quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

FRUTIFICANDO PARA A GLÓRIA DE DEUS



MATEUS 12.33-37

Os cristãos têm um desafio bastante grande neste mundo, que é o de serem testemunhas de Jesus Cristo. Para isso, necessitam abandonar conceitos que o mundo ensina, para poderem viver conforme os ensinamentos do Mestre. Não é possível dizer que somos discípulos de Jesus se não assimilamos e vivemos o que Ele ensinou e continua ensinando.
O problema é que, infelizmente, vemos um mundo onde a ausência de Deus nos corações parece aumentar significativamente, pois a maldade cresce, a falta de amor ao próximo é algo comum, a desonestidade se torna uma forma “natural” de crescer materialmente, a falta de respeito para com as pessoas atinge níveis alarmantes, o desprezo do ser humano pelo próprio ser humano toma proporções gigantescas e nesse panorama os cristãos deveriam ser notados justamente por terem uma postura radicalmente contrária aos valores deste mundo caído.
Os noticiários, porém, nos dão conta de que pessoas identificadas como cristãs estão envolvidas em escândalos sexuais, financeiros, corrupção, jogos de poder, e a mídia faz questão destacar a religião dos envolvidos, afirmando serem líderes evangélicos, o que vem se caracterizar como uma vergonha ao Evangelho de Cristo.
Mas longo dos holofotes, os cristãos comuns, que não estão em posições que envolvam publicidade como os políticos, também agem de forma a se tornarem motivo de ataques à Igreja de Cristo, porque se denominam cristãos evangélicos, frequentam igrejas, dão seus dízimos, exercem funções nas igrejas, mas no dia a dia agem como incrédulos, às vezes pior do que ateus, dando um testemunho negativo da fé evangélica.
Na passagem lida, Jesus ministra uma série de ensinamentos sobre o modo de vida do cidadão do Reino. Esses ensinamentos contrariavam o modo de vida dos líderes religiosos da época. Havia muita ênfase na religiosidade baseada em aspectos exteriores, porém Jesus ensinou que religiosidade não é a marca dos filhos de Deus, mas sim um caráter transformado.
Trata-se de ensinamentos que não se aplicavam apenas aos homens daquele tempo, mas, pelo contrário, cabem perfeitamente nos dias atuais, a todos os cristãos, assim consideradas as pessoas que afirmam crer em Jesus como seu Senhor e Salvador e frequentam uma igreja evangélica.
Aliás, nos dias atuais, onde a Igreja parece não fazer mais tanta diferença neste mundo, esse ensinamento de Jesus toma contornos de maior gravidade e necessidade, pois a Igreja precisa despertar, visto que se aproxima o tempo em que Jesus voltará para buscar todos aqueles que Lhe pertencem.

