segunda-feira, 23 de maio de 2011

A INUTILIDADE DA LIBERDADE

CRISTÃO SOSSEGADO NO BRASIL
MISSIONÁRIO CRISTÃO PERSEGUIDO E MORTO NA INDONÉSIA

Texto base: Atos 16.19-34

O texto base nos mostra Paulo e Silas pregando o Evangelho de Cristo, libertando uma mulher que era cativa de um espírito de adivinhação, e como consequência eles foram açoitados e jogados numa prisão. Eles não haviam cometido nenhum crime, todavia, para os incrédulos, idólatras e corrompidos homens que viviam naquele lugar, Paulo e Silas eram culpados de um crime muito grave: anunciar uma mensagem que ia contra seus costumes pecaminosos, denunciando a mentira e proclamando a Verdade.

Essa passagem pode parecer, a nós, que vivemos em um país como o Brasil, algo que somente ocorreu em um passado distante, quando a Igreja de Jesus Cristo estava dando seus primeiros passos. Podemos ser levados a pensar que nos dias atuais não aconteçam coisas assim, afinal, temos ampla liberdade para pregar o Evangelho, para sair de porta em porta entregando folhetos evangelísticos, para carregar nossa Bíblia, participar de cultos, etc.

Essa liberdade não é apenas para os evangélicos, obviamente, pois, no Brasil, qualquer credo religioso goza da prerrogativa de ser livremente praticado, sem interferência das autoridades públicas.
Isso é realmente uma bênção. Não nos imaginamos sendo presos pelo fato de termos uma Bíblia. Não passa pela nossa mente a ideia de perdermos nossa família porque participamos de uma reunião cristã. Nenhum de nós vai a um templo morrendo de medo de que a polícia ou qualquer outra autoridade invada o local e arraste todos para a prisão, com muita violência, disparando tiros e, até mesmo, matando pessoas por causa de sua fé.

Sim, somos muito abençoados com essa liberdade.

Mas de que adianta ter tanta liberdade, se não a valorizamos nem a aproveitamos em prol do Reino de Deus?

Vejam bem, o que ocorreu com Paulo e Silas não é um fato que está enterrado no passado, muito pelo contrário, é algo que continua acontecendo hoje e de forma bastante violenta e frequente.

Em países como China, Índia, Afeganistão, Irã, Coréia do Norte, Paquistão, Eritréia, Indonésia etc., ser cristão é praticamente um crime. Pregar o Evangelho de Cristo é motivo para ser preso, torturado, perder bens e família, e muitas vezes acabar sendo morto.

Quem tem dúvidas quanto a isso, pode acessar o site www.portasabertas.org.br, e constatará essa dura realidade a que estão sujeitos nossos irmãos em países de maioria muçulmana ou que possuem alguma outra religião onde predomina o radicalismo.

É interessante notar o contraste que se estabelece quando fazemos uma comparação entre a Igreja livre e a Igreja perseguida. Enquanto nós, da Igreja livre, vivemos procurando desculpas para não participarmos de reuniões de oração, da escola bíblica dominical, dos cultos e reuniões de estudo bíblico, nossos irmãos da Igreja perseguida chegam a pagar com a própria vida para poderem adorar a Deus através dessas atividades.
Enquanto nós, aqui, quando chamados a participar de algum trabalho evangelístico, como a entrega de folhetos de casa em casa, preferimos ficar assistindo à televisão ou dormindo ou fazendo qualquer outra coisa prazerosa, nossos irmãos da Igreja perseguida clamam a Deus que um dia possam ter liberdade pelo menos para poderem dizer abertamente que creem em Jesus.

Acredito que se um irmão da Igreja perseguida viesse visitar o Brasil, ficaria surpreso ao ver que gozamos de tão ampla liberdade. Mas, ao saber de um trabalho evangelístico realizado por alguma denominação evangélica, empolgado para poder participar e cumprir a missão dada por Jesus, talvez ele ficasse muito admirado ao ver que seriam poucos os cristãos que se disporiam para participar dessa obra.

Infelizmente nós, da Igreja livre, não valorizamos a liberdade que possuímos, e não usufruímos dela como deveríamos.

Jesus disse que devemos ser Suas testemunhas em todo o mundo, pregando a mensagem do Evangelho e ensinando o que Jesus ensinou.

Em vez de cumprir o que o Mestre nos mandou, usamos nossa criatividade para encontrar desculpas para a nossa negligência.

Afinal de contas, para que serve tanta liberdade se com ela não servimos ao Senhor Jesus?

Reflitamos sobre isso, e que o Senhor tenha misericórdia de nós.

José Vicente

quinta-feira, 24 de março de 2011

VITÓRIA OU DERROTA: OBEDIÊNCIA OU REBELDIA

Texto base: Josué 7

No texto em análise, vemos o povo de Israel totalmente extasiado após a fantástica vitória que Deus lhe concedera contra Jericó (Josué 6). O povo simplesmente precisou obedecer a Deus, fazendo exatamente o que Ele ordenara, e então o Senhor derrubou as muralhas de Jericó, permitindo a invasão à cidade e sua tomada por Israel, sob a liderança de Josué.

Entretanto, após tão esplêndida vitória, o povo de Israel experimentou uma humilhante derrota.

Josué enviou espias para que fizessem uma análise do povo de Ai, pois pretendia subir à batalha contra essa cidade, e foi informado de que o inimigo era fraco, não sendo necessário que muitos homens fossem destacados para a luta (v. 3).

Inexplicavelmente, os 3000 homens de Israel enviados para pelejar contra o exército de Ai tiveram que fugir do fraco exército inimigo, amedrontados como um povo covarde (v. 4-5).

O texto revela que após a derrota humilhante, Israel chorou, seu coração se derreteu, e Josué, líder de Israel, rasgou suas vestes e se pôs diante de Deus buscando uma resposta, uma explicação para o acontecido, afinal, Deus havia prometido estar com Seu povo e lhe conceder vitórias, a posse da terra prometida, mas parecia estar falhando no cumprimento de Sua Palavra.

Josué, por não saber o motivo para tamanho vexame, dirigiu-se a Deus lamentando a sorte do povo, e dizendo que aquilo acabaria por comprometer a reputação do próprio Deus (v. 7-9).

Em Sua resposta Deus deixou claro que estava cumprindo tudo o que anteriormente dissera, pois Ele não havia se comprometido a abençoar Israel incondicionalmente, antes, era necessário que o povo permanecesse em obediência aos Seus mandamentos, e aquela derrota, que fizera Israel chorar de vergonha, nada mais era do que a consequência da desobediência.

