quarta-feira, 12 de abril de 2017

QUE TIPO DE SOLO É NOSSO CORAÇÃO?



Texto Base: Mateus 13.1-9 e 18-23 (Parábola do Semeador)
 
Nesta passagem vemos Jesus, após dar respostas sábias e perturbadoras aos líderes religiosos que desejavam encontrar motivos para acusá-lo e prendê-lo, fazendo algo que lhe era bastante rotineiro: ensinando às multidões.
Jesus vinha pregando as verdades do Reino de Deus, e sua audiência era composta por gente do povo e por líderes religiosos, doutores da Lei, homens de elevado saber. Mas eram justamente estes que se opunham a Jesus, e sempre recebiam respostas contra as quais não tinham argumentos.
Nesse cenário, Jesus lança uma parábola que ilustra a reação das pessoas diante do anúncio das verdades do Reino de Deus de uma forma diferente daquela que vinha sendo ensinada até então. Era a mensagem autêntica, libertadora, que tinha o poder de dar vida a quem a recebesse e a guardasse, mas que também condenaria aqueles que a rejeitassem, pois o cerne da mensagem era o próprio Jesus, o único Caminho para a Vida Eterna.
O que Jesus fala nesta passagem é aplicável às pessoas que ouvem o Evangelho pela primeira vez, mas também se aplica àqueles que já estão inseridos no meio do povo de Deus, afinal, o ministério de Jesus foi desenvolvido entre os judeus. Ele próprio disse que veio resgatar as ovelhas perdidas da Casa de Israel.
Logo, Jesus não estava falando a pessoas que ignoravam a Palavra de Deus, mas a crentes.
Portanto, os 4 (quatro) tipos de terreno indicados por Jesus nessa parábola podem estar presentes tanto fora como dentro da Igreja. Sim, é possível que existam crentes que se enquadrem em algum dos tipos mencionados por Jesus, e nosso desejo é de que a maioria esteja no quarto exemplo.
É interessante notar que, se formos considerar a questão do ponto de vista matemático, teremos apenas 25% de pessoas que recebem a Palavra e frutificam, enquanto 75% permanecerão sem frutos e distantes do Reino de Deus.
Isso significa que, a cada 100 pessoas que ouvem a Palavra, apenas 25 respondem de forma positiva e passam a ter uma vida transformada, mas 75 continuam suas vidas sem experimentarem as glórias celestiais.
Essa verdade pode nos trazer preocupação, por causa da grande quantidade de pessoas que não são impactadas pela mensagem do Evangelho, que prosseguem sem Cristo. Todavia nos traz também a certeza de que o que vemos é o cumprimento das Palavras de Jesus, e que isso não depende dos nossos esforços pessoais no convencimento de quem ouve, pois somente o Espírito Santo é que vai realizar esse trabalho nos corações dos escolhidos.
Nosso objetivo, porém, não é julgar as outras pessoas e tentar enquadrá-las em uma das categorias listadas por Jesus. Antes, devemos olhar para nós mesmos e analisar onde é que nos encaixamos, pois embora sejamos crentes em Jesus, precisamos ter a certeza de que não estamos nos enganando, e de que estamos frutificando como o Mestre disse que aconteceria.
Vamos analisar as quatro características que marcam os tipos de solos apresentados por Jesus.

