso na Bíblia!

Da mesma forma, não se encontrará informação na Bíblia sobre o Coelho Pascal, porque quem morreu e ressuscitou foi o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo, que nada tem a ver com coelho.

Ora, e por que, então, os cristãos celebram o coelho da páscoa e distribuem chocolates uns aos outros? Bem, porque viram conveniência em unir a paixão por chocolate a um costume antigo que tem uma historinha bonitinha, conferindo-lhe ares de prática cristã legítima, embora saibam que se trata apenas de um hábito do mundo.

A aparente inocência na figura do coelhinho da páscoa e nos saborosos chocolates rouba o verdadeiro sentido da Páscoa, que é a ressurreição de Cristo, Sua vitória sobre a morte, que garantiu a todo o que nEle crê a certeza de também ressuscitar quando de Sua volta para julgar o mundo.

O que se tem é apenas mais um costume do mundo que foi abraçado por grande parte dos cristãos, pois muitos, quando se fala de agradar ao estômago e satisfazer desejos, são pródigos em criar argumentos cheios de lógica ou emoção para tentar justificar suas práticas, ainda que toda sua explicação não encontre um mínimo amparo na Bíblia.

Ovos de páscoa representam a vida ou uma nova vida. Quem disse isso? Pessoas ao longo dos anos, para justificar a tradição. Mas de acordo com a Bíblia uma nova vida tem início quando ocorre a conversão do pecador a Jesus Cristo. Até onde sei, os novos convertidos não recebiam ovos nem barras chocolate dos Apóstolos nos tempos da Igreja Primitiva e em tempo algum para simbolizar sua conversão, mas sim o batismo e a pública confissão de sua fé, vindo a transformação de vida pela ação do Espírito Santo!

E o simpático coelhinho da páscoa, o que representa? Fertilidade!

Dando uma forçada de barra, o coelhinho e o ovo de páscoa representam a esperança de uma nova vida. Algo bonito, mas que rouba o lugar do Cordeiro e da cruz vazia.

O Cordeiro morreu e ressuscitou por todos os que nEle creem. A cruz vazia simboliza a vitória de Cristo sobre a morte, assim como o túmulo vazio tem o mesmo significado. O coelhinho e o ovo, seja de chocolate ou de galinha pintado – como era feito antigamente -, não podem e não devem ser empregados para simbolizar a esperança cristã, nem mesmo de brincadeirinha, pois a fé cristã não é brincadeira, é algo muito sério, embora muitos não a considerem assim.

O pior é ver ovinhos e chocolates sendo distribuídos às crianças, no domingo de Páscoa, nas próprias Igrejas Cristãs durante a Escola Dominical ou durante o culto ou alguma atividade especial desenvolvida em virtude da Páscoa.

É assim: tanto pais como professores ensinam às crianças, nas Igrejas, que a Páscoa não tem nada a ver com coelho, chocolate ou ovos, e que o verdadeiro significado dessa comemoração é a ressurreição de Cristo. Até aí tudo ótimo! Mas depois de ministrar esse ensino às crianças, os responsáveis simplesmente “chutam o balde” e dão chocolates e ovos aos pequeninos, seguindo a “tradição”. Para amenizar, envolvem os docinhos em uma cestinha que, em vez de coelhinho, tem um cordeiro! Que coisa mais linda, não é verdade?!

A cabeça da criança deve ficar bem equilibrada, afinal, ela ouviu que Páscoa nada tem a ver com chocolate, mas ganhou chocolate na Páscoa. E ganhou na Igreja! E onde fica aquela história de que Páscoa é ressurreição de Cristo, que chocolate é costume do mundo?

Então, muitos vão criar argumentos incríveis para justificar a entrega de chocolates às crianças cristãs na Páscoa, apelando para a emoção, a necessidade de não fazer a criança se sentir diferente das demais, afinal, todas as crianças ganham chocolate nessa data! Não se pode criar um abalo psicológico na criança, negando-lhe algo que as demais ganham livremente!