Podemos extrair várias lições dessa passagem bíblica, mas vamos destacar apenas três.

1 – Cada cristão tem grande responsabilidade pela unidade e harmonia da Igreja

É interessante notar que o povo de Israel ficou atônito diante da derrota sofrida, e quando Deus revelou que aquilo acontecera porque havia pecado no meio do povo, ninguém entendeu logo de início.

A leitura do texto mostra, porém, que apenas uma pessoa havia cometido pecado, um homem chamado Acã (v.1). O pecado dele consistia no fato de ter desobedecido a Deus, pois quando da batalha contra Jericó, o Senhor havia ordenado que ninguém de Israel se apropriasse das coisas condenadas que havia naquela cidade, mas Acã, cheio de cobiça, tomou dessas coisas e as escondeu, julgando que ninguém viria a saber. Mas Deus sabia.

Deus revelou, nesse episódio, uma realidade espiritual de extrema importância não apenas para aquele tempo, mas que perdura enquanto houver povo de Deus sobre a face da terra: cada cristão é responsável pela unidade da Igreja e por sua harmonia em santidade.

Uma primeira leitura do texto pode provocar certa revolta no leitor, afinal, quem pecou foi Acã, mas as consequências vieram sobre todo o povo. Como se diz no meio popular, os inocentes teriam pago pelo pecador.

A verdade, porém, é que o povo de Deus é um só, e há unidade entre os membros. Paulo ilustrou muito bem essa realidade ao afirmar que a Igreja é um corpo, do qual Cristo é a cabeça, e cada cristão é membro desse corpo (1 Cor 12.12-27).

Paulo também fala que cada membro é importante no corpo, tendo sua função, e deixa bem claro que é necessário haver harmonia entre os membros, pois o que ocorre com um membro afeta todo o corpo (1 Cor 12.26).

A ilustração do apóstolo é perfeita. Vamos aplicá-la ao nosso corpo humano. Cada órgão e membro de nosso corpo tem uma função específica e muito importante. Um problema no joelho afeta todo o restante do corpo, pois a pessoa pode ficar impossibilitada de se locomover, ou ter grande dificuldade em realizar trabalhos ou caminhar, se divertir, praticar esportes, etc.

Quando se leva uma martelada em um dedo da mão, é impossível impedir a reação do corpo todo, que sente claramente a dor daquele pequeno membro. E mesmo que haja a intenção de prosseguir no trabalho que se está realizando, muitas vezes a dor naquele dedo impede que se dê continuidade, pelo menos até que a dor passe. Enquanto houver dor, há dificuldade da mão em segurar objetos, e se de repente a pessoa se desequilibra da escada, a dor no dedo pode impedir que ele se agarre em algo para não cair, e assim todo o corpo sofre.

Uma dor lombar pode fazer com que o corpo todo fique de cama, sujeito a medicações que vão afetar os órgãos internos.

No corpo de Cristo, que é a Igreja, o que acontece com um membro afeta todo o corpo. O pecado de um membro influencia negativamente na unidade quanto à santidade. A disposição de um membro em cumprir ou não a sua parte, exercitando os dons recebidos de Deus, vai repercutir diretamente no crescimento do corpo, na manutenção de sua unidade e nas bênçãos derramadas sobre a Igreja e através da Igreja.

Ora, se dez pessoas estão comprometidas com o anúncio das Boas Novas, dedicando-se à evangelização, e o restante da congregação simplesmente se acomoda nos bancos do templo e acha que isso é suficiente, a Igreja experimenta dificuldades de crescimento em número. Porém a Cabeça do Corpo, que é Jesus, o dono da obra, tem meios para alcançar os incrédulos, mesmo que seja através de cristãos de outra denominação. O problema é que os bancos daquele templo onde os cristãos não querem exercitar seus dons continuarão com muitos espaços para serem preenchidos.

sábado, 19 de março de 2011

CORAÇÕES APLANADOS PARA O SENHOR

Texto base: Lucas 3.1-14

Quando João Batista começou o seu ministério de pregação do Evangelho de Deus, ele cumpriu o que foi dito pelo profeta Isaías, preparando os caminhos do Senhor e também os corações dos seres humanos para receberem o Rei da Glória.

João anunciava a vinda de Jesus Cristo, a Salvação de Deus, e através de sua pregação procurava demonstrar o que era necessário para que as pessoas pudessem ser salvas em Cristo.

Ocorre que a mensagem de João Batista era, inicialmente, dirigida a judeus, ou seja, ao povo de Deus. Que dizer, então? O povo de Deus precisava de salvação? Havia algo ainda a ser trabalhado nessas pessoas? Sim, havia muitas coisas que necessitavam ser mudadas na vida de Israel, assim como hoje há muitas coisas a serem modificadas na vida dos cristãos.

João demonstra que não basta ser denominado israelita para ter sua salvação assegurada, da mesma forma que não é suficiente ser denominado cristão, nos dias atuais, para ter certeza da salvação. Antes, é necessário que a vida de quem se diz filho de Deus demonstre essa realidade através de sinais práticos do dia a dia.

Com João Batista, nesse texto, aprendemos algumas lições importantes.

1 – Nossos corações precisam se manter aplanados
A missão de João Batista consistia em fazer o que o profeta Isaías dissera anteriormente, e para isso ele precisava levar as pessoas a terem uma transformação radical. Era necessário aterrar os vales, nivelar montanhas e colinas, tornar retas as estradas tortuosas e aplanar caminhos acidentados (v. 4-5).

Essas figuras da natureza representam, na verdade, o íntimo do ser humano, seu coração, sua vida. Jesus quer um caminho plano em nosso ser, Ele quer que andemos retamente.

Alguém que ainda não se entregou a Jesus Cristo vive de forma desagradável a Deus. Em sua vida há muitos vales, afunda-se no pecado, vai descendo cada vez mais; há montanhas e colinas de orgulho, altivez, de auto-suficiência; há estradas que não seguem em linha reta, mas são tortas, com muitos desvios, cheias de armadilhas que levam à perdição; e há caminhos danificados, cheios de buracos que fazem tropeçar a todo instante.

Assim é a vida do ser humano sem Cristo, cheia de pecado, de satisfação da carne, de religiosidade que não leva a Deus, de sentimentos que o afastam cada vez mais de Deus.

