segunda-feira, 7 de março de 2022

TEMPO DE FAZER O BEM

 


Texto base: Marcos 3.1-10

Será que existe um tempo certo para fazermos o bem ao próximo? Será que nossa capacidade de fazer o bem deve ser limitada pelas circunstâncias e pelo pensamento das pessoas ao redor?

A passagem lida se encontra em um período em que Jesus teve alguns atritos com líderes religiosos judeus, pois Ele estava cumprindo a sua missão de abençoar as pessoas e lhes ensinar sobre o Reino de Deus, o que os líderes consideravam como uma ameaça à sua posição perante a comunidade israelita.

Em Marcos 2 vemos um episódio maravilhoso em que um paralítico é levado por quatro amigos até Jesus, e como não conseguiam entrar na casa, pois estava muito cheia, subiram ao telhado e foram descendo o paralítico até que chegasse a Jesus. O Mestre, então, admirado com a fé daqueles homens, disse ao paralítico que seus pecados estavam perdoados, e como os fariseus começaram a murmurar que somente Deus podia perdoar pecados, sendo aquilo uma blasfêmia, Jesus os repreendeu e promoveu a cura do paralítico diante de todos.

Na mesma seção, os fariseus criticam Jesus por comer junto com pecadores, quando Jesus responde que os doentes é que precisam de médicos, e que Ele viera para chamar pecadores, e não justos.

Depois os fariseus implicaram pelo fato de os discípulos de Jesus não jejuarem, e a seguir, criticaram os discípulos de Jesus por colherem espigas em dia de sábado.

Agora, Jesus estava na sinagoga, e lá também estavam os fariseus, observando-o atentamente para encontrar algo de que o pudessem acusar.

É interessante notar como pessoas religiosas, que conheciam a Lei de Deus, tinham a sua visão de tal modo deturpada que não conseguiam ver, nas obras de Jesus, a ação de Deus, mas enxergavam apenas motivos para fazerem oposição a Jesus.

Eles se sentiam ameaçados em sua posição de líderes religiosos, e temiam que as pessoas começassem a seguir os ensinamentos de Jesus, pois isto representaria o enfraquecimento daquela liderança corrompida.

Inicia-se, então, mais um momento de conflito espiritual que levaria aqueles homens a terem ainda mais ódio de Jesus, desejando matá-lo, em vez de glorificarem a Deus pelos milagres que estavam presenciando.

Da passagem podemos extrair inúmeras lições, mas vamos nos ater às seguintes:

 

 1)   Devemos fazer o bem em qualquer tempo (v. 4)

O dia de sábado era destinado ao descanso, e nenhum trabalho poderia ser realizado nesse dia. Deus concedeu o sábado para que o ser humano tivesse descanso e para que O adorasse, e com o passar do tempo os líderes religiosos judeus foram criando uma lista de atividades que não poderiam ser feitas em dia de sábado, de maneira que o aquilo que deveria ser uma bênção se tornou um fardo sobre os ombros das pessoas.

De forma geral, até mesmo o ato de curar alguém em dia de sábado era considerado como uma violação à Lei de Deus, levando esses líderes a se voltarem contra quem assim procedesse, com acusações de profanação do dia sagrado.

No texto que lemos, era um dia de sábado e Jesus estava na sinagoga, juntamente com muitos judeus, dentre eles líderes religiosos do grupo dos fariseus. E havia entre eles um homem que tinha uma mão atrofiada. Jesus chamou o homem para o centro e perguntou aos que se encontravam presentes se era lícito fazer o bem ou o mal no sábado, salvar a vida ou matar, mas ninguém lhe respondeu nada.

Então, Jesus curou o homem, e sua mão foi restaurada.

A pergunta que Jesus fez aos que estavam presentes era para que eles refletissem no fato de que o mal é feito em qualquer dia, em qualquer tempo, não conhecendo limites temporais. A morte também ocorre em qualquer momento, independentemente de ser sábado ou qualquer outro dia.

Desta forma, se tanto o mal como a morte poderiam se dar em qualquer dia, por que razão o bem não poderia ser feito em qualquer ocasião, mesmo que fosse em um sábado?

Jesus estava ensinando àqueles homens que não há tempo para fazer o bem, e que a observância meramente religiosa de um dia consagrado, como o sábado, além de não impedir que ocorresse o mal ou a morte, não poderia ser utilizado como pretexto para não fazer o bem a quem necessitasse.

O ensino de Jesus àquelas pessoas visava mostrar que Deus Pai está muito mais interessado em que se pratique o amor para com o próximo, atendendo às necessidades de quem sofre, do que com a observância legalista de regras religiosas, omitindo-se, porém, de socorrer a quem precisa de ajuda.

Todos nós que cremos em Jesus e nos tornamos seus discípulos temos o compromisso de imitá-lo em seus passos, e fazer o bem em qualquer tempo é um dos ensinos de Jesus a ser aprendido e observado por nós.

Não existe um tempo para fazermos o bem ao nosso próximo, pelo contrário, devemos sempre estar prontos e dispostos a demonstrar nosso amor e nossa solidariedade para com quem necessitar em todo o tempo.

Parece que os líderes religiosos judeus da época de Jesus teriam a capacidade de se omitir no socorro a alguém necessitado, caso isso ocorresse em sábado ou em ocasião em que eles estivessem prestando serviço religioso, mas a pergunta que Jesus lhes fez os deixou sem resposta, porque eles sabiam que o bem deve ser feito em todo o tempo.

Infelizmente os líderes religiosos judeus não haviam ainda compreendido a essência dos mandamentos de Deus, pois se limitavam a um culto mecânico a Deus, negligenciando o amor ao próximo.

Isto fica claro na passagem em que Jesus fala sobre o homem que foi assaltado e espancado, deixado à beira do caminho muito ferido, e tendo por ali passado um levita e um sacerdote, fizeram vistas grossas à sua situação, sendo ele socorrido justamente por um samaritano, que os judeus consideravam inferior e indigno (Lucas 10.30-37).

Na passagem de Lucas, é provável que tanto o sacerdote como o levita estivessem vindo do Templo, pois desciam de Jerusalém. Mas como sua religião era meramente formalista e legalista, eles não puseram em prática o amor que Deus requer que manifestemos para como o nosso próximo.

Paulo, apóstolo de Jesus, escreveu aos Tessalonicenses o seguinte:

“E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.” (2 Tessalonicenses 3:13)

Os discípulos de Jesus devem ser incansáveis na prática do bem, não esperando tempo certo, pois sempre é tempo de amar.

Fazer o bem é tão importante aos olhos de Deus, que Tiago foi levado a escrever a seguinte exortação:

“Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.” (Tiago 4:17)

Jesus, que amava as pessoas de forma incondicional, sabia que não poderia se omitir de fazer o bem a uma pessoa necessitada. Esta não foi a primeira nem a última ocasião em que Jesus ajudou pessoas. Houve momento em que Jesus estava cansado, e mesmo assim abriu mão do repouso para poder aliviar o sofrimento de quem o procurava.

