segunda-feira, 21 de maio de 2018

EXPERIMENTANDO A GRAÇA ILIMITADA DE DEUS



Texto base: Mateus 15.29-39

Algumas vezes, principalmente no início do ano, podemos ver diversas grandes lojas realizando promoções com anúncios de descontos que chegam a 70%. Geralmente é uma forma de queimar o estoque que sobrou após as festividades de fim de ano.

Nessas situações, não é raro ver pessoas que se dispõem a enfrentar filas enormes para poderem assegurar sua entrada no estabelecimento e adquirir o almejado produto com generoso desconto. Há, inclusive, aqueles que montam acampamento na porta da loja, passando ali a noite, para terem a certeza de que conseguirão entrar e comprar o que desejam pelo precinho imperdível.

A mesma coisa ocorre quando cantores e bandas musicais estrangeiras e famosas vêm ao nosso país para realizar turnês de shows. Os fãs passam dias em filas aguardando a abertura das bilheterias para adquirir os ingressos e não perder a única e exclusiva apresentação dos artistas.

Em marketing isso é explicado como o disparo do gatilho mental da escassez. Isto leva as pessoas a envidarem esforços para adquirirem aquilo que desejam e que pode terminar logo, não voltando a ficar disponível tão cedo. É o medo de não conseguir realizar um sonho de consumo, seja a compra de um bem, a presença em um show do artista favorito, ou qualquer outra coisa que possa ser desejada e adquirida.

Será que em nosso relacionamento com Deus precisamos temer a escassez? Será que, se não aproveitarmos as bênçãos que Deus tem para nós hoje, amanhã não haverá mais? O poder de Deus pode sofrer alguma limitação com o tempo e então Ele deixará de suprir nossas necessidades em dado momento da existência?

O texto lido mostra Jesus, próximo ao Mar da Galileia, diante de uma multidão de milhares de pessoas que O seguiam para ouvir Seus ensinamentos e buscar auxílio quanto a situações de enfermidade.

Nos versículos 29 a 31 vemos que essas multidões traziam inúmeras pessoas doentes, que não encontravam solução junto aos médicos da época, e Jesus curava a todos, levando todos a glorificarem a Deus.

E então chegamos ao momento em que Jesus realizou, pela segunda vez, o milagre da multiplicação de pães e peixes.

É interessante notar que não fazia muito tempo que Jesus havia realizado um milagre semelhante, quando, utilizando cinco pães e dois peixes, alimentou cinco mil homens, além de mulheres e crianças, conforme relatado em Mateus 14.13-21.

As duas situações, porém, eram diferentes. Na primeira multiplicação, Jesus estava na Galileia, perto de Betsaida, região predominantemente judia; já na segunda multiplicação, Jesus estava na região chamada Decápolis, onde predominavam os gentios.

Jesus estava dando sinais de que o Reino de Deus seria estendido aos gentios, e que um novo tempo chegava, onde Deus seria buscado e encontrado por aqueles que antes estavam de fora da aliança divina.

A passagem traz inúmeros ensinamentos a nós, que, assimilados, nos levarão a um crescimento espiritual cada dia maior, proporcionando maior plenitude de vida na Presença do Altíssimo não apenas para nós, mas também a nossa família. E certamente aprenderemos, também, que com Deus não há escassez.

      Vamos meditar em alguns desses ensinamentos. 

      1)      PERMANEÇA COM JESUS INDEPENDENTEMENTE DAS CIRCUNSTÂNCIAS (v. 32)
Quando Jesus olhou para a multidão que ali estava, disse o seguinte: “Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanece comigo e não tem o que comer” (v. 32).

Aquelas pessoas haviam deixado o conforto de suas casas, e seguiam Jesus já há três dias, ansiosas por ouvir o que Ele ensinava e também para apresentarem a Ele aquilo que as afligia, na esperança de que poderiam obter a solução, por mais que parecesse impossível o problema que estivessem enfrentando.

Durante três dias as pessoas caminharam com Jesus, e se mantiveram firmes em seu propósito, não desanimando por causa das circunstâncias. É claro que, em certo momento, acabou o alimento que porventura tivessem levado, pois talvez não fizessem ideia de que sua jornada seria longa. Mas o certo é que, longe de casa, em local deserto, sujeitos a intempéries, sem nenhum conforto ou facilidade, elas permaneceram com Jesus.

É bem provável que, dentre a multidão que iniciou a caminhada com Jesus, tenha havido aqueles que, ao primeiro sinal de dificuldade, tenham retornado para suas casas. Esses, porém, não testemunharam os milagres que Jesus fez e que somente foram contemplados por aqueles que permaneceram com o Mestre o tempo todo.