Para a manifestação da salvação de Deus, é necessário que essas vidas sejam transformadas, que haja arrependimento de pecados e modificação do estilo de vida, corrigindo-se os caminhos que antes eram totalmente errados. É necessário aplanar o coração humano para receber a Cristo.

Mas, e quanto aos cristãos, que já receberam a Cristo como seu Senhor e Salvador? As palavras de João Batista têm alguma relevância? É claro que sim, da mesma forma que tinha importância para os judeus, pois eles se julgavam salvos por serem descendentes de Abraão.

Ser denominado cristão não significa estar salvo. A salvação vem pela fé autêntica em Jesus Cristo. Muitas vezes um cristão acaba permitindo que se formem vales, montanhas, colinas, estradas tortuosas e caminhos esburacados em sua vida, e há necessidade de vigiar para que isso não aconteça, mas se acontecer, medidas urgentes devem ser tomadas para que o ser volte a ser aplanado. Isso é crescimento em santidade, é relacionamento verdadeiro com Deus.

O cristão deve manter uma vida de retidão e integridade perante Deus.

2 – A salvação produz transformação de vida
Como destacado no tópico anterior, não basta ser denominado cristão para ter a certeza de que a salvação está assegurada. A vida do cristão autêntico deve demonstrar na prática a transformação ocorrida. É no dia a dia que vamos saber se fomos realmente transformados ou não, se somos convertidos ou não. E não é nossa função julgar nosso próximo, mas devemos julgar a nós mesmos, para sabermos qual a nossa real situação perante Deus.

João Batista disse, no versículo 8, que há necessidade de produzir frutos que demonstrem arrependimento. Ora, arrepender-se é sentir tristeza pelos pecados cometidos e não desejar mais cometê-los, é mudar de direção e procurar não incidir mais nos mesmos erros. Se digo que me arrependi mas continuo fazendo sempre a mesma coisa que fazia, e que é pecado, então não houve arrependimento. Talvez tenha ocorrido simplesmente uma dor na consciência em um momento de exortação ou diante de alguma consequência ruim, mas depois me esqueci e continuei a errar da mesma forma.

Assim como não bastava o judeu dizer “Abraão é nosso pai”, para ser considerado salvo, não resolve, hoje, dizer “eu sou cristão” ou “eu sou crente” ou qualquer outra expressão parecida.

João Batista deixa bem claro que o juízo de Deus se aproxima, e que não poupará aqueles que, embora afirmem ser filhos de Abraão (hoje, cristãos), não demonstram em suas vidas nenhuma transformação que demonstre que o amor de Deus esteja neles.

Quem é salvo demonstra a sua salvação em uma vida de prática do amor. E não é necessário muito esforço, porque o Espírito Santo vai operando a transformação, moldando nosso caráter. Se para mim é extremamente difícil fazer a vontade de Deus, talvez eu esteja tentando conseguir à força aquilo que Deus concede gratuitamente, ou talvez eu esteja me enganando ou tentando enganar aos outros, mas não tenho como enganar a Deus.

A salvação de Deus se manifesta em nossa vida de forma prática, levando-nos a uma mudança de atitudes. Passamos a valorizar a solidariedade, a honestidade, a justiça, deixamos de desejar fazer o mal e nos empenhamos para que todos sejam alcançados pelo bem; abandonamos a cobiça; somos gratos a Deus pelo que Ele nos dá (v. 11-14).

O salvo pratica o amor. Jesus disse que esse era o sinal que levaria o mundo a saber quem era seu discípulo: a prática do amor (João 13.35).

Conclusão

Estão nossos corações aplanados? Temos vivido em integridade e retidão perante o Senhor? A salvação de Deus tem se manifestado em nossas vidas? Somos cristãos nominais ou realmente fomos transformados pelo agir do Espírito Santo?

Busquemos, a cada dia, manter nossos caminhos planos perante o Senhor, crescendo no conhecimento de Deus, na comunhão com o Senhor e com os irmãos, e na prática do amor para com toda a criação de Deus, tanto seres humanos como demais integrantes da natureza, pois tudo é obra das mãos de nosso Pai.

Que o Espírito Santo de Deus nos auxilie e nos leve cada vez mais para perto de Deus.

José Vicente

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

VIVENDO EM INTEGRIDADE E RETIDÃO PERANTE DEUS

Texto base: Jó 1.1 – “Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal.”

Nos dias atuais muitas pessoas acham que ser cristão se resume a afirmar que tem fé em Jesus Cristo, frequentar uma igreja, usar roupas consideradas decentes (saias e vestidos longos, calças e camisas sociais, etc.), não beber, não fumar, e coisas do gênero.
A Palavra de Deus nos mostra que o padrão de Deus para a vida dos crentes não se resume ao cumprimento de algumas regras, mas, sim, a uma vida de integridade e retidão.
No nosso texto base vemos que Jó é elogiado por ser um homem íntegro, reto, temente a Deus e que se desvia do mal. O próprio Deus o elogia (v.8).
A Bíblia nos revela que Deus ama a integridade e a retidão, e tem promessas grandiosas para quem cultiva essas virtudes.
Integridade: Jó 8.20; Salmos 18.25; Salmos 37.37; Provérbios 19.1
Retidão: Salmos 7.10; Salmos 11.7; Salmos 119.1; Provérbios 14.2; Efésios 4.24.

Conceitos

Integridade: honestidade, sinceridade, coerência entre o interior e o exterior, inteireza. Em Provérbios 11.3 vemos a integridade como contraposição à falsidade. Pessoa sem hipocrisia. Procura servir a Deus com inteireza do seu ser, esforçando-se para que haja coerência entre o que prega e o que vive. Não é duas caras, não tenta servir a Deus pela metade.
Jesus chamou os fariseus de hipócritas, pois exteriormente demonstravam muito zelo pela Lei de Deus, mas interiormente eram impuros, egoístas, avarentos, não cumpriam os mandamentos. (Ex.: Mateus 23.3 e 27)

Retidão: consciência, honradez, probidade, seriedade, levar uma vida sempre buscando o bem, tanto próprio como do próximo; não cultivar o desejo de fazer o mal, de prejudicar os outros, nem buscar o benefício pessoal às custas de outrem.

Integridade e retidão andam de mãos dadas. Quem cultiva uma dessas virtudes, frequentemente cultiva também a outra. Geralmente a pessoa íntegra também é reta, assim como o oposto é verdadeiro.