    1)      Falta de entendimento (vv. 4 e 19)
Durante a história de Israel narrada na Bíblia, vemos muitas vezes que grande parte do povo tinha uma enorme dificuldade em entender a mensagem de Deus. Era como se tudo o que o SENHOR ensinasse caísse rapidamente no esquecimento, não encontrando guarida nos corações e, via de consequência, sem provocar mudança na vida de quem ouvia.
No contexto da passagem lida, vemos que principalmente os líderes religiosos daquele tempo, apesar de serem profundos conhecedores da Lei de Deus, não a compreendiam, embora eles próprios se considerassem sábios e mestres da Lei. Eles achavam que conheciam a vontade de Deus, mas seu conhecimento era limitado à letra da Lei, às regras, nunca alcançaram a essência de tudo quanto Deus ordenara por meio de Moisés.
A falta de entendimento não está ligada à inteligência, porque não é com o intelecto que se discernem as coisas espirituais, como afirmou Paulo:
“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1Cor 2.14)
E tudo o que Jesus ensinava era rejeitado por esses homens, justamente porque eles não compreendiam a mensagem do Reino de Deus. E por que eles não compreendiam? Por que muitas pessoas hoje continuam não compreendendo? Podemos listar algumas causas:
a)   Uma das causas era a sua arrogância, a sua convicção de que conheciam toda a vontade de Deus e que não seria possível alguém saber mais do que eles e lhes trazer algum ensinamento. Aqueles líderes eram tão cheios de si que não havia espaço para considerarem a possibilidade de que não soubessem tudo. Então, com o coração repleto de orgulho, de soberba, não aceitavam qualquer palavra que não estivesse de acordo com suas opiniões. Eles nem ao menos cogitavam meditar no que era ensinado por Jesus, pois isto implicaria em assumir que poderiam estara errados em suas interpretações.
O orgulho é um veneno que continua impedindo muitas pessoas de compreenderem a Palavra de Deus. Elas estão de tal modo presas às suas próprias verdades, consideradas inquestionáveis e imutáveis, que não permitem nem mesmo pensar na hipótese de que suas opiniões estejam equivocadas.
Pessoas orgulhosas estão cheias do saber, julgam que suas opiniões são melhores, suas atitudes são melhores, sua forma de ver as coisas é a mais correta, e a Palavra de Deus deveria se amoldar às suas concepções.
Essas pessoas não conseguem compreender a mensagem do Evangelho. Elas não entendem o motivo de necessitarem de salvação. Não entendem como é possível ter a salvação pelo ato de um homem que morreu milhares de anos atrás, assim como não compreendem o mistério da ressurreição. Não compreendem que Deus não aceita seus esforços pessoais na tentativa de alcançar a vida eterna, porque o único Caminho para a Vida Eterna é Jesus. Não compreendem o sentido da Igreja como o Corpo de Cristo, muito menos a necessidade de santidade para aperfeiçoamento e obediência à vontade de Deus.
O orgulhoso não entende que é impossível se autojustificar. Ele não compreende o amor de Deus, e assim não consegue usufruir desse amor.
O orgulhoso pode ler a Bíblia inteira, mas não compreenderá a sua mensagem. Ele poderá recitá-la de capa a capa, mas continuará sem entendimento.
O orgulhoso não tem disposição para ser trabalhado pelo Espírito Santo. Ele não busca o entendimento. É o oposto do Eunuco descrito em Atos 8.26-38, pois este não estava entendendo as Escrituras, todavia tinha sede de compreendê-las, então Deus enviou Filipe para instruí-lo.
O coração humilde está aberto à instrução, mas o soberbo julga saber tudo.

b)   Outra causa da falta de compreensão quanto à Palavra reside no fato de que muitos não pertencem ao rebanho de Jesus. Em mais de uma oportunidade Jesus afirmou que Seus ouvintes não entendiam o que Ele falava porque não eram de Deus ou não eram Suas ovelhas, conforme transcrição abaixo:

“Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus.” (João 8.47)

“Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” (João 10.26-27)

Quem não é ovelha de Jesus ouvirá a Palavra e não a compreenderá. Pode até ter simpatia pela mensagem do Evangelho, mas sem entendimento, e jamais se firmará, assim como não frutificará.

    2)      Superficialidade (vv. 5-6 e 20-21)
Enquanto muitos não entendem a Palavra, há outros que a recebem com alegria, têm empolgação, todavia isso não passa de uma manifestação emocional, visto que, tão logo comecem as pressões e perseguições por causa da Palavra, abandonarão tudo e voltarão à vida de antes.
Essas são pessoas que vivem na superficialidade, não se aprofundam no relacionamento com Deus, e se tiverem que enfrentar alguma adversidade por causa da Palavra, não conseguem permanecer firmes, justamente porque não firmaram raízes, ou seja, apenas tiveram um contato de “leve” com o Evangelho e com Jesus, sem assumirem um compromisso verdadeiro de buscar conhecimento, santidade e relacionamento com o Salvador.
Uma pessoa superficial não recebe alimento que permita o seu fortalecimento e crescimento. Suas raízes não penetram no solo da fé, ela se mantém em cima do solo, e facilmente é arrancada pelos ventos que sopram.
Pessoas superficiais podem conhecer muitas filosofias, saber muitas coisas, mas não conseguem manter uma relação firme e autêntica com Jesus. Não O tratam como Seu Salvador e Senhor, mas apenas como alguém que tinha uma bonita filosofia de vida.
E desta forma, não há como frutificar. A Palavra não se desenvolve em seu coração, a fé é frágil e se esvanece facilmente. Seus lábios não exaltam o Deus Altíssimo, porque, como diz a Escritura, “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt. 12.14).
Quem é assim não desenvolve confiança em Deus, antes, continua acreditando na força humana. Sua superficialidade faz com que seja levado por qualquer vento de doutrina.