Isso me faz lembrar uma passagem do Antigo Testamento, quando o povo de Israel pediu um rei para si. Até então, Deus era o Rei desse povo, e atuava por meio de Juízes, pessoas que Ele escolhia para atuarem na liderança e cumprirem o que Ele queria em relação ao povo.

Então, a nação se enfureceu, afinal, os outros povos tinham homens como reis, e somente Israel não tinha! Coitadinhos dos israelitas! Por que eram tratados de forma diferente em relação aos outros povos da terra? Como poderiam suportar esse abalo psicológico de não serem iguais aos demais?

Então Deus lhes permitiu que tivessem um homem como rei, e todos sabem o resultado desastroso que foi. Está tudo registrado 1 Samuel 8.5-22 e seguintes. Interessante notar que o povo, ao ser advertido por Samuel quanto às consequências de seu desejo por um rei, assim respondeu:

“E nós também seremos como todas as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras.” (1 Samuel 8.20)

Ou seja, eles queriam ser como os outros, embora Deus os tivesse escolhido justamente para que fossem diferentes e fizessem a diferença! O mesmo que Ele fez com a Igreja, que deveria ser luz do mundo e sal da terra, mas que também insiste em querer ser como todo o mundo.

Nesta Páscoa, esqueça os costumes do mundo e celebre o verdadeiro motivo da festa: a vitória de Cristo sobre a morte, e a esperança que nos está reservada em Cristo.

Glória ao Cordeiro, que ressuscitou e dá vida a todos quantos creem nEle.

José Vicente

quarta-feira, 12 de abril de 2017

QUE TIPO DE SOLO É NOSSO CORAÇÃO?



Texto Base: Mateus 13.1-9 e 18-23 (Parábola do Semeador)
 
Nesta passagem vemos Jesus, após dar respostas sábias e perturbadoras aos líderes religiosos que desejavam encontrar motivos para acusá-lo e prendê-lo, fazendo algo que lhe era bastante rotineiro: ensinando às multidões.
Jesus vinha pregando as verdades do Reino de Deus, e sua audiência era composta por gente do povo e por líderes religiosos, doutores da Lei, homens de elevado saber. Mas eram justamente estes que se opunham a Jesus, e sempre recebiam respostas contra as quais não tinham argumentos.
Nesse cenário, Jesus lança uma parábola que ilustra a reação das pessoas diante do anúncio das verdades do Reino de Deus de uma forma diferente daquela que vinha sendo ensinada até então. Era a mensagem autêntica, libertadora, que tinha o poder de dar vida a quem a recebesse e a guardasse, mas que também condenaria aqueles que a rejeitassem, pois o cerne da mensagem era o próprio Jesus, o único Caminho para a Vida Eterna.
O que Jesus fala nesta passagem é aplicável às pessoas que ouvem o Evangelho pela primeira vez, mas também se aplica àqueles que já estão inseridos no meio do povo de Deus, afinal, o ministério de Jesus foi desenvolvido entre os judeus. Ele próprio disse que veio resgatar as ovelhas perdidas da Casa de Israel.
Logo, Jesus não estava falando a pessoas que ignoravam a Palavra de Deus, mas a crentes.
Portanto, os 4 (quatro) tipos de terreno indicados por Jesus nessa parábola podem estar presentes tanto fora como dentro da Igreja. Sim, é possível que existam crentes que se enquadrem em algum dos tipos mencionados por Jesus, e nosso desejo é de que a maioria esteja no quarto exemplo.
É interessante notar que, se formos considerar a questão do ponto de vista matemático, teremos apenas 25% de pessoas que recebem a Palavra e frutificam, enquanto 75% permanecerão sem frutos e distantes do Reino de Deus.
Isso significa que, a cada 100 pessoas que ouvem a Palavra, apenas 25 respondem de forma positiva e passam a ter uma vida transformada, mas 75 continuam suas vidas sem experimentarem as glórias celestiais.
Essa verdade pode nos trazer preocupação, por causa da grande quantidade de pessoas que não são impactadas pela mensagem do Evangelho, que prosseguem sem Cristo. Todavia nos traz também a certeza de que o que vemos é o cumprimento das Palavras de Jesus, e que isso não depende dos nossos esforços pessoais no convencimento de quem ouve, pois somente o Espírito Santo é que vai realizar esse trabalho nos corações dos escolhidos.
Nosso objetivo, porém, não é julgar as outras pessoas e tentar enquadrá-las em uma das categorias listadas por Jesus. Antes, devemos olhar para nós mesmos e analisar onde é que nos encaixamos, pois embora sejamos crentes em Jesus, precisamos ter a certeza de que não estamos nos enganando, e de que estamos frutificando como o Mestre disse que aconteceria.
Vamos analisar as quatro características que marcam os tipos de solos apresentados por Jesus.