Situações que não se caracterizam como integridade e retidão, mas que muitas vezes são vistas na vida de pessoas cristãs.

1) Inadimplência contumaz: aquela que resulta da má vontade em honrar os compromissos. Geralmente presente em pessoas que não se importam com a situação alheia. Mesmo que possua meios de pagar, prefere gastar com outras coisas e deixar a dívida aumentar, sem pretensão de quitar o débito.
Em Gênesis 3.19, Deus determina o homem deve obter o sustento com o seu trabalho, seu esforço. Quem deve e não paga porque não quer está se aproveitando do “suor” alheio, pois o credor trabalhou, investiu para fornecer o bem ou serviço, e o inadimplente terá usufruído disso sem a devida contraprestação.
O cristão não deve ser um inadimplente, excetuando-se apenas situações excepcionais, quando ocorre desemprego, despesas inesperadas que desestruturam as contas, mas não pode ser algo habitual, e, sim, eventual. Nesses casos, é íntegro e reto quem procura os credores para negociar a dívida, demonstrando que deseja pagar.
Lendo Mateus 22.17, vemos que Jesus disse que se deve dar aquilo que é de direito a cada um.
Paulo, em Romanos 13.7-8, orienta a pagar o que é devido a quem de direito.

2) Obtenção de vantagem às custas de outrem: há pessoas que vivem buscando formas de levar vantagem nas situações, mesmo que isso implique em que o outro tenha algum prejuízo ou de alguma forma seja lesado.
Podemos exemplificar com o patrão que explora os empregados atribuindo-lhes carga de trabalho superior à que corresponde ao salário pago, ou que não paga corretamente os direitos de seus empregados. (Levítico 19.13; Deuteronômio 24.14; Jeremias 22.13; Malaquias 3.5)

Nota: jornaleiro, na Bíblia, se refere ao trabalhador diarista, que recebe por jornada, por tarefa.

Outro exemplo, envolvendo uma situação bem atual, é o de pessoas que se aproveitam do desespero causado por alguma situação, e exploram o próximo. O Rio de Janeiro atualmente viveu há alguns dias uma grande tragédia, com muitas mortes e milhares de desabrigados por causa das chuvas. Houve falta de água potável. Pessoas se aproveitaram disso para vender galões de água por R$40,00 cada, quando seu valor normal seria por volta de R$10,00. Claramente a intenção era obter lucro com a desgraça alheia.

O cristão não deve andar envolvido em esquemas que visam obter vantagens pessoais em detrimento de outras pessoas, ou em detrimento da lei, da moral e da ética.

3) Fofoca: fofocar é falar da vida alheia, espalhar informações ou boatos sobre alguém. Há muitos crentes que vão à Igreja, participam dos cultos, cantam, oram, choram, esperneiam, pulam, gritam “glórias a Deus”, mas nem bem acabam de sair da Igreja já se põem a falar da vida alheia. No seu dia a dia ficam observando as pessoas para poderem levar “notícias quentinhas” à rodinha de amigos (as) que compartilham do mesmo “passa-tempo”. Gostam de estar sempre bem informadas sobre os acontecimentos que envolvem os outros.
A Palavra exorta a não nos metermos na vida alheia, antes, devemos encontrar ocupação. A fofoca provoca dissensões, discórdias, separa pessoas, e não é isso que Deus quer que façamos (2 Tessalonicenses 3.11; Provérbios 6.16.19; Provérbios 16.28; 1 Pedro 4.15).

4) Maledicência: é falar mal contra alguém, ter palavras ruins contra as pessoas. Quando se faz isso, está-se tentando diminuir o valor da pessoa de quem se fala, quase sempre como uma forma de tentar aumentar o nosso próprio valor. Não podemos tentar nos valorizar desvalozirando os outros. Nossas palavras têm que ser edificantes (Efésios 4.29), precisam abençoar e não amaldiçoar (Tiago 3.8-13), devem ser equilibradas, agradáveis (Colossenses 4.6).
As palavras que saem de nossa boca habitualmente demonstram o que temos em nosso coração (Lucas 6.45). Assim, quem vive maldizendo aos outros, não está com o coração cheio da Graça de Deus e de amor, antes, está repleto de sentimentos carnais, de inveja, ciúmes, arrogância, e nada disso vem de Deus, pelo contrário, vem do demônio (Tiago 3.13-16).

5) Mentira: um cristão mentiroso deve analisar seriamente a realidade de sua conversão, porque Jesus foi bastante claro ao dizer que o pai da mentira é o diabo (João 8.44). Ora, não é possível ser um filho de Deus e, ao mesmo tempo, conviver harmoniosamente com a filha do diabo, a mentira. Jesus Cristo é a verdade, e Ele ama a verdade. A Bíblia nos exorta a falarmos a verdade (Efésios 4.25), assim como faz pesadas advertências a quem ama a mentira (Salmo 52.3-5).
A mentira retira toda a credibilidade da palavra de uma pessoa, não permite que se deposite confiança nela, e provoca situações capazes de gerar problemas sérios.
Quem mente não anda em integridade e retidão, e, portanto, não agrada a Deus.

6) Omissão diante da necessidade do próximo: muitas vezes vemos nosso próximo passando necessidade, mas nos omitimos, não lhe prestamos nenhuma ajuda, mesmo tendo condições para isso, não oramos por ele, não queremos nos envolver. A retidão implica em viver buscando o bem não apenas para si, mas também para o próximo. A Bíblia nos diz que quem sabe que deve fazer o bem e não faz, está pecando (Tiago 4.17).
A parábola do bom samaritano mostra que religiosidade não agrada Deus, mas, sim, a demonstração prática de amor ao próximo.
Deus nos exorta a que façamos o bem, defendendo pessoas oprimidas, buscando melhores condições para todos (Salmo 41.1; Salmo 82.4; Isaias 1.17; 1 João 3.17).
Conforme a possibilidade que Deus nos dá, devemos socorrer às pessoas que sofrem, fazendo o que estiver ao nosso alcance para que suas necessidades sejam atendidas. Quem não age assim é egoísta, não aprendeu a ser solidário, e corre o risco de ficar desamparado quando passar por uma situação difícil.