Infelizmente, nos dias atuais existem pessoas que só se dispõem a fazer o bem ao próximo quando isto lhes resulte em algum benefício. Assim, escolhem o momento de fazer o bem.

Todos os anos vemos pessoas se mobilizando para ajudar famílias carentes na época de Natal, incentivando outros a doarem brinquedos, roupas, alimentos e diversas coisas para que sejam distribuídas a crianças e muitas pessoas que passam falta de itens básicos.

O problema é que em boa parte das vezes essas ações acabam se limitando a esse período ou alguma outra época específica, como se apenas uma vez ao ano o próximo necessitasse de auxílio.

Nosso coração precisa ser tocado para demonstrar amor ao próximo por meio de atos de compaixão o tempo todo, porque Deus é bom conosco o tempo todo. Sempre que houver a necessidade por parte do nosso próximo, a disposição de fazer o bem, estando ao nosso alcance, deve nos conduzir à ação em seu favor, conforme está escrito em Provérbios:

“Quanto lhe for possível, não deixe de fazer o bem a quem dele precisa; não diga ao seu próximo: ‘Volte amanhã, e eu lhe darei algo’, se pode ajudá-lo hoje.” (Provérbios 3:27-28)

Assim, a nossa disposição deve ser a mesma de nosso Mestre Jesus, de fazer o bem em qualquer tempo, sem esperar situações especiais. Fazer o bem é demonstração prática do amor de Deus em nosso coração. É evidência de que realmente somos seguidores de Jesus e estamos buscando imitá-lo, aprendendo com seus ensinamentos e seu exemplo.

 

2)   A maldade alheia não pode impedir que façamos o bem (v.  2 e 6)

Naquele local, havia um homem necessitado, com a mão atrofiada, mas também ali se encontravam líderes religiosos judeus da seita dos fariseus, que já vinham criticando Jesus por suas ações e pelo modo de agir de seus discípulos.

Esses fariseus, conforme é narrado no versículo 2, “estavam observando a Jesus para ver se o curaria em dia de sábado, a fim de o acusarem”, ou seja, eles não estavam se importando com o problema do homem que tinha a mão atrofiada, antes pensavam apenas em uma forma de acusar Jesus de violar a Lei de Deus e desmoralizá-lo perante o povo que se aglomerava para segui-lo.

No coração desses homens não havia amor ao próximo, mas mera religiosidade legalista. E eles mantinham firme a convicção de que Jesus não poderia continuar a fazer os milagres que vinha fazendo, principalmente em dias de Sábado.

Eles eram estudiosos da Lei de Deus, mas não conseguiam compreender a essência do próprio Deus, que é o amor (1Jo 4.8, 16).

A religiosidade equivocada deles acabava por levá-los a serem maus e tentarem impedir que se fizesse o bem às pessoas. A visão que eles tinham de bem era muito deturpada. Eles eram egoístas e tinham sede de poder. Eram cheios de vaidade e de orgulho.

Jesus, porém, não se deixou intimidar pela maldade daqueles homens. Pelo contrário, Jesus os questionou quanto a fazer o bem ou o mal em dia de sábado. No Evangelho escrito por Mateus essa passagem é narrada no capítulo 12, e lá é dito que Jesus utilizou o exemplo da ovelha que cai em um buraco no sábado, e que certamente o dono faria um esforço para retirá-la. Então Jesus pergunta se um homem não vale mais do que uma ovelha.

Jesus escancara a hipocrisia daqueles líderes religiosos, pois certamente eles salvariam uma ovelha caída num buraco em dia de sábado, mas eram incapazes de fazer o bem ao seu semelhante nesse dia apenas por legalismo religioso.

E mesmo estando no meio de pessoas más, que queriam o seu mau, Jesus fez o bem ao homem da mão atrofiada, não deixando que a maldade alheia limitasse a sua demonstração de amor ao próximo.

Jesus não estava preocupado com o julgamento das pessoas, pois Ele sabia que, tendo a possibilidade de fazer o bem, não poderia se omitir apenas por causa da mesquinhez dos líderes religiosos que ali estavam.

Nós vivemos em um mundo onde o egoísmo é incentivado. Onde a dor do próximo é desprezada e quem procura fazer o bem muitas vezes é visto como tolo. Um mundo onde há época certa para fazer o bem, e onde olhares invejosos repousam sobre pessoas que procuram amar ao próximo como Jesus amou. Um mundo onde quem não faz o bem se levanta contra quem o faz e suscita oposição.

Infelizmente, muitas pessoas se omitem de fazer o bem ao próximo porque ficam preocupadas com o julgamento dos maus, dos egoístas, dos religiosos que não conhecem a Deus e que acham que tudo deve ser feito apenas da forma como eles acreditam ser a correta.

Necessitamos aprender com Jesus que a nossa disposição de fazer o bem não pode estar relacionada ao que os outros pensam, aos julgamentos de pessoas mesquinhas, mas deve ser um reflexo do amor de Cristo agindo em nós e por meio de nós para alcançar pessoas que precisam de auxílio e de amparo.

O povo de Deus deve ter a coragem de fazer o bem mesmo em meio a um mundo mau, porque não é vontade de Deus que nós tomemos a forma do mundo, mas que influenciemos esse mundo pela prática do amor e por uma forma de conduta diferente daquela que é ensinada pelo mundo.

Nem mesmo a maldade da pessoa necessitada pode nos impedir de lhe fazer o bem, pois assim é o ensino de Jesus:

“Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam.” (Lucas 6:27,28)

A maldade dos outros não pode nos impedir de fazer o bem, porque o nosso modelo de conduta não é o nosso próximo, mas o Mestre Jesus Cristo.

 

3)   Devemos fazer o bem a todos ( vv. 7-10)

O texto lido, em conjunto com os demais Evangelhos, mostra que Jesus não selecionava pessoas para fazer o bem, pelo contrário, Ele atendia prontamente a todos os que o procuravam, não importando se eram pessoas verdadeiramente interessadas no Reino de Deus ou apenas queriam o atendimento de suas necessidades imediatas.

Nos versículos 7 a 10 é dito que multidões de diversas localidades seguiam Jesus, sendo que no versículo 10 é narrado que “todos os que padeciam de qualquer enfermidade se arrojavam a ele para o tocar”.

Dentre essas pessoas obviamente havia aquelas que tinham a finalidade de conhecer o Messias e aprender mais sobre o Reino de Deus, mas certamente havia um número gigantesco de pessoas que apenas desejavam o benefício que poderia ser obtido com a cura de enfermidades ou atendimento de outras necessidades.

Com certeza nessas multidões havia pessoas de boa índole e pessoas más. Pessoas que observavam os mandamentos de Deus e outras que levavam uma vida torta. Havia pessoas de todo tipo e com variadas intenções.