    1)      Falta de entendimento (vv. 4 e 19)
Durante a história de Israel narrada na Bíblia, vemos muitas vezes que grande parte do povo tinha uma enorme dificuldade em entender a mensagem de Deus. Era como se tudo o que o SENHOR ensinasse caísse rapidamente no esquecimento, não encontrando guarida nos corações e, via de consequência, sem provocar mudança na vida de quem ouvia.
No contexto da passagem lida, vemos que principalmente os líderes religiosos daquele tempo, apesar de serem profundos conhecedores da Lei de Deus, não a compreendiam, embora eles próprios se considerassem sábios e mestres da Lei. Eles achavam que conheciam a vontade de Deus, mas seu conhecimento era limitado à letra da Lei, às regras, nunca alcançaram a essência de tudo quanto Deus ordenara por meio de Moisés.
A falta de entendimento não está ligada à inteligência, porque não é com o intelecto que se discernem as coisas espirituais, como afirmou Paulo:
“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1Cor 2.14)
E tudo o que Jesus ensinava era rejeitado por esses homens, justamente porque eles não compreendiam a mensagem do Reino de Deus. E por que eles não compreendiam? Por que muitas pessoas hoje continuam não compreendendo? Podemos listar algumas causas:
a)   Uma das causas era a sua arrogância, a sua convicção de que conheciam toda a vontade de Deus e que não seria possível alguém saber mais do que eles e lhes trazer algum ensinamento. Aqueles líderes eram tão cheios de si que não havia espaço para considerarem a possibilidade de que não soubessem tudo. Então, com o coração repleto de orgulho, de soberba, não aceitavam qualquer palavra que não estivesse de acordo com suas opiniões. Eles nem ao menos cogitavam meditar no que era ensinado por Jesus, pois isto implicaria em assumir que poderiam estara errados em suas interpretações.
O orgulho é um veneno que continua impedindo muitas pessoas de compreenderem a Palavra de Deus. Elas estão de tal modo presas às suas próprias verdades, consideradas inquestionáveis e imutáveis, que não permitem nem mesmo pensar na hipótese de que suas opiniões estejam equivocadas.
Pessoas orgulhosas estão cheias do saber, julgam que suas opiniões são melhores, suas atitudes são melhores, sua forma de ver as coisas é a mais correta, e a Palavra de Deus deveria se amoldar às suas concepções.
Essas pessoas não conseguem compreender a mensagem do Evangelho. Elas não entendem o motivo de necessitarem de salvação. Não entendem como é possível ter a salvação pelo ato de um homem que morreu milhares de anos atrás, assim como não compreendem o mistério da ressurreição. Não compreendem que Deus não aceita seus esforços pessoais na tentativa de alcançar a vida eterna, porque o único Caminho para a Vida Eterna é Jesus. Não compreendem o sentido da Igreja como o Corpo de Cristo, muito menos a necessidade de santidade para aperfeiçoamento e obediência à vontade de Deus.
O orgulhoso não entende que é impossível se autojustificar. Ele não compreende o amor de Deus, e assim não consegue usufruir desse amor.
O orgulhoso pode ler a Bíblia inteira, mas não compreenderá a sua mensagem. Ele poderá recitá-la de capa a capa, mas continuará sem entendimento.
O orgulhoso não tem disposição para ser trabalhado pelo Espírito Santo. Ele não busca o entendimento. É o oposto do Eunuco descrito em Atos 8.26-38, pois este não estava entendendo as Escrituras, todavia tinha sede de compreendê-las, então Deus enviou Filipe para instruí-lo.
O coração humilde está aberto à instrução, mas o soberbo julga saber tudo.