7) Idolatria: o cristão que não é íntegro e reto coloca diversas coisas no lugar de Deus. As suas prioridades são mundanas. O programa da televisão tem prioridade sobre a reunião de oração; conservar o carro novo é mais importante do que colocá-lo à disposição da obra de Deus; correr atrás de riqueza é mais importante do que adorar a Deus em espírito e em verdade; imagens feitas por mãos humanas recebem mais atenção do que Deus, contando com datas especiais, rezas, festas, etc.; tudo é prioridade, menos Deus e Sua obra.
O cristão íntegro e reto diz a Deus que o ama, e expressa esse amor em seus atos no cotidiano, tanto no que diz respeito à comunhão com o Pai, como o amor ao próximo.
Portanto, meus amados, fugi da idolatria” (1 Cor 10.14). Leia, também, Lv 19.4.


Conclusão: Integridade e retidão têm a ver com obediência a Deus, humildade, submissão, mas principalmente amor a Deus e ao próximo.
Andar no Espírito conduz à integridade e retidão (Gl 5.14-26), pois hipocrisia e falta de retidão são obras da carne.
Que sejamos pessoas íntegras e retas, sempre buscando glorificar a Deus através de nossas vidas, a fim de que nosso testemunho seja um instrumento de anúncio do Evangelho de Cristo.

20.01.2011
José Vicente
Material de apoio: Bíblia de Estudo de Genebra
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

EVITANDO AS ÁGUAS AMARGAS

“Depois fez Moisés partir os israelitas do Mar Vermelho, e saíram ao deserto de Sur; e andaram três dias no deserto, e não acharam água. Então chegaram a Mara; mas não puderam beber das águas de Mara, porque eram amargas; por isso chamou-se o lugar Mara. E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber? E ele clamou ao SENHOR, e o SENHOR mostrou-lhe uma árvore, que lançou nas águas, e as águas se tornaram doces. Ali lhes deu estatutos e uma ordenança, e ali os provou. E disse: Se ouvires atento a voz do SENHOR teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o SENHOR que te sara.
Então vieram a Elim, e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras; e ali se acamparam junto das águas.” Êxodo 15.22-27

Após sua libertação do Egito, Israel passou a caminhar pelo deserto, rumo à terra que Deus lhe havia prometido. Deus era com Seu povo e o protegia, fazendo maravilhas diante deles.
Moisés foi o homem escolhido por Deus para liderar esse povo na jornada, desde a libertação até a chegada à entrada da terra prometida.
No deserto, como se sabe, não se encontra água com facilidade, e quem não carrega boas reservas consigo com certeza passará momentos muito difíceis, pois além do calor escaldante se verá às voltas com a sede e a desidratação.
Tendo caminhado por alguns dias, acabaram-se as reservas de água do povo, e eles sentiram sede, mas não tinham como saciá-la.
Nesse momento chegaram a um local onde havia água. Que alegria! Entretanto, ao provar da água perceberam que era amarga, impossível de ser consumida. Eis a razão de ter sido chamado o lugar de Mara, pois essa palavra significa amargura, amargor, designando o que é amargo.
Em nossa vida, não raramente nos encontramos em situações que se parecem com aquela enfrentada por Israel, pois caminhamos em meio ao deserto (tribulações, problemas, parecendo que estamos sob o sol escaldante), e nos deparamos com muitas fontes de águas amargas (palavras duras, mágoas, ressentimentos, ira, ódio, etc.).
Para que nossas vidas não se encham se amargura, precisamos olhar para o exemplo do texto e evitar algumas coisas, bem como adotar outras.

1.                  Não beber da água amarga

Quando o povo de Israel se deparou com a fonte de água, mas constato que ela era amarga, ninguém bebeu dela.
Beber água amarga realmente não é nada agradável. Em alguns tipos de enfermidade acabamos tomando algum remédio amargo, mas água amarga não há como beber, pois além de não matar a sede ainda provoca mal estar, deixa um gosto horrível na boca, e pode gerar diversas reações desagradáveis, dependendo de cada pessoa.

domingo, 23 de janeiro de 2011

FALANDO NA LINGUAGEM DE DEUS

TEXTO BASE: LUCAS 7.36-50

Introdução
A passagem que lemos nos mostra Jesus sendo convidado para um jantar na casa de um fariseu chamado Simão. Os fariseus, como sabemos, eram judeus extremamente zelosos pela Lei de Deus, entretanto, acabaram por desvirtuar a essência da Lei, transformando-a em um jugo pesado sobre os ombros das pessoas. Seus critérios eram muito severos, e não atentavam para o fato de que Deus não desejava aquela religiosidade zelososzezzzque eles demonstravam, mas queria que aprendessem a amar e usar de misericórdia e humildade.
Quando os fariseus convidavam Jesus para um jantar ou outro evento, normalmente tinham em mente a intenção de testá-lo e tentar mostrar que Ele não era quem dizia ser, mas seus planos sempre eram frustrados, porque Jesus era o Messias, o próprio Deus encarnado, e a sua sabedoria superava em muito à dos mestres judaicos. Ele conhecia os desígnios dos corações. Na verdade, aquela essência que os líderes judeus haviam deixado de lado na Lei, Jesus fazia questão de demonstrar na prática: o amor.
Jesus recebeu atenção e cuidado de uma mulher considerada pecadora, indigna, e não a repreendeu nem a mandou embora, antes, Ele a tratou com amor e compaixão.
O texto de Lucas mostra mais uma das ocasiões em que Jesus deixou sem palavras os mestres da Lei, revelando a dureza de seus corações em contraposição à misericórdia de Deus.
Vejamos algumas das muitas lições que podem ser extraídas da narrativa de Lucas.

1-                 NÃO BASTA CONVIDAR JESUS, É NECESSÁRIO AMÁ-LO VERDADEIRAMENTE

Simão, o fariseu, convidou Jesus para um jantar em sua casa. Conforme os costumes judaicos, ao receber em sua casa um convidado o anfitrião deveria se portar com hospitalidade, dar um beijo no convidado logo à porta, mandar um servo lavar os pés da visita, providenciar água para que pudesse lavar o rosto e as mãos,  e ungi-lo com bálsamo.
Jesus aceitou o convite e foi à casa de Simão, mas lá não recebeu as cortesias que o anfitrião deveria oferecer.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