Jesus, porém, fazia o bem a todos. Ele curava os enfermos, libertava os endemoninhados, consolava os aflitos, e não fazia acepção de pessoas. Jesus não selecionava aqueles a quem iria ajudar. Ele simplesmente agia e as abençoava.

Quando Jesus foi preso, um discípulo, que João afirmou ser Pedro (João 18.10), cortou a orelha do servo do sumo sacerdote, mas Jesus imediatamente restaurou-lhe a orelha (Lucas 22.50-51). Ou seja, Jesus retribuiu o mal que estava recebendo com o bem em favor de uma pessoa que servia a quem desejava a sua morte.

No mundo vigora o princípio de fazer o bem a quem nos faz o bem, ou a quem pode nos retribuir de alguma forma, ou, ainda, quando pudermos ter algum benefício com nossa ação.

O mundo ensina a sermos seletivos, escolhendo a dedo quem receberá a demonstração de nossa bondade. Assim, inimigos são os primeiros a serem colocados de fora dessa lista, porque merecem o pior. Pessoas com quem não simpatizamos também são excluídas da nossa lista de boas ações. Ficamos tentando sondar as intenções das pessoas e acabamos por não ajudá-las.

O ensino de Jesus vai na contramão do mundo. Todas as pessoas devem receber o bem de nossa parte, ainda que seja alguém que nos faz mal.

Observemos o que escreveu Paulo: “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens;” (Romanos 12:17).

E Jesus foi muito claro ao dizer que devemos fazer o bem a todos porque Deus é bom para co todos:

“Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam. Se fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa? Até os pecadores fazem isso. E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, qual é a vossa recompensa? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto. Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai.” (Lucas 6:32-36)

Assim, qualquer pessoa que cruzar o nosso caminho pode ser beneficiada com nosso amor prático, da mesma forma que acontecia com quem se encontrava com Jesus, pois Ele não excluía pessoas no momento de lhes fazer o bem.

 

 CONCLUSÃO

A Palavra de Deus afirma claramente que nós somos chamados para seguir os passos de Jesus, amando como Ele amou, tendo a sua vida como exemplo de como deve se portar um filho de Deus neste mundo.

E Jesus, não apenas com suas palavras, mas principalmente por sua forma de agir, ensinou que todo o tempo é tempo de fazer o bem ao próximo, independentemente da maldade que nos rodeia, não fazendo acepção de pessoas.

A questão é que não conseguimos ser como Jesus com base em nossos esforços. Não é possível simplesmente dizermos: “a partir de hoje serei uma pessoa benigna e bondosa; vou fazer o bem ao meu próximo de maneira indistinta!”.

É o Espírito Santo de Deus que produz em nós a semelhança de Jesus Cristo. É o Espírito Santo que vai renovando nossa mente e retirando os velhos conceitos, velhos hábitos, as convicções erradas, e nos leva a um patamar em que cumprir a Palavra de Deus se torne algo natural (Gl. 5.22-23).

Que o Espírito Santo molde nosso caráter dia a dia e nos torne parecidos com o Mestre Jesus, de forma que as pessoas, ao terem contato conosco, possam provar um pouco da bondade de Deus por meio de nossos atos e nossas palavras de amor, consolo e edificação.

Toda honra e glória ao Deus Altíssimo, hoje e sempre. Amém.

José Vicente


quarta-feira, 24 de março de 2021

APRENDENDO COM A NEGAÇÃO DE PEDRO

 


Texto base: Marcos 14.27-31, 50 e 66-72

O Evangelista Marcos faz uma narrativa dos fatos que ocorreram nas 48 (quarenta e oito) horas que antecederam a morte de Jesus, sendo que no capítulo 14 encontramos (i) a unção feita por uma mulher em Betânia, (ii) a traição de Judas, e (iii) a negação de Pedro e demais discípulos. No capítulo 15 encontramos a narrativa do julgamento.

Sabemos que Pedro era um dos discípulos mais envolvidos com o ministério de Jesus, alguém que tinha maior proximidade com o Mestre, junto com João e Tiago, portanto era de se esperar que ele se mantivesse firme ao lado de Jesus durante aquele momento extremamente difícil, mas a realidade foi outra.

Quando pressionado, Pedro disse que não conhecia a Jesus, que não era seu discípulo e até chegou a ofender as pessoas que o indagavam.

Os outros discípulos simplesmente fugiram a abandonaram Jesus quando este foi preso e levado ao sumo sacerdote.

É natural que a narrativa apresentada provoque em nós sentimentos de reprovação à conduta de Pedro e dos demais discípulos. Afinal, entendemos que eles eram amigos de Jesus, contavam com Sua confiança, e no momento mais doloroso da vida do Mestre simplesmente desapareceram, abandonando Jesus nas mãos dos algozes.

O problema é que talvez não estejamos em condições de julgar e condenar aqueles homens por sua conduta, porque em seu lugar não sabemos se teríamos agido de outra forma.

O importante é que, ao lermos o relato do Evangelista Marcos, percebamos as lições que a Bíblia quer nos ensinar, pois, conforme escreveu Paulo na Segunda Carta a Timóteo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Timóteo 3:16).

O que podemos aprender com o relato feito pelo Evangelista Marcos?

 

     1)    Aprendemos que somos mais fracos do que pensamos

Quando Jesus disse a seus discípulos que eles o abandonariam, Pedro rapidamente disse que ele jamais se escandalizaria com o Mestre, e após Jesus lhe dizer que ele O negaria por três vezes, Pedro afirmou que de maneira nenhuma negaria a Jesus, e que se fosse necessário daria sua vida pelo Senhor. E os demais discípulos confirmaram que tinham essa mesma disposição (v. 27-31).

Todavia, assim que Jesus foi preso, Marcos narra que “deixando-o, todos fugiram” (v. 50). E depois, quando Jesus foi levado ao Sumo Sacerdote, Pedro foi reconhecido por algumas pessoas como discípulo de Jesus, mas veementemente o negou.

Causa perplexidade ver um homem que, poucos instantes antes, havia jurado fidelidade a Jesus, subitamente, ao ser pressionado, não titubeou em negar que tivesse algum vínculo com Jesus ou que ao menos o conhecesse. E os demais discípulos, que juntamente com Pedro haviam afirmado que se fosse preciso morreriam por Jesus, também sumiram diante do perigo.

Antes de condenarmos Pedro e os demais discípulos por sua atitude, precisamos refletir quanto à lição que essa passagem nos ensina com relação a nós mesmos. A narrativa de Marcos não foi incluída na Bíblia com o intuito de envergonhar aqueles homens, mas para servir de alerta para todos nós, discípulos de Jesus, que juramos fidelidade ao Mestre e acreditamos ser capazes de dar nossa vida por Jesus.

Essa passagem vem nos ensinar que somos mais fracos do que pensamos!