Nossa caminhada não é fácil. Entretanto, é necessário permanecer com Jesus, independentemente das circunstâncias.

Para muitos, é fácil permanecer com Jesus quando a vida está confortável, quando tudo está indo bem e não há contratempos. Entretanto, quando surgem desafios, problemas inesperados, crises, permanecer com Jesus não parece ser algo tão fácil, principalmente para quem é imediatista e quer ver soluções instantâneas, não se dispondo a esperar por uma intervenção de Jesus.

Permanecer com Cristo exige abnegação, fé, disposição para caminhar com o Mestre, para ouvir seus ensinamentos, para suportar situações adversas sem retroceder.

No meio daquela multidão havia famílias que buscavam a Jesus. Pais, mães e filhos juntos se empenhando por conhecer a Cristo e ser transformados por Ele. Pessoas que não desistiram ao longo da caminhada, e superaram o desconforto de estar longe de casa para poderem ser abençoadas por Jesus.

Permanecer com Cristo é um desafio enorme para o ser humano, principalmente diante de tanta sedução do mundo e suas filosofias hedonistas, que induzem as pessoas a buscarem o que é mais fácil e prazeroso, em detrimento daquilo que possa exigir sacrifícios e renúncia.

Permaneça com Jesus mesmo que pareça bobagem aos olhos do mundo. Permaneça com Jesus mesmo que a situação aparentemente seja de impossível solução. Permaneça com Jesus mesmo que pareça mais fácil voltar atrás e percorrer outro caminho. 

Permaneça com Jesus, aconteça o que acontecer. 

      2)      É NECESSÁRIO ASSENTAR-SE E PRESTAR ATENÇÃO EM JESUS (v. 35)
Quando se tem uma multidão de milhares de pessoas reunidas, é natural que haja muito burburinho, muita conversa, agitação, principalmente se houver algo que possa perturbar a tranquilidade das pessoas. Certamente teremos pessoas andando para lá e para cá; crianças brincando; uns sentados, outros em pé; alguns calmos, outros mais agitados; enfim, dificilmente uma multidão será silenciosa e tranquila.

Aquela multidão que estava com Jesus provavelmente não era diferente. Entretanto, em meio à agitação do povo, Jesus ordena que todos se assentem no chão.

É provável que as pessoas não soubessem o que estava por vir. Elas apenas ouviram a ordem: “sentem-se”. Por que deveriam se sentar? Talvez alguém tenha feito essa indagação, mas o certo é que, após a ordem de Jesus, todos se assentaram.

Assentar-se, naquela circunstância, poderia ser entendido como um sinal de que Jesus iria iniciar algum ensinamento, mas, de qualquer forma, indicava que as pessoas deveriam se acalmar, se aquietar e fixar a atenção no Mestre. E foi o que a multidão fez.

Em meio a nossa aflição, inúmeras vezes permanecemos inquietos, não fazemos silêncio, agitamo-nos e ficamos perturbados. Jesus, porém, diz: “sente-se”.

Sentar-se é acalmar os pensamentos. É fazer calar aquela nossa voz que insiste em fazer questionamentos o tempo todo, e não consegue ouvir claramente a Voz do Mestre. É aquietar-se e olhar para Jesus, esperando o que Ele está preparando para nós. É cessar os esforços que são feitos sem qualquer direcionamento de Deus, baseados apenas em nossa perspectiva das coisas e em nossa vontade de resolver os problemas.

A multidão se assentou e foi alimentada por Jesus, testemunhando um milagre de proporções gigantescas, que foi a multiplicação de sete pães e alguns peixinhos para alimentar milhares de pessoas que ali se encontravam.

No Salmo 46 vamos encontrar a seguinte exortação: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (Sl 46.10)

Quando ouvimos Jesus e nos assentamos, Ele farta nossa alma com amor e nos socorre naquilo que é necessário, saciando-nos e cuidando de nós.

      3)      CREIA QUE A GRAÇA DE DEUS É ABUNDANTE E ILIMITADA (v.37-38)
A mente humana é limitada, e isso pode nos levar a pensar que, se Deus fez um milagre uma vez, talvez seja demais esperar que Ele faça algo parecido de novo. Nem sempre esse é um pensamento consciente, mas certamente ele está entranhado nas mentes de muitos cristãos que ficam temerosos ao se verem novamente diante de uma situação difícil, pois ficam em dúvida quanto à possibilidade de receberem novo livramento de Deus.