ANO NOVO, OLHAR PARA A ESPERANÇA


Chegamos ao fim de 2010.
Sei que todas as pessoas, durante este ano, tiveram momentos bons e ruins. Seria praticamente impossível que alguém passasse apenas por situações agradáveis e felizes, assim como o inverso também é bastante difícil.
O importante é saber que, em todos os momentos, tenham sido bons ou ruins, Deus esteve conosco e nos ajudou a superar as dificuldades, tanto que estamos concluindo um ano e iniciando outro.
Durante 2010, a exemplo das demais pessoas, enfrentei situações complicadas, difíceis, tensas, tristes, desanimadoras, que demonstraram minha fraqueza humana. Mas, felizmente Deus nunca me abandonou, e as tempestades sempre foram acalmadas, vindo a bonança pouco tempo depois. O aprendizado sempre foi muito bom.
Em 2010 também experimentei momentos felizes, agradáveis, animadores. Dou graças a Deus por cada um deles.
A forma como enfrentamos os problemas no ano que passou diz bastante sobre nossa fé. Muitas vezes professamos fé em Deus, dizemos que Ele pode tudo, e que com Ele não precisamos temer nada. Entretanto, ao primeiro sinal de tormenta nos desesperamos e ficamos desorientados, sofrendo mais do que deveríamos.
Ora, a angústia e a ansiedade diante de dificuldades não combinam com a fé. Isso porque a fé leva a descansar seguro, sabendo que, mesmo com ventos fortes contrários, uma palavra de Deus é suficiente para que tudo se acalme. A fé não nos livra de passarmos pelo furacão, mas ela nos mantém firmes na Rocha Eterna, e quem está na Rocha não desmorona, pelo contrário, permanece inabalável e cresce com as tribulações.
O que ocupa nossas mentes é fundamental para definir os rumos de nossas vidas. Há pessoas que, vindo uma situação ruim, ficam concentradas naquilo que é negativo, começam a alimentar suas mentes apenas com pensamentos negativos, aumentando em muito os efeitos do problema, que, não raras vezes, nem é tão grande assim, mas vai se agigantando.
Acho que muitos dos que leem este texto já passaram pela experiência de, ao se encontrarem um pouco tristes ou desanimados, começarem a pensar nos motivos para a tristeza ou o desânimo, e, quando percebem, estão no fundo do poço, em um estado muito pior do que o inicial.
Um abismo chama outro abismo.
Devemos fazer como o profeta Jeremias: “quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lamentações 3.21).
Jeremias tinha diante de si uma situação calamitosa. O povo judeu estava cativo na Babilônia, passava fome, sede, os pais entregavam as filhas em troca de alimento, mães comiam os próprios filhos para não morrerem de fome (Lm 4.10), todos sofriam demasiadamente, não tinham mais liberdade, não conseguiam mais colher o que plantavam, havia grande desespero.
O profeta Jeremias chegou a dizer que sua esperança no Senhor havia morrido (Lm 3.18).
Ora, se Jeremias continuasse a pensar apenas nos motivos do sofrimento, com certeza ele chegaria a um ponto em que não aguentaria mais, pois sua mente não teria mais nenhum sinal de esperança.
Assim, o profeta concluiu que era necessário mudar o foco. Por pior que fosse a situação, havia necessidade de ocupar a mente com pensamentos que pudessem fazer renascer a esperança, dando novo alento.
Jeremias se lembrou do único que pode dar esperança verdadeira: Deus, e de alguns de seus atributos: misericórdia (3.22); fidelidade (3.23) e bondade (3.25).
Da mesma forma nós, em vez de ficarmos remoendo mágoas, sofrimentos passados, situações que nos fizeram chorar ou causaram discórdia, devemos concentrar nossos pensamentos em tudo quanto Deus já fez em nossas vidas, em todas as bênçãos que recebemos.
Para uns a bênção foi ter se casado neste ano; para outros, foi um novo emprego; outros, um filho que nasceu; a compra de um carro ou uma casa; aquela viagem de férias; a cura de uma enfermidade; o aumento no salário; e até as coisas que parecem mais simples, mas que são bênçãos de Deus: o alimento diário, a água, a saúde, o ar que respiramos, nossa família, o teto que nos abriga, etc.
Revolvendo nossas mentes vamos encontrar muitos motivos para agradecer a Deus e renovar nossas esperanças.
Por isso, desvie seu pensamento daquilo que leva você para baixo, e comece a pensar no que pode lhe fazer subir, ficar motivado, alegre, disposto, confiante.
Cultive um coração grato. Quem agradece sempre a Deus pelo que possui e recebe está pronto para receber mais bênçãos. Mas, aquele que só vive reclamando, consegue apenas mais motivos para reclamações, pois não está em condições de reconhecer as bênçãos de Deus.
Esqueça a murmuração e agradeça. "Em tudo dai graças" (1 Tess 5.18), é o que nos orienta a Bíblia.
Que Deus continue nos abençoando em 2011, e nos ensine a sermos gratos e amorosos, pois a gratidão e o amor podem mudar vidas. Experimente.

Em Cristo Jesus, grato por poder iniciar mais um ano na força do Senhor.

José Vicente
31.12.2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A MISERICÓRDIA DE DEUS INCOMODA VOCÊ?


Texto base: 2 Reis 5.19-27

Há pessoas que ficam muito incomodadas com o fato de Deus usar de misericórdia para com pessoas consideradas indignas aos olhos humanos.

No texto bíblico acima indicado vemos um exemplo bem claro disso. Naamã, um gentio, alguém de fora da aliança divina com Israel, e ainda por cima comandante do exército da Síria, que muitas vezes atacou Israel e prevaleceu, levando israelitas cativos, foi contemplado pela Graça de Deus e ficou curado da lepra.

Geazi, discípulo do profeta Eliseu, ficou indignado ao ver uma pessoa como Naamã recebendo um milagre de Deus gratuitamente. Afinal, aquele homem não era digno de receber misericórdia, pois ele era um pecador impuro e, talvez, sua doença fosse até merecida.

Provavelmente com isso ocupando seus pensamentos, dentre outras coisas, Geazi resolveu que o milagre feito por Deus a Naamã não poderia ser gratuito, mas haveria de ser cobrado um preço, pois um gentio odiável como aquele homem não tinha méritos para receber o favor de Deus. Geazi sim, era um israelita, estava seguro pela aliança que Deus fizera com o Seu povo, e se julgava merecedor não apenas da Graça de Deus, mas também de recompensas vindas dos homens.

Pobre Geazi! Aprendeu de uma forma terrível que a Graça de Deus não depende de merecimentos humanos, e que Deus não pensa como nós, não está no nosso nível limitado de entendimento, e pode fazer o que quiser, a quem quiser, quando quiser.