           1)      Somos identificados pelos nossos frutos
Naqueles dias havia muita religiosidade por parte dos líderes judeus. Eles ensinavam ao povo de maneira incorreta, pois tentavam levar as pessoas a terem o seu tipo de procedimento. Eles se preocupavam com aparências, com o exterior, com a observância de regras puramente, mas sua vida não era um culto verdadeiro a Deus, antes, cultuavam a si mesmos.
Esses homens ensinavam a Lei de Deus apenas como um conjunto de regras a serem seguidas, iam às sinagogas para ensinar às pessoas e adorar a Deus, mas seu culto era vazio, pois não havia temor ao Senhor, eles não atentavam para o fundamento dos mandamentos de Deus.
Essa falsa espiritualidade é claramente observada na forma como esses líderes reagiam diante da pregação e dos sinais de Jesus.
Nos versículos 1 a 5 os fariseus criticaram os discípulos de Jesus por terem colhido espigas para saciar sua fome em um sábado. Para eles, a observância da letra da Lei era mais importante do que prover o sustento ao ser humano. A Lei era mais importante do que a vida.
Nos versículos 6 a 11 fica mais evidente a falsa espiritualidade desses homens, pois eles estavam na sinagoga, onde Jesus ministrava ensinamentos, e era sábado. Jesus curou um homem que tinha a mão atrofiada, e ensinou que o objetivo de Deus ao estabelecer o sábado não era atribuir um fardo aos humanos, e que a base da Lei era o amor, portanto, uma verdadeira espiritualidade envolvia não apenas o cumprimento da letra da Lei, mas da sua essência. Aqueles líderes achavam que Deus se importava mais com a Lei do que com o ser humano.
Após essa cura, os fariseus e os escribas planejavam matar Jesus. Ora, isso se deu logo após terem prestado culto a Deus na sinagoga, deixando claro que a religiosidade demonstrada durante o culto era superficial, não havia adoração verdadeira a Deus, tratava-se de algo apenas ritualístico e que não produzia efeitos naquelas pessoas, pois era de se esperar que após o culto estivessem com seus corações pacificados, mas não foi isso que demonstraram.
Nos versículos 22-32, após Jesus ter curado um homem que era surdo,mudo e possuído de demônio, esses líderes religiosos acusavam Jesus de fazer tais sinais pelo poder de Belzebu, o maioral dos demônios, cometendo uma blasfêmia contra o Espírito Santo.
Os mesmos lábios que louvavam a Deus na sinagoga, nas orações e nos ensinamentos das Escrituras, estavam cometendo o pecado da blasfêmia, acusando o Filho de Deus de agir movido pelo poder de Satanás, e não pelo poder de Deus.
Os frutos produzidos por esses líderes religiosos denunciavam sua hipocrisia e evidenciavam que eles não haviam compreendido a Palavra de Deus, ela não fazia morada em seu coração.
Em diversas outras passagens, Jesus destacou que aqueles homens eram fingidos, que sua vida não correspondia ao que eles ensinavam, que eles buscavam glória própria, queriam ser beneficiados e para isso passavam ao povo uma imagem falsa, tentavam levar as pessoas a acreditarem que eles eram homens piedosos, tementes a Deus, perfeitos em seus caminhos e no cumprimento dos mandamentos de Deus, quando na verdade não passavam de falsos mestres e falsos profetas.
Jesus disse que eles eram como sepulcros caiados, bonitos por fora e cheios de podridão por dentro. Enfim, Jesus desmascarou esses líderes, denunciando os frutos maus que eles produziam.
Em contrapartida, Jesus ensinou quais deveriam ser os frutos da vida de quem tinha a verdadeira intenção de servir a Deus, de quem era cidadão do Reino. Ele ministrou curas e libertação, demonstrando que deve haver cuidado para com as pessoas necessitadas; ensinou as virtudes que estão ligadas às bem-aventuranças; falou sobre a necessidade de termos como prioridade a busca de uma espiritualidade verdadeira, não trocando as coisas eternas por coisas passageiras; Ele falou sobre a prática do perdão, do amor, da generosidade; sobre a necessidade de sermos humildes, de nos analisarmos a nós mesmos e mantermos nossa visão clara para enxergarmos nossos erros e podermos auxiliar nossos irmãos em suas fraquezas.
Jesus deixou claro que o que demonstra se uma pessoa ama a Deus e O serve são os frutos vistos no seu dia a dia. Aparências podem enganar aqueles que olham de maneira superficial, mas os cristãos são chamados a não levar uma vida de aparências, antes, devem evidenciar no seu proceder uma espiritualidade verdadeira, pautada nos valores do Reino.
Deus nunca se agradou do culto de aparência. Em Isaias 1.11-20 podemos ver Deus exortando o Seu povo neste sentido, porque as pessoas Lhe prestavam culto, ofereciam holocaustos, entoavam louvores, observavam as festas previstas na Lei, mas tudo isso era superficial, limitava-se aos momentos de culto e era feito de forma mecânica, por mero ritualismo, sem que houvesse derramamento da alma perante o SENHOR, enquanto no dia a dia agiam como se não conhecessem a Deus e aos Seus mandamentos.
Hoje, a exemplo do que ocorria nos dias de Jesus, continuam a existir pessoas que se intitulam cristãs, que levam uma vida de religiosidade, mas não produzem frutos compatíveis com a fé evangélica, pelo contrário, sua vida não glorifica a Deus porque seus atos depõem contra o Evangelho.
Assim como os escribas e fariseus, logo após prestarem culto a Deus, já pensavam em matar Jesus, muitos cristãos nem bem saem de Igreja e já começam a fazer coisas totalmente contrárias à fé que professam.
Durante o culto louvam a Deus de uma forma que aparenta profunda espiritualidade, até mesmo choram, transmitem às pessoas à sua volta uma impressão de que estão em perfeita comunhão com o Pai, oram com fervor, abraçam os irmãos, gritam “glória a Deus”, enfim, agem como se fossem crentes exemplares, superespirituais.
No seu dia a dia, porém, procedem como se não conhecessem a Palavra de Deus, como se apenas aos domingos tivessem que ser espirituais, e no restante da semana pudessem ser carnais.
Trata-se de uma espiritualidade vazia, falsa, que se traduz em um autoengano, pois o cristão que assim age pensa que está agradando a Deus, mas na verdade está muito longe de fazer a vontade do Pai, está caminhando na direção oposta.
Há lideres cristãos que passam ao povo uma imagem de supersantos, de pessoas que possuem um relacionamento especial com Deus, e com isto conseguem atrair multidões, porém seus frutos não são coerentes com a Palavra de Deus, pois buscam a gloria própria, aproveitam-se da ingenuidade e boa-fé dos crentes para obterem vantagens pessoais, são como aqueles homens que Jesus criticou durante Seu ministério.
Os maus frutos produzidos pelas árvores ruins são maledicência, divisões, inveja, legalismo, moralismo, arrogância, egoísmo, avareza, desonestidade, mentira, deturpação da verdade, oposição ao ensino da Palavra de Deus em sua forma autêntica, insubmissão, desobediência, intolerância, discriminação e muitos outros.
Já os bons frutos se revelam na vida de amor, solidariedade, humildade, perdão, generosidade, misericórdia, e outras virtudes provenientes de nossa relação com Deus.
Como tem sido nossa vida? Temos produzidos frutos bons, coerentes com os ensinos de Jesus, ou nos assemelhamos aos líderes religiosos dos tempos de Jesus, que louvavam a Deus com seus lábios, mas seus corações estavam voltados às coisas deste mundo? Que tipo de árvore somos nós?


           2)      Nossos frutos são conforme o tesouro que guardamos em nosso coração
A forma como conduzimos nossa vida é a expressão do nosso caráter, reflete o que está em nosso interior. Jesus disse que a árvore boa produz bons frutos, e a ruim, maus frutos. Lembro que no sítio onde meu sogro trabalha há muitas árvores frutíferas, mas há algumas que nunca dão bons frutos. Há mangueiras de vários tipos, e em duas delas os frutos sempre são ruins, embora exteriormente seja bonitos e vistosos. Nem convém perder tempo procurando frutos nessas árvores, porque somente colhemos decepção.
Jesus complementou dizendo que o homem bom tira coisas boas do bom tesouro de seu coração, mas o homem mau, cujo coração é mau, só produz frutos coerentes com o que está em seu coração.
A palavra tesouro é empregada porque se trata daquilo que recebe valor da pessoa que o cultiva, é guardado como algo valioso, muitas vezes escondido de outras pessoas.
Jesus revela que falamos e agimos conforme aquilo que enche nosso coração, conforme o que temos de mais abundante em nosso interior, nossa riqueza, o que entesouramos e guardamos para que os outros não vejam.
Em outra passagem (Marcos 7.21-23), Jesus diz que os diversos males produzidos pelo ser humano têm origem naquilo que está em seu coração:

“Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem.” (Marcos 7.21-23)