Podemos ver isso claramente na história de Israel após a saída do Egito. Durante a caminhada pelo deserto, Deus fez inúmeros sinais e prodígios maravilhosos, entretanto, ao primeiro sinal de dificuldade parecia que o povo se esquecia do que Deus já havia realizado, ou achava que o Altíssimo talvez não pudesse fazer mais nada, pois imediatamente se levantava murmuração em meio à multidão, havia choro, medo de seguir adiante e vontade de voltar atrás.

Ora, a Bíblia toda nos revela que Deus é rico em poder, e para Ele não há limites. Deus não se cansa nem se enfraquece quando utiliza Seu poder. A misericórdia do Altíssimo não se esgota, muito menos Sua disposição em abençoar os que O amam.

Israel no deserto, apesar de toda murmuração, via Deus agindo dia após dia e realizando feitos tão grandiosos que as pessoas tinham até dificuldade em acreditar no que seus olhos viam.

E no texto lido vemos, vemos que os próprios discípulos de Jesus tinham essa mentalidade, porque, não levando em conta a multiplicação anterior, questionavam como seria possível alimentar tanta gente (v. 33). Talvez eles achassem que Jesus não faria em território gentio o mesmo milagre que fizera perante os judeus, seja por questões de diferenciação entre esses povos ou por achar que os gentios não fossem dignos de receber tão grande cuidado divino.

A atitude de Jesus, porém, mais uma vez é a confirmação da inesgotabilidade do poder e da misericórdia de Deus.

Jesus repetiu um milagre que havia feito não muito tempo atrás, quando alimentara uma multidão de cinco mil homens, mais mulheres e crianças, a partir de apenas cinco pães e dois peixes (Mateus 14.13-21). E agora, diante de uma multidão onde milhares de pessoas se encontravam em situação que não lhes permitia obter alimento, Jesus não teve dúvidas em tornar a multiplicar os pães e peixes para que todos fossem alimentados.

E Jesus não fez acepção de pessoas! Mesmo estando em uma região de povo gentio, Jesus estendeu àquelas pessoas as mesmas bênçãos que havia derramado sobre os judeus.

E mais: o texto nos revela que o milagre não foi feito com mesquinharia, mas com abundância, porque foi provido alimento para quatro mil homens, além de mulheres e crianças, e para mostrar que com Deus não há miséria, o que sobrou foi suficiente para encher sete cestos.

A palavra traduzida como “cesto”, na primeira multiplicação (Mt. 14.20) se refere a cesto pequeno, do tipo usado para uma pessoa carregar pães, talvez aquela cesta que usamos no supermercado para poucas mercadorias, enquanto na segunda multiplicação (Mt. 15.37) a palavra grega designa cestos grandes, utilizados no mercado para transporte de mercadorias, onde cabia até uma pessoa, como em Atos 9.25, onde é narrado que Paulo foi posto em um cesto para fugir dos judeus que queriam matá-lo a qualquer custo. 

Notemos, ainda, que Jesus vinha de uma maratona de curas, onde muitas pessoas haviam sido libertadas de enfermidades incuráveis! E isso não reduziu Seu poder.



Você acha que Deus já fez demais em sua vida e que as chances de que Ele venha a atender ao seu clamor são pequenas? Pensa que a sua situação é muito grave e que talvez Deus vá agir apenas em uma parte do problema, deixando sem solução o restante? Ou será que você se acha inferior a outras pessoas e acredita que Deus olhará para todos, menos para você?

É necessário crer que a Graça de Deus é infinita, inesgotável, e que a Sua ação em nosso favor pode ir muito além do que imaginamos e esperamos. Também é essencial crer que Deus não faz acepção de pessoas. Quem O busca O encontra.

Em Deus há abundância de misericórdia, de graça, de amor, de bênçãos. Quando Ele age em favor de seus filhos, Ele o faz liberalmente, com generosidade, de maneira a saciar a fome e a sede. Deus não dá migalhas aos Seus filhos.

CONCLUSÃO
Jesus veio transformar vidas, e nEle encontramos plenitude de vida. Ele está de mãos abertas para abençoar os que permanecem nEle, que se assentam e fixam nEle sua atenção, e que creem na ilimitada e infinita Graça de Deus. Com Ele não precisamos temer a escassez.

O que Jesus pode fazer em nossas vidas está além de nossa compreensão. Cumpre a nós crermos e andarmos em Seus passos, jamais nos rendendo ao comodismo e às influências do mundo, mantendo-nos firmes nos ensinamentos do Mestre.

“28 Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento.” (Isaías 40.28)

“20 Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, 21 a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Efésios 3.20-21)

Que Deus nos conceda fé cada dia mais forte e inabalável, para permanecermos firmes em Cristo e com Cristo. Amém.

José Vicente

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