    3)      Materialismo (vv. 7 e 22)
A semente que cai entre os espinhos e é sufocada se refere aos que ouve a Palavra, mas não têm capacidade de renúncia. Seu coração está firmado nas coisas terrenas, não há espaço para deixar algo de lado a fim de viver com maior intensidade para Deus.
Um exemplo bíblico disto é o jovem rico que se achegou a Jesus para saber como faria para herdar a vida eterna. Jesus lhe falou da observância dos mandamentos, ao que ele respondeu que isso fazia desde a mocidade. Mas quando Jesus lhe disse que era necessário vender suas muitas propriedades e distribuir entre os pobres, ele foi embora, pois seu coração estava firmado nas coisas terrenas, e não havia disposição para renunciar a nada.
Renúncia é algo extremamente difícil. Deus não condena as riquezas adquiridas com o nosso esforço e a bênção do próprio Deus, todavia a lista de prioridade do cristão não deve ser a mesma que o mundo segue.
Para o mundo, as maiores prioridades são as satisfações pessoais, seja por meio do dinheiro, do poder, da influência, da posição social. A filosofia do mundo ensina a buscar em primeiro lugar sua própria satisfação. O ser humano é o centro. Suas vontades devem ser satisfeitas.
Pessoas que seguem essa filosofia, ouvem a Palavra e até simpatizam com ela, congregam em alguma denominação, mas não pensarão duas vezes se tiverem que escolher entre uma atividade que lhes renda dinheiro e um trabalho da Igreja: optarão pelo dinheiro.
Tais pessoas formam vários deuses para si: dinheiro, status, comida, trabalho, viagens, bens materiais, etc. E é óbvio que não há como servir a Deus e continuar adorando a outros deuses!
“Então Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu.” (I Reis 18.21)
O materialismo sufoca a Palavra que foi semeada, porque a pessoa não tem tempo para o cultivo dessa Palavra, está muito ocupada cuidando das coisas materiais. Para alguém assim, a maior preocupação é com as coisas deste mundo, e não pensa com seriedade no seu destino após a morte física.
Trata-se de alguém que pode até passar a vida toda dentro de uma igreja, participando de cultos aos domingos, fazendo ofertas generosas, todavia no restante da semana parece não haver Deus em sua vida. Ela não frutifica, não demonstra arrependimento real, não é caridosa, não sabe perdoar, não vive com integridade e retidão, não manifesta o fruto do Espírito.

    4)      Compreensão e mudança de vida (vv. 8-9 e 23)
O quarto tipo de solo representa os 25% que vão frutificar. Esses são os que recebem a Palavra e a compreendem. Essa compreensão faz com que olhem para si mesmos e reconheçam sua condição de pecadores necessitados da Graça de Deus. Isto as leva a se humilharem sob a poderosa mão de Deus, entregando-se aos cuidados do Pai.
São aquelas pessoas que firmam compromisso verdadeiro com o Senhor Jesus, e que resistem diante das tempestades, das perseguições, reconhecem o valor supremo das riquezas celestiais em Cristo, tendo capacidade de renunciar a tudo o que possa comprometer seu relacionamento com Deus.
Jesus disse que esse grupo frutifica a 100, 60 e 30 por um. São pessoas que manifestam em sua vida as marcas da fé cristã. Quem as conhece sabe que pertencem a Cristo, porque suas palavras, suas atitudes, seu estilo de vida demonstram isso explicitamente.
Essas pessoas não apenas compreendem a Palavra, mas se esforçam por vivê-la em seu dia a dia. Não são perfeitas, mas caminham rumo à perfeição.
São pessoas que compreendem o tamanho do perdão que receberam, e se empenham para perdoar aos que as ofendem. Agem como pacificadoras, lutam pela unidade do Corpo, cultivam a humildade, reconhecem seus erros, caminham na dependência do Altíssimo, manifestam o Fruto do Espírito.
Quem se enquadra nessa categoria de solo, não se contenta com um relacionamento superficial com Jesus, pois procura maior intimidade pela oração. Não se satisfaz em ouvir um sermão aos domingos, mas busca alimento na Palavra todos os dias.