b)   Outra causa da falta de compreensão quanto à Palavra reside no fato de que muitos não pertencem ao rebanho de Jesus. Em mais de uma oportunidade Jesus afirmou que Seus ouvintes não entendiam o que Ele falava porque não eram de Deus ou não eram Suas ovelhas, conforme transcrição abaixo:

“Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus.” (João 8.47)

“Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” (João 10.26-27)

Quem não é ovelha de Jesus ouvirá a Palavra e não a compreenderá. Pode até ter simpatia pela mensagem do Evangelho, mas sem entendimento, e jamais se firmará, assim como não frutificará.

    2)      Superficialidade (vv. 5-6 e 20-21)
Enquanto muitos não entendem a Palavra, há outros que a recebem com alegria, têm empolgação, todavia isso não passa de uma manifestação emocional, visto que, tão logo comecem as pressões e perseguições por causa da Palavra, abandonarão tudo e voltarão à vida de antes.
Essas são pessoas que vivem na superficialidade, não se aprofundam no relacionamento com Deus, e se tiverem que enfrentar alguma adversidade por causa da Palavra, não conseguem permanecer firmes, justamente porque não firmaram raízes, ou seja, apenas tiveram um contato de “leve” com o Evangelho e com Jesus, sem assumirem um compromisso verdadeiro de buscar conhecimento, santidade e relacionamento com o Salvador.
Uma pessoa superficial não recebe alimento que permita o seu fortalecimento e crescimento. Suas raízes não penetram no solo da fé, ela se mantém em cima do solo, e facilmente é arrancada pelos ventos que sopram.
Pessoas superficiais podem conhecer muitas filosofias, saber muitas coisas, mas não conseguem manter uma relação firme e autêntica com Jesus. Não O tratam como Seu Salvador e Senhor, mas apenas como alguém que tinha uma bonita filosofia de vida.
E desta forma, não há como frutificar. A Palavra não se desenvolve em seu coração, a fé é frágil e se esvanece facilmente. Seus lábios não exaltam o Deus Altíssimo, porque, como diz a Escritura, a boca fala do que está cheio o coração” (Mt. 12.14).
Quem é assim não desenvolve confiança em Deus, antes, continua acreditando na força humana. Sua superficialidade faz com que seja levado por qualquer vento de doutrina.

    3)      Materialismo (vv. 7 e 22)
A semente que cai entre os espinhos e é sufocada se refere aos que ouve a Palavra, mas não têm capacidade de renúncia. Seu coração está firmado nas coisas terrenas, não há espaço para deixar algo de lado a fim de viver com maior intensidade para Deus.
Um exemplo bíblico disto é o jovem rico que se achegou a Jesus para saber como faria para herdar a vida eterna. Jesus lhe falou da observância dos mandamentos, ao que ele respondeu que isso fazia desde a mocidade. Mas quando Jesus lhe disse que era necessário vender suas muitas propriedades e distribuir entre os pobres, ele foi embora, pois seu coração estava firmado nas coisas terrenas, e não havia disposição para renunciar a nada.
Renúncia é algo extremamente difícil. Deus não condena as riquezas adquiridas com o nosso esforço e a bênção do próprio Deus, todavia a lista de prioridade do cristão não deve ser a mesma que o mundo segue.
Para o mundo, as maiores prioridades são as satisfações pessoais, seja por meio do dinheiro, do poder, da influência, da posição social. A filosofia do mundo ensina a buscar em primeiro lugar sua própria satisfação. O ser humano é o centro. Suas vontades devem ser satisfeitas.
Pessoas que seguem essa filosofia, ouvem a Palavra e até simpatizam com ela, congregam em alguma denominação, mas não pensarão duas vezes se tiverem que escolher entre uma atividade que lhes renda dinheiro e um trabalho da Igreja: optarão pelo dinheiro.
Tais pessoas formam vários deuses para si: dinheiro, status, comida, trabalho, viagens, bens materiais, etc. E é óbvio que não há como servir a Deus e continuar adorando a outros deuses!
“Então Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu.” (I Reis 18.21)
O materialismo sufoca a Palavra que foi semeada, porque a pessoa não tem tempo para o cultivo dessa Palavra, está muito ocupada cuidando das coisas materiais. Para alguém assim, a maior preocupação é com as coisas deste mundo, e não pensa com seriedade no seu destino após a morte física.
Trata-se de alguém que pode até passar a vida toda dentro de uma igreja, participando de cultos aos domingos, fazendo ofertas generosas, todavia no restante da semana parece não haver Deus em sua vida. Ela não frutifica, não demonstra arrependimento real, não é caridosa, não sabe perdoar, não vive com integridade e retidão, não manifesta o fruto do Espírito.