Quando Pedro e os demais discípulos afirmaram que se manteriam fieis a Jesus e que seriam capazes de morrer pelo Mestre, eles estavam sendo sinceros, pois acreditavam realmente que teriam capacidade para assim proceder. Todavia, Jesus os conhecia profundamente, e sabia muito mais de suas fraquezas do que eles próprios. Jesus os advertiu do que iria acontecer, mas eles não aceitaram, pois estavam convictos de que teriam condições de cumprir o que diziam.

Diante, porém, de uma circunstância que trazia perigo e causava temor, eles se viram fragilizados e não tiveram coragem de acompanhar o Mestre, fugindo apressadamente e negando a Jesus.

Jesus não ficou surpreso, pois os conhecia bem demais, porém eles devem ter se sentido extremamente confusos diante de tal situação, pois mostraram covardia justo quando deveriam ter sido corajosos. Abandonaram um companheiro justo no momento em que Ele precisaria do apoio de seus amigos.

Ali, eles entenderam que não eram tão fortes como pensavam. Que toda aquela confiança que tinham em si mesmos era vazia e enganosa, porque no fundo eram fracos e medrosos, fariam qualquer coisa para salvar suas próprias vidas.

A exemplo de Pedro e seus companheiros, podemos cometer o erro de confiar demasiadamente em nossa capacidade, em nossa força, considerando-nos mais fortes do que realmente somos e ignorando nossas fraquezas.

Não podemos condenar Pedro e os demais justamente porque somos como eles. Temos a mesma natureza, a mesma tendência de achar que somos autossuficientes e que agiríamos diferente deles naquela situação, mas a verdade é que faríamos a mesma coisa.

Com a narrativa registrada em Marcos, Deus nos confronta para que olhemos para nós mesmos e reconheçamos o quão fracos somos, fugindo do autoengano. Ainda que sejamos sinceros em nossas declarações de amor e fidelidade a Deus, jamais podemos ignorar nossas fraquezas.

Quando mergulhamos no autoengano, crendo que somos muito fortes e fieis, tendemos a desenvolver algo que desagrada sobremaneira a Deus: o orgulho, a soberba.

Reconhecer nossas fraquezas é alimentar a humildade. Acreditar que somos fortes e inabaláveis pode conduzir à arrogância e à queda.

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda.” (Provérbios 16:18)

Deus quer que nos mantenhamos humildes e dependentes dEle. Para isto, é essencial reconhecermos que não somos fortes como gostaríamos, mas que temos muitas fraquezas, pois assim receberemos o sustento do próprio Deus, que nos fortalecerá para vencermos os desafios da caminhada cristã.

Paulo assim escreveu: “Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” (2 Coríntios 12:10)

Quando reconhecemos nossa fraqueza, acabamos nos esvaziando do sentimento de autossuficiência, assumimos nossa dependência de Deus e nos abrimos à ação do Espírito Santo em nós, de maneira que o Poder de Deus se manifestará em nossa fraqueza, assim como acontecia com Paulo.

Se, porém, cultivarmos a crença de que somos naturalmente fortes, ignorando nossas fragilidades, certamente o poder de Deus não se manifestará plenamente em nós e por meio de nós, e será necessário que sejamos submetidos a um tratamento da parte do Altíssimo para que nossa autossuficiência seja extirpada e, enfim, possamos ser usados como instrumentos da glória de Deus.

 

     2)    Aprendemos que é possível negar a Cristo não apenas com palavras, mas também com atitudes

Naquele fatídica noite, Pedro pronunciou palavras de negação. Claramente afirmou que não era discípulo de Cristo e que não o conhecia. Brigou com as pessoas que diziam que ele era um dos seguidores de Jesus.

Os demais discípulos, porém, não negaram Jesus com palavras, mas com sua atitude. O versículo 50 informa que todos o abandonaram assim que Ele foi preso. Eles podem não ter sido arguidos por outras pessoas como foi Pedro, mas negaram a Cristo quando agiram de forma oposta ao que haviam afirmado ao Mestre, abandonando-o e fugindo para não sofrerem consequências por serem seus discípulos.

É possível que nossas palavras sejam de amor e fidelidade a Jesus. Talvez nosso falar seja agradável e coerente com as Escrituras. Pode ser que nossas orações sejam feitas com fervor e fé. Mas a despeito de tudo isso, existe a possibilidade de que nossas atitudes se constituam em verdadeira negação de nossa fé e, consequentemente, de Cristo.

Quando Jesus estava ensinando aos seus seguidores, disse-lhes que deveriam imitar os escribas e fariseus em seus ensinamentos, mas não em suas práticas diárias:

“Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem.” (Mateus 23:3)

De acordo com Jesus, os atos praticados por aqueles líderes religiosos eram egoístas, tinham a finalidade de se mostrar diante das pessoas e eram incompatíveis com o que ensinavam ao povo.

Por esta razão, precisamos estar sempre vigilantes, cuidando para que não venhamos a negar a Jesus com nossas atitudes, embora nossos lábios pronunciem palavras de louvor e adoração.

As pessoas ao nosso redor estão mais atentas ao que fazemos do que às nossas palavras. O nosso testemunho de vida fala mais alto do que as nossas declarações, porque se não houver coerência entre a fé professada e as atitudes do dia a dia, de certa forma estaremos negando que conhecemos a Cristo e que somos seus discípulos, embora tentemos dizer o contrário com nossos lábios.

Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” (João 14.15)

O maior sinal de que amamos verdadeiramente a Jesus é guardar os seus mandamentos, ou seja, obedecer à Sua Palavra. A falta de coerência entre nossas declarações de fé e nossos atos é uma forma de negar a Cristo, porque estamos desobedecendo aos Seus mandamentos e agindo como se não o conhecêssemos.

 

     3)    Aprendemos que o arrependimento traz perdão e transformação

No versículo 72 o evangelista Marcos diz que após a terceira negação, tendo cantado o galo, Pedro se lembrou do que Jesus havia lhe falado e começou a chorar. Mateus e Lucas dizem que ele chorou amargamente (Mateus 26.75 e Lucas 22.62).

O choro de Pedro traduz o seu arrependimento, a dor que ele sentia por ter negado ao seu Mestre, a quem ele amava e por quem afirmara que daria sua vida. Ele havia caminhado por três anos ao lado de Jesus, aprendendo com Ele, compartilhando suas experiências. Havia visto maravilhas sendo feitas por Jesus e recebera, ele próprio, poder para operar sinais e anunciar o Evangelho. E, de repente, em um momento onde a vida de seu Mestre estava para ser ceifada, ele não conseguiu manter sua fidelidade e simplesmente negou ter qualquer envolvimento com Jesus.

Provavelmente a dor que Pedro sentiu foi muito grande quando percebeu que havia acabado de fazer aquilo que Jesus dissera que ele faria, embora ele tivesse afirmado que daria sua vida por Cristo. Quando é dito que ele chorou amargamente significa que a sua dor era enorme.