E de repente, lá estava Geazi todo leproso. A mesma doença que o indigno Naamã tinha anteriormente, e da qual fora curado por Deus, agora estava sobre o “justo” Geazi, integrante da aliança divina, “defensor da verdade e da justiça.”

O comportamento de Geazi pode ser visto hoje em dia em muitos de nós, crentes em Deus, que estamos sob a aliança feita no sangue de Cristo derramado na cruz.

Pense bem! Você nunca se pegou alinhavando pensamentos de crítica ao ver um “ímpio” ser contemplado com a Graça de Deus? Seja sincero.

Quando você fica sabendo que aquela pessoa considerada por você como totalmente indigna da Graça de Deus, seja um pecador incrédulo e resistente, ou um bandido que vitimou muitas pessoas, ou uma prostituta, ou aquele sujeito que já lhe causou muitos prejuízos, recebeu a cura para uma doença, um livramento em um acidente, ou qualquer outra ação divina e converteu (ou ainda não), você fica feliz?

Se a resposta foi sim, parabéns. Se não, melhor repensar sua vida cristã.

A Graça de Deus não depende de merecimentos humanos e não está atrelada à nossa escala de valores. Aliás, se Deus fosse analisar nossos méritos para poder nos abençoar, nossa situação não seria das melhores, e talvez percebêssemos que nosso saldo estaria bastante negativo, não nos permitindo usufruir nem mesmo de uma gota de bênção.

O fato é que todos os seres humanos estão na mesma situação perante Deus: “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23).

Desta forma, Naamã realmente não merecia o favor divino, mas Geazi também não. Ambos eram pecadores, com a diferença que Geazi era crente, estava inserido na aliança de Deus com Israel, enquanto Naamã era um gentio.

Mas acontece que Deus só fez aliança com Israel por misericórdia. Esse povo foi formado por Deus, recebeu Suas leis, Suas promessas, contava com livramentos incríveis, mas nada disso era por merecimento, e sim porque Deus resolveu usar de misericórdia.

O mesmo ocorreu com Naamã. Deus olhou para ele e usou de misericórdia.

Isso também ocorreu conosco, os que já cremos em Deus e fomos incluídos na aliança eterna feita por Cristo com seu próprio sangue. Nós não éramos melhores do que ninguém. Todos transgredimos as leis de Deus, falhamos, desobedecemos, já fomos pessoas piores do que somos hoje, mas mesmo assim Deus foi misericordioso e nos alcançou com Sua Graça.

Não podemos, portanto, agir como Geazi e querer definir quem pode ou não ser abençoado por Deus. Ora, os líderes religiosos dos tempos em que Jesus esteve aqui como homem também tentaram fazer isso, pois se consideravam dignos do favor de Deus, devido a sua religiosidade.

A eles Jesus disse: “Na verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por três anos e seis meses, reinando grande fome em toda a terra; e a nenhuma delas foi Elias enviado, senão a uma viúva de Sarepta de Sidom. Havia também muitos leprosos em Israel nos dias do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro.” (Lucas 4.25-27)

A sequência dessa narrativa de Lucas mostra que as pessoas que ouviram isso se enfureceram com Jesus e o expulsaram da cidade, querendo até mesmo matá-lo, afinal, era um absurdo comparar israelitas com gentios, e, pior ainda, dizer que gentios poderiam preceder a israelitas quanto à Graça de Deus.

Bem, nós não somos fiscais de Deus nem Seus conselheiros. Não temos o direito de julgar quem é ou não merecedor das bênçãos de Deus. Quem abençoa é Ele, que também escolhe a quem quiser.

Paulo, apóstolo de Jesus, compreendeu essa verdade e a ensinou em sua carta aos Romanos:

“Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Pois ele diz a Moisés: 'Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão.' Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.” (Romanos 9.14-16)

Embora o texto bíblico seja claro, muitas pessoas têm dificuldades em aceitar a liberdade de Deus para usar de misericórdia com quem Ele quiser. Paulo, que escreveu essa maravilhosa verdade, foi um felizardo escolhido por Deus para ser salvo e muito abençoado, afinal, antes ele era um religioso perseguidor da Igreja, que prendia, espancava e consentia com a morte de cristãos.

Seria Paulo merecedor da Graça de Deus? Com sangue de cristãos em suas mãos, ele seria o mais improvável homem a ser alcançado pela misericórdia divina. Mas, nossa lógica não funciona quando o assunto é Deus. Ainda bem!

Que fazer, então? Nada além de exultarmos por termos sido alvo da Graça de Deus, e também porque Ele continua alcançando pessoas as mais diversas, transformando suas vidas e lhes concedendo a salvação, unicamente por Sua Graça (Efésios 2.1-10).

Em vez de ficarmos incomodados ao vermos pessoas “indignas” recebendo misericórdia divina, alegremo-nos, pois nós também, em nossa indignidade, fomos salvos. E para Deus não há pecadinho ou pecadão, portanto, todos os seres humanos estão no mesmo 'balaio” até que sejam resgatados por Deus.

Que a Graça de Deus seja abundante em nossas vidas e nos permita enxergar além de nosso reduzido universo individual e egoísta.

José Vicente
02.12.2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

ALGUMAS LIÇÕES DE NAAMÃ


Texto base: 2 Reis 5.1; 6; 9-19

A passagem em estudo nos mostra um personagem bastante interessante, o general do exército da Síria, Naamã, que foi até Israel em busca da cura para uma doença incurável: a lepra.

Homem inteligente, bom estrategista de guerra, braço direito do rei da Síria, poderoso entre os homens, respeitado, temido, e leproso.

Acompanhando sua história, podemos extrair muitas lições, dentre as quais vamos destacar algumas na sequência.

1 – TODOS PRECISAM DE DEUS

Em um primeiro momento, muitos poderão pensar: “pôxa, que revelação! Ninguém sabia disso!”. Mas, embora pareça algo tão óbvio, o fato é que há muitas pessoas que vivem como se não precisassem de Deus.

Naamã, até aquele momento, não tinha se dado conta de que precisava de Deus. Ele era um homem forte, poderoso em termos humanos, comandava o grande exército da Síria, era influente, gozava da confiança do rei sírio, era temido e respeitado pelas pessoas, mas sofria de lepra e fatalmente morreria.

Em resumo, Naamã, embora fosse poderoso entre os homens, não tinha poder para se purificar e salvar sua própria vida. Ele era um homem limitado.