Um homicida pode parecer uma boa pessoa, até que aquilo que está em seu coração vem à tona e ele revela sua verdadeira identidade. Um invejoso pode aparentar ser alguém confiável, porém em dado momento o tesouro de seu coração se tornará conhecido, pois suas ações serão compatíveis com o que guarda em seu interior, e não com suas belas palavras.
Por esta razão, ainda que tentemos aparentar ser bons, religiosos, podemos passar essa imagem por algum tempo, mas logo nossas obras vão denunciar quem realmente nós somos. Nossa verdadeira imagem é a que corresponde ao que está em nosso interior, e é impossível fingir o tempo todo, nos enganar o tempo todo.
Assim, uma pessoa cujo coração é egoísta não tem como demonstrar solidariedade para com seu próximo. Uma pessoa cujo coração está nas coisas materiais não terá desprendimento, e ofertar generosamente para a Obra de Deus ou para amenizar o sofrimento alheio será algo fora de cogitação.
Os líderes religiosos daquele tempo faziam o possível para se mostrarem bons, piedosos, sábios, todavia a sua intenção não valia nada, porque a sua essência era bem diferente daquilo que pretendiam aparentar. Eles talvez até acreditassem no que diziam, mas isso não os favorecia em nada, porque uma pessoa pode estar sinceramente enganada, e com isto jamais conseguirá agradar a Deus.
Nossa conduta diária vai demonstrar o que está em nosso coração. Nossos frutos corresponderão ao tesouro que guardamos dentro de nós.  E por mais que tentemos disfarçar e enganar as pessoas, é certo que de Deus não podemos esconder nada, pois Ele conhece o mais profundo de nosso ser, conforme o Eterno nos diz por meio do profeta Jeremias:
“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações.” (Jeremias 17.9-10)
Assim, ainda que nós mesmos tenhamos dificuldades em sondar nossos corações e admitir o que há de mal em nosso interior, devemos saber que Deus sabe exatamente o que pensamos e qual é o tesouro que guardamos no coração. Ele sabe retribuir a cada um conforme suas obras, e de Deus nada conseguimos esconder.
Os fariseus e demais líderes religiosos daquela época conseguiam enganar as pessoas, mas Jesus conhecia seus corações, sabia de suas intenções, e não podia ser ludibriado pela encenação que eles faziam.
Temos que lembrar que nossos corações estão expostos diante de Deus. E nossos frutos demonstram quem nós realmente somos. Caso estejamos nos enganando, é hora de darmos um basta nisso e reconhecermos que precisamos de uma transformação verdadeira e profunda, para que o tesouro guardado em nosso coração não seja um conjunto de valores deste mundo, que ensina o que desagrada a Deus, mas seja o amor de Deus.
Sim, o maior tesouro que devemos guardar em nosso coração é o Eterno Deus.


           3)      Precisamos de um coração transformado para produzir bons frutos
A Palavra de Deus declara que o coração do homem é enganoso e perverso (Jeremias 17.9), portanto, inclinado ao mal.
Paulo, apóstolo de Cristo, fez a seguinte afirmação:
“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico.” (Romanos 7:18-19)
O mesmo Paulo, invocando passagem do Antigo Testamento, ainda disse que “não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus.” (Romanos 3:10-11)
Vemos, portanto, que não há ser humano cujo coração seja originalmente bom.
Como, então, podemos ter uma vida conforme Jesus ensinou, produzindo bons frutos? Se o coração humano é inclinado ao que não agrada a Deus, de que forma poderemos fazer algo que seja bom o bastante para que Deus seja glorificado por nossas vidas?
Diante dessa realidade, podemos pensar: é possível que uma árvore ruim, que produz frutos conforme a sua natureza, se transforme em árvore boa e produza bons frutos?
A resposta é afirmativa. Sim, isso é possível. Aliás, não apenas é possível, como aconteceu conosco. Todo ser humano, antes de ser alcançado pela Graça salvadora de Deus, é escravo de sua natureza caída e, por mais que tenha em si alguma bondade, jamais será suficiente para produzir frutos que agradem a Deus, pois estes são contaminados pelo pecado.
Assim, para que possamos produzir bons frutos é necessário que sejamos transformados. Não se trata de uma transformação exterior, em nossa aparência, mas profunda, em nosso coração.
Essa transformação se dá pelo novo nascimento, produzido pelo Espírito Santo de Deus, crucificando nossa velha natureza e nos transformando em novas criaturas, lavadas pelo Sangue do Cordeiro Eterno, Jesus Cristo.
A partir do novo nascimento, somos habilitados a sermos árvores boas, porque a seiva que nos alimenta é o Espírito Santo. Jesus disse: “mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna” (João 4.14). E “quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva” (João 7.38).
Essa fonte de água a jorrar para a vida eterna, e esse rio de água viva que fluirá de nosso interior, é o Espírito Santo nos enchendo com Sua presença e transformando nosso ser, a fim de que sejamos habilitados para toda boa obra em Cristo Jesus.
Com nossa própria força e baseando-nos em nosso entendimento não temos como produzir bons frutos aos olhos de Deus, pois Jesus disse: “sem mim nada podeis fazer” (João 15.5). Nós precisamos de Jesus Cristo para sermos boas árvores, caso contrário, continuaremos produzindo frutos maus. Precisamos ser arrancados do solo infértil da incredulidade e do pecado, para sermos plantados junto ao ribeiro de águas limpas e revigorantes que nos renovará e fará dar frutos em todo o tempo, conforme é dito por intermédio do profeta Jeremias:
“Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR. Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto.” (Jeremias 17.7.8)
Não precisamos de religiosidade nem de moralismos vãos. Não precisamos de legalismo nem de sacrifícios. Precisamos unicamente entregar nossa vida inteiramente a Jesus Cristo, sendo lavados em Seu Sangue, purificados de nossos pecados, regenerados pelo Seu Espírito, pois desta forma nossa vida glorificará a Deus continuamente.

CONCLUSÃO

Somos cristãos, pois professamos fé em Jesus Cristo. Todavia, necessitamos fazer uma auto análise para sabermos se nosso coração está cheio da Graça, do Amor e da Palavra de Deus, ou se o tesouro ali guardado consiste em valores deste mundo caído.
O tesouro que guardamos em nosso coração define os frutos que vamos produzir durante nossa caminhada e o testemunho que daremos diante do mundo.
O Eterno deve ser o nosso Tesouro.
Cabe a nós a responsabilidade de nos humilharmos diante de Deus, reconhecendo nossa fraqueza e nossos defeitos, a fim de clamarmos que o Espírito Santo nos inunde com Seu poder, revigorando nosso ser, transformando-nos em árvores frondosas e frutíferas, para a glória de Deus.

“Se te converteres ao Todo-Poderoso, serás restabelecido; se afastares a injustiça da tua tenda e deitares ao pó o teu ouro e o ouro de Ofir entre pedras dos ribeiros, então, o Todo-Poderoso será o teu ouro e a tua prata escolhida.” (Jó 22.23-25))

“Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade. a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.” (Gálatas 5.22-25)

Que o Espírito Santo de Deus transforme cada um de nós em árvores boas, frutíferas, com frutos vistosos e que glorifiquem a Deus.
 