    4)      Compreensão e mudança de vida (vv. 8-9 e 23)
O quarto tipo de solo representa os 25% que vão frutificar. Esses são os que recebem a Palavra e a compreendem. Essa compreensão faz com que olhem para si mesmos e reconheçam sua condição de pecadores necessitados da Graça de Deus. Isto as leva a se humilharem sob a poderosa mão de Deus, entregando-se aos cuidados do Pai.
São aquelas pessoas que firmam compromisso verdadeiro com o Senhor Jesus, e que resistem diante das tempestades, das perseguições, reconhecem o valor supremo das riquezas celestiais em Cristo, tendo capacidade de renunciar a tudo o que possa comprometer seu relacionamento com Deus.
Jesus disse que esse grupo frutifica a 100, 60 e 30 por um. São pessoas que manifestam em sua vida as marcas da fé cristã. Quem as conhece sabe que pertencem a Cristo, porque suas palavras, suas atitudes, seu estilo de vida demonstram isso explicitamente.
Essas pessoas não apenas compreendem a Palavra, mas se esforçam por vivê-la em seu dia a dia. Não são perfeitas, mas caminham rumo à perfeição.
São pessoas que compreendem o tamanho do perdão que receberam, e se empenham para perdoar aos que as ofendem. Agem como pacificadoras, lutam pela unidade do Corpo, cultivam a humildade, reconhecem seus erros, caminham na dependência do Altíssimo, manifestam o Fruto do Espírito.
Quem se enquadra nessa categoria de solo, não se contenta com um relacionamento superficial com Jesus, pois procura maior intimidade pela oração. Não se satisfaz em ouvir um sermão aos domingos, mas busca alimento na Palavra todos os dias.

CONCLUSÃO
Jesus nos mostrou um retrato real da condição do ser humano em relação à mensagem do Reino de Deus. Muitos a ouvem, mas poucos a compreendem e atendem ao seu chamado.
Os números não devem ser a nossa preocupação. O que deve atrair a nossa atenção é a condição de cada um de nós, que professamos nossa fé em Cristo. Precisamos descobrir em qual das quatro categorias de solo nós estamos enquadrados.
E, pela misericórdia de Deus, que estejamos na quarta categoria, que nosso coração seja o solo fértil onde a Palavra foi semeada e já frutificou, produzindo transformação em nossas vidas e nos conduzindo ao Reino de Deus.
Que frutifiquemos abundantemente, visto que desta forma nós seremos proclamadores da mensagem do Reino onde estivermos, semeando a semente que é a Palavra de Deus, e glorificando nosso Pai Celeste.
“Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo. Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.” (1Pe 1.13-16)
Que Deus trabalhe nossos corações a fim de que continuem a ser solos férteis para a frutificação da Palavra.
José Vicente
09.04.2017