Naamã talvez tenha buscado alguma ajuda em seus muitos deuses, mas, como eles não passavam de ídolos sem vida, a lepra persistia e ele não via luz no fim do túnel.

Assim como Naamã, há tantas pessoas hoje que possuem riquezas, poder humano, autoridade, status, fama, e transformam todas essas coisas em deuses de suas vidas, julgam que isso as protegerá e garantirá inclusive a salvação de sua alma.

Alguns nem mesmo possuem tais coisas, mas são orgulhosos e arrogantes, fazendo-se a si mesmos deuses, como se pudessem alguma coisa por sua própria capacidade e por seu poder.

Há necessidade de reconhecer que somos limitados, falhos, e nossas virtudes não nos podem fazer autônomos em relação a Deus.

Todo e qualquer ser humano, independentemente de sua condição social, cultural, econômica, necessita de Deus, “pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (Atos 17.28).

Deus usou uma jovem israelita anônima, que era serva da esposa de Naamã, para dar o toque que ele precisava no sentido de despertar para essa realidade. Assim também Deus faz em relação a cada ser humano, utilizando a vida de outros servos para que a Palavra chegue ao coração de quem ainda não crê e lhe provoque o despertamento.

Talvez este texto que você está lendo agora seja a ferramenta que Deus está usando para levar você, caro leitor, a compreender que necessita urgentemente de Deus em sua vida, e sem Ele nada faz sentido.

2 – PRECISAMOS NOS SUBMETER A DEUS

Naamã ouviu o conselho da jovem israelita e foi até Israel em busca da cura. Tendo procurado por Eliseu, profeta de Deus, não foi por ele recebido pessoalmente, mas o profeta enviou um mensageiro para que lhe orientasse a se banhar sete vezes no rio Jordão.

O texto bíblico revela que Naamã ficou ofendido, pois julgava ser merecedor de um tratamento mais “digno”, afinal, ele era o general do exército da Síria, uma nação poderosa que oprimia Israel naquele tempo.

Naamã ia voltar para sua casa leproso, sem a bênção de Deus, por causa de sua arrogância e de seu orgulho.

Quantas vezes somos orgulhosos, queremos que Deus aja conforme o que julgamos ser o ideal, achando que nossos méritos humanos importam para Deus, e continuamos com nossos problemas, pois Deus resiste aos soberbos (Tiago 4.6).

Assim que Naamã, orientado por seus oficiais, resolveu fazer da forma como Deus, através do profeta, havia ordenado, ele finalmente pôde usufruir da bênção que lhe estava reservada, ficando curado da lepra.

Quando entendemos que Deus sabe o que é melhor para nós, que o Seu método é o melhor, que Ele não está preso a nossas vontades, então nos submetemos a Ele e somos abençoados, pois “obedecer é melhor do que sacrificar” (1 Samuel 15.22).

3 – DEVEMOS TER CORAÇÃO GRATO E QUEBRANTADO

Após a cura, Naamã não era mais o mesmo. Seu coração foi quebrantado, ele agiu com humildade ao voltar para falar com Eliseu e demonstrou profunda gratidão para com Deus.

Naamã se converteu a Deus, se arrependeu de seus pecados e pediu perdão até mesmo por atos que viria a praticar, e que não eram conforme a vontade de Deus, mas que faziam parte de seu ofício junto ao rei da Síria.

Ele não tentou mais se impor a Eliseu, antes, mostrou-se submisso ao profeta, que era o instrumento de Deus entre os homens.

Também nós devemos nos colocar diante de Deus com humildade, gratidão, rendendo nossas vidas a Ele, com reconhecimento de que somente Ele é a resposta para nossas dúvidas, e o autor da nossa salvação, que foi consumada em Jesus Cristo quando Ele morreu na cruz, e ressuscitou ao terceiro dia, subindo aos céus, onde está assentado à destra do Pai, aguardando o Dia em que julgará vivos e mortos.


CONCLUSÃO

Com Naamã aprendemos que precisamos de Deus, que devemos nos submeter a Ele sem questionamentos, e que nossa vida deve ser de constante gratidão e quebrantamento diante do Pai, para que possamos ser curados física e espiritualmente, e usufruir das maravilhosas bênçãos que Ele nos reservou tanto nesta vida como na vindoura.

Que Deus nos capacite a abandonarmos o orgulho e buscarmos a Sua presença diariamente, e de nosso interior fluirão rios de água viva (João 7.38).

José Vicente
20.11.2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

APRENDENDO COM GEAZI

Texto base: 2 Reis 5.15-27

Naamã era comandante do exército da Síria. Era um homem de elevada posição, grande prestígio, gozava da confiança do rei, tinha autoridade e muito poder entre os homens.

Naquela ocasião havia certa paz entre Síria e Israel, mas vez ou outra tropas da Síria invadiam o território islaerense, saqueavam alguma aldeia e levavam pessoas cativas.

Numa dessas invasões, Naamã levou uma menina israelita para ser serva de sua esposa.

Embora Naamã fosse tão poderoso, ele sofria de lepra, doença incurável, e com isto estava fadado a morrer doente, sem poder obter a cura de seu mal. Seus deuses não o socorreram. Sua fama não lhe valia contra a enfermidade.

Foi justamente a menina israelita capturada e feita serva na casa de Naamã que lhe indicou o caminho para a cura: deveria ir a Israel.

Então Naamã, munido de uma carta escrita pelo rei da Síria, e também de muito ouro, prata e roupas finíssimas, foi até Israel e entregou a correspondência ao rei, que ficou “maluco” ao saber que o rei da Síria havia enviado Naamã para que ali fosse curado. O rei de Israel afirmou que não era Deus para curar Naamã.
Eliseu ficou sabendo e mandou dizer ao rei que enviasse Naamã até ele, pois ainda havia profeta de IAVÉ em Israel.

Interessante notar que Naamã não foi recebido pessoalmente por Eliseu, o que obviamente ele encarou como uma desfeita. Além disto, Eliseu mandou Naamã ir tomar banho (no rio Jordão). Aí já era demais, e o poderoso Naamã não poderia se submeter a tal humilhação, pois não viajou tanto para chegar ao profeta e ser tratado dessa forma!

Após ser aconselhado por oficiais mais próximos, Naamã acabou indo ao rio Jordão, como mandou Eliseu, e se banhou, ficando curado da lepra.

O coração de Naamã foi quebrantado e ele voltou para agradecer a Eliseu. Aí começam as lições que vamos destacar no texto em análise.