José Vicente 
22.01.2017

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O DESAFIO DE SEGUIR EM FRENTE




Texto base: Mateus 26.36-46

INTRODUÇÃO
Em nossa vida diversas vezes somos assaltados por dúvidas, medos, frustrações e outros sentimentos que nos fazem ter vontade de jogar a toalha, desistir daquilo que estamos fazendo e que tem apresentado dificuldades ao prosseguimento. São situações que nos levam a sentir dúvidas quanto a prosseguir em uma determinada direção ou abandonar a luta. Geralmente isso ocorre quando nos deparamos com obstáculos que consideramos grandes demais para serem superados, fatos que nos causam aflição, trazem desânimo e medo.
O desafio de seguir em frente está constantemente se colocando diante de nós, exigindo uma decisão que, muitas vezes, é tomada de forma precipitada, irrefletida, baseada apenas nos sentimentos negativos de medo, angústia, frustração, etc., e não raras vezes acabamos nos arrependendo por fazer escolhas erradas, ou sofremos consequências que acabam nos deixando em pior estado psicológico do que quando estávamos diante do problema.
Para uns, o desafio de seguir em frente aparece quando o casamento passa por momento difícil, surgindo a dúvida entre manter os laços matrimoniais ou partir para o divórcio. Alguns enfrentam o desafio de seguir em frente quando são confrontados pela fé que professam, principalmente em locais onde a igreja é perseguida. Existe o desafio de prosseguir em um trabalho onde há desavenças ou insatisfação; em um projeto que está se mostrando complicado por dificuldades que vão surgindo dia a dia; enfim, praticamente todas as áreas da vida vão nos levar, em algum momento, a nos depararmos com o desafio de seguir em frente.
Um dos maiores desafios que enfrentamos, porém, é o de nos mantermos firmes na caminhada cristã, porque ao longo do caminho acontecem muitas coisas que nos fazem pensar em desistir. São as oposições, as distrações do mundo, as perseguições, as dificuldades de renúncia, a batalha espiritual diária, as falhas nossas e das pessoas com quem nos relacionamos no Corpo de Cristo. Tudo começa bem, mas logo vêm as provações, as tempestades, e nem todos conseguem seguir em frente quando são chamados a decidir.
Na passagem que lemos, Jesus estava justamente diante do desafio de seguir em frente. Após ter caminhado por três anos instruindo seus discípulos quanto ao Reino de Deus e proclamando as verdades do Altíssimo entre o povo, com a realização de sinais e prodígios nunca antes vistos, Jesus chegou ao momento mais difícil de sua missão: o sacrifício. E o que mais pesava era o fato de que Ele próprio era o sacrifício a ser oferecido. Estava se aproximando o momento em que o Filho de Deus seria entregue nas mãos de homens iníquos, passaria por sofrimento extremo e morreria pregado em uma cruz, sem jamais ter feito nada para merecer essa sentença de morte.
O texto bíblico nos revela que Jesus se entristeceu e ficou muito angustiado. Na narrativa de Marcos (Mc. 14.32-42) é dito que Jesus foi tomado de pavor e angústia. Lucas, por sua vez, narra que a agonia de Jesus era tão grande que durante a oração “o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc. 22.44).
De fato, o que esperava Jesus não era algo agradável, e Ele estava diante do desafio de seguir em frente ou abandonar a missão para a qual viera a este mundo.
                O que mais angustiava o coração do nosso Redentor era o fato de beber o cálice da ira de Deus. Sim, Ele que nunca cometera pecado, era puro, receberia sobre si os pecados do mundo todo, e como o pecado faz separação entre o homem e Deus, durante o período em que durasse seu flagelo o Filho estaria separado do Pai. Essa era a dor mais forte a ser suportada, e não o sofrimento físico que seria provocado pela violência humana.
                Com seu exemplo, Jesus nos ensina lições valiosas para que, assim como Ele fez, nós também tomemos decisões acertadas no sentido de prosseguir ou não em um determinado caminho ou propósito. Vamos destacar alguns pontos importantes.  

                  I. TENHA UM OBJETIVO SUPERIOR EM SUA VIDA: FAZER A VONTADE DE DEUS (vv. 39 e 42)
Ter objetivos é essencial para que nos mantenhamos animados em nossa jornada nesta terra. Alguém sem objetivos não sai do lugar, não consegue encontrar um sentido para sua existência, está praticamente morto em vida, pois não almeja nada.
Assim, ter objetivos é saudável e necessário ao ser humano.
Há diversos objetivos a serem cultivados, e vão mudando conforme sejam atingidos: uns almejam se casar; depois, o objetivo é ter filhos. Há os que têm o objetivo de cursar uma faculdade, e uma vez atingido o alvo, traçam objetivos profissionais, visando ao exercício daquilo para o que se prepararam. Pessoas têm como objetivo alcançar crescimento familiar, espiritual, pessoal, profissional, financeiro, etc., e isso é muito bom. Devemos sempre ter objetivos.
Entretanto, todos os nossos objetivos devem ser guiados e sustentados por um objetivo superior, muito maior do que qualquer outro, que vai se constituir no grande alicerce para tudo quanto almejamos. Um objetivo que não muda com o tempo, pelo contrário, deve se solidificar cada vez mais em nosso coração, e que sempre moveu o Mestre Jesus em toda a sua caminhada nesta terra.
Nosso primeiro e maior objetivo deve ser: fazer a vontade de Deus.
Quando observamos a oração que Jesus fez quando foi até o Getsêmani, constatamos que Ele apresentou ao Pai a sua angústia e indagou quanto a uma possível solução que não demandasse aquele sacrifício, entretanto, Ele foi enfático ao dizer: “não seja como eu quero, e sim como tu queres” (v. 39). E Jesus repetiu no segundo momento de oração: “faça-se a tua vontade” (v. 42).
Embora Jesus estivesse angustiado, temendo o sofrimento que logo viria sobre Ele, a sua atitude foi de colocar em primeiro lugar a vontade do Pai, pois esse era o seu objetivo principal desde sempre, fazer a vontade do Pai.
Em certa ocasião, os discípulos insistiam para que Jesus se alimentasse, e Ele respondeu: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.” (João 4.34).
Ao ensinar aos discípulos a conhecida oração do Pai Nosso, Jesus assim orou: “venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt. 6.10). E ainda, exortando seus ouvintes a agirem como Ele, Jesus assim ensinou: “Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mt. 12.50).
A leitura bíblica nos revela que, embora Jesus fosse igual ao Pai em essência e poder, Ele sempre procurou fazer a vontade de Pai, e não a sua própria, porque a sua própria vontade era submissa à vontade do Pai.
Quando temos como nosso maior objetivo fazer a vontade de Deus, nossa visão sobre as coisas da vida sofre uma profunda mudança, pois passamos a enxergar tudo por um ângulo diferente. Já não mais partimos de uma postura egocêntrica para tomar decisões, antes, compreendemos que tudo quanto fazemos deve glorificar ao nosso Deus Eterno. A tentação de buscar apenas nossa própria satisfação e guiar nossa vida conforme nossos anseios e conceitos pessoais cede espaço para que em todas as coisas busquemos exaltar o Pai Celeste, sabendo que Ele tem propósitos que são muito melhores do que nossos melhores planos.
Uma pessoa que coloca em primeiro lugar em sua vida o objetivo de fazer a vontade de Deus, ao se deparar com problemas de relacionamento na igreja não se precipitará em abandonar aquela congregação ou se afastar das atividades que ali são realizadas, pois terá consciência de que, acima do seu orgulho e de seus melindres, está a vontade do Pai Celeste de que haja unidade no Corpo de Cristo, e que todos estejam ligados pelo amor.
Aquele casamento que está na berlinda poderá ser renovado quando o casal compreender que a vontade do Deus é que marido e esposa se amem, se respeitem e permaneçam juntos, honrando o compromisso que assumiram quando celebraram os laços do matrimônio perante Deus e diversas testemunhas. O empregado prosseguirá em seu trabalho empenhando-se em fazer o melhor, sabendo que a vontade de Deus é que ele desenvolva suas atividades para o patrão como se estivesse fazendo diretamente para o Senhor.
A vontade de Deus é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2). Quando nos submetemos a ela, a nossa própria vontade é transformada, pois passamos a conhecer o que antes ignorávamos, e a ver o que antes nos estava oculto. Fazendo a vontade de Deus, todos os nossos demais objetivos são redirecionados e tomam um sentido muito mais elevado, pois estão em sintonia com a vontade do Altíssimo. Nosso coração não alimentará projetos que estejam foram dos planos de Deus.
Uma vez que nos declaramos discípulos de Jesus, devemos imitá-lo nisso e ter como nosso maior objetivo fazer a vontade de Deus.