CONCLUSÃO
Jesus nos mostrou um retrato real da condição do ser humano em relação à mensagem do Reino de Deus. Muitos a ouvem, mas poucos a compreendem e atendem ao seu chamado.
Os números não devem ser a nossa preocupação. O que deve atrair a nossa atenção é a condição de cada um de nós, que professamos nossa fé em Cristo. Precisamos descobrir em qual das quatro categorias de solo nós estamos enquadrados.
E, pela misericórdia de Deus, que estejamos na quarta categoria, que nosso coração seja o solo fértil onde a Palavra foi semeada e já frutificou, produzindo transformação em nossas vidas e nos conduzindo ao Reino de Deus.
Que frutifiquemos abundantemente, visto que desta forma nós seremos proclamadores da mensagem do Reino onde estivermos, semeando a semente que é a Palavra de Deus, e glorificando nosso Pai Celeste.
“Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo. Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.” (1Pe 1.13-16)
Que Deus trabalhe nossos corações a fim de que continuem a ser solos férteis para a frutificação da Palavra.
José Vicente
09.04.2017

quinta-feira, 2 de março de 2017

CUIDADO COM REVELAÇÕES DE “DEUS”




O caso da mulher que foi lançada em uma fogueira em um ritual de uma “igreja evangélica” na Nicaragua continua dando o que falar. Novos detalhes têm sido divulgados pela imprensa, conforme matéria da BBC Brasil.

Agora, o noticiário informa que uma diaconisa da igreja afirma ter tido uma revelação em que Deus ordenava que se fizesse uma fogueira no pátio do templo para que a mulher fosse curada por meio do fogo.

Essa história de revelação de Deus não é coisa nova, todavia, o que as pessoas esquecem é que a Revelação de Deus foi feita por meio das Escrituras, e não há coisas novas a serem reveladas. O que passa das Escrituras deve ser questionado, pois geralmente não passa de devaneio humano ou influência do Maligno.

No caso da mulher queimada, sem dúvida a tal “revelação” foi uma sugestão do Maligno a pessoas que não conhecem a Deus e o Seu Poder, muito menos passaram pelo Novo Nascimento, pois continuam aprisionadas pelo Maligno, pelos pecados, pela filosofia do mundo.

Impossível dizer que essas pessoas são evangélicas. Evangélico é todo o que vive conforme o Evangelho de Cristo. E não é preciso ser um gênio teológico para saber que Cristo nunca ensinou esse tipo de coisa, pelo contrário, ele era incapaz de fazer mal a qualquer pessoa, por pior que fosse, pois Seu desejo era a libertação e salvação do ser humano, não sua destruição.

Ao que tudo indica, a vítima passou alguns dias amarrada. Isso é tortura, é desumano, é bizarro e está a milhões de milhas de distância do que Jesus ensinou. Aliás, Ele não prendia ninguém, Ele libertava as pessoas. Sim, Ele as libertava do jugo do Maligno, da influência do mundo, das mazelas do corpo e da alma, dos desequilíbrios mentais, da religiosidade.

O evangélico autêntico é aquele que vive o amor ensinado por Jesus, e não o ódio semeado pelo Maligno no coração humano. O evangélico verdadeiro é aquele que sabe que Deus se revelou em Seu Filho, Jesus Cristo, de quem as Escrituras testificam, e o que passar disso vem do Maligno. O evangélico verdadeiro tem sua fé firmada em Jesus, e não em rituais pagãos, mandingas, superstições, profetadas, “oração forte” e coisas do gênero.

Cuidado com revelações de “deus”. Esse deus realmente é escrito com letra minúscula, porque o Deus Altíssimo já se revelou e não age da forma como muitos “evangélicos” acreditam, em uma fé pagã e vazia.

Que o Altíssimo tenha misericórdia de todos nós.