Entretanto, não se trata apenas de chorar pelo pecado cometido. A continuidade da história narrada nos Evangelhos e demais livros do Novo Testamento revela que tanto Pedro como os demais discípulos foram perdoados e transformados após a ressurreição de Jesus.

Aqueles homens nunca mais negaram a Cristo e à sua fé. Pelo contrário, eles foram perseguidos por serem servos de Jesus, e mesmo sendo presos, torturados e ameaçados continuaram a proclamar o Evangelho, anunciando que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Eles acabaram cumprindo o que haviam dito a Jesus, pois foram capazes de dar suas vidas pelo Mestre. Morreram por crerem em Jesus e por anunciarem-no como o Messias que era esperado, o Salvador em que está a vida eterna.

Sabemos que eles se arrependeram pelo pecado da negação pelo fato de nunca mais terem voltado a cometer o mesmo erro. Eles foram transformados e fortalecidos pelo perdão de Cristo e pelo Espírito Santo agindo em suas vidas.

Ao longo de nossas vidas podemos experimentar esse tipo de dor algumas vezes, quando magoamos pessoas a quem amamos, quando causamos dor a alguém, quando nossas atitudes ferem e provocam estremecimento de relacionamentos.

Assim também podemos sentir a dor que é causada pela prática do pecado, pela adoção de um estilo de vida que contraria a fé que professamos, mas é necessário que essa dor provoque arrependimento, ou seja, mudança de vida.

Da mesma forma que Pedro e os demais discípulos foram perdoados por seu pecado de negação, também nós podemos ser perdoados quando cometemos esse ou outros pecados e nos arrependemos verdadeiramente, abandonando a prática pecaminosa e buscando obedecer à Palavra de Deus.

Cabe ressaltar que não adianta chorar mas continuar a insistir na mesma prática pecaminosa. Isso não é arrependimento e não atrai o perdão de Deus. Pedro chorou amargamente, e após a ressurreição Jesus veio até ele, deixou evidente que o havia perdoado e o comissionou a ser Sua testemunha, da mesma forma que aconteceu com os demais discípulos que haviam fugido na noite em que Jesus foi preso.

O perdão de Jesus está disponível a quem se arrepende de seus pecados. Ele morreu na cruz justamente para que o perdão fosse derramado sobre nós e para que não passássemos a vida toda carregando o peso dos erros cometidos e do sentimento de culpa que isso gera.

Jesus restaurou Pedro, livrou-o de sua culpa e o transformou em um dos pilares da Igreja em seus primórdios. Jesus também restaurou os demais discípulos, de forma que o perdão os libertou da culpa e o Espírito Santo os capacitou a serem missionários que proclamaram o Evangelho em todo o mundo e deram suas vidas em prol do Senhor Jesus.

O mesmo perdão está disponível para nós, que erramos, pecamos e por vezes negamos a Cristo com nossas atitudes ou palavras. Jesus nos chama ao arrependimento para que sejamos libertados da culpa e possamos ser transformados pela ação do Espírito Santo, de maneira a sermos testemunhas fieis de Cristo neste mundo, onde é tão difícil viver de modo digno do Evangelho.

 

CONCLUSÃO

Nós não somos perfeitos e estamos sujeitos a errar, ainda que sejamos sinceros em nossas declarações de fé e amor a Jesus. Nossos erros, porém, não devem nos desestimular na caminhada cristã, não podem nos levar ao desânimo, porque Jesus nos estende Sua mão e concede Seu perdão quando nos arrependemos e nos dispomos a ser transformados.

Pedro fraquejou porque confiou em sua própria força, mas a partir do momento em que ele passou a viver firmado unicamente pela força que vem de Deus, ele se tornou um homem valoroso, um instrumento por meio do qual Jesus foi apresentado a milhares ou milhões de pessoas que também tiveram suas vidas transformadas.

Pedro e os demais discípulos superaram a tristeza do pecado da negação porque Jesus os perdoou. Eles puderam caminhar sem as redes de culpa que os enredavam. E pode ser que nossa caminhada esteja sendo muito lenta porque estamos arrastando redes de culpa.

Entreguemos a Jesus nossos medos, nossas fraquezas, nossos pecados. Busquemos o perdão que Ele nos dá e sujeitemo-nos à atuação do Espírito Santo para que nosso ser seja transformado e nós, a exemplo de Pedro e seus companheiros, consigamos ser instrumentos do Poder de Deus para salvação das pessoas que nos conhecem.

“a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus; sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria, dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz.” (Colossenses 1:10-12)

Que Deus nos fortaleça a cada dia. 

José Vicente.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

RESULTADOS DE UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL COM DEUS



Texto base: Jó 42.1-6

 

INTRODUÇÃO

Jó era uma ótima pessoa, um crente fiel que recebeu elogios do próprio Deus, conforme vemos em Jó 1.8, que assim nos narra:

“Perguntou ainda o Senhor a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal.” (Jó 1:8 )

Portanto, aquele homem se destacava em meio a sua geração por sua integridade, por sem alguém que temia a Deus e procurava andar em Seus caminhos, dando um testemunho de fidelidade perante todos.

Apesar de todas essas qualidades, Jó ainda não havia passado por uma experiência mais profunda com Deus, de forma que o conhecimento que tinha era fruto do que havia aprendido de forma impessoal, conforme ele próprio reconhece em Jó 42.5: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem.”

A Bíblia na Nova Versão Internacional (NVI) traz esse texto da seguinte forma: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram.” (Jó 42:5, NVI)

Obviamente a fala de Jó não significa que ele, literalmente, viu a pessoa de Deus, porque a Bíblia nos mostra que nenhum ser humano pode ver a Deus. Jó estava dizendo que, antes, o conhecimento que ele tinha de Deus era impessoal, fruto do que ele ouvira, mas agora ele havia tido uma experiência pessoal com o Altíssimo.

Muitos de nós temos um relacionamento com Deus que se baseia no que aprendemos na Bíblia, no que ouvimos, mas às vezes falta algo mais profundo, uma experiência pessoal que mexa com nossa estrutura de forma mais intensa, provocando um abalo e transformação.

Um encontro mais profundo com Deus pode acontecer em situações críticas, difíceis, como as tribulações que sobrevieram a Jó, ou quando buscamos sinceramente esse relacionamento em nosso dia a dia, e provoca alguns resultados que vemos no texto em análise.

     1)    PROVOCA O RECONHECIMENTO DA SOBERANIA DE DEUS (v. 2)

Jó era um homem que, obviamente, sabia que Deus estava acima dos seres humanos, mas ele ainda não tinha ideia do quão grande e poderoso era realmente o Altíssimo, e de como era impossível alcançar o entendimento de Deus.

Durante o período em que passou por severas tribulações, Jó havia apresentado diversos questionamentos, muitas indagações com relação ao que vinha acontecendo com ele, não compreendendo os desígnios de Deus e procurando encontrar justificativas para tudo aquilo.