                   II.                    PROCURE CONHECER A VONTADE DE DEUS (vv. 36, 39, 42 e 44)
Estabelecer como objetivo principal de nossa vida fazer a vontade de Deus é o primeiro passo, entretanto essa disposição pode ficar comprometida se não adotarmos outra atitude igualmente essencial: buscar conhecer a vontade de Deus.
Ora, nós podemos até desejar fazer o que Deus quer, mas se não nos empenharmos em saber o que Ele quer, ficará bastante difícil alcançar esse objetivo, e então começaremos a nos mover de forma confusa, julgando ser de Deus uma vontade que, na maior parte das vezes, é apenas nossa.
E para que tenhamos êxito em conhecer a vontade de Deus, é necessário que imitemos Jesus também neste ponto, estreitando nosso relacionamento com o Pai.
O texto lido nos mostra que, aproximando-se o momento em que Jesus seria entregue para morrer em nosso lugar, Ele se afastou das multidões e da agitação da cidade, dirigindo-se até um local tranquilo, onde poderia conversar com o Pai sem ser interrompido. Ele precisava desse momento. Ninguém poderia lhe dar conforto naquele momento tão difícil, somente o Pai Celeste seria capaz de acalmar seu coração e confirmar que aquela era a Sua vontade.
Jesus não poderia contar com seus discípulos para lhe proporcionarem algum consolo, pois eles nem mesmo conseguiam compreender aquela situação. Eles ainda não haviam se dado conta do que estava acontecendo, e não tinham condições de demonstrar empatia com o Mestre naquele momento tão dramático. Provavelmente eles tentariam dissuadi-lo da ideia de morrer sem dever nada, como tentou Pedro, e foi repreendido pelo Senhor (Mc. 8.32-33).
Portanto, Jesus somente poderia confirmar que aquela era a vontade do Pai conversando com o próprio Pai.
Assim como Jesus, para conhecermos a vontade de Deus precisamos aumentar nossa intimidade com Ele. Faremos isso por usando alguns meios que Deus nos proporciona, pois Ele deseja que conheçamos a Sua vontade:
i)     Oração: a oração é um instrumento extremamente valioso para que alcancemos um nível de comunhão com Deus que nos permita conhecer a Sua vontade. Oração é relacionamento. Entre nós, seres humanos, vamos nos conhecendo à medida que convivemos e conversamos, expondo nossos pensamentos e nossa forma de ser. Marido e esposa se conhecem no dia a dia por meio do relacionamento. Se não há diálogo, não há conhecimento verdadeiro, apenas uma presunção de conhecimento, que se desfaz no primeiro momento de dificuldade.
Jesus orava com muita frequência. Não havia hora marcada. Não havia local mais apropriado. Ele simplesmente se retirava para algum lugar onde pudesse se concentrar na conversa com o Pai, e iniciava o diálogo. Ali Jesus expunha tudo o que se passava em seu coração, e do Alto recebia o consolo, a orientação.
Na passagem lida, podemos presumir que o primeiro momento de oração durou cerca de uma hora, pois Jesus disse a Pedro que os companheiros não puderam vigiar com ele por uma hora. Durante esse tempo Jesus conversou com o Pai sobre o que estava por vir, expôs sua angústia e ouviu do Pai qual era a Sua vontade. Depois, Jesus se retirou novamente para orar, repetiu as mesmas palavras, e ainda uma terceira vez.
Desejamos conhecer a vontade de Deus? A oração perseverante deve permear nossa existência. Apresentemos ao Pai nossos anseios, nossas dúvidas, e esperemos pacientemente a resposta. Talvez tenhamos que repetir a oração uma, duas, três vezes, até que consigamos discernir o que o Pai está nos dizendo, até que nossas vozes internas se calem e consigamos ouvir com clareza a inconfundível voz do Pai.
ii)   Conhecimento da Palavra: Jesus conhecia as Escrituras de maneira profunda. Quando Ele foi tentado no deserto, resistiu às investidas do maligno fazendo o uso correto das Escrituras, enquanto o diabo as empregava de forma distorcida.
As Escrituras Sagradas nos revelam a vontade de Deus. Ali encontramos o que o Pai deseja fazer em nós e por meio de nós.
Quando um cristão estiver pensando em ficar em casa em vez de ir à igreja congregar com os irmãos, por problemas de relacionamento com outro membro,ou por não gostar do pastor, do presbítero, diácono ou qualquer outra pessoa, saberá qual a vontade de Deus ao ler em Hebreus 10.25, onde se diz: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”.
As Escrituras apresentam a vontade de Deus para a Igreja, para o casamento, para pais e filhos, para nossa vida profissional, para nosso convívio social, etc.
iii) Enchimento do Espírito Santo: o apóstolo Paulo, propagando os ensinamentos de Jesus, afirmou que apenas uma mente transformada e renovada pode conhecer a vontade de Deus: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).
Ora, somente quando nos enchemos do Espírito Santo é que temos a nossa mente transformada e renovada. O enchimento do Espírito Santo é o oposto da conformação a este século. Quando aceitamos tomar a forma do mundo, somos arrebatados por uma cultura egocêntrica, onde o ser humano é seu deus, e onde a vontade pessoal é que prevalece. O mundo ensina a viver em um sistema hedonista, onde obediência a Deus é vista como algo ridículo. Quem nada contra a correnteza é taxado de radical, quadrado, intolerante, entretanto esse é o que alcança o conhecimento do Altíssimo, enquanto os demais estão perdidos em uma existência sem sentido, onde tudo se resume ao agora.
Portanto, conhecer a vontade de Deus é essencial para que tenhamos condições de responder de maneira correta ao desafio de seguir em frente.