José Vicente
02.03.2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

REVIVENDO A INQUISIÇÃO



Nesta terça-feira, 28.02.2017, enquanto lia notícias na internet, no portal G1, deparei-me com a seguinte manchete: "Mulher morre após ser jogada em fogueira por grupo religioso na Nicaragua". Minha primeira reação foi pensar que se tratava de alguma dessas religiões que envolvem sacrifícios humanos, das quais volta e meia se fala algo nos noticiários, porém fiquei perplexo ao prosseguir na leitura e descobrir que os criminosos são homens que se denominam cristãos evangélicos.
Ainda sem acreditar no que estava lendo, pesquisei na internet para verificar se havia outros portais que teriam divulgado a mesma notícia, a fim de constatar sua veracidade, apesar de que o portal G1 provavelmente não publicaria uma manchete como essa se fosse mentira. Para minha tristeza, outras páginas de informação, dentre elas o Notícias UOL e El País, também traziam essa matéria.
Os assassinos foram identificados como pertencentes à Igreja Assembleia de Deus, na Nicaragua. Foi dito que a mulher estaria endemoninhada, e por esta razão procedeu-se à sua condenação à fogueira, ao estilo “Santa Inquisição”.
Na matéria divulgada no portal El País, consta ainda a informação dada pelo marido da vítima, de que ela teria sofrido estupro, o que, conforme o noticiário, não fora confirmado pela autoridade policial até o momento. O crime da morte pode ter sido praticado para encobrir o crime do estupro.
O fato é que, em nome da religião, mais uma barbaridade foi cometida contra um ser humano! Sim, mais uma de milhares que vêm sendo registradas ao longo da história da humanidade.
Parece que o passar do tempo não traz evolução à mentalidade do ser humano nessa área, assim como o conhecimento disponibilizado na Bíblia permanece na superficialidade, além de se transformar em um dos principais pretextos dos lobos devoradores para manipular pessoas e destruir vidas, tudo isso “em nome de Deus”.
Pois é! “Em nome de Deus” já foram dizimadas milhares de vidas. Deus, porém, não tem participação nessas barbáries que o ser humano vem perpetrando ao longo dos tempos. Na verdade, Deus se revelou em Seu Filho, Jesus Cristo, para ensinar à humanidade o verdadeiro significado da palavra “amor”, todavia o ser humano resiste, prefere deixar vir à tona o que tem de pior, ainda que para manifestar sua maldade cometa a heresia e blasfêmia de atribuir a Deus a razão de suas ações nefastas.
Com toda certeza, a grande maioria dos religiosos existentes neste mundo, que se autodenominam cristãos, nem ao menos chegaram a conhecer Jesus Cristo. Tiveram contato com sua história, com as Escrituras, com a Sua Igreja, mas jamais seus corações foram habitados pelo Mestre, assim como nunca se tornaram discípulos do Messias, antes, continuaram a ser fieis seguidores de Satanás, disfarçando-se para enganar a muitos, levando morte, destruição e tristeza por onde passam.
E não importa o nome da denominação religiosa. No caso, as pessoas pertenciam à Assembleia de Deus da Nicaragua, que acredito não ter nada a ver com a Assembleia de Deus do Brasil, assim como a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos já não tem vínculo com a Igreja Presbiteriana do Brasil. Mas independentemente disso, em todos os lugares e sob diversas denominações, será possível encontrar lobos ávidos por sangue, por poder, por glória própria, por destruição.
Aqui no Brasil, talvez ainda não haja gente sendo queimada em fogueiras, mas todos os dias vemos lobos devorando pessoas crédulas, que acreditam piamente em todas as mentiras que são ditas “em nome de Deus” e mediante a completa deturpação dos textos bíblicos. Pessoas são exploradas, roubadas não apenas em termos econômicos, mas principalmente em sua dignidade, seguindo a ladrões, falsos profetas que arrancam a lã das ovelhas para tecerem para si mesmos finas vestes, enquanto as vítimas sofrem com falta de amor, de dinheiro, de respeito, de verdadeira vida.
Jesus alertou quanto à vinda de lobos devoradores, e Seus apóstolos também chamaram a atenção dos discípulos para essa realidade. A Palavra de Deus adverte quanto a coisas desse tipo, mas também afirma que a falta de conhecimento por parte do povo, que deveria ser instruído na Palavra, causa sua destruição, conforme está registrado no Livro do Profeta Oseias, “o meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Os 4.6).
O mundo está cheio de falsos profetas. Apenas o real conhecimento de Cristo e das Escrituras pode evitar que as pessoas sejam vítimas desses lobos vorazes. O Espírito Santo é nosso professor, Ele nos leva a compreender as Escrituras corretamente, não nos atendo a doutrinas de homens, mas conhecendo a vontade de Deus.
Que Deus nos livre dos lobos devoradores, e que por Sua misericórdia Ele conduza Seu povo ao real conhecimento do Altíssimo. Que seja feita justiça àqueles que usam a Bíblia para obter proveito próprio e para satisfazer sua sede de sangue e destruição, conforme a Sabedoria do Pai Eterno, e que esses acontecimentos não sejam suficientes para enfraquecer a fé dos que caminham com Cristo nem para fortalecer os adversários do Evangelho.
Que Deus nos livre de uma nova inquisição e dos servos de Satanás disfarçados de cristãos!

José Vicente
28.01.2017