Todavia, naquele turbilhão em que a vida de Jó havia se transformado, surgiu o momento em que Deus passou a responder e repreender tanto a Jó quanto a seus amigos, e essa experiência fez com que Jó compreendesse e reconhecesse que Deus é soberano e está no controle de tudo.

Em alguns momentos, enquanto fazia suas indagações e seus lamentos, Jó chegou a pensar que talvez Deus não estivesse vendo o seu sofrimento, mas Deus deixou claro que nada escapa à sua visão, Ele é onisciente, onipresente e onipotente.

Jó também achou que Deus não estava sendo justo com ele ao permitir que tanto sofrimento se abatesse sobre sua vida.

Porém, Jó entendeu que ninguém está acima de Deus, e que Ele não é limitado por ninguém. Descobriu que, uma vez que Deus tenha estabelecido algum plano, nada nem ninguém pode frustrá-lo. Jó compreendeu que cada palavra dita pelo ser humano é do conhecimento de Deus, e que nada fica encoberto aos olhos do Altíssimo. Que por pior que pareça a situação, Deus permanece no controle, e tudo acontece com a Sua permissão e com algum propósito. Que Deus não deve nada ao ser humano, e que pela fé é necessário aceitar os desígnios do Altíssimo e esperar nEle.

O ser humano é naturalmente questionador, e quando sobrevêm situações muito difíceis, que trazem sofrimentos, costuma questionar o próprio Deus, achar que está havendo alguma injustiça, que não merece passar por aquilo, que talvez Deus não esteja vendo o que está acontecendo, etc.

Paulo, escrevendo aos Romanos, deixou claro que o ser humano não tem condições de questionar a Deus:

“Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? "Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim? ’ " (Rm 9:20, NVI)

Entretanto, o reconhecimento da soberania de Deus leva a deixar de lado os questionamentos, pois há a certeza de que Deus age em todas as circunstâncias e tem controle sobre tudo.

Paulo, apóstolo vocacionado por Jesus, passou por experiências bastante aflitivas, teve sofrimentos intensos, mas cada experiência dessas, em vez de afastá-lo de Deus e enfraquecer sua fé contribuiu para que ele crescesse e descansasse na soberania de Deus, visto que ele tinha a certeza de que nada foge ao controle do Altíssimo, e que em tudo Deus trabalho em prol de Seus filhos, conforme se vê em Romanos 8:28, que assim diz:

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm 8:28, ARA)

“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.” (Rm 8:28, NVI)

Deus é soberano e não necessita de nosso conselho, pois não temos nada a ensinar ao Altíssimo, pelo contrário, temos muito a aprender.

 

      2)    LEVA AO ESVAZIAMENTO DE SI MESMO (v. 3)

Quando Jó questionava Deus por sua situação ele se considerava sabedor de algo. Achava que seu conhecimento era suficiente para tentar entender ou explicar os desígnios de Deus.

Quando, porém, Jó ouviu a voz de Deus, ele se deu conta de que não era nada diante do Altíssimo, e que não podia nutrir nenhum sentimento de orgulho. Jó reconheceu que seu conhecimento era nada, e que ele não teria condições de debater com Deus ou questioná-lo.

Jó reconheceu sua ignorância, sua pequenez, sua ousadia, e adotou uma postura humilde, esvaziando-se de si mesmo para dar a Deus a glória que lhe é devida.

Durante nossa caminhada cristã precisamos ser vigilantes para que não ocorra de nos tornarmos pretensiosos, arrogantes, achando que temos muito conhecimento, que somos muito importantes. Por vezes o conhecimento que achamos que temos nos faz sentir superiores aos demais. Isso também ocorre com relação ao exercício de cargos, funções, pelo nível intelectual, profissão, situação financeira, etc., e pode causar a ilusão de superioridade quanto às demais pessoas.

Todavia, a humildade é um dos pilares da vida cristã, e se não a cultivamos devemos começar a fazê-lo o quanto antes, pois não temos motivos para nos vangloriarmos e nos julgarmos mais importantes do que realmente somos.

Jesus faz uma chamada a seus discípulos para o cultivo da humildade quando diz:

“Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas.” (Mt 11:29, NVI)

O Mestre Jesus nos deixou o maior exemplo de esvaziamento de si mesmo, para que nós possamos imitá-lo, conforme Paulo escreve na Carta aos Filipenses:

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Fp 2:5-8, ARA)

Jesus era igual ao Pai em sua divindade e poder, mas isso não fez com que Ele buscasse glória pessoal ou quisesse algum privilégio, pelo contrário, Ele se esvaziou e demonstrou humildade para nos mostrar que, se o Filho de Deus age com humildade, não há nenhuma razão para que nós, meros seres mortais, alimentemos uma visão em que damos a nós mesmos um valor superior ao que realmente temos.

Nosso país tem mais de duzentos milhões de habitantes. O que um indivíduo representa perto desse número? O planeta tem mais de sete bilhões de pessoas vivendo nele. O que sou eu diante de tão enorme quantidade de pessoas? Um pequeno pontinho em meio a uma multidão! A ciência diz que provavelmente existem dois trilhões de galáxias no universo, e que o número de estrelas é superior à quantidade de grãos de areia que há em nosso planeta. Olhando para nós, o que somos diante de tanta grandeza?

Agora, se o universo é tão gigantesco a ponto de nem se saber a sua extensão, que dizer dAquele que o criou? Quão grande e poderoso é o Criador? E quem somos nós perante o Criador?

Quando contemplamos a grandeza de Deus e de Sua criação, percebemos o quão pequenos somos e compreendemos que nosso conhecimento, perto de Deus, é absolutamente nada.

 

      3)    PROVOCA ARREPENDIMENTO (v. 6)

Quando Jó contemplou a Deus em meio à sua aflição e ouviu o que Deus lhe dizia, ele concluiu que era um pecador diante de um Deus Santo e Perfeito, o que o levou a se arrepender de ter tentado argumentar com o Altíssimo e de ter feito questionamentos.

As experiências que Deus nos permite ter com Ele, sejam por tribulações ou por nossa própria busca, devem nos levar ao arrependimento e ao quebrantamento, porque constatamos o quanto somos pecadores, cheios de defeitos, limitados em nossa capacidade de entendimento.

Arrependimento é algo pouco pregado hoje em dia, porque envolve o esvaziar-se de si mesmo, abrir mão de convicções contrárias à Palavra, reconhecer que não somos bons como pensamos nem temos qualquer qualidade que nos garanta algum privilégio diante de Deus em relação às outras pessoas.

O arrependimento é a declaração de que Deus está certo, de que Ele tem razão e nós estamos equivocados. É a declaração de que precisamos de Deus, pois sem Ele não temos condições de fazer absolutamente nada.