                                III.            DISPONHA-SE A PAGAR O PREÇO E RECEBER A RECOMPENSA
Uma vez que temos como objetivo principal fazer a vontade de Deus e nos empenhamos em conhecê-la, devemos dar um passo decisivo: estar dispostos a pagar o preço de ir em frente, e de experimentar a recompensa que nos está reservada.
Jesus almejava cumprir a vontade do Pai, e a conhecia de maneira inquestionável, mas tinha a possibilidade de tomar uma decisão contrária. Entretanto, Ele decidiu seguir em frente. Ele conhecia o preço que teria que pagar para fazer a vontade de Deus, mas também tinha consciência de que a recompensa que o aguardava era superior a todo o sofrimento.
Nosso Mestre pagou realmente um preço extremamente elevado ao escolher fazer a vontade de Deus. Ele provou em sua carne o sofrimento que estava reservado a nós. O justo pagou pelos injustos. O Rei foi humilhado e tratado como escória da humanidade. A dor atravessou seu coração como uma espada afiada. Sua escolha custou sua própria vida. Ele foi morto em uma cruz sem que tivesse cometido nenhum crime.
Entretanto, após todo o sofrimento, Jesus experimentou a glorificação que lhe estava reservada pelo Pai. Ele ressuscitou e foi exaltado acima de todo nome. Tudo lhe foi entregue pelo Pai (Mt. 28.18). Ele se tornou o nosso Sumo Sacerdote, e pelo seu sacrifício nós fomos feitos filhos de Deus. Com sua decisão de seguir em frente, Jesus praticou um ato cujas consequências se prolongaram por toda a eternidade e atingiram toda a humanidade em todos os tempos.
A decisão de Jesus, de seguir em frente, deu um sentido à nossa existência, abrindo o caminho para nossa reconciliação com o Deus Pai, mediante a remissão de nossos pecados e a nossa lavagem e purificação com o seu sangue precioso.
Sim, quando decidimos seguir em frente devemos saber que há um preço a pagar. Podemos ser alvo de incompreensão, de críticas. Podemos enfrentar lutas ferrenhas, que esgotarão nossas forças, exigirão de nós talvez mais do que podemos dar. Não é porque estamos cumprindo a vontade de Deus que as coisas serão facilitadas. Assim como não houve facilitação para o Mestre Jesus, que enfrentou a cruz; da mesma forma que seus apóstolos e discípulos nunca experimentaram facilidade, mas foram perseguidos, também nós, ao decidirmos seguir em frente e fazer a vontade de Deus, vamos atravessar vales sombrios.
Estaremos nadando rio acima, e não nos movendo no mesmo sentido do restante do mundo. Jesus disse que aqueles que escolhessem ser seus discípulos seriam odiados e perseguidos como ele fora.
Portanto, ao decidirmos seguir em frente na caminhada cristã, não vamos nos deparar com um mundo receptivo e amoroso, mas teremos batalhas constantes.
Mas também precisamos saber que, se estamos fazendo a vontade de Deus, o que está reservado para nós é o melhor. Após toda a batalha veremos a maravilhosa recompensa que espera por nós.
O cristão não caminha movido por aquilo que vê, mas sim pela fé, pela confiança nas promessas de Deus para o seu povo, que são constantemente reiteradas nas Escrituras.
Após decidirmos seguir em frente, poderemos ver Deus restaurando aquele casamento que se encontrava abalado, salvando aquele familiar ou amigo que estava rumando para o abismo, curando aquela enfermidade que tanto atormentava a família, libertando pessoas do cativeiro do maligno, abrindo portas para um emprego onde haja mais satisfação, preparando a concretização de nossos sonhos e projetos, que estarão em conformidade com a Sua vontade pois partirão de corações transformados.
A maior promessa, porém, é a da vida eterna, que aguarda todos os que perseverantes se mantêm firmes em Jesus Cristo, e não se deixam abater pelas investidas do maligno e do mundo, mas olham firmemente para o Autor e Consumador da nossa fé.
A glória que está reservada para aqueles que amam a Deus e que seguem em frente é infinitamente maior do que qualquer coisa que possamos imaginar. Com Cristo seremos glorificados, com Ele habitaremos na eternidade, onde não entrarão o pecado, a tristeza, as doenças nem qualquer coisa que possa abalar nossa íntima comunhão com Deus.
Paulo, escrevendo aos cristãos de Corinto, assim falou: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. (1Cor 2.9)
       
       CONCLUSÃO
Jesus nos ensinou muitas coisas com sua vida, e uma das lições mais valiosas foi que, diante do desafio de seguir em frente, devemos avançar movidos pelo objetivo de fazer a vontade de Deus, conhecendo-a por meio de um relacionamento íntimo com o Pai, e dispostos a pagar o preço por nossa escolha, sabendo que a recompensa que nos espera é muito maior do que qualquer sofrimento que venhamos a experimentar nesta vida.
Como discípulos de Cristo, procuremos imitá-lo, sem jamais vacilar ou retroceder, mas seguindo em frente na força do Espírito Santo, que nos ensina e consola, munindo-nos das ferramentas necessárias à continuidade dessa caminhada.
“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, 2 olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. 3 Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.” (Hebreus 12.1-3)
Que o Espírito Santo de Deus nos capacite a sermos como Cristo, jamais abandonando a missão para a qual fomos chamados, mas sempre seguindo em frente, para que Deus seja glorificado em nossa vida e sejamos instrumentos da Graça de Deus neste mundo. Amém.
José Vicente
09.10.2016

terça-feira, 17 de maio de 2016

CHAMADOS PARA SER INSTRUMENTOS DO PODER DE DEUS


Base: Mateus 10.1-4

Jesus Cristo veio ao mundo com uma missão bem definida, e a cumpriu cabalmente, não restando nada a ser feito em termos de oferta pelo pecado, já que o Cordeiro de Deus foi imolado na cruz a fim de redimir todos os que nEle creem. Jesus se mostrou ser o Único Caminho para a reconciliação com Deus, e por meio de Sua morte e ressurreição Ele nos proporcionou a Vida Eterna.
A fé cristã se alicerça nessa verdade, todavia, para que essa Boa Nova chegasse a todos os lugares do planeta, Cristo deixou na terra a Sua Igreja, composta por todos os que nEle creem e que O tem como Senhor e Salvador.
Essa Igreja é formada pelos que foram chamados por Cristo para serem Seus embaixadores, os proclamadores do Reino, aqueles que têm a responsabilidade de dizer a todos que Jesus morreu e ressuscitou para nos dar a salvação, e um dia voltará para buscar a Sua Igreja, assim como para julgar os vivos e os mortos, cientes de que todos os que rejeitam o Cristo receberão sobre si a condenação por sua vida de pecados e rebeldia.
Analisando o texto bíblico, porém, percebemos que Jesus, ao escolher aqueles que levarão o Evangelho adiante, não se preocupa em chamar pessoas grandemente instruídas nem de destaque na sociedade. As escolhas de Jesus surpreendem a todos, pois Ele não olha para os seres humanos como nós olhamos, Ele não busca pessoas extremamente capacitadas, mas vislumbra corações aptos a serem trabalhados para que o Poder de Deus seja manifesto.
A passagem que lemos nos traz algumas lições importantes, que devem estar fixas em nossa mente, porque também nós somos chamados, a exemplo daqueles homens, para anunciarmos as Boas Novas, e embora não nos sintamos capacitados, a Palavra nos mostra que devemos nos dispor e obedecer, porque quem nos capacita é Cristo.
Vamos ver alguns pontos relevantes do texto bíblico.

1)      Jesus chama pessoas improváveis 
Os discípulos de Cristo não eram pessoas diferenciadas, pelo contrário, eram homens comuns, a maioria tinha pouca instrução, e seus temperamentos eram variados. Não havia nada especial naqueles homens, e provavelmente eles não seriam considerados como boas opções de líderes, de prosseguidores da Obra do Filho de Deus.
Os homens chamados por Jesus para serem seus discípulos e apóstolos tinham defeitos como qualquer ser humano. Eles não eram pessoas influentes na sociedade, não ostentavam títulos ou qualquer poder.
Pedro era impulsivo, ambíguo – tinha fé, mas ao mesmo tempo fraquejava; era corajoso, mas ao mesmo tempo tinha medo -; afirmou que morreria por Jesus, mas o negou quando Ele foi preso, e depois se arrependeu amargamente.
Tiago e João eram bem dispostos, mas cogitavam ter a primazia entre os demais, causando mal estar e levando Jesus a adverti-los. Em certa ocasião propuseram a Jesus usar o poder celestial para trazer o mal a uma aldeia por vingança, pois tinham se recusado a receber o Mestre, precisando ser repreendidos por Jesus (Lucas 9.54).
Tomé era um homem que precisava de provas para acreditar. Quando Jesus ressuscitou, Tomé não acreditou no testemunho dos demais discípulos, afirmando que somente creria se visse Jesus e tocasse em seus ferimentos.
Mateus era um coletor de impostos, e como todo publicano, não era bem visto pelo povo, pois geralmente os coletores exigiam mais do que era devido, defraudando as pessoas.
A maioria dos discípulos chamados eram pescadores. Não havia doutores em teologia. Jesus não escolheu escribas nem mestres, mas pessoas comuns, improváveis, sem maiores qualificações, e de quem não se poderia esperar muita coisa. Eram diferentes uns dos outros, com opiniões e atitudes distintas.
Da mesma forma Jesus continua agindo hoje. Ele escolhe e chama pessoas como nós, que não temos grandes atrativos como seres humanos, somos pessoas comuns. Nós que temos falhas, medos, pecados, temos dificuldades com nossos temperamentos, somos infiéis, mentirosos, não confiáveis, desprovidos de grandes conhecimentos sobre Deus e Seu Reino.
E mesmo que tenhamos algum título que as pessoas valorizem, isso não é considerado por Cristo, pois diante dEle todos somos iguais. Depois de sua ressurreição, Cristo vocacionou Paulo para ser apóstolo. Paulo era um homem culto, um doutor da Lei, todavia ele mesmo testificou em suas cartas que o seu conhecimento anterior ao encontro com Cristo era considerado refugo, e que somente depois que sua vida foi entregue a Cristo é que ele soube o que era o verdadeiro conhecimento, a verdadeira sabedoria e a verdadeira riqueza.
Os títulos humanos não são nada para Cristo. Diante dEle todos são pecadores e necessitam desesperadamente da Graça Salvadora.
Mas muitos acham que possuir títulos, posição social, é algo relevante para ser usado por Deus. Ora, para ser instrumentos de Deus não somos escolhidos por nossas prerrogativas ou qualificações, e Jesus mostrou exatamente isto ao escolher um grupo de homens que não tinham status nem eram notáveis, antes, eram comuns.
Jesus usa pessoas imperfeitas.