Arrependimento é o ato ao qual somos chamados pelo Evangelho e é essencial a quem deseja caminhar com Cristo. Esse era o cerne da pregação de João Batista:

“Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” (Mateus 3:1,2, ARA)

Pedro também, a exemplo dos demais apóstolos, pregou a mensagem do arrependimento:

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (Atos 3:19, ARA)

E o próprio Jesus pregou o arrependimento:

“Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.” (Marcos 1:14,15, ARA)

Portanto, o arrependimento é uma das marcas de quem realmente teve um encontro com Deus, uma experiência mais profunda e transformadora, por meio de Seu Filho Jesus Cristo.

 

CONCLUSÃO

Todo aquele que se declara cristão mas que ainda nutre em seu coração questionamentos sobre Deus e seus desígnios, dúvidas quanto ao poder de Deus e à sua soberania, sentimentos de soberba, arrogância, ou que não experimentou nem experimenta o arrependimento por suas obras que desagradam a Deus, provavelmente ainda não teve uma experiência real e profunda com o Altíssimo.

O encontro com Deus, por meio de Jesus Cristo, deve trazer transformações em nossa vida, em nossa mente, em nossa perspectiva, de maneira que não vamos nutrir quanto a nós mesmos uma visão equivocada, achando que somos deveras mais importantes do que outras pessoas, mas antes, perceberemos o quanto somos pequenos e carecedores da misericórdia de Deus.

Que o Altíssimo nos permita ter experiências muito mais profundas com Ele e se revele a nós por meio de Seu Filho, Jesus Cristo, de maneira que sejamos tocados no íntimo de nosso ser e nada seja mantido no lugar, mas que ocorra uma transformação completa em nós, para que sejamos verdadeiros imitadores de Cristo.

José Vicente

06.02.2021 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

PREPARADOS PARA O NOVO DE DEUS


 Texto base: Êxodo 3.1-12

 

Moisés nasceu no Egito e era filho de pais hebreus, mas ainda criança foi exposto a uma mudança de vida, pois saiu do seio de sua família e foi criado pela filha do Faraó como se fosse seu próprio filho. Ele viveu por muitos anos como príncipe no Egito, recebeu uma educação primorosa e tinha muitos privilégios.

Mas a vida de Moisés mudou novamente quando, em certa ocasião, ele viu um feitor egípcio ferindo a um hebreu e não suportou aquela injustiça, vindo a matar o agressor e esconder seu corpo na areia. Logo ele foi descoberto e o Faraó ordenou a sua morte, então ele fugiu para o deserto.

Foi uma mudança radical. Moisés passou de príncipe do Egito a foragido vivendo no deserto. Porém ele acabou encontrando Jetro, casou-se com sua filha, Zípora, e passou a cuidar dos rebanhos do sogro. Assim ele experimentou uma nova fase em sua vida.

Tudo estava tranquilo, Moisés apascentava os rebanhos no deserto, quando uma nova mudança veio sobre sua vida. Certo dia, Deus apareceu para ele em uma sarça ardente que não se consumia, e a partir dali a vida de Moisés sofreu uma guinada mais uma vez. De pastor de rebanhos ele passou à condição de libertador e líder de uma nação inteira que pertencia a Deus.

A exemplo de Moisés, nós também passamos por mudanças em nossas vidas de tempos em tempos. Isto porque nós servimos a um Deus de novidades, que pretende ver Seus filhos crescendo e se tornando melhores a cada dia, como verdadeiros instrumentos para glorificar o nome do Altíssimo.

A Palavra nos diz que quem está em Cristo é nova criatura e que tudo se faz novo:

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Coríntios 5:17 )

Portanto, quando entregamos nossa vida a Cristo passamos pela maior mudança que poderíamos experimentar, pois Cristo nos faz novas criaturas, apagando nossos erros passados e nos concedendo uma vida nova, onde tudo deve ser diferente.

O propósito de Deus é que diariamente sejamos aperfeiçoados e preparados para coisas novas que Ele tem reservado para nós.

Moisés passou por várias mudanças ao longo de sua vida, desde sua adoção pela filha de Faraó até a chegada nas proximidades de Canaã.

Portanto, é necessário estarmos preparados para o novo de Deus, pois a qualquer momento o Altíssimo pode nos surpreender com mudanças em nossas vidas.

     1)    Não se apegue a objeções, mas confie em Deus

Um dos maiores medos que o ser humano possui é com relação a mudanças. Tudo o que é novo, desconhecido, que envolve sair da zona de conforto, causa medo e nos leva a desejar permanecer no estágio em que estamos.

É a notícia de que haverá mudança na direção da empresa em que trabalhamos, trazendo o medo de não conseguirmos nos adaptar às novas exigências e sermos demitidos. Ou então a necessidade de mudar de cidade, deixando-nos com receio de não conseguirmos fazer novos amigos, de não termos a mesma segurança que encontramos na cidade em que vivemos há vários anos, de não encontrarmos uma igreja bíblica para congregarmos, etc. Ainda, pode ser o medo causado por termos sido escolhidos para uma nova função na igreja.

Enfim, todo tipo de mudança provoca medo porque envolve encarar coisas e situações que não conhecemos, que são novidades para nós, e o novo dá medo, pois preferimos a zona de segurança que encontramos em nossa rotina.

Moisés não era diferente de nós e quando Deus anunciou mais uma mudança em sua vida, ele simplesmente foi tomado pelo medo e começou a apresentar objeções, buscando, com isto, convencer Deus de que ele não era a pessoa apropriada para aquela missão, e, assim, poderia voltar à sua rotina de pastor de rebanhos, sem maiores riscos. Deus queria fazer algo novo na vida de Moisés mas ele não estava preparado ainda.

Moisés apresentou cinco objeções: (i) ele não era ninguém importante para se apresentar diante do Faraó e tirar os hebreus do Egito; (ii) não sabia o nome de Deus para falar aos hebreus; (iii) os hebreus e egípcios não acreditariam nele; (iv) ele não era eloquente para falar aos hebreus e egípcios e (v) não era a pessoa apropriada para aquela missão.

Quanto à primeira objeção, Deus a resolveu fazendo uma promessa gloriosa: “Eu serei contigo” (Ex. 3:12). A segunda objeção foi solucionada quando Deus declarou o nome que Moisés deveria pronunciar diante do povo (Ex. 3:14). A terceira objeção foi resolvida com sinais que Deus faria por meio de Moisés diante do povo (Ex. 4:1-9). A quarta objeção foi tratada por Deus com a promessa: “eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar” (Ex. 4:12). E na quinta objeção a Bíblia diz que Deus se irou contra Moisés, e lhe disse que Arão seria seu auxiliar (Ex. 4:14-16).

Na verdade, a primeira promessa feita por Deus “Eu serei contigo” (Ex. 3:12) já deveria ser suficiente para que Moisés abandonasse o medo e encarasse a mudança que estava para acontecer em sua vida, mas ele continuou a apresentar objeções, que foram derrubadas uma a uma por Deus.