2)      Jesus conhece a quem Ele chama 
Jesus não chamou pessoas sem saber de suas características. Ela sabia quem era cada um dos escolhidos. Jesus conhecia o caráter de Pedro, Tiago, João, Filipe, Bartolomeu e todos os demais que Ele chamou para serem seus discípulos e apóstolos.
Jesus não foi surpreendido com as atitudes dos que Ele chamou. Ele não ficou perplexo diante da negativa de Pedro, muito menos diante dos arroubos de fidelidade desse mesmo Pedro.
Dentre os discípulos, um não estava comprometido com o Reino de Deus da forma que Jesus veio ensinar, mas pensava em um reino político, tinha pretensões opostas ao que o Mestre pregava, e isso o levou a entregar Jesus aos que queriam prendê-lO e matá-lO. Judas fazia parte do grupo de discípulos, mas foi o traidor. Ele não estava imbuído da mesma mentalidade dos demais. Há uma passagem em que Judas é chamado de ladrão, porque retirava valores da bolsa de ofertas coletadas (João 12.4-6).
Porém Jesus não foi surpreendido com a atitude de Judas, porque Ele o conhecia e sabia exatamente o que Judas faria.
Cada um de nós é ampla e profundamente conhecido por Jesus. Ele sabe o que se passa em nosso coração, conhece nossos medos, nossas dúvidas, nossas fraquezas, nossos anseios, nossos dramas, nossos traumas.
Nós não surpreendemos Jesus com nossas atitudes, com nossos momentos de recuo, com as recaídas em algum pecado. Não há nada em nosso ser que seja desconhecido por Jesus. Nada oculto, ainda que no mais íntimo do nosso ser, que esteja encoberto aos olhos dEle. Ele sabe se somos como Pedro ou como Judas.
Por vezes as pessoas se mostram temerosas de desenvolver algum trabalho na Igreja porque não se consideram capazes nem dignas. Há pessoas que pensam que talvez Jesus não saiba de algum defeito escondido que possuem, e que se Ele soubesse elas seriam rejeitadas.
O Salmo 139 se aplica como uma luva aqui, pois revela o amplo conhecimento de Deus sobre cada um de nós, até mesmo em áreas escondidas, que a ninguém revelamos.
Em João 1.43-51 temos a passagem em que Filipe leva seu irmão Natanael até Jesus, e o Mestre, assim que o vê, afirma: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!”. Natanael ficou perturbado e Jesus disse: “Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira”. A reação de Natanael mostra que Jesus estava falando de algo que provavelmente ninguém sabia, o que demonstra o conhecimento que Jesus tinha de Natanael antes mesmo deste lhe ser apresentado.
Jesus não se engana conosco.

3)      Jesus transforma a quem Ele chama 
Os homens escolhidos por Jesus passaram três anos caminhando com Ele, sendo instruídos e conhecendo mais a fundo os valores do Reino.
E enquanto caminhavam com Cristo, eram transformados. Homens temerosos se transformaram em ousados pregadores das Boas Novas. Homens infiéis, que fugiram quando Jesus foi entregue para ser morto, se tornaram testemunhas fiéis de Cristo, morrendo por Ele. Homens com pouca instrução foram feitos pregadores audaciosos, capazes de falar com sabedoria e intrepidez até mesmo diante de autoridades.
Jesus trabalhou o temperamento daqueles homens.
Jesus os chamou como eram, mas não os deixou daquele jeito, pois não poderiam ser instrumentos de Deus sem que fossem antes transformados em novos homens.
Da mesma forma, Jesus nos chama no estado em que nos encontramos, mas Ele quer nos usar como instrumentos para a glória de Deus, como embaixadores do Reino, e para isto Ele molda nosso caráter, age em nossas fraquezas, em nossos medos, envia o Seu Espírito Santo para nos instruir e transformar.
Todos nós, que fomos chamados por Cristo para sermos Suas testemunhas, precisamos ser lapidados. Devemos caminhar com Cristo, aprender dia a dia a nos conhecermos mais, e a conhecermos profundamente o nosso Senhor, submetendo-nos à ação do Espírito Santo.
Cristo quer fazer de nós instrumentos úteis ao Reino de Deus. Ele quer que nos esvaziemos de nós mesmos para sermos cheios do Espírito Santo. Ele quer que nossa caminhada seja acompanhada da manifestação do Poder de Deus, levando vida onde estivermos, assim como o fizeram aqueles que Ele vocacionou no início da Igreja.
Os apóstolos foram os homens que deram prosseguimento à obra de Cristo na terra, levando a Igreja a crescer e se espalhar por todo o mundo, mas só conseguiram isso porque foram profundamente transformados pelo poder de Deus e viram o caráter de Cristo ser formado e fortalecido neles a cada dia.
Assim também nós, que hoje somos chamados por Cristo para sermos Seus embaixadores, necessitamos passar pela completa transformação de nosso ser, com o caráter de Cristo sendo moldado em nós, de maneira que possamos efetivamente ser utilizados como instrumentos de honra na Casa do Altíssimo, jamais trazendo vergonha ao Nome de Deus, mas trabalhando para engrandecê-lO cada vez mais entre as nações.
Os doze apóstolos de Cristo – exceto Judas, que tinha outra finalidade – transformaram o mundo por meio da pregação do Evangelho, anunciando a Cristo. E nós, feitos embaixadores de Cristo, somos transformados dia a dia para que o mundo conheça a Cristo por meio de nós.
Jesus nos faz novas criaturas.

CONCLUSÃO
A obra de Cristo não terminou, e a cada dia ele comissiona mais pessoas para que deem prosseguimento a esse trabalho, anunciando a morte e ressurreição do Filho de Deus, e a sua volta futura, quando então fará separação entre o joio e o trigo, lançando fora todo aquele que rejeitar a Palavra da Fé, que não O reconhecer como Senhor e Salvador, que se mantiver em inimizade contra Deus.
Para isto, Jesus continua chamando pessoas comuns, cujos defeitos são por Ele conhecidos, e que serão por Ele transformadas profundamente, a fim de que se tornem instrumentos do poder de Deus e glorifiquem ao Altíssimo.
Ouvindo a voz de Cristo respondamos afirmativamente, e nos submetamos sempre ao Seu senhorio, porque Ele deseja demonstrar, por meio de nossas vidas, o Seu imenso amor ao ser humano e a oportunidade oferecida de reconciliação com Deus.

“Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda.” (Salmo 139.3-4)

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, e prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Salmo 139.23-24)

Que o Cristo nos faça compreender a importância do nosso chamado, e nos capacite para sermos instrumentos de glorificação de Deus.
José Vicente 
24.04.2016