Quando Deus quer fazer algo novo em nossa vida Ele não aceita nossas objeções, porque os propósitos dEle nunca dependem de nossa capacidade ou força, mas estão alicerçados apenas no Seu poder e na Sua vontade.

Não é espiritualmente saudável nos apegarmos às objeções, mas devemos confiar que Deus é conosco e nos capacita para os novos desafios. Afinal, se Ele está permitindo que passemos por mudanças, certamente Ele caminhará conosco durante todo o percurso que faremos.

É interessante colocar diante de Deus nossos medos, mas não como pretextos para tentarmos fugir das coisas novas que Deus está trazendo para nossa vida, e, sim, como reconhecimento de que não somos capazes de fazer nada sozinhos, porém nos colocamos à disposição para que o Altíssimo opere a Sua vontade em nós.

Confessemos a Deus os medos que nos afligem, mas confiemos na promessa que Ele fez: “Eu serei contigo”.

Portanto, se queremos estar preparados para o novo de Deus, devemos abandonar as objeções e confiar que Deus sempre estará conosco. Essa promessa foi repetida por Jesus quando disse: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mateus 28:20)

Diga a Deus: “apesar do medo, estou à Sua disposição para fazer a Sua vontade, porque sei que o Senhor está comigo e jamais me abandonará”.

 

     2)    Precisamos ser tratados por Deus

Quando Deus, da sarça ardente, falou com Moisés, este respondeu: “eis-me aqui” (Ex. 3.4). Mas assim que Deus revelou a missão que tinha para Moisés, ele mostrou que não estava preparado para o novo de Deus, porque passou a apresentar objeções com a finalidade de se esquivar daquela mudança.

Durante toda a conversa Deus foi tratando Moisés para que ele abandonasse o medo e encarasse com fé a novidade que estava se colocando diante dele.

Quando Moisés disse: “quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?” (Ex. 3.11), ele estava certo em reconhecer que não era ninguém e não tinha poder algum, mas estava errado em achar que Deus estava lhe confiando aquela missão com base no seu valor.

A resposta de Deus deixou claro que o êxito da missão não dependia das qualidades de Moisés, e que ele apenas precisaria obedecer ao SENHOR, pois Ele é que faria tudo quanto fosse necessário para a libertação dos hebreus. Moisés seria um emissário de Deus, assim como nós fomos feitos embaixadores de Cristo (2Cor 5:20).

Deus fez Moisés parar de olhar para si mesmo e voltar seus olhos para o Altíssimo, que é exatamente o que devemos fazer também. Não nos concentremos em nós mesmos, nas nossas fraquezas ou qualidades, mas fixemos nossos olhos em Deus, que é poderoso para fazer mais do que imaginamos.

Ao responder à segunda objeção de Moisés, Deus diz o Seu nome, pelo qual Moisés deveria apresentá-lo ao povo. Aqui Deus estava tratando com Moisés na questão do relacionamento. Moisés precisava conhecer mais a Deus, e ali isso estava acontecendo.

Nós também precisamos saber quem é Deus para que possamos nos relacionar com Ele de maneira mais profunda e apresentá-lo a outras pessoas. Quando nosso relacionamento com Deus é superficial, não O conhecemos e não temos condições de agir em Seu nome, de maneira que falharemos em nossa missão.

Moisés ainda alegou que as pessoas não acreditariam nele, mas Deus disse que elas veriam sinais que as convenceriam. Sinais que viriam do próprio Deus.

Da mesma forma, nós também precisamos manifestar em nossa vida sinais que levem as pessoas a saberem que tivemos um encontro com Deus e somos Seus embaixadores. O maior sinal é a manifestação do fruto do Espírito, descrito em Gálatas 5:22-23 (amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio). Mas para isso Deus precisa trabalhar nosso caráter, nossa mente, nosso ser por inteiro.

E também devemos nos dispor a ser instrumentos para manifestação dos sinais que Deus desejar fazer, pois Ele pode querer nos usar para demonstrar o Seu poder e se revelar às pessoas.

A quarta objeção se refere à falta de eloquência, mas Deus a rebate mostrando a Moisés que ele apenas precisaria caminhar com fé e obediência, e que da mesma forma que Deus o estava enviando para falar ao Faraó, o mesmo Deus colocaria na boca dele as palavras certas.

Jesus fez uma promessa muito parecida aos seus discípulos: “por minha causa sereis levados à presença de governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios. E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer, visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós.” (Mateus 10:18-20)

E quando Moisés quis escapar dizendo que não era a pessoa apropriada, que Deus deveria enviar outro melhor, Deus mostrou que ele não poderia fugir da responsabilidade que lhe era imposta, e que ele não estaria sozinho, mas contaria com seu irmão para auxiliá-lo na missão.

Além disto, Deus estava deixando claro que Ele não comete erros quando escolhe alguém para uma missão. Afinal, a afirmação de Moisés, de que ele não era a pessoa certa, colocava em dúvida a escolha de Deus. Mas Deus não erra, e se Ele escolhe uma pessoa, certamente Ele conduzirá tudo até o final.

Assim também nós jamais devemos tentar fugir quando Deus tenciona fazer coisas novas em nossa vida e por meio de nós, mas cumpre-nos reconhecer a nossa responsabilidade perante Deus e o próximo, sabendo que o Senhor nos concedeu muitos irmãos que podem nos apoiar e auxiliar em nossa caminhada, e que Ele próprio está conosco para nos orientar e capacitar.

Em todas as respostas que Deus deu a Moisés Ele deixou claro que o cumprimento daquela missão não dependia da capacidade do próprio Moisés, mas Deus ia suprir tudo o que era necessário para que ele conseguisse fazer tudo quanto lhe fora ordenado. Deus tratou com Moisés para que ele estivesse pronto para o novo de Deus.

Igualmente, se queremos estar prontos para o novo de Deus, devemos nos submeter ao tratamento de Deus, (i) parar de olhar para nós e voltarmos os olhos para Deus, (ii) estreitar nosso relacionamento com o Pai, (iii) buscar a manifestação do fruto do Espírito e demais sinais que mostrem que tivemos um encontro com Deus, (iv) caminhar com fé e obediência, (v) assumir nossa responsabilidade e ter a convicção de que Deus não comete erros, e de que não estamos sozinhos, mas Deus nos concede companheiros de jornada.

 

CONCLUSÃO

Servir a um Deus de novidades implica em saber que durante toda a nossa vida passaremos por períodos em que Deus fará coisas novas em nós e por meio de nós. Precisamos estar preparados para o novo de Deus. Mudanças trazem crescimento, e Deus quer que desenvolvamos nossa santidade e nosso conhecimento dEle a cada dia.

Disponha-se a ser instrumento nas mãos de Deus e lance fora o medo, pois novos tempos virão e Deus nos quer firmes com Ele.

José Vicente